Mente-Abertismo


Mente-Abertismo

Poema do Protesto

Se a rima é pobre ou rica,
Isso pouco importa;
Foco na mensagem que fica
Para quem denigre vida torta.

Linguagem muito rebuscada,
Assusta ledor não corriqueiro;
Se o ponto é iluminar a estrada,
Que o requinte escoe pelo bueiro. 

O poeta tem apreço no coração,
E simpatia pelos discriminados;
O menino entoa superação,
Pregando união a ambos os lados.

Perdão e gratidão atingem a moral,
Paz entre os resilientes;
O poeta está em plano carnal,
E o menino semeia as sementes.

Agradeço
a todos que estiveram junto comigo
NESTA CAMINHADA,
em especial, àqueles que me inspiraram
a escrever sobre um Mundo Melhor.
Agradeço ao Universo
por permitir que eu tivesse esta louca experiência
chamada VIDA,
por permitir que em meu Peito
ardesse AMOR,
e por permitir que todos os dias eu tivesse tido contato com a
MÃE NATUREZA.
E para os que ficam,
Sinta-se em casa! Esta OBRA
foi inteiramente
DEDICADA
A VOCÊ,
quer mente aberta, quer fechada.

1 - Apocalipse


Nibiru

 

Nem Nibiru

Nem Hercólubus,

Nem Zumbis

E nem ETs,

Nem Cavaleiros,

Nem Profecia,

Nem 2012,

Nem maias,

Nem Profetas,

Nem data limite,

Nem nenhuma mitologia

Ou folclore

Que os medos

Intrincados na mente

Possam inventar,

A verdadeira causa

Do Apocalipse

Supera tudo isso

Com os pés nas costas;

É o holocausto

Causado pelo próprio

Homem.


 

Savages

 

Por que ainda não tivemos contato

Com a civilização extraplanetária?

Será medo de nossos pés de pato

Ou da identidade falsária

Que todo dia pomos no prato?

 

Será que eles têm medo dessa alimária?

Os mísseis estão se apagando, boato,

Poderia ser prole da criança libertária,

Mas quem sabe, de fato,

Se não sentem pena de índole precária?

 

Talvez tenham medo de ratos

Ou só nojo de gente otária,

Ou talvez este seja um hiato,

Pirâmide, a super mortuária,

Ou o povo de hoje é muito mais novato?

 

Mas para e pensa, sedentária!

Por que seria sensato,

E por que para eles seria necessária

Uma viagem de longo mandato

Para conhecer gente tão selvagem e salafrária?


 

Por quê?

 

I

Eu vi os mísseis nucleares serem codificados,

Vi os campos de concentração federem

Igual churrasco,

Vi meninos-soldados serem programados para tirar vidas...

Em um mundo onde você é ou você não é,

A podridão faz parte do âmago do homem.

Diga-me... Por quê?

 

II

Eu vi os países se atacando

E formando aliados para derrubarem uns aos outros

Igual a pinos e bolas de boliche,

Vi a bomba atômica evoluir em seus nêutrons,

Vi a religião tomar vidas para si,

Vi o governo fumar do cigarro do descaso e mamar nas tetas do lucro,

Vi o homem agarrar-se a um’a onda,

Como se a razão de viver

Fosse encontrar uma causa para impedi-los de se matar,

Por mais fétida que fosse essa luta.

Parece que pertencer a um grupo, defender uma causa maior

É mais importante do que olhar ao redor...

 

Assim que derruba os antigos,

O homem cria novos preconceitos

E muitos ainda sentem-se realizados passando vergonha,

A medalha do egoísmo estampada no peito,

Logo ao lado do broche de patriota,

E estes só estão lá porque ainda há quem os dê atenção.

Então me diga... Por quê?

 

Será que é justo o homem adulto ensinar nossas crianças?

Por que à medida que o tempo passa,

A inocência vai sendo devorada pelo ceticismo

Ou até mesmo pela falta dele.

 

III

Eu vi os camburões tomarem muitos países,

Mas a realidade é que os países

Nada mais são do que um punhado de terra

Que deveria ser do planeta, mas o homem delimita territórios

E dá nome aos bois,

Por fim se estabelece e se apropria,

Como vermes alimentando seus egos ao passar por cima uns dos outros,

O câncer que destrói o sistema da Terra,

De dentro para fora.

E eu ainda lhe pergunto... Por quê?

 

IV

Estamos tão acostumados a remexer estrume

Que nos esquecemos de colocar a placa de chiqueiro

Na entrada.

A dentição já não mais para na boca,

Ela está em nossas mãos e cinturas,

CHONPS, que nada! Aqui é pólvora na veia!

A antropofagia come como come o esfaimado

E a cada página do eterno livro da História,

Surge um novo “historiador” tendo prazer

Em desarquivar o processo de putrefação da liberdade,

Até que alguém o derrube

E esse alguém seja derrubado de novo

E o caso é reaberto e encerrado,

Reaberto e encerrado,

Até o bom partido, já cansado de ser combatido,

Deixa de ser bom.

Responda-me... Por quê?

 

V

Eu vivi, infelizmente, para ver

“A cura gay” ser mais importante que o saneamento básico,

Vi crianças optando pelo tráfico

Porque o mercado é árduo demais

Para mentes que não tiveram condições de estudar a tabuada,

Vi os negros receberem menos anestesia

No sistema de saúde público em pleno século XXI,

Só por causa da cor da pele,

Vi a falta de água e luz em plena era da tecnologia

Inundar em povos que jamais puderam se preocupar

Com cultura,

Porque estavam ocupados demais tentando sobreviver

Em uma esfera onde a grande maioria pós-vive

Sob a sombra da pachorra em tirar o irmão

Da miséria.

 

Vi as doenças serem espalhadas

De propósito

Porque eliminar é mais fácil e menos caro do que tratar.

Vi o sangue misturar-se a mãos

Na competição de escalada,

Onde o pé apoia-se sempre a uma cabeça alheia

Agonizando sem perceber,

Rumo a um topo inalcançável,

Sequer imaginável,

Será que ele existe?

Por quê? Por quê?

 

VI

Vi os “cidadãos de bem”, sem qualquer preocupação ou remorso,

Empanturrarem-se do corpo de seus irmãos inferiores,

Que de inferiores nada têm,

Num vício eterno de tanto faz, não me importa,

Apoiando-se no pretexto de que é bom,

Só para vitimar

E o que já era difícil,

Cada vez fica pior.

 

VII

Por muito tempo, pensei que estava no genoma ser cego,

Mas hoje, vejo que os olhos veem o que querem ver,

E não o que podem.

Tudo aquilo que o dinheiro compra,

O homem há de cobiçar,

Porque é cômodo demais viver com tapa-olhos,

É mais cômodo ainda permanecer em silêncio,

Sabendo-se que onde há uma voz,

Há cinco mordaças,

E onde há foco de luz,

Há milhões de interruptores.

