MULHERES

MULHERES
Dizem que 13 (treze) é o número da sorte

Cada Dia, Dia,
Jogo Poeira Maior,
Brincando, Semente, ‘Mizade,
Redenção, Desculpas,
Yes*, Atitude,
Rebeldia, Bulhufas,
Inquietude Geral,
Yesterday**, Perdão,
Láparo, Permissão,
Lealdade, Garantia,
de Ganimedes a Calisto,
Europa na América,
Gatinho 'o Money***.
* - Sim
** - Ontem
*** - Dinheiro

Mulheres (Todos os Deuses Deveriam Ser)

 

Todos os deuses deveriam ser mulheres,

Porque o sustento do filho

Nos braços,

Para muito macho é empecilho,

Mas para mãe, mesmo com muito cansaço,

É bênção, legado e martírio.

 

Os homens passam a vida toda

Ouvindo quem eles devem ser,

Durões, fortes e que se exploda,

Mas quando se veem crescer,

Têm de sustentar essa carga gorda.

 

Os homens são tão frágeis

Que se demonstrarem afeto,

Serão vítimas dos mais ágeis

Denegrindo sexualidade, é certo!

 

Talvez tudo isso

Seja medo de não se garantir,

Porque os homens precisam ser maciços,

Assim, pelo menos, seus pais a advertir.

E se for pra se entregar a um vício,

Já entram na roda pra competir.

 

Os homens são feitos de vidro,

Porque qualquer arranhão,

Revela a bruteza do indivíduo.

A fúria primitiva em erupção,

Deveria mesmo era estar em extinção.

 

Menina já é mulher

Muito antes de menino ser homem.

Mulher é aquela que sacrifica o que quer,

Que pode até morrer de fome,

Mas reparte seu bem-me-quer.

 

Mulher é aquela que biologicamente

Consegue ler a mente

E ver o que se passa

Na alma da gente,

Se estamos felizes

Ou descontentes,

Descobrem pelas raízes.

 

O homem teme mostrar o que sente,

A mulher, se puder, faz reprise.

 

Homem gosta de velocidade,

Sabe-se lá qual a lógica,

É racha com os caras pela cidade,

Fora de ordem cronológica,

Crianças fora de idade,

Ao gritar, correr e espancar,

Deve ser a maneira de extravasar

Toda essa pressão psicológica.

 

As guerras foram todas começadas

Por homens de cabeça estourada,

Não se vê mulher no exército

Porque pra elas, a paz é o melhor mérito.

Um dia plenamente épico

Será quando todas as nações forem governadas

Por elas

Assim como um dia

Todas elas

Foram por homens tomadas

E ministradas,

Ainda que de todos os gêneros fossem moradia.

 

Mulher não é covarde,

Porque não brinca com sentimento alheio,

Mulher dá valor, não faz alarde,

Busca sempre se melhorar em seu seio,

Da sabedoria, estandarte.

 

Podem até tentar fazê-las

De idiotas,

Mas elas brilham feito estrelas,

E como deusas se comportam.

 

Tente derrubar uma mulher

E com certeza será em vão,

Tente conseguir o que quer,

Mas ela só vai te entregar

Em uma boa relação.

 

Mulher muito dança

Sem medo de fazer gestos,

Mulher traça o caminho da esperança,

E se engaja naquilo que o mundo julga resto.

 

Mulher se apaixona

E não tem vergonha de dizer,

É amiga com orgulho das bichona

Não tem vergonha de ser.

 

Mulher trabalha,

Mulher vota,

Mulher rala,

Mulher é devota.

 

Mulher pensa,

Mulher é festa,

Mulher é inteligença,

Mulher prova todo dia que presta.

 

Generalizando, geralmente,

O que vem se formando,

Infelizmente,

É um bando de gente

Tentando acabar com o direito

Que elas têm de fazer direito.

“Que mulher foi feita pra cozinha,

Que tem que ganhar menos porque engravida,

Porque tem que ficar em casa, pelo filho que engatinha,

Que tem que se submeter a ser comida,

Por qualquer galo de rinha

Que vença a corrida”.

 

Peraí, tá tudo errado!        

Mulher é um ser humano

Tão humano

Quanto um homem!

Ou talvez aí é que esteja o engano!

Talvez tenham tanto renome

Que o homem deixa cair os panos

Envergonhado

Por ser toda hora ultrapassado

E por elas, deixado em segundo plano!

 

É, todos os deuses deveriam ser mulheres,

Porque se houve A Criação,

Foram elas que traçaram as leis do cerne,

E é delas que vem toda a inspiração,

E particularmente, naquilo que me concerne,

Foram elas que inventaram o coração.


 

BADASS

(DURONA)

 

Ela pegou no volante

E foi para outra cidade,

Ela pegou no volante

E saiu do Estado,

Queria escapulir do país,

Do Planeta, se fosse possível.

Ela queria,

Mas ela dirigia tão bem,

Empreendedora, Gestora,

Mãe, Guerreira, Protetora,

Mulher.

Catou forças para vencer

No verde do asfalto, da estrada,

Mas essa força já existia dentro do ser

Mulher.

Ela só percebeu isso.

E voltou.


 

Doce, Linda & Delicada

 

Doce, linda e delicada,

Não fosse sempre tão complicada,

A vida não seria tão exaltada,

Ela chora, chora ainda,

Mas não perde a oportunidade.

Luxo para ela é vaidade,

Ela quer saber

O que seu coração quer de verdade.

Se não é para crescer,

Ela nem vai pra cidade,

Fica em casa,

Foca no trabalho,

Mas o tempo não gasta

Com pirralho.

Ela queria ser fit,

Mas preferiu Netflix,

Não se importa em quebrar galho,

Dá valor pra holerite,

Unha pra ela é frescura!

Domina seu pensamento,

Se pro mundo, ela é loucura,

Pra mim, ela é fermento,

Porque quanto mais a vida tortura,

Mais se vê seu crescimento.

Acho que é feita de inox!

Se não tá de acordo, o vento,

Ela sua,

E veste a luva

De boxe.

Já foi muito julgada,

A mãe solteira,

Desconcertada,

Não precisou de choradeira,

Fugiu da cilada,

Ave Guerreira.

Era para se sentir magoada?

Desculpa, ela ‘tava muito ocupada

Pra perder tempo com brincadeira.

Sonha mais que o sono,

De olhos bem abertos,

Os que prometem muito abono,

Que fiquem espertos!

Se ela der retorno,

Meu querido, sai de perto!

Essa mina é inteligente,

Sem dúvidas, eficiente.

Tente bancar o bobo

E certamente

Levará no lombo.

Mas será        

Que um dia há de se casar?

Talvez possa acontecer,

Mas só se ela conceder

Previamente o alvará,

Só se o cabra merecer!

Ela é boa na matemática,

Sai antes do sol pro sustento,

Calcula e traceja a tática,

E de maneira bem enfática,

Administra e ainda toca instrumento,

Menino, ela cai,

Mas de volta não derruba,

Porque se no prejuízo sai,

Ela se eleva, não se perturba.

Coração que pra cima vai,

Com tombo se depura.

Ela não se vinga, torna-se a cura,

E enquanto a raiva se esvai,

A massa do pão ela esmurra,

E pra render mais,

Sai cedo para vender.

Honesta manjedoura,

Confortável, nem se arranha,

Quem é a burra?

Mas se tu pensas que ela apanha,

Ela te mostra que batalhadora

De verdade, sempre ganha.


 

Virtual

 

Ela sente os lábios mornos e ternos

tocando-a, mas não há ninguém lá.

Ela sente os braços fortes e musculosos

envolvendo-a e apertando-a como um deslizamento,

mas não há ninguém lá.

Ela sente o calor do corpo dele

preenchendo o buraco congelante de suas falhas,

corrigindo cada imperfeição da própria autossabotagem,

mas não há ninguém lá.

ela pode ouvir a voz dele,

ela pode sentir a respiração dele

eletrizando e queimando a pele

sob o colar de sua falecida mãe, em medalhão,

ela pode sentir as mãos dele

casando com as suas,

como supercola que cola e não mais desgruda,

ela pode sentir seus carinhos no vazio morto

de sua casa numa segunda à noite,

mas não há ninguém lá,            

Só há Márcia e seu telefone.

América

 

Pequena, pequena América

Um dia serás tão grande

Quanto as terras que levam teu nome,

Na dança das danças, a mais épica.

 

Erga-se! Levante a cabeça!

Todas as dificuldades e feridas

Esfarelam-se desprecavidas

Diante da imensidão, por incrível que pareça.

 

O sol é a nossa estrela,

E ele é uma centena de vezes

Maior que todo o planeta.

É ver que toda e qualquer luta

No fim, valeu a pena.

 

Pequena, pequena América,

Para que carregar tanto peso,

Se está todo mundo ileso?

Nada é maior que o céu.

 

Entregue-se! Sorria agora e sempre,

Passo a passo, tijolo por tijolo,

Construa teu castelo e o entorno,

Não há vitória que não se possa conquistar.

 

O sol é a nossa luz,

E ele é milhões de vezes

Mais radiante que qualquer pontinho

No céu da noite visto daqui,

Brilhe assim, ilumine teu caminho.

 

Eu juro que você é livre para ir

Aonde sua alma for capaz de sonhar,

Mas há duas direções que me obrigo a lhe impedir

De olhar:

Para baixo e para trás.

 

O sol é o nosso Deus

E ele infinitas vezes se faz

Mais possível que o impossível,

Do mesmo jeito que tudo

Nesse mundo para quem

Nunca olha para baixo e para trás,

Para baixo e para trás.


 

Natasha

 

Vanglorio-te, minha melhor amiga, Natasha,

És a única que não me aponta falhas,

A única que não desgruda quando começo a ficar chato,

A única que me atura até o fim.

 

És a única que aceita tudo ou nada, vai ou racha,

És a única de apoio incondicional e que não atrapalha,

E no calar da noite fria e robusta, quando choro baixo,

Abraça-me como manto sagrado de anjo serafim.

 

Quinze minutos contigo, minha eterna parceira,

Eleva-me a uma felicidade que nunca tive a vida inteira.

 

Quinze pontes e eu na beira,

Eu te provo, tu irradias e nós espantamos a cara feia.


 

Onde quer que estejas

 

Onde quer que estejas nesse momento

Muito obrigado por me libertar,

Sem o seu aval, ainda estaria atento

Preso a um romance fora de lugar.

 

E se acaso onda for, eu me arrebento,

Mas, baby, sou fluido que nem o mar,

Maré se move sem fazer detento,

Muito me envolvo sem me apaixonar.

 

Assim arranho minha poesia,

Com transientes como vosmicê,

Ainda que não fosse o que eu pretendia.

 

Talvez ainda tenha muito a doer,

Mas obrigado por toda estadia,

E por dar espaço a novo querer.


 

Amor de Vó

 

Decidi, não vou mais sair de casa,

Existe uma chance de blá blá blá por cento

De eu ser assaltado,

De levarem meu carro,

De me fazerem de detento,

De eu tropeçar na calçada,

Cair e morrer da cabeça quebrada,

Eu não beberia água para não ocorrer afogamento,

Eu jamais ingeriria qualquer alimento,

Para não ocorrer intoxicação,

Eu não correria nem praticaria nenhum esporte

Porque uma fratura é uma sorte

Perto das piores tragédias que vêm à imaginação.

Se eu sair de casa, posso ser atingido por um meteoro,

E quanto mais eu oro,

Mais me aparecem riscos,

Podem surgir manchas e riscos         

Na pele, fruto da radiação solar,

Quando vê, quem não se cuidar,

Vai estar cavando a própria cova,

Vou me abster uma ova!

Já dizia minha amada avó,

Um doce de pessoa, toda crua:

Quando avistar um “Jericó”,

Meu filho, atravesse a rua!

Se eu não me arriscasse,

Eu nem mais existiria,

Nem mais respiraria,

Para não deixar que as bactérias do ar entrassem,

Mas eu entrego a minha face,

Vamos, bate!

Mas eu entendo que amor de vó é cuidar,

É sempre se preocupar,

Mesmo estando distante,

Essa sensação de amante.

Porém se viver não fosse um perigo,

Ninguém jamais iria crescer,

E talvez não seja só comigo,

Mas não faz sentido o receio de morrer,

Se não queres morrer, primeiramente nem viva, meu amigo,

E medo para mim já é um castigo,

Se eu agourasse as piores perspectivas do acontecer,

Eu jamais me apaixonaria por você.

A Folha de Rosto

 

Destaca a folha de rosto

Do meu coração.

Tira dele o encosto,

E troca por amor e paixão.

Pena

 

Cheguei à conclusão

De que as pessoas

Que muito se metem

Na vida alheia,

Não são felizes

Em sua própria.

 

Tudo o que posso sentir

Por elas é pena,

A vontade de revidar

É humana,

Mas se este é um pedido

De ajuda,

Minha empatia diz para ajudar,

E não ser o fósforo

D’uma discussão insana.