 

VIII

Deus, já não preciso mais

Que me dê um porquê,

Pois já tenho a resposta.

 

Se uma missão fosse dada de fácil,

Não haveria missionários,

Não é verdade?

 

Mas eu só queria

Que bem lá no fundo,

Eu fosse capaz de compreender a humanidade.

 

Ainda que em nada me acrescentasse.

 


 

O Fim dos Tempos

 

Em dias alegres como este,

Pego minha bicicleta,

E saio por aí que nem um pateta,

Assoviando cantigas que Tu me prometeste.

 

Observo o céu azul tão distante,

E agradeço por tudo o que tenho,

Por não ter razões para franzir o cenho,

Por ter sido melhor amigo, por ter sido amante.

 

Abençoado pelo canto dos bem-te-vis,

Entrego-me completamente a Tua graça,

Ó Mãe Natureza, que com tua beleza nos abraça,

Agradeço pela vida que vivi.

 

Respiro o ar puro de nossas matas,

E me pego agradecendo pelos outros também,

Porque mesmo aqueles que não A mantém,

Um dia hão de apreciar Tuas serenatas.

 

Ó Planeta Terra, que tanto admiro,

A cada dia que se passa,

Eles Te destroem com lança e nassa,

E então sinto vergonha por cada suspiro.

 

Nós, seres humanos, Teus legítimos filhos,

Agimos como se fôssemos donos de Tua esfera,

Abusamos de Nossa Casa ao longo da era,

E já não há como seguir contra estes trilhos.

 

A água está acabando, Mãe das Abundâncias,

Um dia o ar estará cozido de tanto gás,

E não se sabe ao certo se Tu sobreviverás,

Do inferno à Terra, sem mais discrepâncias.

 

Por isso agradeço,

E oro por um dia melhor,

Também por um bem maior,

Pois sei que haverá um preço.

 

E depois de tanto agradecer,

De tanto pedir perdão,

Volto para casa com o coração na mão,

Sabendo que ainda tenho muito a viver.


 

Império Hater

 

Intro: Em um planeta não muito distante, onde as pessoas estavam ligeiramente mais felizes do que no passado, confortando-se através da postagem sucessiva e incessante de fotografias sorridentes com o intuito de provar ao próximo sua própria felicidade, a paz reinava. Situando-se logo após um longo período de guerras e destruição em massa, todos viviam em harmonia ante suas telas, mecanicamente fingindo se importar com a última atualização de status da melhor-amiga. Até que uma nova ameaça com o tempo surgiu... Um novo e indestrutível inimigo interplanetário bateu na porta e tirou abruptamente a população extraterrestre de sua pacata, cívica e inocente socialização via smartphones. Para eles nada bastava, nunca nada estava bom o suficiente, e com isso, uma série de comentários maldosos e cruéis choveu pela rede, tomando conta do plano virtual de lares, instituições, escolas, universidades, hospitais e até mesmo agências de governo, espalhando-se como um vírus de computador que corrói e corrompe de dentro para fora, matando e destruindo por completo cada molécula de amor que se alojava no peito de cada ser daquela sociedade. Como resultado, a pequena cidadela global jamais conseguiu dormir à noite novamente, com medo do ataque padronizado pelo exército do “eu gosto desse jeito”. E assim, os residentes extinguiram-se, alvejando uns aos outros com ataques de egoísmo, ódio e falta de sefragol, desprezando completamente as questões éticas e de boa convivência. Estes mortais inimigos, que por fim levaram à extinção dos bons atos naquela exoterra, posteriormente transformando a zona habitável em uma calamidade total eram os chamados... Odiadores.


 

I

O nome já diz tudo:

Ignorante - feito para se ignorar,

Às vezes, porém, não dá pra ficar mudo,

Ou a onda tóxica pode te afogar.

 

O ódio não pode ser gratuito,

Mesmo o gato não caça o rato por bobeira,

Às vezes, porém, torna-se um circuito,

Em tons, mais aclives do que ladeiras.

 

Quem são esses mal amados?

Porque se divertem vivendo do ódio?

Criticam se redondo, triangular ou quadrado,

A música, a roupa, o episódio.

 

Para eles, fadas são bruxas,

Regressando a mil e novecentos,

Teus erros eles repuxam,

Incitando-lhe a reviver tormentos.

 

De onde vêm? Pra onde vão?

Oh, meu Deus! Quem são?

 

O passatempo deles é odiar,

Sem opinião própria, apenas contrariam,

Se de noite, o dia, se com sol, o luar,

Tudo é “cópia”, mas melhor não fariam.

 

De onde vêm? Pra onde vão?

Oh, meu Deus! Quem são?

 

Esse é o império hater,

Alicerce de ondas, um dia desmorona,

Esse é o império hater,

Víboras de estimação, puta hábito cafona!

 

Esse é o império hater,

Nulos de opinião,

Esse é o império hater,

Tudo o que eles têm, é um vazio no coração.

 

II

Hoje foi um dia cansativo?

Dê a um hater a honra de ser teu escudeiro,

Procuras por escólio pejorativo?

Chame um hater para limpar o seu banheiro.

 

Se você está cansado de brigar,

Chame um hater pra ficar no seu lugar,

Se você pensa em desaparecer,

Chame um hater pra de desgosto logo falecer.

 

Quem são esses reprimidos?

Porque se divertem gerando tumulto?

Criticam se curto ou comprido,

A arte, a direção, o culto.

 

Para eles, princesas são plebeias,

Através desses impulsos,

Tão primitivos quanto a Pangeia,

Detém-se a qualquer piar avulso.

 

De onde vêm? Pra onde vão?

Oh, meu Deus! Quem são?

 

O passatempo deles é detonar,

Sem paixão própria, a dor pregaram,

Não interessa a hora ou o lugar,

Matam sem perceber que mataram.

 

De onde vêm? Pra onde vão?

Oh, meu Deus! Quem são?

 

Esse é o império hater,

Paredes de vidro refletem o interior,

Esse é o império hater,

Eles demonstram não conhecer o amor!

 

Esse é o império hater,

Nulos de compaixão,

Esse é o império hater,

Tudo o que eles têm, é um vazio no coração.

 

III

Só pensam em si mesmos, alma egoísta,

Rejeitam sem ao menos escutar,

Desconstroem todo o trabalho de um artista,

Será que querem ver onde tudo vai chegar?

 

Eles não aprofundam, não têm cultura,

O ódio vem dessa falta de leitura,

E é por isso que ninguém os atura,

Não fomos feitos para falta de postura!

 

Não permita que tua luz seja exposta,

Não deixem que chamem tua bíblia de macumba,

Dê a eles uma bela de uma resposta,

Com classe, aterre-os na catacumba.

 

De onde vêm? Pra onde vão?

Oh, meu Deus! Quem são?