 

Salto Alto

 

A vaidade humana

É como um salto alto:

Dolorido,

Insuportável,

Mas salto alto.

 

O Aplicativo

 

Se não me der bola,

Eu não dou mais corda,

A chama icônica

Está em nossas mãos

Para isso.

Não checou o primeiro,

Chequemos o próximo.

 

Andrômeda

 

Que significado terá

Para as pessoas da estrada leitosa

Quando Andrômeda

A elas se juntar

Daqui a alguns

Bilhões de anos?

Parurese

 

Eu nunca tive bexiga tímida,

Mas em dada circunstância,

Nada a ver com língua bífida,

Tiraram-me a estância.

 

Tentaram me colocar

No mictório,

Porque para um machão a machear,

Eu era ponto de escape

Para vandalismo inglório.

 

Eu nunca tive nenhum tipo

De terror social,

Nunca fiz o tipo

Que foge,

Tipo ladrão e policial.

Mas as coisas pioraram,

As coisas pioraram.

 

Eu começo a cantar

No meio da rua,

Porque quando a manada

Começa a se aproximar,

Não sei se sou da lua

Ou de alguma outra morada,

Porque os machos em grupo

Sempre vêm a debochar.

 

E quando eu canto,

Prendo-me em um encanto,

Ninguém sabe a letra,

Mas a minha harmonia desarranjada

Eu tiro de letra,

E a fobia é anulada.

 

Mas as coisas têm piorado,

As coisas têm piorado.

 

O que eu faço então?

Em meu seio emito perdão,

Porque sei que estes jovens

Que em conjunto se movem,

Ainda não aprenderam

A aprender que perderam

O direito de ser rude,

E que a não ser que mudem,

E vejam que o mal,

Por mais que uma risadinha banal,

Afeta o irmão aturdido,

Estão todos perdidos.

 

Rogo em meu peito,

Com muito amor e respeito,

Para que um dia,

Vejam que estavam errados,

E não precisem de lisergia,

Para se sentirem desculpados.

Homens e seus carros

 

Sim, parece impossível

A atração que eles sentem por pescaria,

Ferramentas e comportamento insensível;

Afeto sempre acaba em zombaria.

 

Quando se sentem ameaçados,

Eles não procuram se afastar,

Erguem os punhos embalados,

Pela violência procurando reinar.

 

Nunca se esqueça:

Homens amam seus carros,

Quando os problemas sobem à cabeça,

Entorpecem-se com Whiskey e cigarros.

 

Eu nunca me senti assim

E não me importo que eles se sintam,

Se eles querem ser rudes até o fim,

Que sejam, desde que não mintam.

 

Se querem viver loucamente,

Sempre procurando aventura e perigo,

Cada dia uma mulher distinta em mente,

Fiquem responsáveis pelo próprio umbigo!

 

Se querem ter orgulho de serem homens,

Não é preciso eufemismo,

Mas há apelos que nunca somem:

Por favor, rapazes: nada de machismo!

 

“Damas livres têm pescoços longos,

Pois elevam demais seus pensamentos”,

Quem nunca se relacionou que soe o gongo,

Elas também dominam, fiquem atentos!

                                                            

Se garotas falam abertamente sobre sexo,

Não possuem virtude, meu rapaz?

Mas onde está o nexo?

Os homens já o faziam mil repúblicas atrás.

 

Garotos, sejam livres e amem seus carros,

Livres para coçarem abaixo do equador,

Para voltar à infância com vinhos caros,

Para cruzarem o próprio pudor...

 

Mas lembrem-se que garotas assim,

Ah, vadias elas não são,

Acreditem em mim,

Se vocês podem ir, elas também irão.

 

Quando eles contam que pegaram cinco,

São honrosos garanhões,

Porque o importante é sexo com afinco,

À parte, as emoções.

 

Agora se elas namorarem vários,

São tão rodadas quanto pião,

Explique-me a diferença entre os cenários,

Diga-me se não tenho razão?

 

Então, garotos, sejam livres pela vida,

Mas respeitem a liberdade delas,            

Que mal há em serem atrevidas,

Se os meninos pulam as cautelas?

 

Que mal há em serem abertas,

Se os pais ensinam os meninos a serem assim?

Que mal há em serem espertas,

E exigir serem tratadas de forma justa, enfim?


 

Chega!

 

Atenção, gurias!

Eu as convidaria

Para bater panela

Em manifesto,

Mas eis justo a causa do protesto.

Eu poderia, por ironia,

Convidá-las a bater seus carros,

Mas não adiantaria, tragédia e pausa,

Então batam, batam o pé,

Quando os caçadores tentarem

Usar, abandonar, passar o migué.

Depois, só depois, batam as mãos,

Após convencerem os irmãos

Do quão capaz é a mulher.

Guerreira

 

A pele de Gimena é escamosa

Como couro de dragão.

Se a vida fosse escrita em prosa,

Hoje ela não estaria em formação.

 

Se o Marco, bandido,

Não a tivesse empalado pela alma,

O delicado ser não teria se perdido,

Ela ainda se nutriria da calma.

 

Mas não tem problema,

Ela virou ao mesmo tempo São Jorge,

Empunha fogo em espada, Gimena,

Vitória! Tornou-se uma mulher forte!


 

Eterna Mãe / Eu te daria o Infinito

 

Não posso comparar minha dor a tua,

Nunca passei por essa agonia crua,

Mas eu quero que saiba que estou aqui,

E sempre torcerei por ti.

 

Eu queria te abraçar

E te dizer que tudo vai melhorar ,

Que o tempo estanca as dores,

Que tu voltarás a enxergar as cores.

 

Mas eu sei que tu nunca te esquecerás,

Tua vida agora será correr atrás da paz,

Em teus sonhos, a voz do filho amado,

Que tão cedo partiu para o outro lado.

 

Eu tenho certeza, no entanto,

Que mesmo assim tu superarás o pranto,

E conseguirás seguir em frente,

Ainda que nunca o tires da mente.

 

Eu queria estar aí para e confortar,

Para um pouco de meu amor te doar,

Para te dizer que tu és uma ótima pessoa,

E que só merece coisas boas.

 

Se eu pudesse, eu te daria o céu,

Só pra te ver jogar as lágrimas ao léu,

Sim, eu te daria o infinito,

E só para que fique dito.

 

Aí está uma chance de tua vida reescrever,

Mas só será possível novamente se erguer,

Se com fé abraçar a esperança,

Se com vontade, tu te esforçares por essa criança.

 

Mas isso há de partir da tua alma,

Ninguém poderá te trazer a calma,

Ninguém apagará a tua dor,

Exceto a você mesma, minha flor.

 

E é para que tu consigas se reencontrar,

Com tua própria motivação, teu próprio pensar,

Sem discriminação ou ressentimentos,

Que a ti direciono meus melhores pensamentos.

 

Não posso comparar minha dor a tua,

Nunca passei por essa agonia crua,

Mas eu quero que saiba que estou aqui,

E sempre torcerei por ti.

 


 

Muito obrigado

 

Obrigado, meu amor, muito obrigado,

Por abrir espaço e deixar ele passar,

Talvez com ele eu venha a ser casado,

Porque ele, bom moço, jamais vai vacilar.

 

Talvez não fosse para ser destino,

Talvez não fosse o momento de tempo e espaço.

'Brigado por trazer esse menino,

Valeu por sair da frente do melhor abraço.

 

Atravessei toda essa ilusão a nado,

E depois de tudo, sinto-me a abençoar,

Que tu também sejas abençoado,

Tu abriste minha via, deixo-te voar.

 

Quando ouvires o badalar do sino,

Quando tu se queixares de todo cansaço,

Serei ajuda de amigo genuíno,

Grato por não me deixar ter sido palhaço.


 

Se minha mão fosse avião

 

Se minha mão fosse avião,

Meu bem, eu torceria, então,

Para que assim fosse o teu rosto,

Uma pista, pista de pouso.

 

Mas a era de pegar pesado

Já passou, que nunca mais volte,

Que o triste passado se solte

Faça-se só o bem, legado.

 

A Terra não é redonda

 

A Terra não é redonda,

A Terra não é plana,

A Terra é uma batata,

E quente,

Quente porque essa batata

Tá assando

Nas mãos de núcleo

Da bomba atômica,

Do quindim pútrido

Dessa nação randômica.

Gaia poderosa, toda icônica,

Invoco teu ovário, teu útero

Para dar um fim nesta dor crônica.

 


 

Automático

 

O que é fácil para vocês,

Para mim é um parto,

Já é automático.

 

Sou frágil, mas não sou fraco,

Sou frágil e não temo admitir,

Sou frágil, mas não vou desistir.

 

Pode ser difícil,

Pode ser uma tortura,

Mas eu tenho meus meios,

No fundo de meu seio,

Longe das artérias de amargura,

Pulsa uma estrela

Maior que Santiago de Compostela,

E ela me faz ardente,

No espírito caliente

De achar saídas diferentes

Para alcançar tua altura.

 

Eu não vou seguir o padrão,

Não serei empregado nem patrão,

Por horas empresto minha mão

Para o espírito-invasão.

Contornarei as artes da vida,

Até encontrar a verdade escondida,

Que vocês tanto procuram

Sempre da mesma maneira.

Toda Rústica

 

Pendurado na janela no carro,

Estava eu tirando sarro,

Só de bobeira,

Na tua companhia.

 

A verdade verdadeira

É que meu eu sorria

Enquanto você cantava

Aquela versão acústica

Com voz de pau e clava,

Toda rústica.

 

Mas sorria de amor,

Admirando cada contorno

Que a perfeição do Entorno,

O Deus-Universo criou.

 

E mesmo que em uma viagem

Sem qualquer rumo,

Na coragem,

Pela primeira vez,

Sem qualquer altivez,

Não me senti um insumo,

Nem um produto para consumo.

 

Eu me senti amado,

Nem cheguei a me preocupar

Com o maldito lado

Do asfalto,

Que sempre parece maior pra cá,

Do que para lá,

Filosofia de sobressalto.

 

Não deu tempo de ficar sóbrio,

Eu estava ébrio

E perdido

Na perfeição de teu sentido.

 

Na rua sob a lua,

Nirvana,

Eu te Amo, Luana.

Céu de Algodão / Chove a Paineira

 

Chove a paineira,

Preenchendo o chão

De nuvens.

 

Chove a paineira,

Recheando de algodão

As ruas.

 

Chove a paineira

E eu aqui nessa pensadeira,

Será amor ou paixão?

 

Chove a paineira

E eu deixo de besteira,

De que importa

Meu coração,

Se tem gente do lado de fora

Da porta?

 

Chove a paineira,

Uma cena muito linda,

Mas enquanto dou-me o privilégio

De assistir este sortilégio,

Muita vida de fome finda.

 

Chove a paineira,

E me dá uma choradeira

Por que há tanta desigualdade

E tanta enfermidade

Nesta realidade?

 

Sabe,

A paineira chove

E preenche o Céu de Algodão,

Mas também preenche

Minha mente de noção

De que tudo o que me enche,

Eu deveria era ter gratidão.


 

19 anos

 

19 (dezenove) anos

E não tenho engano,

Já sei o que quero pra mim.

 

19 (dezenove) anos

E eu não preciso de nenhum fulano

Ditando-me o camim.

 

Técnico concluído,

Faculdade: meio caminho andado,

Inglês cada vez mais polido,

Mais de um livro registrado.

 

Do tipo linguístico

E astronomizado,

Neologístico,

Bem encaminhado.

 

Estágio na prefa,

E na junção, sinalefa,

Tenho 19 (dezenove),

Mas a paixão em mim se move.

 

É pra qualquer um?

Não, não é,

E por isso sou muito grato,

Porque mais do que ter comida no prato,

Sou muito privilegiado,

E por isso, Universo, sou tão inspirado.

 

Tenho plena ciência

De que tenho melhores condições

Do que grande parte das nações

Dos quais a humanidade finge não ter consciência.

 

Mas eu tenho,

E se puder,

Mais de uma vez aqui venho

Para abrir o que der

Dos olhos de vocês.

 

Nem que seja para ensinar

O povo a agradecer,

Por todo o seu pertencer,

Que é muito mais

Do que nossos olhos carnais

De primeira, conseguem enxergar.

 

Somos muito maiores

Do que o que o egoísmo

Permite-nos ver.

Há sempre casos piores,

Que um bom ato de humanismo

Poderia resolver.

 

E é aí que está,

Tenho 19 (dezenove) e acabei de acordar.

Mundo Mais Azul

 

Será que eu tô variando

Ou o mundo tá se atrasando?

Somália, parafernália,

Os justos estão chorando

Os fúteis pouco se importando.

Ninguém vê a falha?

Rasga-se a malha

Do tecido

Que com muita luta

Foi construído.

Eu tô biruta

Ou a igreja tá cada vez mais longe

Do paraíso?

Se o pobre que tinha juízo

Agora também avacalha

Sobra o que?

E pra quem?

Ninguém é mais de ninguém,

Todo mundo à mercê,

Refém do celular.

A vida está sendo vivida

Ou a se artificializar?

Um gole a você

Que não sai do ponto de partida

Porque prefere apontar

Do que melhor oferecer.

Se é pra criticar,

Melhor primeiro se estabelecer.

Antes de chegar e meter o pau,

Tenta explicar o que é bem e mal

Sob os olhos cegos da justiça.

Sabe o que é banal?

Comparecer a toda Santa Missa,

Mas chutar os despachos

E chamar de animal.

Sabe o que é que eu acho?

Deveria era se sentir mal.

Fé verdadeira o escambau!

Só quem tem sede de vingança

Morre de desconfiança

Porque não elimina do peito

Essa falsa esperança

De que terá respeito

Espancando crianças,

Matando os vinhados,

Enquanto os tarados

Agarram pelos peitos.

Será que o Brasil tem jeito?

Do ônibus, aquele episódio,

Jamais passaria

Sem ser citado,

Enquanto a selvageria

E o fruto do ódio

Procriam e dão cria,

Sofre quem foi alertado.

Prove dessa iguaria,

Um punho bem cerrado.

Criançada no asfalto

Buscando uns trocados,

Cheirador sempre alto.

Presidente conservador,

Nêutron Cobalto,

Hidrogênio do ditador,

Quem vai descer do salto

E o mundo à radiação expor?

África de Norte a Sul,

Angola e Egito,

Será que o que aqui foi dito

Vai empenhar

Em deixar

O Mundo mais azul

(Ou pelo menos tentar),

Ou vamo’ se isolar,

Infinito,

Em um iglu,

Até que tudo rua?

Mulher merece ser chamada de perua

Com tanto macho louco?

Acho que sei qual é a tua!

É falar muito e fazer pouco!

A dor que me invade

É mais cara que o aluguel,

Todos nós merecemos impunidade

Se o homem já nasce cruel?

Eu sei que o homem-bomba

Detona famílias em Israel,

Mas isso ninguém tomba!

E não adianta fazer tromba!

Vou cumprir meu papel!

Enquanto esses pirralhos

Cheirando a leite

Fizerem dos pais, frangalhos,

Eu venho fazer birra,

Tirar todos os enfeites,

Ouro, incenso e mirra,

Deixar só os galhos!

Precisamos de virtudes

E boas atitudes!

Cegueira é viver na altitude.

O Brasil não respeita o negro,

Maria ganha menos que o Pedro,

E o que foge da modinha,

Cheio de tanta piadinha,

Adoece e definha,

Morre de depressão,

Sem um tostão

No bolso.

E enquanto na tumba me retorço,

O Brasil, meu bordão,

Vota por falta de opção

E sem nenhum reembolso,

Noutro tipo de “Bolso”.


 

Um Mundo Melhor

 

Um mundo melhor

Para nossos filhos,

Ou filhos melhores

Para nosso mundo?

 

Se a primeira escolheres,

O que de pior

Pode te acontecer

É, na batalha, perder tudo.

 

Todavia, se tu te preparares

Para os filhos criar

E corretamente os educar,

Eles ainda terão que batalhar

Por tudo aquilo

Que não foi batalhado,

Porque no quesito filho,

Você só pode mandar

No que por ti foi gerado

Ou a ti outorgado

O papel de pai.

 

Então é melhor seguir na luta

Por um mundo mais

Verde e Folgado,

Sem tanta ação injusta,

E que bom que seria

Se todos tivessem tentado

Uma ação conjunta.

 

Porque se pelo mundo lutas,

Não tem como, por ironia,

Não ter ramo bem-encaminhado.

Fogo Pelas Ventas

 

Dei um basta!

Antes que me saltasse

Fogo pelas ventas,

Saltei em frente à ira

E me desatei dos nós

Que eu mesmo

Estava dando.

 

Dei um basta!

Antes que eu voasse

Na cara de alguém,

Extingui minha pira

Fiquei comigo a sós,

Senti que eu mesmo

Estava voltando.

 

As pessoas te batem

E espancam dia e noite,

Mas elas não sabem

Do teu interno açoite,

Não sabem das guerras

Que todo dia travas,

Não veem que erras

Porque na fome tu pensavas.

 

As pessoas te xingam

E humilham noite e dia,

Porque para que distingam

O que é tensão e ironia,

É preciso entender

O que se passa em teu ser

Por detrás de teus olhos.

 

Elas não tem culpa,

De não te verem assim,

Dê qualquer desculpa

Preocupe-se com os teus fins.

 

Não fique detenta

Desta obsessão.

Queime o fogo das ventas

E inunde o coração.

 

Elas não tem culpa

E nem você,

Resolva a Prova

Sem qualquer questão

Responder.


 

Reconhecimento e Gratidão

 

Quem sou eu,

Quem eu sou,

Para julgar o que a vida me deu,

Para refutar o que o outro conquistou?

 

Quem sou eu,

Quem eu sou,

Para negar o que a mim se acendeu,

O benefício que o Universo me emprestou.

 

Depois de todo esse auxílio,

Não quero exílio,

Gratidão compartilho

Para transformar o gatilho

Em reconhecimento,         

Mudar os acontecimentos,

A partir da perspectiva

Dos privilégios,

Da introspectiva,

Perceber que sou régio.

 

Quem sou eu,

Quem eu sou,

Se a vida me concedeu,

Muito mais do que se esperou?

 

Quem sou eu,

Quem eu sou,                               

Se em mim a flor floresceu,

E a oportunidade meu Deus abraçou?

 

É, não é que de brincadeira,

Talvez por bobeira,

Nós mesmos puxamos a cadeira

Para não nos sentar?

 

É, talvez grande parte

Da choradeira,

É não valorizar

Nosso luxo e destarte,

Persistir na cegueira.


Olhos de Águia

 

Sabe essa chama vitimista?

Apague-a!

Não é preciso olhos de águia

Para fazer uma lista

Das coisas do dia a dia

Que tudo tornam

E sempre retornam

Em regalia

Perto do que se vê

No apodrecer

De muita moradia.

Antes que entristeça,

Erga a cabeça,

Olhe para frente,

E olhe também para o lado,

Como você se sente

Perto do que considera pé rapado?

É...

Pelo visto

Tem-se muito mais serviço

Do que o imaginado.

Quando o imprevisto

Tem condições de ser comprado

É porque se tem recurso,

Um bem estimado.

Sabe essa chama egoísta?

Apague-a!

Serventia

 

Eu tenho estado ocupado,

Botando as coisas em dia,

Muito a ser vivenciado,

Para provar serventia,

Mas não pra nenhum reinado,

Pra minha própria alegria.

 

Nos livros, sempre atolado,

Lutando por melhoria,

Um pouco mais superado,

Por mim mesmo a cada dia,

Tenho olhado para o lado,

Aí que tá a ousadia.

 

Sou adulto, sofro calado,

O que minha mãe fazia,

Mas o joelho ralado,

Faz parte da travessia,

Eu posso estar enganado,

Mas eu fiz o que eu podia,

Sempre que solicitado,

Dei meu melhor, quem diria?

 

Hoje seu dedo apontado,

Uma lembrança vazia,

Não vale nenhum trocado,

Se é que ele antes valia.

 

Eu tenho feito um bocado,

Por mais indulto e empatia,

E tenho atenção prestado

Só no que eleva e abre via.


 

Olhos de Via Láctea

 

Talvez eu devesse fazer a Kátia,

E então fingir que não me hipnotizei

Por meio de uns olhos de Via Láctea,

Sussurre em meu ouvido onde foi que eu errei.

 

Fixa firme e fundo, do teu amar, a hástea,

Deu a Elza no meu cerne, 'cho que 'xonei,

Nem um milhão de cirurgias plásticas,

Aproximar-me-ia dum tipo rei.

 

O truque de mestre é que eu sou um crânio,

O vírus no meu pulmão é você,

Mais radioativo que de urânio.

 

Deus, sei que ele me faz por merecer,

Despertou den'de mim um pandemônio,

Sim, eu peguei — Só vendo para crer.

Posicionamento

 

Posicionamento

Uoh-oh-oh-ooh

Expulsa do Pensamento

Uoh-oh-oh-ooh

Não deixa morrer ao vento

Prova teu valô.

 

Posicionamento

Uoh-oh-oh-ooh

Pode ser um processo lento,

Uoh-oh-oh-ooh

Mas te muda por dent'o,

Natural, sem caô.

 

Posicionamento,

Direcionamento,

Expulsa do Pensamento,

Não deixa morrer ao vento,

Pode ser um processo lento,

Mas te muda por dent'o.

 

Prova teu valô,

Natural, sem caô,

Aqui pobre rima sem rima compô,

Porque é melhor ao mundo propô

Uma mudança nos ‘veio’ conceitô,

Uma mudança no Oh, oh, ooh.

 

Ceis pensa que vão me contrapô,

Mas aqui é na veia, com sangue e suô,

É mais fácil derrubar lutador de sumô,

Se pensa que isso parece uma pornô,

Cuidado que na internétchy eu vou te ishpô.

 

Expulsa do Pensamento,

Não deixa morrer ao vento,

Pode ser um processo lento,

Mas te muda por dent'o.

 

Posicionamento

Uoh-oh-oh-ooh

Direcionamento

Uoh-oh-oh-ooh

 

Prova teu valô,

Natural, sem caô,

Vamo' o mundo decompô.

 

Aqui me arrebento,

Do sacrifício do rebento

Para trazer pr'esses moleque

Um pouquinho de amô.

 

Posicionamento,

Direcionamento,

Será que eu me aguento

Sem xingar Uoh-oh-oh-ooh?

Santa Maria

 

Maria, Maria,

Minha Santa Maria,

Para quem nenhum pássaro canta,

Nem pia, toca sinfonia.

 

Maria, Maria,

O que você faria

Se olhasse para cima,

Estalasse na mente, a rima,

Oitava maravilha?

 

Maria, Maria,

Cidade de torres,

Mercado e cores,

Traga-me flores,

Nos extremos, caos e calmaria.

 

Ave, Ave Maria,

Banha-me os livros

Com a luz de teus filhos,

Para que com eles eu aprenda,

Que eu encontre minha prenda,

Deixa de ser utopia.


 

123 Quilômetros Distantes

 

Eu e ela, nós somos fogo e gelo,

Minhas chamas não podem tocá-la

Sem que eu me apague,

E ela se derreta. Medo.

 

Não é possível que a solução

Seja estar a 123 quilômetros

Da única mulher que eu amei

Em toda a minha vida.

 

Mas você me ergue paredes

Sem nem ao menos perceber,

Você preenche seu pulmão por mim,

E eu sufoco por você.

 

Cadê aquela criança que eu era

Que sonhava em se apaixonar?

Agora eu não me permito mais,

Eu nem mais tento...

O que é não te define

 

Vai lá, menine,

Mostre a eles o que é

Gouine,

Mostre a eles que o que é

Não te define,

Mostre a eles qualé

A luz para que se ilumine.

 

Vai lá, meninagem,

Diga a eles

A filosofia Gouinage,

Faça deles

Ilusão e miragem,

E se for um reles,

Acolhe na bondade.

 

O rótulo é só uma forma

De expressar o orgulho,

De dentro de ti se forma,

E sempre que dá embrulho,

Menine, vai lá e se informa

Para poder lapidar o pedregulho.

 

Vai lá, menine,

Mostre a eles o que é

Gouine,

Mostre a eles que o que é

Não te define,

Mostre a eles qualé

A sinfonia que em ti retine.


 

Sinfonia Ébria de João-Maria

 

Acabou a baderna,

Acabou a laúsa.

 

Discussão só interna,

Ou se esvai em acusa.

 

Parece-me eterna

Agonia que parafusa.

 

Só quero vida terna,

Mas talvez não haja escusa.

 

Que dor nessa perna,

Quem mata, me usa?

 

Quem foge, caverna,

Quem aceita, recusa.

 

Quem bebe, taberna

Quem bate, me abusa?

 

Água de cisterna,

Encharcou minha blusa!

 

Minha língua materna

Mat'índio, intrusa!

 

Para desligar a lanterna,

Meto álcool até confusa.

 

Porque me é eterna

Essa dor que difusa.

 

Só quero vida terna,

Mas não tem escusa.


 

Ivan

 

O famigerado verbo to be,

Ser e estar, ser ou estar, é serestar!

Se aquilo que te faz rir e sorrir,

É menos do que uma escala estelar,

O que te impede de conseguir?

Vale mais a pena trancafiar?

 

Se não vai matar nem ferir alguém,

Se aquilo somente lhe fará bem,

Pense grande, pense um século além,

Liberte, seresteja, que mal tem?