 

O passatempo deles é criticar,

Mas sem senso próprio, não são construtivos,

E por isso, especializam-se em aniquilar,

De maneira direta ou por atos furtivos.

 

De onde vêm? Pra onde vão?

Oh, meu Deus! Quem são?

 

Esse é o império hater,

Cujas atitudes refletem falta de nutrição,

Esse é o império hater,

Alma raquítica, falta de consideração!

 

Esse é o império hater,

Nulos de razão,

Esse é o império hater,

Tudo o que eles têm, é um vazio no coração.

 

IV

Mas no final, tudo o que eles precisam

É de um pouco de carinho, atenção e afeto,

O erro deles é que não pesquisam

Como se expressar, então o ódio injetam.

 

Ninguém os ensinou a conviver,

Ninguém os aqueceu com paixão,

Tampouco procuraram as consequências prever,

Por isso só lhes resta um vazio no coração.


 

Provas e Expiações

 

Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre vós para vos tentar, como se coisa estranha vos acontecesse; Mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis. (1 Pedro 4:12,13)

 

Um mundo de provas e expiações

Nunca será palco da felicidade plena,

Não adianta rezar uma santa novena,

Se não germina as próprias plantações.

 

Não basta ser um saco de carne ambulante

Apenas consumindo oxigênio,

É preciso ter visão e empenho,

E achar o sentido para a vida adiante.

 

É tempo para dificuldades enfrentar

E aprender valores que desconhecemos,

Tempo de pagar pelo mal que fizemos,

Tempo de instruir-se a perdoar.

 

É chance de aperfeiçoar o espírito,

Se povo pecador não pertence ao paraíso,

Então há de reviver neste mundo sem juízo,

Chance de aprender a evitar atrito.

 

Vícios levam à imperfeição moral,

Cultivo do mal predomina,

Lidemos sabiamente com a toxina

E encurtemos as vindas ao carnal.

 

Já há progresso no currículo,

Mas ainda não é o suficiente,

A compaixão ainda está dormente,

Cá estamos de volta pelo funículo.

 

O segredo não é complexo,

Ainda não aprendemos a fraternizar,

Ainda temos muito a partilhar,

É tempo de analisar nosso reflexo.

 

É preciso acolher as boas mudanças,

Corpos e mentes anseiam a Regeneração,

Sem mais guerras e matanças nesta dimensão,

Tracemos o caminho rumo à bonança.

 

O fim da transição está perto,

Resultado de uma longa progressão,

Não à violência, intolerância e agressão,

É chance de um horizonte aberto.


 

2 – Mente-abertismo

 

Intro

 

Esta é apenas uma história

De um menino e um rimador,

Que se unem contra a escória,

Em hino para o mal expor...

 

‘Mente-abertismo’

 

Versos cotidianos petrificados,

No peito, arde profecia,

Far-se-ão longe de alvos errados,

Flechas que a falsa fé negligencia,

Serão novos meados,

Erupção de democracia.

 

As crianças que fizeram parte,

Estarão presas em seus leitos,

Mas a nova prole, destarte,

Dentro e fora, perfeitos,

Jamais precisarão choramingar-te,

Clamarão por respeito.

 

Mesmo que já reinem as diferenças,

Lá de fato começarão a reinar,

Novos conhecimentos e crenças

Preencherão novo pilar,

Por mais que tu nunca pertenças,

Acolher-te-ão como lar.

 

Os bons ver-se-ão conservados,

Humildade a engolir burguesia.

Macho e fêmea lado a lado,

Equidade, quem diria,

Por favor por obrigado,

O povo pelo fim da dinastia.

 

Discriminados, só na fictícia arte,

Velhos corruptos não mais eleitos,

Escravidão enfim no descarte,

Caridade a engolir os defeitos,

Sem arma ou estandarte,

Ser homem é novo conceito.

 

Nova luz, nova bença,

Esfumaça pelo céu e ar,

Mente-abertismo em Florença,

Intervém ao irmão abraçar,

Semente de renascença,

A semente do ajudar.

 

Constante aprendizado,

No peito, arde poesia,

Pecados não pecados perdoados,

Amor agora livre em alegria,

Ânimo pelos novos dados,

Sacrifício reduz a estadia.

 

Prosperidade a Marte,

Fazem-se justos os direitos,

Morte por espadarte,

Apunhalando preconceitos,

Gravado em placarte,

Entalham-se joãos satisfeitos.

 

Que o grão ao pobre faça presença,

Reconhecimento ao cocar,

O dia nasce às avenças,

Sem a noite deixar de respirar,

Não haverá mais doença,

Senão o desacatar.

 

Mente-abertismo em Florença,

Semente de renascença,

A semente do ajudar.

 


 

Inclassificáveis

 

“Estou tão dividido / Posso ser feliz ou posso viver perdido / Porque minha cabeça está cheia de alteregos / Alguns apaixonados, tão cegos / Mas outros surgem quando eu me desapego / Acho que estou ficando louco, não nego / Alguns tão felizes, outros tão tristes / Mas talvez seja só eu, nada disso existe.”

 

Como sombras serpenteantes

E serpentes assombreadas,

No escuro, tão palpáveis

As dobras da psique,

As dobras do pensar,

Se ao ser humano cabe fúria,

Lutemos de todas as maneiras,

Pinte o céu com a tinta que quiser,

Pinte o homem com tenaz,

Mas não deixe de pintar

A virtude transcendente,

A emoção resplandecente,

Porque ela pinta tudo,

Ela pinta o elétron,

Onda ou partícula.

 

Somos o que somos,

Somos o que pensamos.

 

A humanidade,

Fruto da Mãe Terra,

É o que é,

Não é o que não é,

Mas também

É o que não é,

E ainda

E não é o que é.

 

São egos e ids,

São superegos

E psiques,

São passado,

São presente,

Não são futuro, porém,

Serão um dia.

A mudança é radical,

A mudança é essencial,

O homem teme,

A terra geme,

E o mundo se transforma,

A cada redoma,

Um novo casulo,

A cada espada,

Uma mariposa a voar,

A cada seio,

Um poder,

A cada anseio,

Um Jogo,

A cada majestade,

Um príncipe,

A cada gole,

Um vinho,

O eu do passado se confunde

Com o eu do presente,

Mas cada um leva um nome,

Cada um carrega

Um aprendizado.

 

Eles são o que somos,

São o que pensamos.

 

Fruto da humanidade,

Quem vem da Mãe Terra ,

Eles são o que são,

Não são o que não são,

Mas também

São o que não são,

E ainda

Não são o que são.

 

Se em violeta

Ou em jasmim,

O poeta faz descaso,

Se em tinta

Ou em carmim,

O menino se adorna,

Cruzeiro do Sul,

Reflexo das almas,

São egos e ids,

Superegos

E psiques,

Por mais que lute,

Por mais que aprenda,

Ele luta mais,

Ele aprende mais,

E novos nomes ganha,

Quer quebre as correntes,

Quer desmantele os elos,

Um novo passo,

Uma nova pessoa,

Cada dia,

Traz nova percepção

A mudança jaz tenra e árdua,

A resistência não baixa a guarda,

Mas quando o homem se cansa,

Curva-se em adoração,

E a vida muda,

Os nomes são dados,

E o homem se transforma.