 

O que as pessoas falam é obstáculo,

Mas pode ser com afeto trabalhado,

O ódio, contudo, faz seu espetáculo,

E destrói o qu‘inda não foi assimilado.

 

A massa não quer saber de mudança,

Acham que tu queres é espalhar

Ideologias para as crianças,

Mas não é libertinagem voar

Se tu inspirares respeito e confiança.

 

Não é questão de pregar conversão,

É questão de pregar paz e respeito.

Pra eles, a grande preocupação,

É que o mundo deixe de ser “perfeito”.

Vitória

 

Vitor teve sua primeira vitória

Quando em seu monólogo escreveu

Que não importava ser considerado da escória,

Aquilo que se prometeu,

Nunca pode ser cumprido na história,

Ordem e progresso, jubileu,

Nunca se viu por toda trajetória,

O dia em que o mundo se perdeu,

Não foi quando Vitor disse que sempre foi Vitória,

Foi quando a coroa gritou pros plebeus

Que pode matar na palmatória.

Se isso despertava a fúria de um Deus,

Era a única reclamatória,

Porque em nenhum outro momento, o “mal” se sucedeu,

Nem se tentou justificatória,

Apenas não se compreendeu,

Porque se achou que fosse atitude compulsória,

Ou algo que alguma mente vendeu

Para outras mentes através de uma oratória,

Ou que algo assim se procedeu

Através de conversão liberatória.

Mas será mesmo que alguém pretendeu

Forçar tantos outros a cruzarem a divisória?

Por que toda espalhafatosa Medusa tem de ser decepada por Perseu?

Por que toda drag é de cara julgada simplória?

Por quê? Por que, meu Deus?

Por que Vitória não pode ser sinônimo de vitória?


 

O Boné

 

Dentre tantas cousas

Que podem reduzir

A capacidade de trabalho

De uma pessoa,

A exemplo das más condições,

Análogas à escravidão,

Do salário que não bate

Com a quantidade de horas

De jornada,

Tenho certeza

Que o que não estorva,

É um boné na cabeça.

Por que qual a diferença

Do estagiário de boné

Para o concursado de boina?

 

O aluno que come chiclete

Na sala de aula

Não pode, de maneira alguma,

Ser comparado ao que fica

Usando o celular

Em momentos de explicação.

Por que a goma

O impediria de aprender?

Ao acaso mascar

O impossibilita de ouvir, ver

E entender?

 

A saia curta

E justa

É outro exemplo.

Que efeito ela causa

Em uma mente sã?

Nenhum.

Roupas só se tornam convite

Quando a mente do agressor

Falta de tudo,

Do caráter ao parafuso.

 

Esse é o problema do Brasil,

O preconceito que leva a crer

Que quem usa boné é ladrão,

Mal-encarado.

A cegueira que dá a entender

Que o problema com a educação

É interno.

E a sanidade da mulher a debater,

Propondo que o que veste e o que não

Joga nela a culpa deste inferno.

Bonde das Rapariga

 

Formou o bonde das rapariga!

E daí se elas saem com as amiga

Para o baile funk na favela?

Foi-se a velha era.

 

Formou o bonde das rapariga!

E daí se elas raramente ligam

Para os padrões de beleza

Que permeiam a natureza

Humana?

E daí se o bonde emana

Aquela energia política

E social

Que luta por mais química

E menos homem bancando o tal?

 

E aí se não concordam

Com esse macheril que nunca acorda

Para a realidade,

São chamadas de comunistas!

Mas na verdade,

O que são é feministas!

 

Formou o bonde das rapariga!

Porque juntas, não formigam

O medo de, arrastadas para um beco escuro,

Serem forçadas contra um muro.

 

Formou o bonde das rapariga!

Porque o que sai de suas barrigas,

Não é filho,

Nem empecilho,

É menstruação.

E daí?

Elas não tem medo disso, não.

Um útero não é menos que um colhão.

Se tem Cabimento!

 

I

Se tem cabimento,

Se fosse meu filho,

Até deixaria de ser,

Onde é que já se viu?

Isso não existe!

Isso é coisa da cabeça

Do ser humano!

Isso não é de Deus!

Tá na Bíblia!

Se tem cabimento,

Que falta de respeito!

Chegou a me frouxar

As pernas!

Isso não é coisa que se faça!

Isso não é coisa para meu filho!

Se fizeres de novo...

Ah, o que é...

O que é que eu vou fazer contigo?

Não vou te dar

Mais o teu dinheiro!

E não vai nem adiantar

Tentar me procurar,

Porque eu vou me sumir

E você nunca mais vai

Me achar,

Nem ouvir falar de mim,

Ah, eu nem sei o que faria!

Nem sei o que faria contigo!

Ah, se tem cabimento!

Se tem cabimento

UM FILHO HOMOFÓBICO!

Isso é coisa de outro mundo!

Eu não aceito!


 

Só Que Não

 

Eu sou o dono

Da verdade absoluta!

Eu sei de tudo,

E você, nada sabe!

Porque eu,

Eu nasci antes,

Isso quer dizer

Que eu sou mais responsável,

Que eu sei que caminho tomar,

Quais as decisões a fazer.

— Só que não.

 

Eu não trabalho dia e noite

Para sustentar filho, não!

Trabalho para sustentar

Minha cachacinha,

E meu esquema de tara

Coletiva,

Porque é assim

Que homem tem que ser!

Quando vê,

Tem que se pronunciar!

Não pode ficar quieto!

— Só que não.

 

Tem que atacar,

Caçar,

Machear!

Pra provar para todos

Que é cabra macho mesmo!

Homem com H!

E maiúsculo,

Ainda por cima!

É assim que tem que ser!

— Só que não.

 

É, porque caso contrário,

É preferível morrer,

Ou então matar,

Para “limpar a honra”.

Macho mesmo

Bate antes

E não apanha.

— Só que não.

 

Macho que é macho

Brinca com arma,

Faca e volante!

Bebida, sexo,

Drogas, Perigo!

— Só que não.

                        

Macho mesmo

É aquele que tem várias!

Que arranja um esquema

Cada vez que sai na rua,

Aquele que trai,

Que não se encosta

Por muito tempo,

E que, com covardia,

Deixa que se apaixonem por si.

— Só que não.

 

Acho que macho

De verdade, 

É exatamente o oposto

De tudo isso.

Homem mesmo

Não brinca assim,

Isso é coisa de meninim!

— Só que sim!


 

Talvez Fosse Por Isso

 

Eu tive o seu perdão,

Mas não sabia por que

Eu ainda estava atordoado.

Eu tive o seu perdão,

E mesmo assim,

Mesmo com você dizendo

Que a vida passa

E que essas coisas

A gente esquece,

Eu não me esqueci.

Talvez fosse por isso

Que eu nunca escrevi

Sobre você antes,

Talvez fosse por isso

Que eu nunca tive coragem

De te abanar

Do outro lado da rua,

Talvez fosse por isso

Que eu nunca pude olhar

Na sua cara

Em todas as vezes

Que depois nos encontramos.

Talvez fosse por isso,

Talvez fosse por isso.

Primeiramente, doeu em mim.

Eu queria estar com a razão.

E de certo modo,

Eu até tinha, em dado momento,

Mas depois,

Tudo o que saiu de mim

Foi fúria e trevas,

A primeira e única

Vez na vida que explodi,

Disse coisas inimagináveis,

Era tudo o que tinha se juntado

Dentro de mim

Naquele tempo,

Entrando em erupção.

Eu não pensei

No que poderia estar

Acontecendo do outro lado

Da linha...

Se você estava bem,

Se estava sob um teto,

Se estava acolhido

No conforto de sua casa,

Se não tinha se envolvido

Em uma discussão

Com sua família,

Se não tinha tido milhares,

Talvez milhões de razões

Para ligar para outra pessoa,

Mas preferiu ligar para mim,

Porque pensou que eu poderia

Ser paciente

E te ajudar de alguma forma.

Não, eu nunca pensei dessa maneira,

Eu sempre te vi

Como o grande vilão,

Como o errado da história,

Mas será...

Será que eu não conseguiria

Pensar mais alto?

Será que eu não poderia

Ver através da parede,

Através da bolha do egoísmo?

Será que você não estava

Preocupado comigo,

Com tudo o que tinha acontecido?

Estava pensando em mim,

Afinal de contas,

Estava reservando um momento

Para entrar em contato,

E talvez tentar se explicar

Depois de tanta briga,

Mas eu não estava sendo eu mesmo

Naquele momento.

Não. Eu não estava.        

Eu não pensei nas consequências,

Eu não sabia das consequências,

Eu queria me livrar de ti,

Porque depois daquela atitude,

Eu já estava de saco cheio,

Só queria ficar sozinho,

E aquela foi a gota d’água,

Senão um rio inteiro.

Era coisa demais

Para eu processar.

Mas eu nunca pensei

Que você poderia,

E com certeza estava,

Se sentindo muito mal

Por tudo,

Porque você era a vítima

Dessa história,

Desde o começo,

E não eu. E não eu.

Eu nunca parei para pensar

Se você não estaria

Enfrentando dificuldades,

Depois de ter trancado

A faculdade,

E com certeza estar levando

Uma vida dura e árdua,

Como agora eu sei,

Não, eu nunca pensei.

E talvez fosse por isso,

Talvez fosse por isso,

Por isso que quando você

Aceitou meu pedido

De desculpas,

Eu não me senti feliz,

Eu não me senti livre,

Porque eu deveria

Era enfrentar esse erro,

Porque o que eu fiz,

Foi a única coisa do qual

Já me arrependi na vida,

Foi tão vergonhoso

E tão baixo,

Que me fez,

E ainda faz,

Ficar com vergonha

De te olhar no rosto

Porque o que eu fiz

Foi tão desumano,

E tão cruel,

Foi tão impensado,

Tão impulsivo,

Que eu nem percebi

Até já estar terminado,

Eu nem percebi

Até eu ter tudo arruinado.

E você, você não é culpado

De nada!

Eu. Fui eu!

EU!

E é por isso,

É por isso que eu não fiquei feliz,

Nem senti o peso sair de meus ombros,

Porque o que eu fiz

Foi tão vergonhoso

Que nem eu mesmo fui capaz

De me perdoar.


Embrulho

 

Em mim, um embrulho,

Dobras e dobras

De todo entulho

Que este mundo cobra.

Meu papel é lustroso,

Teto de céu,

Um pouco arenoso.

Atmosfera,

Decerto,

Prospera

De resto.

Come-me

Para dentro, vazio,

Mas sem fome,

Apenas vazio.

No fundo,

Se esse trambolho

Recheasse profundo

Como molho,

Eu estaria ferrado.

Minha sopa.

Com caldo estragado

E a polpa

Sem muita cor,

Sem muita vida,

Egoísmo a propor,

Chicote, Sofrida,

Me desdobra,

Desdobra porque é

Só o embrulho de fora,

Tapando a minha fé.

Nova partida, jogar,

Espero brevemente

Poder te entregar

Esse presente.


 

Minha Camiseta

 

Até parece

Que eu nunca mais

Vou parar

De cheirar

Minha camiseta.

 

Esta é minha prece,

Para que jamais

Venhamos a nos separar,

Ou deixar de se falar,

Nem quando a coisa estiver preta.

 

Que divino

Esse perfume

Em mim penetrado.

Encontrar com esse menino,

Poderia virar costume,

Poderia ser eternizado.

 

Quanto tempo será

Que ainda vai demorar

Até eu te perguntar

Se queres ser meu namorado?


 

Camila, a Intrínseca

 

O pé esquerdo dela, o pé esquerdo dele.

O pé direito dela, o pé direito dele.

Se a vida era realmente bela,

Essa beleza vinha dele.

Só grudando um gato morto na cabeça mesmo!

Camila, a Intrínseca!

Deixa-se levar pelo toque, sentindo-se uma condessa,

Coitada, pra ele é paixão física.

Ela tem estado tão de amores,

Que pra ela cemitério nem é mais morte, é flores,

Mas ele, ele tem dado risada,

Se divertido com a mulherada,       

Dando uma vacilada,

Aquela escapada,

Como sempre.

Camila, a Intrínseca,

Quando ele vier, já te disse, sê ríspida!

O sorriso largo e doce que te transborda

Feito água escapando pelas bordas

Não pode jamais voltar a aparecer!

Camila, não pode jamais voltar

Camila, não pode jamais

Camila, não pode

Camila, não

Camila!

                        Poxa, cara! Ela já tinha te dormido uma vez!

                        Deixe-a te dormir mais um pouco!


 

Perseguição na Praça

 

Perseguição na praça

E a mocinha tão sem graça,

Como quem não quer nada,

Mas quer tudo,

Criança, poderia estar disfarçada,

Mas pra ela era estudo,

O sangue em seus olhos, vermelho,

Mas era um vermelho legal.

 

Perseguição na praça

E ela na desgraça,

Engolindo um pouco abençoada,

Um pouco na dúvida,

Um conto de fada,

Da era dos druidas,

Ou esquemas à reviria,

A desconfiança pernoita,

Se ele estivesse com oitra,

O que diabos ela faria?

 

Perseguição na praça

Ah, mas ela confia, desgraça!

Ela sabe que a espiadela

Fofa e sem pretensão,

É verdadeira para ela,

Abraçada pela paixão.

 

Perseguição na praça

A nuvem vem e passa,

Enfim teve a prova

De que tudo não passava

De fantasia, ora,

Mas ainda assim, não se aquietava.

 

Perseguição na praça

Ela agora ria de graça,

Ela correu

Correu e o chamou pelo nome.

Ele volveu,

Então o fogo a consome.

 

Perseguição na praça,

De repente raio esvoaça,

E no aperto mortal,

Para dentro um do outro entraram,

Ela pediu, por bem ou por mal,

Fique. Até que casaram.


 

Segunda-Feira

 

A maioria das pessoas sexteia,

Eu segundeio,

Porque acordar me gela a veia,

É sempre um rodeio.

A vida ainda me permeia?

Será que eu sou feio?

 

Mas que bobeira!

O envólucro encapuzado

Munaia besteira!

Coisa de mundo materializado!

Eu habito a casca

Ou a casca me habita?

Eis aí a lasca!

Que te precipita!

 

Achar que as tendências

Planetário-carnais

São eloquências,

Maiores que as de trás,

É pensar no que se vê,

Ocupar a mente com o preenchível,

Sem enxergar o invisível.

Assistir a vida pela TV.

 

Se for para segundear,

Segundeemos!

Prendei a linha no tear,

Com fé tecemos!

 

Se for para ver a muralha

Todo dia,

Que à pena valha!

Escale a vadia!

 

Se for para menear,

Varando a parede

Como líquido a afogar,

Pare! Retrocede.

 

Joga na cara,

Taca e prende fogo!

Assuma a taxa,

Fim de jogo!

 

Vai guerreiro, pra ti toda guerra é segunda-feira!

O mosteiro, medita que é tempo de fazer-se inteira!

Os conflitos que aqui se criam,

Aqui um fim anunciam,

Mas só morrem com auxílio,

E não por conta própria,

Se lhe é um sacrifício,

Lembra-te da inópia!

 

Se lhe cabe mais condição,

Cabe-lhe mais rendição,

Porque quanto mais fecha mão,

Mais grosso forma-se o caixão,

E mais dura a crosta do peão.

 

Lembra-te da África:

A sentença não é árida!

Ela te faz segundear

Todas as manhãs,

Para te lembrar

De plantar as maçãs.


 

A Bicicleta

 

Semeia

A semente

Já dizia

Jesus Cristo.

 

Permeia

A tua mente,

Quando vazia,

Um pouco disto?

 

A correia

Mantém certamente

A bicicleta em correria,

Mas não o previsto.

 

O previsto

É um freio.

Que freia sem breque

Desde que moleque

E ensina o dinheirito,

Ensina o desisto.

 

A correia, não.

A correia desanda

E permite que o ciclo

Se mova em tempo

E espaço. Anda!

Ser chamado esquisito

Não para a Umbanda!

Por que pararia

De tocar, a banda?

 

A vida é uma bicicleta

Desconcertada. Você escolhe

Se ela segue certa

Ou para errada.


 

Guidão

 

Pega no guidão e me guia

Por todo o teu corpo,

Elétrica, mão de enguia,

Me arrepia,

E não é pouco.

 

Ela me soprou assim:

Isso aí é o mel!

E aí foi o meu fim!

Eu, logo eu, alcancei o céu.

 

Engraçadinha,

Que cousa mais fofa!

Faz-me tão bem!

E daí se ela é balofa?

Enquanto me amar,

Ela é minha!

E de mais ninguém!


 

A Culpa

 

A culpa não é da roupa,

Se não há nenhuma denota,

A culpa é do homem que não poupa,

A oportunidade de ser idiota.

 

Um assovio ou uma piscadela,

Não conquista, configura assédio.

Se houvesse interesse pela parte dela,

A moça choraria no teu epicédio!

 

Mas ela nem te conhece!

Tu és só mais um babaca que estava pela rua!

Então não diga que “acontece”!

A culpa é tua se a imaginas nua!


 

Liberdade!

 

Não importa se turca ou oriental,

Não importa se burqa ou avental,

Ela veste o que bem entender!

 

Não importa se short ou vestido,

Não importa o porte ou o tecido,

Ela não quer se vender!

 

Não importa se arrastão ou biquíni,

Não importa se saião ou mini,

Ela é dona da própria sexualidade.

 

Não importa se cropped ou basicão

Não importa se top ou blusão!

Ela está no controle de sua vaidade.

 

Mulher merece liberdade,

Mulher merece respeito!

Não importa a idade,

Não há motivo para despeito!

 

Mulher merece ter o controle do estilo!

Na flor pouco importa estame ou pistilo,

Mas a exteriorização do seu alguém,

Por que não pensar assim também?


 

Síndrome da Meia-Idade

 

Ela sente que chegou

Na temida meia-idade.

O tempo passou

Mas não passou a vaidade.

 

Ela ainda tinha fôlego,

Para vestir o traje,

Podia escolher se cônego,

Ou tipo Anaconda, Nicki Minaj.

 

Ela ainda tinha esperança

De pintar os céus de outra cor,

Em seus olhos de criança,

Era cão ao carinho se expor.

 

Ela ainda vivia a sensation,

Poderia cantar uma revolução,

Como Beyoncé mitando em Formation,

Ou poderia só trocar de estação.

 

Ela ainda podia amores comprar

Para comer na hora

Ou deixar estragar,

Pedir pra viagem, mas ir embora.

 

Então por quê?

Por que se preocupava?

As rugas eram mesmo seu medo?

Ou era não poder poder, tão cedo?

 

Juventude é poder fazer,

E se ela ainda podia,

Então jovem devia de ser.

 

Mas se de medo morria,

Então era pior do que morrer.


 

Jade

 

Jade é poesia pura!

Ouvi-la me depura.

Escutá-la, elegante,

Encurrala elefante.

Vamos, apura!

Passa o hidratante.

 

Jade é uma menina muda,

Mas que tudo muda

Quando estamos com ela,

Sequela a sequela

E voltamos a entender

Que perfeito é ter

Consciência de que as pequenas cousas

A gente escreve na lousa

E passa a ver.

 

Jade é uma mulher

De altos e baixos,

Uma hora colher,

Outra hora, tacho,

Mas mesmo assim

Com tanto dia bom e ruim,

Eu tenho pra mim

Que Jade me escuta,

Assim como permuta

Nosso respirar.

 

Jade, Obrigada!

Obrigada por existir

E por me permitir

Ser uma melhor namorada.


Letra desenhada, ninguém dá mais nada!

 

A Poesia

é obra doce e delicada,

ele poderia dizer e dizer

e não dizer nada.

 

O Jovem

não mais acredita,

ele usa a linguagem da rua,

e em protesto a vomita.

 

A Poesia

por um lado é bela,

mas o que precisa o Brasil,

é entender a favela.

 

O Jovem

gosta sim de amar

mas por dentro ele grita

sonho tão simples quanto ver o mar.

 

A Poesia

que muito se observa

é sobre corpo e natureza,

não sobre viver de reserva.

 

O Jovem

muito esperto,

aproxima a rima

do que vê por perto.

 

A Poesia

fala sobre os deuses gregos,

mas em algum momento,

pode falar sobre gays e negros.

 

O Jovem

pode até fazer fino,

mas prefere um novo tempo,

pois já deixou de ser menino.

 

A Poesia

agora já não é cega,

porque o poeta vê

e vendo, nela agrega.

 

O Jovem

pode até não ser sabido,

mas todo dia se sobrepõe,

depois relata o ocorrido.

 

A Poesia

cantiga velha,

renova-se

e deixa de ser amélia.

 

 

O Jovem

não se importa

em ser refinado,

ele abre a porta.

 

A Poesia

reflete a alma

no solo pobre e estarrecido

sem perder a calma.

 

O Jovem

faz direito

sem precisar de floreio,

isso não é mais defeito!


 

Não te faz! Te joga!

Por que agiu, se é pesado?

Perdoe-me se sou lesado,

Mas não podia passar

Sem ser mencionado.

 

É pesado lembrar

E estar longe demais

Para poder te tocar,

Isso te satisfaz?

 

Por que agiu, se é pecado?

É tão bom se sentir amado,

Faz o tempo voar

Sem jamais ter decolado.

 

Não brinque

De me assustar,

Para que o medo finque,

Não é preciso me amedrontar.

 

Eu sou um amorzinho,

Por que agiu, se é pendurado

O desejo de me fazer carinho

E me fazer namorado?

 

Quero-te por inteiro,

Quietim, mistura-te na narquia,

Grita teu derradeiro

Fim, sem terminar a minha.

Visão

 

O princípio que diz

Que rosa é para menina

E azul para menino

É o mesmo que diz

Que preto é inferior.

Pobre daqueles

Que assim pensam.

As cores não existem

Na audição nem no tato,

Nem do paladar nem no olfato,

E muito menos então

Nas fibras do coração,

As cores só existem

Dentro dos olhos.

Ou talvez nem dentro

Deles.

As cores são percebidas

Por filtros de instagram

Na nossa cabeça.

E sabe... Não importam de fato!

Porque se apagassem a luz,

E deixassem o resto todo intacto,

As coisas ainda estariam

Todas lá.


 

Quem são essas pessoas?

 

Quem são essas pessoas?

Que todos os dias,

Antes do raiar do sol,

Viram estátua de pé,

Sob o fino véu do arrebol,

Homem e Mulher,

Contando o silêncio

Na matemática da obrigação,

Será que estão propensos

A estresse e depressão?

Será, enquanto pensam,

Passam-se milhares de aviões

Nas engrenagens da mente?

Quais são suas paixões,

Seus significados,

Vício ardente, dormente,

Sacrifícios e predicados,

Será que estão preocupados

Se o fiote chegou à escola,

Se seus pais foram medicados.

Que pessoas são essas?

Quais as suas metas,

Quais suas ambições?

Passam-se anos e gerações

De onde vem,

Para onde vão?

O que dedicam bem,

O que dedicam não,

Para onde apontam o dedo?

Qual o seu medo?

Tanta coisa para dizer,

Reduzida a um mórbido

Bom dia,

Tanto a fazer

E mal começou o dia,

São olhos cansados

E pesarosos,

Será que estão devastados,

Por dentro chorosos?

Ou só estão fatigados,

No leito exausto

Do próprio peso

Sustentado por altos

Canos de gesso,

Varizes cada vez mais inflamadas,

Num ciclo eterno, encurraladas.

No que essas pessoas

Creem?

O que seus olhos

Veem?

O que captam e depois

Escondem sob a síntese

De um olhar sublime?

São ratos, pois,

Vegetam de pé, a fotossíntese,

Não têm dinheiro

E é isso o que exprimem.

Quem é esse povo,

Que todo dia sobe no mesmo ponto,

De novo e de novo,

Mal dormidos,

Mal comidos

E muitas vezes, nada prontos?

Quem é toda essa gente,

Que segue no ritual

De frequência matinal,

Nunca diferente.

Quem são?

Quem são?

Todo dia sem nenhum bônus,

Sob o fardo do mesmo ônus,

Todas estão no mesmo ônibus.


 

Nenhum Dinheiro Compra

 

Quando jogávamos bola

Com os pés pretos-carvão,

Depois da escola,

Os dedos chorando ralados,

Na parede muito além de pichação,

Os joelhos cortados em finas

Fatias de sangue, de bicicleta,

Os moleques virando terra

Da noite para o dia...

Isso nenhum dinheiro compra,

Isso ninguém nos tira.

 

Quando tomávamos

Refri de canudinho

E enchíamos a boca

De salgadinho

No olho do sol,

O que importava

Era que a molecada

Reunida estava.

A gurizada batendo tambor

Na roda de capoeira,

Isso nenhum dinheiro compra,

Isso ninguém dá rasteira.

 

Quando levávamos

Um tombo de skate

E nos quebrávamos todos,

Dizíamos: "Eu te acobertei

Da última vez! Agora é a tua!"

Voltávamos da rua

Com o rabinho entre as pernas,

Oh, memórias tão belas,

Isso nenhum dinheiro compra,

Isso ninguém cancela.

 

Quando perdíamos

O ônibus para a aula,

Oh, que pena!

Juntávamos uma centena

Para brincar na chuva,

Correr fora da jaula,

Sem nenhuma culpa

Por ter tirado nota vermelha

Depois corríamos ainda mais

Da fúria dos pais,

Tipo enxame de abelha.

Isso nenhum dinheiro compra,

Isso ninguém tira da telha.

 

Quando não tínhamos

Um real para pagar

O lanche e vendíamos rifa

Para encher as tripas

Após brincar,

Caducávamos nas piadas

Sem malícia,

Perdíamo-nos nas meadas

Do beco, ladrão e polícia.