 

Os 10 Mandamentos do Mente-abertismo

 

I

Amarás ao próximo

Sobre todas as coisas,

Da maneira ao qual

Vieram ao mundo,

Da maneira ao qual

Expressam-se.

 

II

Não se condenarás,

Pois amarás a si mesmo

E seu corpo e seu jeito,

E sua origem e sua raiz,

De modo que o ódio

Não poderá cruzar o peito.

 

III

Perdoarás àqueles que

O têm ofendido,

Porque o pecado alheio

Por mais que o tenha ferido,

Não justifica o retardar

De teu crescimento.

 

IV

Não Matarás

Nem da mortalha do próximo

Te alimentarás.

 

V

Respeitarás com integridade

O espaço físico

E mental

De teus companheiros.

 

VI

Não atentarás

Em nenhum nível ou grau

Contra a trindade

Vida, energia e natureza

Do homem e do animal

Da árvore e do vegetal

Em benefício próprio

Nem de terceiros.

 

VII

Com humildade,

Protegerás os irmãos de vida,

Porque eles hão de te auxiliar

Na longa e lenta subida

Do processo de evolução.

 

VIII

Não deixai de compreender

A ciência

Nem a espiritualidade,

E jamais colocarás na balança

A busca pela verdade.

 

IX

Não desistirás da caminhada,

Nem deixarás que o outro desista,

Quando não estiveres

Mais inspirado,

Olhai para o próximo e ajudai-o,

Não deixai que a dor persista.

 

X

Caminharás rumo à elevação

Moral, Espiritual e Intelectual

Todos os dias de tuas

Incontáveis existências,

De cabeça erguida,

Sem reclamar das exigências.


 

3 –  O Primeiro Mandamento

“Amarás ao próximo sobre todas as coisas, da maneira ao qual veio ao mundo, da maneira ao qual expressa-se.”

 

As Caveiras

 

1º Ato

Senhor macumba, assim era chamado,

Mas o velho era a simpatia em pessoa;

Ninguém sabia que ele fora advogado,

Mas a fama espalhou como grito que ecoa.

 

2º Ato

“Um mal intencionado, um louco.”

— Eles diziam, sem nenhuma delonga;

Chamavam-no de tudo e mais um pouco,

Sem saber que sua jornada fora longa.

 

3º Ato

A casa do aposentado fedia a incenso

E as paredes eram cobertas de carcaças;

A sensação era de um fúnebre intenso

E as boas energias pareciam ser escassas.

 

4º Ato

Era a maior coleção de caveiras

De todo o mundo, ah era!

Todas expostas junto a ossos em prateleiras,

Eles diziam: “Ali o satanismo impera!”.

 

5º Ato

Até que um dia um moleque se atreveu,

Fugiu dos pais e ao velho foi fazer companhia;

Perguntou-lhe por que todos o encobriam em breu,

E a cada palavra, o menino mais se surpreendia!

 

6º Ato

João Carlos de Abreu era sua identidade,

Trabalhava defendendo magnata em tribunal,

Mas resolveu mudar antes que fosse tarde,

Abriu mão de tudo e focou no espiritual.

 

7º Ato

A primeira caveira adquiriu aos 45,

E desde então, passou a ter um novo olhar,

Passou a acreditar com muito afinco,

Que todos podem mudar.

 

8º Ato

Olhando para aquelas ossadas,

Não dava para identificar se homem ou mulher,

Se tímidos ou de personalidade ousada,

Ali todos se juntavam à posição de ‘qualquer’.

 

9º Ato

Não havia sexualidade ou religião,

Cor, dinheiro ou faixa etária,

“Todos nós, por dentro, seguimos um padrão,

Julgar pela aparência é coisa desnecessária”.

 

10º Ato

O velho então riu das ofensas,

Contra isso, há anos decidiu não tomar ação,

Disse: “Não me importa o que de mim tu pensas,

Importa quem tu és de coração”.

 

11º Ato

“Progredir é observar as caveiras!

Ver que do físico não resta nada,

(Por mais que tu queiras)

E que a vida é, sem fim, uma estrada.”

 

12º Ato

Para finalizar então, ele enfatizou:

“A espiritualidade está além do exterior!

Não me arrependo do que sou,

O importante é que a ninguém, sou superior”.


 

A águia vegetariana

 

Certa vez, uma águia vegetariana

Entrou no território de outras aves,

Ao contrário de extremo, era mediana,

Mas ao chutar, só deu na trave.

 

Avistou por primeiro o tucano

E com graça tentou se apresentar,

Como bom pecante, entrou pelo cano,

O pio espantou, tucano fugiu a voar.

 

Vislumbrou uma gralha de Havana,

E com ela tentou gralhar suave,

Não que ela fosse má samaritana,

Mas por medo, fugiu sem entrave.

 

Em seguida viu um urubu muito insano,

Que quase não conseguia voar,

Ao avistar a águia, ele jogou o pano,

Fingiu-se, irônico, de morto para escapar,

 

Mudou a abordagem, queria ser bacana,

Mas o rouxinol a piar muitas claves,

Não distinguiu se de Nápoles ou toscana,

E na mata trancou-se a sete chaves.

 

Por fim encontrou um canário decano,

Que não falava, sorria a cantar,

Mas música para águia é algo arcano,

E com voz rústica, não fez senão desafinar.

 

O canário, porém, temia virar janta,

Mas não era veloz como astronave,

Tampouco possuía garras de katana,

Talvez fosse a mais singela e frágil ave.

 

A águia não queria causar nenhum dano,

Mas por natureza, soava rude ao piar,

O canário associou ao perigo, por engano,

E para se proteger, convocou todo o ar.

 

Seus pulmões campeões de gincana,

Logo ergueram líricos arquitraves,

Sua única arma contra bruteza romana,

Era entoar como nenhuma outra ave.

 

Assoviou frases mais longas que um ano,

Tão duras que a águia sofria ao escutar,

Então ela se manteve em curso plano,

Por conta, afastou-se rumo a outro lugar.

 

Ela sabia que não era de fato tirana,

Mas reconhecia não ser polida, suave,

Era pecadora, errante longe do nirvana,

Ser águia, esse era seu encrave.

 

Tentou ser gentil com seu jeito cigano,

Mas nada desfez sua imagem peculiar

Em uma gota, deduziram oceano,

Não deu tempo sequer de aprofundar.

 

Ela, de origem mais que vegana,

Não pode exigir que fundo se cave,

Nem que entendam seus dias da semana,

Afinal era bronca, nenhuma landgrave.

 

Foi-se embora encontrar novo meridiano,

Entendendo que se ELA pode se equivocar,

Eles não têm culpa de fugir a paisano,

Se temer é natural, a águia só fez perdoar.


 

Ninguém escolhe o amor

 

Oh, Ninguém escolhe o sabor

Oh, Ninguém opta pelo agror

Mas nunca acaba em alegria

Nessa escarlate hegemonia

 

Oh, Ninguém escolhe a cor

Oh, Ninguém opta pelo ardor

Mas tudo acaba em traição

Nesta extrema devassidão

 

Oh, Ninguém escolhe o autor

Oh, Ninguém opta pelo alvor

Mas tudo acaba em decadência,

Implorando por clemência

 

Oh, Ninguém escolhe o amor

Oh, Ninguém opta pela dor

Mas tudo acaba em coração partido

Massacrado, pra sempre destruído.

Bandeira de 6-Cores

 

É o fim desta prisão,

Acrílico cinzento angustiante,

Alvo de piadas e irrisão,

Sofrimento constante.

 

É o fim desta monção,

Sol não muito distante,

Quebram-se paredes sem criar cisão,

Todo homem, na vida, semelhante.

 

Qualquer um ficaria cansado,

De não poder ser feliz,

Não dá mais pra ficar calado,

Da dor gerar-se-á eletromotriz;

 

Sem ser jogo, mas ainda jogado,

Flâmula se espalha sem ser chamariz,

É sentir-se representado,

É porto seguro, é fixar-se a raiz.

 

O orgulho há de se instaurar,

Para mais almas serem curadas

Da dor de não poder amar

Sem serem maltratadas.

 

Renúncia ao soar,

Elas querem ser libertadas,

Não do seu eterno queimar,

Mas de limitantes crenças limitadas.

 

Pode soar insano,

Mas ninguém há de impedir,

Pois ainda esse ano,

Muitas colorações hão de explodir.

 

Não, não há nenhum engano,

Chuva do reconstruir,

Por baixo dos panos,

Não mais há de subsistir.

 

Quando chegar o momento,

Sem dó, erga tua bandeira,

Com orgulho e posicionamento,

Enfim liberdade verdadeira.

 

Choramos por quem foi detento,

Refém das fogueiras,

Com orgulho e posicionamento,

É hora de lutar pela clareira.

 

O lábaro estampa cor favorita,

Seja ela qual for,

Se isso, por qualquer razão irrita,

Então é preciso mais amor.

 

Há tanta gente na escondita,

Há tanta gente no penhor,

Menos ódio e mais vita,

Paz e não agror.

 

Aqueles que te jogam título,

De tua vida mandes embora,

Cortados do capítulo,

Para sempre fiquem de fora.

 

O desejo de viver em um cubículo,

Esgotou-se há muitas horas,

Leia qualquer versículo,

Mas um do qual alma melhora.

 

A insígnia sempre esteve posta,

Não vê quem não quer;

Não se deve justificativa ou resposta,

Deve-se pedir para retirarem a colher.

 

Que a corte seja deposta,

O máximo que puder,

Discriminação se recosta.

Seja homem, seja mulher.

 

Se se alimenta o preconceito,

Está na hora de ler e pesquisar.

Rever os conceitos,

Há tempo de entender e respeitar.

 

Vamos medir o efeito

De cada palavra que se possa falar.

Chega de guardar despeito,

É se entender e se perdoar.

 


 

Rosa, Roxo, Azul

 

Rosa, Roxo, Azul...

Que diferença faz?

Não somos todos humanos?

 

Rosa, Roxo, Azul...

Que diferença faz?

Não é ao próximo que amamos?

 

Rosa, Roxo, Azul...

Que diferença faz?

O que impossibilita que vençamos?

 

Rosa, Roxo, Azul...

Que diferença faz?

O que impede que livres sejamos?

 

Rosa, Roxo, Azul...

O tempo passa e tudo se liquefaz,

Um dia, todos saberão o que enfrentamos.

Cure-me

 

Pra que insistir na cura

Daquilo que não pode ser curado?

Por que cuspir impura

Alma sem olhos vendados?

 

Não lhe parece loucura

Tanto ódio infundado?

Sorte que o amor se depura

Sem jamais ser incomodado.

 

Atormentai outra figura,

Pois és tu, o enjaulado,

Se cólera com as mãos procuras,

Tu que saias envenenado.

 

Antídoto sim: a esse tipo de fratura,

É ela que te deixas zangado,

Curais tuas páginas de tortura,

Teu prólogo mal embasado.

Ser diferente

 

Ser diferente

Faz parte da gente,

É tão inerente

Quanto andar para frente.

 

Nunca foi decadente,

Mas atraente,

Também evidente,

De certa forma procedente.

 

Não é imprudente,

É sobre ser valente

Porque certamente,

É ser afluente.

 

Não é preciso que assente,

Pois está no sangue ardente,

Senhor presidente,

Cumprindo seu papel avidamente.

O que há de errado?

 

Sobretudo, amem-se sinceramente uns aos outros, porque o amor perdoa muitíssimos pecados. (1 Pedro 4:8)

 

O que há de errado em ser gordinho?

Por que temos de esculpir a silhueta?

Por que temos de trincar tanquinho?

Deixa de ser xereta!

 

O que há de errado em ser magrinho?

Por que temos de criar músculos?

Suar do alvor ao crepúsculo?

Cansei desse joguinho!

 

Deixe a gente ser o que a gente é.

Quando vier com esse papo, vou dar no pé.

Porque com silêncio se combate o ignorante

E com aceitação se vive bem o bastante.


 

Somos Todos Irmãos

 

Teu rosto, não tua cidade,

Teu gosto, não teu estado,

Teu apreço, não tua idade,

Teu acerto, não teu pecado.

 

Somos todos irmãos,

É de Deus nos apoiar,

Vamos dar as mãos,

E a diversidade celebrar.

 

Quem liga para nacionalidade,

Ou sotaque diversificado?

Fica sóbria a solidariedade,

Não da fronteira, o lado.

 

Ateu ou muçulmano,

Coração bate bem-vindo,

Latino ou americano,

Teus valores continuam existindo.

 

Quem pensa que a guerra fria acabou,

Está quadradamente enganado,

A divisão da sociedade continuou,

Separando-nos por clados.

 

 Presidente planeja delimitar território,

Ao invés de integrar em união,

E eu rio de tão simplório,

Que é classificar por padrão.

 

Compostos orgânicos, filhos da Terra,

É de Deus nos apoiar sem condições,

Não nos pertence mais fazer guerra,

Somos família, compartilhemos boas ações.

 

Não é se apropriar de outras culturas,

Mas aprender como elas são,

É de Deus desbravar novas alturas,

E conhecer do nosso planeta, cada rincão.

 

Pare de rotular nossos povos,

Somos todos cidadãos,

Aprenda, são tempos novos,

Época de aprender com os irmãos.