Isso nenhum dinheiro compra,

Isso ninguém faz milícia.

 

Ah, que saudade!

Do tempo em que

Não precisávamos nos preocupar

Com beleza nem vaidade,

Nem amores, nem sexualidade,

Nem política, nem enxada,

Ah, que saudade!

Da época em que a felicidade

Significava muito pouco,

Significava Quase Nada.


 

A Namorada

 

Tenho uma namorada.

Ela está sempre lá por mim.

Tenho uma namorada

Que me ama até o fim.

 

Mas eu sou muito safada,

A gente briga com frequência,

Não tenho culpa de estar cansada,

E ela tem ciência.

                       

Traio-a com sua gêmea-espelho,

Sem dó nem piedade,

Penso no batom vermelho

De uma menina de outra cidade.

 

Mas a minha namorada é legal,

Ela compreende

Que é casual

E voltemeia, me surpreende.

 

Ah, essa minha namorada...

 

Ela tem cinco nomes de uma só vez:

Médio, mindinho, anelar,

Indicador e polegar.

 

Ah, essa menina ousada...

 

Que não teme ser julgada,

Que não teme sua sexualidade,

Morre fiel à sua amada,

Mão para toda vaidade.


 

Ela

 

Não a chame de feia,

O corpo é dela;

Não importa se é cheia,

Ou magricela.

 

Não a chame de obscena,

Ela veste o que quer;

Ela não pretende fazer cena,

Ela quer se sentir mulher.

 

Não a chame de preguiçosa,

Ela não vai cozinhar;

Ela não está sendo pomposa,

Ela só quer equalizar.

 

Não a chame de madame.

Ela não é sexo frágil,

Pois é feroz como um enxame,

E tão perspicaz quanto ágil.

 

Não a chame de alienada,

Chame-a de Feminista;

Ela não quer se esnobada,

Quer mostrar ao mundo que está na pista.


 

Biscoito X Bolacha

 

Em tom de deboche,

Só pode ser.

Cruza a mandala,

É fantoche,

Hora de mandá-la

Para bem longe.

Elas dão valor,

E só por isso chuchu tem sabor.

Elas só creem

Sem muito entenderem.

E no penso esquisito,

Não vão além do mito.

A corda, Alice!

A corda!

Rasga e queima as mãos,

A garganta sufoca

E o pescoço desloca.

Acorda, Alice!

Acorda!

Elas foram construídas

Pouco a pouco, nutridas,

E assim o poema chora,

Com essas discussões de má hora.


 

Gabriela Não-Sei-das-Quantas

 

Certa vez conheci uma tal de Gabriela

Gabriela Não-Sei-das-Quantas.

Doce. Divina. Singela.

Prendeu-me pelas ancas.

 

Saímos uma vez. Só e nada mais.

Tomamos um milk-shake na praça,

Comemos uma batata-frita

Sem medo da gordura maldita,

Fomos para a cama, fugaz,

Acordei ouvindo-a tomar cachaça.

 

Que isso, Grabriela?

— Estou de partida. Prazer em te conhecer.

— Como assim? Vais me deixar antes do amanhece r?

Não vais nem anotar seu telefone?

— Sorry. Não prestei atenção no seu nome.

Desculpa, meu amor, não é você, sou eu.

Foi casual, Romeu, foi casual.

 

Uau!

Senti-me tão infeliz!

Primeiro pensei o que foi que eu fiz,

Depois acordei dessa ilusão e requinte.

Por que as mulheres te usam e depois jogam fora no dia seguinte?

 

Insira aqui uma sinfonia,

Sim, foi ironia.

Em L.A.

 

Quando eu estiver

me poluindo em L.A.       

Oh, não! Espera!

Foi ela

quem me ensinou

a dominar esta fera.

Intoxicando-me não estarei.

 

Só se for

para me envenenar dentro dela,

no beijo da cinderela.

no cortiço da favela.

fios. pingos. janelas.

rio. ventas. ela.

faço tudo purela,

faço tudo purela.

 

Se for para morrer,

que seja beijando as rugas das mãos

Dessa mulher.

 


 

Miga, Comprei um Edredom

 

Aline virou-se repentinamente

Para sua amiga Brígida

E disse, nada rígida:

— Miga, você não vai acreditar!

Comprei um edredom!

E ele é tãããããoo bom!

A amiga pôs-se a falar:

— Mentira?!

Quem veio junto?

— O Marcos.

Narcos.

— Ai, ai, Aline! Ai, ai!

Quando você vai tomar jeito?

Quando vai se tornar uma menina de respeito?

Brígida e sua mania de achar defeitos.

— De respeito, já sou,

Se sobre meu sexo tenho liberdade,

Desculpe-me, amor,

Acorda para a realidade!

Mulher é dona do próprio corpo!

Sai com quem quiser.

Banha-se e tá novinha de novo!

— Eu sei. ‘Tava só brincando.

Mentira. Ali brigaram. Nunca mais se falaram,

E Aline seguiu feliz e segura brincando

Com muito dom,

Livre debaixo do edredom.


 

Ideologia de Gênero

 

Quando um homem faz um gol,

O Brasil faz “uou”!

Quando uma mulher joga,

Ninguém vê. Ignora.

 

Por que carrinho

É coisa de menino?

Por que ensinar para as garotas

Que elas devem viver das gotas

De gasolina

Do veículo de seu namorado?

 

Por que quando um homem bonito

Cozinha e é “prendado”,

É chamado Homão da Porra,

Quando todos os dias,

Em milhões de moradias,

Há milhões de mulheres no comando dessa zorra?

 

Por que as meninas

Brincam de boneca

Presas naquela sina

Que é prensar que são as únicas que têm filhos?

Os homens também não os geram?

Por que não aprenderam enquanto filhos eram?

 

Por que saia é de mulher?

Por que depilação é de mulher?

Eu não sabia que o tecido

Nem o agouro de cera aquecido

Tinham sexo biológico.

Isso tá na cabeça, é lógico!

 

Por que chamam-me de Ideologista

De Gênero,

Se a ideologia de gênero

É justamente o que em meu persistir

Busco desconstruir?

 

As normas, os mitos,

As formas, os ritos.

Isso é ideologia!

Isso! e não o contrário.


 

As pessoas são burras

 

As pessoas são muito burras,

Acham que dando uma surra,

Heterificam os irmãos.

Acham que a roupa,

Só porque não censura as polpa,

Na vítima, joga a culpa em mãos.

Acham que os pobres ateus

São maus por não acreditarem no personagem de Deus,

Que personificou e se espalhou pelo povão.

Acham que o líder ditador

Será justo com quem se opor,

Mas dizem lutar por liberdade de expressão.

Criticam a crítica da Arte,

Mas nunca fizeram parte

De qualquer criação.

Acham que porque têm o canal

Podem alimentar hostilidade digital,

Sem qualquer noção.

Acham que traje

Na sexualidade tem engaje,

Transforma filha em sapatão.

Acham que a voz da drag,                        

Por mais que na maquiagem carregue,

Quer lavar o cérebro da população.

Romantizam assim um namorado,

Mas na primeira crise, correm assustados,

Tentam cortar com raiz, a potência da depressão.

 

Oh, tem como não achar

Burras as pessoas?

Acham que têm intenções boas

Ao atacar

O medo que elas têm na cabeça,

E ignoram que o problema

É ter o medo na cabeça.

 

Como foi que eu vim parar aqui?


 

Pobre Fran...

 

Fran tinha bulimia, anorexia,

E o que mais podia,

Em sua concepção.

Porque passar um batão

Não lhe parecia suficiente,

Nunca deixaram que fosse.

Fran desenvolveu depressão,

Porque desde criança,

Forçada a esta questão,

Pedia do corpo, fiança.

 

Pobre Fran!

O que é beleza       

Quando se tem clareza?

Pobre Fran!

Por que não dar valor

Ao corpo que tem, e preferi-lo morto,

Se a alma é só uma vaga espiã?

 

Eu tenho pena dessa Fran

E de todas as outras Frans

Que foram digeridas

Pelas materiais feridas.

 

Não julgue-as! Não julgue-as!

Elas não têm culpa de se embelezar...

Se queres fazer parar,

Ajude-as! Ajude-as!

Meninas más dão carinho à Tempestade

 

Oops! Boops!

Roots! Boots!

 

Meninas más dão carinho à tempestade,

Enlace perfeitinho,

Arruína bondade.

 

Perfume de sabão,

Tomam banho ao ar livre,

Quando saem no friozão

Da chuva de inverno

Na procissão do inferno.

 

Oops!

Olha só seus looks!

Roupa comunzinha,

Não, ela não quer pagar de santinha.

Só não quer ficar na cozinha.

 

Passaram-se os tempos de Amélia,

Ata nos cabelos uma Camélia

E sai por aí,

Não para se divertir,

Para quebrar os padrões.

 

Oops! Boops!

Meninas más dão carinho à tempestade.

Se não fazem mal

Nem para o mundo,

Nem para elas,

Roots! Boots!

Para que se explorarem na vaidade?

Meninas más dão carinho à tempestade.


 

Engravidei. E agora?

 

Mamãe, tenho uma coisa para te contar!

O que foi, minha filha?

Estou grávida.

GRÁVIDA?!

Grávida de ideias, mamãe. grávida de ideias.

Ah... tá. já tomou seu remedinho hoje?

 

Eu não preciso de remédios, mãe,

estou grávida de ideias,

ideias essas de causa e efeito,

de reparação de defeito,

beleza. mesa. a mesma

mulher. o que quer?

Essas cousas.

Ideias que entram pela vagina

e me saem pela boca,

recheio o mundo com meus filhos,

filhos que escoam pouco a pouco,

abrindo espaço lá embaixo,

para mais ideias entrarem

e o mundo assim limparem.

enquanto ensino e aprendo

c'outras moças que também parem

ideias.

 

Parabéns, filha! Parabéns!

Pelo que, minha mãe?

És filha de poetisa.

A Pantera

 

Nasceu

uma passarinha,

pequenininha,

amarelinha.

 

Depois virou

uma andorinha,

dando seus primeiros

voos pela cozinha.

 

Cresceu

e se tornou

cordeirinha,

mas deixou de ser

quando o coiote

tentou dar o bote.

 

Tentou então ser loba,

mas a vida,

muito salobra,

a fez muito mais de boba

do que ela

conseguiu fazer os outros.

 

Tentou não ser a vaca

que sempre dá pitaca,

e só dá valor à pataca.

 

Tentou não ser a serpente,

que vive de intriga

mordendo toda gente

que dela se aproxima.

 

Então quem ela era?

QUEM ELA ERA?

 

Bingo!

Por que não uma pantera?

 

Escura, sombria,

Urra de fome, nunca vazia,

No sol, as pintas aparecem.

Na penumbra,

Pretas, escurecem.

Crescem, Amadurecem,

Enlouquecem,

Escalam, nunca descem.

 

É, ela poderia ser essa fera,

ela poderia lidar com isso,

A pantera.

Aprochega

 

Aprochega,

Avizinha-te,

Desde gurizote

Fui ensinado

Que boicote

Te deixa estagnado.

Para que brigar

Se dá para abraçar?

 

Aprochega,

Embora

Muita coisa

Que os outros pensam

Em nada colabora,

Eis a empatia

Expedida pela simpatia,

Do convívio,

Que traz o alívio.


 

Luminescente

 

Ela é pingo luminescente,

Por onde passa,

Deixa um rastro aparente,

Cheiro de massa

De pão no forno,

Brinco de adorno,

Dá uns giros em torno,

Travesseiro de algodão,

Nota de piano,

Bênção que os padres dão,

Cabelo cor de ciano,

Pele macia mulata,

Junta lata

Para os desamparados,

Ajudar nos reciclados.

Ela é perigo crescente

Sem pesar muito a mente,

É ela quem agradece

Por tudo o que acontece

Na vida.

Se um dia ela fizesse

Uma pausa na corrida,

Como me seria sofrida.

Ela é poetisa, musicista,

Encanta najas e passistas,

Fosse mais nova,

Impossível,

Briga, uma ova,

Ela é o invisível!

E sem nunca perder a calma,

Esse chuchuzinho

Preenche um cantinho,

Ela é um pedacinho,

De minha alma.


 

Danem-se, comedores de salada!

 

Ba ba doo, ba ba bau

Ba ba loo, me sinto mal

Ba ba bee, ba ba bean

Ba bai doo, pega pra mim.

De de de, de de dengo,

Alcança-me aí um lenço.

Quanto mais fa lu,

Fa lu que penso,

À agressão, propenso,

Mas aí eu compenso,

Eu só dançu, dançu,

Nada de rançu, rançu.

Dô, dô, dô, dô um gritinho

Dô, dô, dô, dô  em louvô,

E depois só dançu, dançu,

Sem nenhum rançu, rançu.