 

TRANSforme-se!

 

Se você está incomodado,

O problema é contigo!

Por favor, não escolha um lado,

Ninguém quer fazer inimigo!

 

Tenha empatia,

Coloque-se na posição do próximo!

Pois um dia,

Nosso convívio há de ser ótimo!

 

Pra que guerra se dá pra fazer amor?

Em meio a tanto plural, feliz é singular!

Dentro da gente, há todo tipo de cor,

Basta respeitar!


 

Queer

 

“Se na dúvida estás sobre como tratar uma pessoa, se por ELE ou por ELA, por A ou por O, adote a linguagem neutra de gêneros. Trate-a por “ELO”, trate-a por “E”, e evite conflitos desnecessários.”

 

Que fruta será essa?

Que sabor será que tem?

Sai dessa,

Será que hoje elo vem?

 

Pregue uma peça,

Faça o que lhe convém,

Porque hoje não tenho pressa,

Hoje você é mi neném.

 

Será errado querer provar?

Uma mordidinha de leve,

Quero voltar a sonhar,

Para que a imagem se conserve.

 

Respires meu ar,

E não sejas breve,

Faça-me transformar,

Qualquer tipo de amor me serve.

 

Quero vê-le de novo,

Volte a me fazer uma visita,

Jamais será estorvo,

Tua hype me levita.

 

Quero vê-le de novo,

Por favor, insistas,

Povo de meu povo,

Seja Argentina, Seja Evita.

 

Estou apaixonado,

Por favor, não volte a partir,

Quero estar ao teu lado,

Mi doce genderqueer.

 

Estou impressionado,

Há muito incapaz de discernir,

Hoje me sinto purificado,

Meus olhos a abrir.

 

Onde quer que possa estar,

Que estejas muito melhor,

Fé na jornada de nos preparar

Para o bem maior.

 

Missão de trazer o despertar,

Não há alma melhor,

Do rosto, pouco consigo lembrar,

Só sei que me extinguiu dor mor.


 

Cante Comigo

 

Cante comigo

Uma mid-tempo country qualquer

De arranha-arranjo improvisado

Celebremos o fim do apogeu.

 

Conte comigo

Para o que der e vier

Floresça ao meu lado

E eu florescerei ao teu.

 

Cante comigo

Com o máximo de fôlego que puder,

Melodia bruta deixa o cego aterrorizado,

Mas limpa todo o seu eu.

 

Conte comigo

Meu gênero fluido fluirá quando lhe convier,

Em minha voz de garfo em prato, apaixonado,

É o fim, é o fim de um longo jubileu.


4 –  O Segundo Mandamento

“Não se condenarás, pois amarás a si mesmo e seu corpo e seu jeito, e sua origem e sua raiz.”

 

A Bolha

 

Jaula chata,

Vida vazia,

Tanto de noite

Quanto de dia.

 

Na passeata

Do dia a dia,

Cortou a foice,

Fez o que podia.

 

Voz autocrata,

Juiz repudia,

Jogador dá coice,

E o jogo, alegria.

 

Sensação barata,

Reação tardia,

Na linha foi-se,

Perdeu o que pedia.

 

Fácil Serenata,

Dores, confia,

Vida de açoite,

Pequena fatia.

 

Escolha pacata,

Sequela sombria,

Só um pernoite,

E acabou dinastia.

 

Viver de prata

Ou de ouro platina?

Só um pernoite,

Mas dói a quantia.

 

Viver de empata

Ou viver de harmonia?

Só um pernoite,

Mas dói a quantia.

 

Descer de cascata

Ou ganhar alforria?

Dói um pernoite,

Mas depois, sadia.

 


 

Dois passos até a porta

 

São só dois passos até a porta,

Junto às paredes, segurança,

Lá fora, voltar a ser criança,

Portal certeiro para vida torta.

 

E eu quero viver de vida torta,

Tua palavra não passa confiança,

Mas sim o toque que me amansa,

E o ardor de quem me importa.

 

Aí vem a dura questão da aorta,

Só eu posso pagar minha fiança,

E liberdade não tem semelhança,

Viver de superfície é viver morta.

 

Mas transcender ninguém exorta,

Põe-se sol sábio junto à provança.

E rindo, cochicho ordena a matança,

São dois longos passos até a porta.


Monstro

 

Toda vez que eu te vejo,

Contenho meu desejo

De te ter por perto

Mas será que isso é certo?

Sangra a minha alma

Saber que perdi a calma

Por ofensas banais,

Por dores reais,

A dor de não poder te ter,

A dor de não poder te ver,

Sem ter que me desfazer

Em lágrimas amarguradas,

Em mágoas tão pesadas

Que me arrastam pra baixo da terra,

Onde julga quem erra;

Eles ofendem até sem saber,

Destroem todo o seu ser,

E te fazem querer desistir,

Mas não se pode deixar partir,

Sem encontrar o amor,

Sem enfrentar a dor;

Porque eles nunca te entenderão,

Sem encontrar seu coração,

E eu imploro por perdão,

Mesmo que eu tenha razão,

Porque eu detesto brigas,

Pelo contrário, odeio intrigas,

Eu só quero amar,

Eu quero respirar,

Luto pela Liberdade,

Longe da insanidade

De apedrejar aos irmãos

Até sangrar as próprias mãos

Só pra ter o prazer

De me ver apodrecer

Devido minhas diferenças,

Meus credos e crenças,

Minha raça, minha cor,

Meu gênero, meu amor,

Como um monstro, eles me rotulam,

Sem perceber que assim desregulam,

Toda a minha vida,

Deixando-me sem saída:

Agradar ou viver?

Ser ou não ser?

Ser ou parecer?

E isso se torna um conflito:

Será que é algo finito?

Será que eu vou mudar?

Não, nunca vou me casar,

Só vou me torturar,

Porque toda vez que eu te vejo,

Eles contêm nosso desejo,

De nos encontrarmos...

De nos abraçarmos...

De nos amarmos...


 

Garoto da Cidade

 

Rastro de glitter cintilante,

Ele monta um unicórnio,

Droga, o que vem adiante?

Com aquele ar califórnio?

 

Ambiciona ser relevante,

Leão, não capricórnio,

Fresco ao cético perante,

Delicado, é flor de fórmio.

 

Olha lá quem vem!

Garoto da cidade,

Está tudo bem!

A faca da maldade,

Entorta com teu amém.

A agonia que invade

Eleva-te para além,

Voe em liberdade,

Voe, seu refém,

Voe para a tempestade,

Voe para o que te provém,

Voe sem ansiedade,

Voe sem um porém,

Sim, garoto da cidade,

Sempre esteve tudo bem.

Garoto da cidade,

Tudo bem.

 

Jeans justo com certeza,

Versace, Red Valentino,

Vogue, Hairspray, Veneza,

Translúcido, é hialino.

 

Queen da natureza,

Impopular interino,

Purpurina na dureza,

Passos de pantera, felino.

 

Destrincha notas de beleza,

Encarna a musa no hino,

Ele não recorre à aspereza,

Pois tem olhar fino.

 

Desgosto da bruteza,

Ninguém entende esse menino,

Não busca viver de realeza,

Só tem olhar feminino.

 

Olha lá quem vem!

Garoto da cidade,

Está tudo bem!

A faca da maldade,

Entorta com teu amém.

A agonia que invade

Eleva-te para além,

Voe em liberdade,

Voe, seu refém,

Voe para a tempestade,

Voe para o que te provém,

Voe sem ansiedade,

Voe sem um porém,

Sim, garoto da cidade,

Sempre esteve tudo bem.

Garoto da cidade,

Tudo bem.

 

Ele poderia trabalhar

No que quisesse, querido,

Mas em algum lugar

De sua mente, está perdido.

 

Trejeito peculiar,

Sente-se ofendido

Quando o obrigam a se passar

Por amásio enrustido.

 

Entre um pneu trocar

E costurar um vestido,

Além da barra, iria entrajar,

E libertar-se bandido.

 

Ele tem esse ar,

O airoso faz sentido,

Garotos de rua a marginalizar,

Ele a se sentir constrangido.

 

Olha lá quem vem!

Garoto da cidade,

Está tudo bem!

A faca da maldade,

Entorta com teu amém.

A agonia que invade

Eleva-te para além,

Voe em liberdade,

Voe, seu refém,

Voe para a tempestade,

Voe para o que te provém,

Voe sem ansiedade,

Voe sem um porém,

Sim, garoto da cidade,

Sempre esteve tudo bem.

Garoto da cidade,

Tudo bem.

 

Por vezes, se rebaixa

Porque alguém provocara,

Estenda a faixa,

É uma diva, uma Iara.

 

Ele nunca se encaixa,

Parece fácil para os outros caras,

Vindo da zona baixa,

Entre bater e apanhar, caiçaras.

 

Garoto da cidade, está tudo bem.

Garoto da cidade, entoe seu amém.


 

Poema da Paixão Homogênea

 

Estar aqui ao seu lado,

É como um cardume de borboletas

Nadando em terras obsoletas

Por um jardim inviolado.

 

Sempre que eu te abraço,

É uma jornada pelo mar seco,

Como uma passagem pelo beco

Dessa vastidão de embaraço.

 

Com você perco meu mundo

E também os sentidos,

Pois na solidão de jovens aguerridos,

Sei que o precipício é moribundo.

 

Temo te desapontar novamente,

Pois tu és tudo o que me resta,

A cada toque é uma festa

Entorpecendo minha mente.

 

Amo seus fios dourados,

Enquanto seu olhar me consome,

Queimando como a fome

De percorrer estes prados.

 

A diferença é irrelevante,

Pois nosso amor é homogêneo,

É como pulmão e oxigênio,

Só junto iremos adiante.

 

Por fim eu e você somos assim,

Jovens de coração felpudo

E eu te amo mais que tudo,

Meu doce anjo querubim.


 

Ha ha ha

 

Ha ha ha

Está no sangue ou no DNA?

Essa mania de achar

Que pode nos bater

Que detém algum poder,

Que a verdade lhe pertence.

 

Ha ha ha

E a justiça, onde há?

O preconceito a matar,

A cegueira a ensurdecer

E a surdez a emparvecer,

Em tolos, vaidade vence.

 

Ha ha ha

Pouco caso, quiçá?

Ou é questão de desprezar,

Silêncio é igual a convalescer

Ao ver um irmão falecer,

Pois pra tolos, toda fé convence.


 

A Cor De Minha Pele / Somos Todos Humanos

 

I

A Cor de Minha Pele

Jamais me fez roubar

Jamais me fez matar,

Porque a força do bom caráter

É o que me compele

A suar para o bem adquirir.

 

A Grossura de Minha Voz

Jamais me fez ser

Menos homem do que você

Porque o que faz do homem

Um homem, é a voz,

E não o tom de seu retinir.

 

O Beijo que Eu Dei

Jamais prejudicou alguém,

Jamais converteu ninguém,

Por existe algo chamado respeito;

Sou homem, sou gay,

Só faço é evoluir.

 

O Pronome ao qual Me Refiro

Jamais me fez aberração,

Jamais foi contra 'A Criação',

É só a soma de todos quem já fui;

Em você nada interfiro,

É só uma forma de me sentir.

 

Oh, oh, oh, somos todos humanos,

Sob sol e lua semeamos

Dedos e enganos.

 

Oh, oh, oh, mas não é porque pecamos,

Que devemos engolir espartanos,

Machados, longe de nossos ramos!

 

Respeito existe

Por mais que o monge não se importe,

Ele insiste

Em alumiar crânio de menor porte.

 

Então eis que chegou a hora,

Até que sejamos ouvidos, não iremos embora.

 

II

A Abertura entre Minhas Pernas

Jamais me fez ser

Menos capaz do que você

Sou mulher, não sou frágil,

Sou mãe, lutar e vencer

Sem jamais me retrair.

 

O Montante em meu Bolso

Jamais definiu quem eu sou

Jamais me depreciou,

Porque existe algo chamado valor

O dinheiro em tempo nenhum me comprou

E em tempo nenhum será meu sorrir.

 

A quantidade de diplomas no currículo

Jamais me fizeram mais ou menos pensante

Jamais classificaram-me com in ou tolerante

Por que existe algo chamado vontade

De buscar as respostas circundantes

E disso ninguém vai me destituir.

 

Quantas Primaveras já vivenciei

Não me faz mais ou menos ignorável,

Não me faz mais ou menos descartável,

Somos todos pur'ieternos,

Se vim antes ou depois, louvável,

Vamos todos igual progredir.

 

A voz que me grita agonias

Não me faz ser minha doença,

Não define minha sentença,

A loucura está em teus olhos,

Não aja com indiferença

Sou frágil, mas quero resistir.

 

Com quantas pessoas já me relacionei,

Jamais me fez vulgar,

Jamais me deduziu do altar,

Sou mulher de atitude,

Sou livre para amar

Sem licença pedir.

 

A dimensão e o formato de minha barriga

Jamais me fez desregulado

Ou menos digno de ser aprovado

Nas leis da beleza,

Não sou maníaco nem viciado,

Só não sou de me punir.

 

A tribo onde nasci

Jamais me fez menos gente

Jamais me fez exigente

De um patrimônio cultural,

Mas na cultura de minha gente

Foi onde vi meu surgir.

 

Oh, oh, oh, somos todos humanos,

Sob sol e lua semeamos

Dedos e enganos.

 

Oh, oh, oh, mas não é porque pecamos,

Que devemos engolir espartanos,

Chega de traças em nossos ramos!