 

Marcas

 

Meu corpo cheira a marcas,

De sangue e de suor,

Se ao acaso com as consequências tu arcas,

Ficarás assinalado ao redor.

 

Não temo o corte do fio das parcas,

Temo não conseguir um Brasil melhor,

Se muito adias, procrastinas e remarcas,

Na pele sem cicatriz, o que fizeste pelo bem maior.

 

Talvez eu tenha muitas marcas mais,

Ou talvez um Valles Marineris inteiro,

E não me lembre mais,

De outras vidas, abismais, fui coveiro.

 

Garras de lâminas e de animais,

Quantas mil vezes já fui hospedeiro?

Desdobram-me os tecidos carnais,

E mostram-me o caminho verdadeiro.


 

F***in’ Feminist

(Feminista pra “Carvalho”!)

 

O que de pior pode me acontecer?

Meu irmão tem quatorze

E já namorou duas, sem esconder,

Fora as outras doze

Que a balada viu acontecer

E por lá deixou adormecer.

Eu tenho vinte e já trabalho,

Mas sou mulher, eis minha ferida, eis meu talho,

É como se... O que eu fosse

Me impedisse.

Porque para os pais, toda menina é doce,

E todo menino, criança antes da janta, oh, crendice!

Chatice! Burrice!

Se eu quiser namorar,

Com meus amigos me encontrar,

Ir ao shopping, passear,

Cineminha, melhor lugar,

Eu vou!

Já passou do tempo de me dar ordens!

Vocês não veem que meu corpo mudou?

Eu sou adulta, e vocês não podem,

Em hipótese alguma,

Impedir-me de viver a vida.

Só porque o menino fuma,

Não quer dizer que eu serei traída.

Meu irmão sempre foi a festas,

Bebia antes da idade,

Anda só com quem não presta,

E vocês fingem, orgulhosos, que integridade!

Meu irmão já bateu e já apanhou,

Na escola, duas vezes reprovou.

E você, pai, sempre o condecorou

Com os lírios do odor masculino.

Talvez os feromônios desse menino

É o que os convence

De que ele é fino.

E sim, pai. Para você, ele sempre vence.

Eu os amo,

Sempre amarei,

Mas eu também amo

Este rapaz com quem fiquei.

E ainda esse ano,

Eu me atinei,

Que EU NÃO ME AMO,

Porque a culpa de tudo sempre levei.

Mãe, o véu colorido

Com que me envolves até hoje

Há anos está puído,

Eu nunca fui princesinha, oxe,

E isso para mim é dolorido,

Porque o que eu vinha dando de alimento

Para o meu peito,

Sempre foi um fermento,

Crescendo e me fazendo ver defeito

Onde não tem.

Eu nunca pude sair com ninguém,

Nunca pude caminhar na rua

Sem ser acompanhada de outrem.

Eu nunca pude me ver nua

E encontrar algo que goste,

Antes de cair no sono,

Eu ficava observando os postes

E imaginando, de novo e de novo,

Como seria me ver livre destas paredes,

Porque para vocês,

Sou criança pura e inocente à mercê

Da rede,

Da rede de um partidor de corações,

De alguém que só quer me usar,

Mas poxa, em frações

De anos, eu me vi maturar.

Se me derem um pé na bunda,

Se eu levar uma tunda,

Eu mesmo hei de resolver,

Eu tenho cabeça, então não vou me envolver

Com qualquer um,

Mas se ao acaso acontecer,

De eu me enganar com um bebum,

Ou um que só queira me comer,

Eu assumo o erro.

E não entro em desespero,

Porque eu tenho me convencido

De que sou capaz,

E mesmo que eu tenha conhecido

Um mau rapaz,

Já tenho idade suficiente

Para quebrar a imagem

Da filhinha dependente

E mostrar que sou forte e eficiente,

Muito mais do que a miragem

Que vocês põem sobre meu irmão,

Que sou mulher e sou peão,

E tenho ciência

Do mundo ao meu redor,

Que as pessoas demonstram carência

E depois lhe causam dor.

Mas eu sou uma mulher guerreira,

E não vou viver de choradeira

Como vocês me criaram para viver.

Eu estou constantemente a crescer,

Não preciso de toda essa superproteção.

Está na hora do meu lugar na cadeira,

Não vou cozinhar para homem não agradecer,

Eu sou a porra de um mulherão.


 

Stalker

 

A luz vermelha

Que orbita meu corpo

Não é de prostíbulo,

É de pare!

 

A luz vermelha

Que orbita meu corpo

Não é de prostíbulo,

É de pare!

 

A luz vermelha

Que orbita meu corpo

Não é de prostíbulo,

É de pare!

 

A luz vermelha

Que orbita meu corpo

Não grita outra coisa senão

PARE!

 

Está esperando convite para dar o fora?

Pois aqui está,

Stalker dos infernos.

PARE!


 

O Desgraçado do Carro Vermelho

 

Deixe-me esclarecer um negócio:

Eu estava trabalhando,

Estava caminhando,

Almoçando,

Não em um momento qualquer de ócio.

Eu estava no meu direito

De andar livremente pelas ruas,

Deem-se ao respeito,

Meu assédio não vem com urna.

Era meio-dia,

E o desgraçado do carro vermelho

Encostou na calçada que jazia

Como túmulo parelho,

E deixou bem claro que me perseguia.

Se era homofobia,

Psicopatia ou pedofilia,

Só Deus sabia.

A um metro de distância,

O Sandero ligado,

Estacionado,

A me esperar.

Não deu tempo de dar ânsia,

Só pude a placa anotar.

Era um metro e eu só tinha um segundo para pensar.

E não é que não tivesse relevância,

Mas como eu poderia enxergar

Através das lentes escuras

Que com certeza escondiam visão obscura,

Metade do rosto desconhecido a tapar?

Então não diga o que era

Para eu ter feito,

Eu me desesperei, fera,

Não estava preocupado em fazer direito,

Estava preocupado

Era em não ser estuprado,

Em não levar tiro no peito.

Não digam que eu deveria ter tirado foto,

Anotado os detalhes do carro maldito.

Ao acaso, me importo,

De abrir a porta e tirar selfie com o bendito?

Não, não, não! Imagina!

Seu motorista,

O senhor não teria um tempinho

Para gravar para a polícia uma pista?

Cinco minutinhos,

Vamos fazer um videozinho!

Conte-me sobre sua vida!

Queriam que eu tivesse conversado

Com o filho da puta

Que tem, de longe me ameaçado,

Não uma, mas duas?

Queriam, por acaso,

Que eu metesse um olhar paralisante

No homem do carro,

Que me assola e ameaça bastante?

Mirabolante.

Segue adiante!

Ele poderia ter uma arma,

Poderia (e eu sei que tinha) um pinto,

Não diga que isso é Karma,

Eu não sou do tipo que minto,

Não tenho rixa com ninguém

E nem estaria, meu bem,

Dando conversa na internet

Para um cara bodoso e nojento

Como esse Mafia Man.

Procurar minhas falhas a ninguém compete!

E mais:

O que vocês acham que se passou pela minha cabeça?

Um segundo a mais

E já seria demais!

Vocês querem que eu enlouqueça?

O que vocês fariam

Se sempre fizeram o melhor que podiam

Para ser uma pessoa boa e honesta,

E de repente passassem a ser seguidos por um traste que não presta?

Acho que ainda não entenderam

A gravidade da situação,

É claro, não se perderam,

Fugindo dessa obsessão.

Se eu corri,

E daí?

Só sei que salvou a minha vida!

É claro, não foi a de vocês, né queridas?

Agora eu entendo,

Entendo esse medo horrendo

Que as mulheres têm

De ao saírem de noite tornarem-se reféns.

E olha que o sol estava escaldante!

Não poderia ser diferente!

Por sorte meu ponto não estava distante,

Correr e atingi-lo foi o que tive em mente.

Agora se corri

E entreguei meu medo,

Tô nem aí!

É ele quem deve se preocupar bem cedo

Se vai ou não para a prisão,

Porque esse tipo de perseguição

Não foi como a da praça,

Não teve nenhuma graça

E muito menos envolvia alguma paixão.

Se me queixo,

Não é por meu desleixo,

É porque qualquer um está suscetível a uma desgraça

Parecida.

Agora entendo a aguerrida

Mulher que teme ser invadida.

Agora entendo que nessa vida,

Há quem ame e há quem agrida,

Há quem se aproveite de criança desprotegida,

Pura alma desprovida

De boas intenções.

Que culpa tenho eu?

E que tipo de ações

Teria feito, meu,

Que justificariam essas perseguições?

Nanda nem nenhuma!

Nada. Nem. Nem. Uma!

Quem tem culpa é quem morre

Ou quem puxa o gatilho?

Quem bate ou quem sofre?

Quem abandona ou quem cria filho?

O erro de ninguém

Justifica a violência de outrem.

Nada nesse mundo

Justifica esse absurdo!

Os pecados e falhas alheios

Não justificam falta de arreios.

Parem de tentar achar a minha culpa!

Por que para quem ataca sempre tem desculpa?

A culpa é dos pais desse infeliz

Que não o ensinaram que tem certas coisas

Que não se faz nem se diz,

Ensinaram é que algumas pessoas são mariposas

E outras, predadoras-perdiz.

Talvez ele fosse um fã

Querendo autógrafo,

Ou querendo provar da maçã,

Mas eu fui além do retrógrado,

E dei para o fã clube

Muito mais do que assinatura,

É o que me incube,

Eis aqui esse texto e escritura!

E esse não vai para mim,

Vai para todas as mulheres

Que já sofreram algo assim

Ou que ainda hão de vir

A temer os próprios talheres.

Mulheres que temem o fim,

Que temem até outras mulheres.

E antes que isso me exploda:

Se corri em defesa legítima,

Que se foda!

A culpa nunca é da vítima.


 

A Mulher de Vermelho

 

Cabelo cor de sangue.

Lábios. Vestido. Curvas.

Seios. Postura. Veneno d’Uva.

A dona da gangue.

 

Fumaça. Na boca. Incenso.

Beijo. Fogo. Intenso.

Teimosa. Persistia. Perfeição.

Menina. Menininha. Mulherão.

 

Ela não vai parar,

Ela não vai não.

 

Ela só para

Quando o mundo parar de girar.

 

 

 

Pessoas

 

Existem, na vida, dois tipos de pessoas:

As que estão vivas

E as que vivem.

 

Em qual deles você se encaixa?


 

Tudo e Nada

Ela tinha tudo,

Ele não tinha nada,

Ela tinha um retrato,

Ele a tinha retratada.

 

Mas para ele,

Para ele não bastava uma moldura,

Se nessa vida dura,

Já não tinha mais sua amada.

 

Ele não tinha nada,

Mas a tinha retratada.

 

Ela tinha um retrato

De quando ainda era viva,

E se de fato,

Ainda estava aberta a ferida,

Ele preferia não o ter,

Mas ao mesmo tempo,

Era o único relógio

De ordem invertida.

Pobre dele,

Com o quadro em mãos,

Adiava dando adeus à despedida.

 

Ela tinha tudo,

Ele não tinha nada,

Ela tinha um retrato,

Ele a tinha retratada.

Bipolar

 

06:40, já estou acordada,

07:10, condução lotada,

07:40, já estou trabalhando,

Até o meio-dia, meu melhor dando.

12:30, só agora estou almoçando,

13:00, regressando,

13:30, de volta ao trabalho,

15:30, alguém me ensina um atalho,

Só chego em casa,

Às 16:00, em brasa,

Após mercado

E boa parte no trânsito ter passado,

18:30, ônibus de novo,

E este curto intervalo, ocupo com o sono,

Ou escrevendo algo de útil,

E não me esvaindo ao fútil.

19:00, simbora, faculdade,

22:00, o dia durou uma eternidade,

Quando retorno, majestade,

Alimento os animais,

Como até não poder mais,

Pisco por sobre vídeos na internet

E dormir às 23:00 é o que me compete.

Umas seis horas

De sono, talvez menos,

E vou-me me embora,

Para o mundo etéreo de onde viemos.

 

Vê? Essa é minha rotina,

Não tenho tempo para gastar

Com quem só quer sexo comigo,

Com quem me declina,

E ameaça não mais conversar,

E ainda fica brabo, diz que é só um amigo.

 

Depois vem correndo,

Arrependido, me lambendo,

Dizendo que me ama,

E que sempre correu atrás de mim,

Eu sei que você só quer ir para a cama,

Me fazer de bandolim.

(Toca a hora que quiser)

Mas eu sou uma p*ta de uma mulher

E sei exatamente o que você quer.

 

Mas eu não sou depósito

De suas mágoas,

Se te ajudo, não é por um propósito,

É assim que fluem minhas águas.

 

Se te dou conselhos,

É porque essa sou eu.

Não quer dizer que pode me fazer de coelho,

E não cumprir com nada do que prometeu.

 

E se for para fazer showzinho,

Meu bem, estou ocupada, hora do rush,

Eu não vou nem sair de fininho,

Porque eu nem sequer entrei,

Fim de semana, tenho muito crush

Para me preocupar, e assim viverei.


 

Mulher

 

Ela nunca teme nada,

Então abusa na vaidade,

Se por ventura maltratada,

Seus olhos contam a verdade.

 

Ela não precisa de homem,

Sempre conquistou o próprio dinheiro,

Não acredita em coisas que somem,

Pois sabe que quem vence é o mais ligeiro.

                                     

Ela prefere dias de chuva,

Porque não receia ousar,

É apelidada de viúva,

Pois dos rapazes ela tira o ar.

 

Essa mulher é uma tigresa,

Se precisar, ela sai sozinha,

Nunca foi fã de princesa,

Sempre agiu como uma rainha.

 

Essa mulher é nossa diva,

Dirige, estuda e malha,

Tem atitude e é impulsiva,

Sua intuição nunca falha.

 

Ela vive dois séculos à frente,

Não tem nenhum preconceito,

Sempre a procura de gente diferente,

Ela exigirá o seu respeito.

 

Seu cabelo é sua arma,

Seus quadris são seu escudo,

Ela pode ser o seu Karma,

Pois te deixará mudo.

 

Ela tem um espírito selvagem,

Então batalha todos os dias,

Não curte malandragem,

Prefere amizades sadias.

 

Pra ela, amor não existe,

Então sorrir faz parte,

Mas quando está triste,

Ela produz a própria arte.

                                                               

Essa mulher é o orgulho da nação,

Não se envergonha da raça,

Pode ser alicerce de qualquer construção,

Ou sua completa desgraça.

 

Ela é rica em sua pobreza,

E acredita num país melhor,

É amiga da natureza,

Conquista o pão com seu suor.


 

Mãe, Obrigado!

 

A cadeira está te esperando,

Sente-se, traga-me um pente,

Deixe-me desembaraçar tua tensão e força, Sansão,

Deixe-me retribuir por toda alegria dividida

E depositada na conta poupança do meu coração.

 

A cada segundo o tempo vai passando

E eu não poderia imaginar nada diferente

Nada além de flores, canção,

A maior engrenagem da máquina da vida

Girando e girando como fonte de inspiração.

 

É possível imaginar vida sem sol?

É possível imaginar plena existência longe da tua?

São palavras e cores que não existem,

A descrição de família, nua e crua.

 

São palavras que insistem,

Erguendo minha cabeça,

Impedindo que eu enlouqueça,

Ao meu lado trilhando não só os trilhos

Como também todo sistema ferroviário

Do que adianta ser filho,

Se for um cretino ordinário

E não reconhecer que sempre foi

Fruto de teu florescer?

E agora que adulto e acordado estoy,

Obrigado por me ajudar a crescer.

Insignificante

 

O ferro quente

Que sou obrigado a puxar,

Minhas mãos cheias de calo

A trabalhar,

Não é nada perto de Saturno

E seus anéis no céu noturno.

Toda essa dor lancinante

Perto do Universo

Nada mais é do que

Insignificante.

 

A brasa ardente

Da ira societal,

Que me julga e condena,

Sem eu ter feito qualquer mal,

Não é nada perto do cinturão

Onde imponente jaz Plutão.

Toda essa fúria estressante

Perto do Universo

Nada mais é do que

Insignificante.

 

O mal da gente,

Da guerra entre países,

Quando homens acham,

Que são juízes,

Não é nada perto dos pulsares

Que pulsam em outros ares.

Toda essa luta constante

Perto do Universo

Nada mais é do que

Insignificante.

 

A angústia que me cerra os dentes,

Da falta de amor entre nós,

Quando tento desatar um,

E surgem outros vinte nós,

Não é nada perto da anã-vermelha

Que ao brilho de Deus se assemelha.

Toda essa briga incessante

Perto do Universo

Nada mais é do que

Insignificante.

 

Os seus problemas são

Insignificantes

Perto daquilo que realmente

Precisa ter significado.

 

Os seus problemas, hora ou outra, irão

Ser passados adiante

E aquilo que você sente,

Será curado.

 

Mas o Universo, não,

O Universo em sua velhice

Continuará a existir, então,

Formando novas estrelas, planetas e planícies.

 

O universo é criação,

É muito mais do que a astronomia disse,

É luta, aprendizado e evolução,

E o teu problema... Ah, é só superfície.


 

Campeão

 

Na vida sou Campeão,

Caminho e ando,

Como e bebo,

Sou amado amando.

 

Na vida sou Vitorioso,

Tenho cama e mesa,

Banho e teto,

A luz acesa.

 

Na vida sou Conquistador,

Tenho família e amigos,

Colegas e professores,

Por companhia não mendigo.

 

Na vida sou Bem-Sucedido,

Tudo sempre chega a mim,

No tempo certo

Sempre vem o carteiro querubim.

 

Na vida sou Triunfante,

Esbanjo saúde

E por isso tenho condições

De ser aquele que ‘acude’.

 

Na vida sou Vencedor,

Porque falho

E disso tenho consciência,

Cresço em folha e galho.

 

Na vida sou Grato

Porque tenho tudo

O que me é preciso

Para desbravar o mundo.

 

Na vida sou Agradecido

Porque tudo o que tenho,

Veio à mim

Com muita força e empenho.


 

Grato

 

Eu sou Grato.

 

Grato aos meus problemas,

Grato aos cortes que me sangram,

Grato às pessoas que me apunhalam,

Grato aos desafios que me expiam,

Grato aos empecilhos em meu caminho.

 

Porque são estas barreiras

Que me desenvolvem a visão,

E em uma sofrida passageira,

Supero tudo em ascensão.

 

Eu sou Grato.

 

Grato ao planeta que habito,

Ao universo em que existo,

Ao espaço em que reflito,

À vibração em que me elevo,

À vida, que sou seu servo,

E ao bem, solução a qualquer conflito.

 

Porque são estas maneiras,

O amor e a gratidão,

Que tornam passageiras,

Minhas dores e depressão.


 

Nem Boto Sentido

 

Eu não quero ninguém para me vangloriar,

Só quero uma pessoa que faça eu me valorizar.

 

Eu não quero ninguém para perguntar

Se estou bem,

Pois se eu disser que não,

Ninguém vai se importar.

Outros já nem perguntam mais,

Pois inferem que o sorriso em meu rosto

Significa que estou em paz.

 

Eu não quero ninguém para me vangloriar,

Só quero uma pessoa que faça eu me valorizar.

 

Eu me sacrifico todo dia

Pelo bem material dos outros,

E quando passei a escrever,

Passei a me sacrificar pela mente

De muito poucos,

Mas ninguém jamais conseguiu

Entender como sigo em frente,

Porque qualquer mão morna

Qualquer mão morna que me toca

Só toca minha pele,

E não o que me importa.

 

Eu não quero ninguém para me vangloriar,

Só quero uma pessoa que faça eu me valorizar.

 

Mas... Quer saber?

Já nem mais boto sentido

Se estou irradiando ou deprimido,

Trabalho dia e noite por Júpiter,

Morada do gás que não esconde

A supernova interna.

Lá é o lugar onde

O mal toma vergonha e para sempre,

Hiberna.

 

Quanto maior é o passo que a perna dá,

Maior é o esforço para o coração bombear.

 

Então se as pessoas

Dizem que venho de outro planeta,

Coisa boa,

É essa minha meta.

 

Quanto maior é o passo que a perna dá,

Maior é o esforço para o coração bombear.

 

Então se todo mundo

Ri e faz piada sobre mim,

Sinto pena de não haver nada mais profundo,

Na visão desses curumins.

Pufavô

 

Pufavô,

Não deixe de apreciar

As estrelas no céu a brilhar.

 

Pufavô,

Não se deixe depreciar

Sem antes conhecer um pulsar.

 

Pufavô,

Não apague seus rastros,

Sem antes desbravar os astros.

 

Pufavô,

Universo é pai, não padrasto,

Tão sólido quanto lastro.

 

E quando eu digo pufavô,

É com aquela carinha

De Cachorro pidão,

A alegria da boa velhinha

De espantar solidão

Com muito amô.

 

A vida não é tão melhor

Para mim quanto para ti,

Mas aprendi a afastar o pior

Observando o quão

Igual a um grão

É o existir.

 

Então, pufavô,

Está na hora de integrarmos

A sociedade interplanetária,

Reino d’acuidade extraordinária,

Do novo elemento, a fulô.


 

A Brabuleta

 

E todas essas paredes cinzas,

E nuvens sangrentas que lampejam,

Todas essas pessoas ranzinzas,

Que dão bom dia, mas não desejam.

 

Ela escorrega tentando voar contra o vidro,

Mas há tanta porta e janela aberta,

Que nada do que está nos livros

Parece-lhe ser a escolha certa.

 

Brabuleta nasce sabendo que vai voar,

E agora que ela deixou a crisálida,

Não vai ser impedida de sonhar,

Porque sabe que toda dor é válida.

 

Eles acham que podem maltratá-la,

Mas ela certamente tem foco bem preciso,

Muitos remédios, curativos e talas

Para sempre voltar e restaurar o sorriso.

 

Eles acham que vão fazê-la se encaixar,

Mas ela nunca esteve encaixada,

E com certeza nunca irá se adequar,

A Brabuleta nunca foi quadrada.

 

Ninguém parece ser capaz de compreender,

Mas ela vai dar a volta por cima,

Todos acham que ela ainda tem voz de bebê,

Mas a Brabuleta sabe escapar do mau clima.

 

Fiquem com seus papéis e alvarás,

Tentando chamar de topo, o lodo,

Primeiro a Brabuleta se libertará,

Depois libertará a todos.

 

Voa, voa, Brabuleta,

Voa e faz do teu dia, um dia melhor,

Voa, voa e volta sempre espoleta,

Seguir o coração, você já sabe de cor.


 

Inspiracional

 

Eu sou muito mais

Do que todos

Pensam que eu sou,

Mais até mesmo

Do que eu posso imaginar.

 

Eu só sei que tudo vai passar,

Na prova da vida, não vou mais reprovar.

 

Tudo vai ficar bem,

Eu vou me superar,

Das feridas me recuperar

E ao fim do dia, em paz dormirei.

 

Eu sou muito maior

Do que todos

Pensam que eu sou,

Maior até mesmo

Que meu próprio lar.

 

Um dia, vou olhar para o horizonte,

Em Belo Horizonte,

E parado defronte

A mim mesmo, meu eu do passado.

 

E tudo o que eu vou dizer será

Obrigado,

Por nunca ter desistido,

Por sempre ter lutado,

Enfrentado busão lotado

E com fé ter trabalhado

Até deixar de estar ferido.

 

E eu vou fazer barulho,

Bater no peito com orgulho

E dizer que mudei,

Sempre para melhor,

Aperfeiçoei

E agora faço de cor.

 

Um dia, quando tudo for fumaça,

Lembranças de um tempo gagá,

Sentar-me-ei no banco da praça

E farei uma releitura de Quadros de Sá.

 

Os bons momentos

Que permaneçam no pensamento,

E o que me arrependi de dizer,

Perdão, vamos recuperar e restabelecer.

 

Ah, eu vou fazer de tudo

Para este tempo chegar,

Nem que eu fique mudo

Eu vou parar.

 

Eu vou lutar,

Eu vou ganhar.

 

Quem olha para trás,

Ou tem um peso,

Ou tem de correr atrás

De algum arrependimento, preso.

 

Mas para trás eu vou olhar,

Só que olhar com a certeza

De que eu me vi melhorar

E dei o meu melhor com firmeza.

 

Aproveitei as oportunidades

E abri portas para meus companheiros,

Eu vi os rudimentos tornarem-se cidade,

Contribuí como pude para um mundo de respeito.

 

Mas até lá,

Até esse tempo chegar,

Eu vou dizer incessantemente

Repetindo em minha mente

Que eu sou diferente

E aceitar isso é inteligente,

Mas mais ainda, genial,

Ensinei a todos que é normal

E faz parte da gente.

 

E eu vou repetir

Em meu sorrir,

Que eu sou maior,

Melhor e muito mais

Do que qualquer tristeza,

E que quem tem amor no peito,

Em tudo vê beleza,

E a tudo demonstra respeito,

Afastando de mim qualquer incerteza

Quanto minha perícia

E aptidão,

Amei, dei e ensinei carícia,

Compartilhei meu coração.

 

E não só isso,

Disse e redisse ao povo submisso

E oprimido,

Que ele também pode ser ouvido,

Porque o amor,

Verdadeiro e sem esperar nada em troca,

Na úlcera toca,

E cura qualquer dor.

 

Eu vou crescer pouco a pouco a toda hora,

E consertar cada falha.

É, sou muito pequeno agora,

Mas prometo, não perderei uma batalha.


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