 

Respeito existe

Por mais que o monge não se importe,

Ele insiste

Em alumiar crânio de menor porte.

 

Então eis que chegou a hora,

Até que sejamos ouvidos, não iremos embora.


 

Cosméticos

 

Eu passei vinte anos

Tentando ser quem eu não era,

Tentando reviver uma era

Que já se foi,

Sem perceber que o que se espera,

É encaixar com a mente.

 

Eu passei vinte anos

Sem nenhuma socialização,

Escondendo e fazendo tudo quanto é ação,

Para fugir da piscina,

Para lembrá-los que minha curva declina

Esse convite já de interrupção,

Esfacelando-me como gente.

 

Eu passei vinte anos

Fugindo da realidade,

Negando minha intimidade,

Até quase perder o juízo,

Sempre saindo no prejuízo,

Arrastando-me sob a imagem da vaidade,

Tentando ser reto e liso,

Sem aceitar meu amor diferente.

 

Eu passei vinte anos

Prendendo e alisando,

Tingindo e mudando,

Numa tentativa de fugir de minha raiz,

Estragando a raiz,

Sem notar que eu estava matando

A luta em meu país,

Não só minha, mas de muitos entes.

 

Foram vinte anos,

Não vinte semanadas,

Não vinte dias,

Vinte horas....

Foram vinte anos

Sem que ninguém me dissesse

Que o único cosmético

Que esconde minha dor

É queimar o estético

De dentro para fora,

E viver, paixão e calor.

Poema das vocações

 

Y e Z

“E assim eles viraram quem hoje são / Mas não se engane, siga o seu coração / Se você tem vocação, um sonho na mente / Lute, conquiste, quebre o paradigma, siga em frente.”

 

Ele tocava,

Como quem toca terror,

Ele amava,

Como quem ama amor.

 

Jamais esquecerei o talento,

O dia em que usava chapéu,

Almejando soprar notas ao vento,

Triste, olhando para o céu.

 

Ela lia,

Como quem lê pensamentos,

Ela abria,

Como quem abre investimento.

 

Jamais perderei a imagem

Da menina humilde da favela,

Formando-se em enfermagem,

Mais princesa que a Cinderela.

 

Ele fazia arte,

Como quem se faz arteiro,

Ele esculpia o estandarte,

Como quem esculpe formigueiro.

 

Jamais olvidarei seus quadros,

Rapaz julgado quiçá,

Por pintar ladrilhados,

Por se entregar às mãos de Sá.

 

X

“As pessoas resistem à luta alheia por igualdade / Eles querem que todos ‘cumpram seu papel’ na sociedade / Mas é porque eles queriam lutar a sua luta / E perderam, frustrando-se e então adotando tal conduta.”

 

O homem aponta dedo,

Só gosta do salário,

Repreende através do medo,

Mas quer que o outro seja milionário.

 

“Trabalhe duro sem se inspirar

TCC tem que ‘dar dinheiro’,

Seja máquina de fabricar,

Melhor que ser mártir guerreiro.”

 

O homem põe expectativa,

Ele vê quem você é e de onde veio,

E é cego para quando há iniciativa,

Onde sonhador constrói o meio.

 

Se viver da arte é loucura,

“Do gueto, continue desamparado,”

Se lançar independente é tortura,

“Da riqueza, honre nariz-empinado.”

 

Tenha papel na society,

Não invista em concurso,

Não invista em um site,

Quero que faça ESTE curso!

 

O homem queria, de fato,

A tua oportunidade ter tido,

Por isso cinzento tornou-se rato,

Por isso xereta tornou-se metido.

 

“Eles queriam ter tido a oportunidade de estudar / Queriam ter a chance de todos os dias deixar o lar / E se dedicar àquilo que realmente lhes dá prazer / Mas a vida acabou por não lhes satisfazer”.

 

Monólogo de Sá,

Intervalo de Classe: X |------ YZ

"Algumas pessoas lhe criticarão arduamente ao longo da vida. Não uma, não duas, mas centenas de vezes. Algumas rirão de você, outras falarão mal pelas costas e outras tentarão mudar quem você é, através de palavras de ódio e gestos de desprezo, te humilhando... Mas, meu bem, se você nasceu para ser uma estrela, não deixe que isso apague o seu brilho. Por mais que essas pessoas lhe digam coisas como: como se portar, o que vestir ou não, como deve ser o seu cabelo, como deve ser o seu estilo, o que você pode ou não fazer, o que você tem que estudar ou não, dentre tantas outras coisas, pare e reflita: Esta pessoa só está fazendo isso porque não está feliz com a própria vida, porque na época dela, não pode ser quem ela era e por isso ficou amargurada. Pessoas felizes não se preocupam com a vida do próximo e não tentam mudá-la, tampouco ficam dando palpite sobre suas escolhas, gostos, dons, paixões e preferências, sejam elas sociais, políticas, espirituais ou afetivas. Pessoas felizes vivem suas próprias vidas sem fronteiras, sem impedimentos e não ficam metendo o nariz na felicidade alheia. Pessoas felizes entendem que a plenitude está em ser honesto consigo mesmo e seguir o coração, por isso, não ficam se preocupando com o quem os outros são ou deixam de ser, com o que os outros fazem ou deixam de fazer... Por isso, pequena luz, seja livre respeitando a liberdade dos outros. E seja você quem for, seja você mesmo sem a necessidade de pisar no próximo, sem precisar humilhá-lo ou ofendê-lo. Apenas respeite, pois na vida é assim: A única coisa que todos temos em comum são as diferenças e isso não se pode mudar, apenas aceitar."

 


 

5 –  O Terceiro Mandamento

“Perdoarás àqueles que o têm ofendido, porque o pecado de outrem não justifica o retardar de teu crescimento..”

 

Majestade

 

Não é, de fato, sarcástico,

Como algumas pessoas se auto intitulam

Majestades, mas usam coroa de plástico?

 

São esses os mesmos que rotulam,

Pregam palavras de ódio, drástico,

E a paz então anulam.

 

Mas é melhor, deixa!

Quem tem essa falsa visão de mundo,

Vive de reclamação e queixa,

E no fim, acaba morrendo no fundo.

 

Está na hora de botá-los na reixa,

No xilindró, como qualquer moribundo,

Pra que esperar outra deixa?

Esse é a tua hora, teu minuto, teu segundo.

 

Perdoe-os, pois são ignorantes.

Mais um clichê “daqueles”, só que importante para quem foi escrito

 

Teu semblante antártico

Muita dor sepulta

Mas isso jamais me impediu

De lê-lo por completo.

 

Você tem paredes

Rijas e altas como muralhas,

Encaixadas pedra a pedra,

À arquitetura medieval

Para não deixar o ai passar.

 

Mas eu consigo sentir o cheiro

De rosas a quilômetros

E tenho certeza absoluta:

Provém do jardim interno,

Que não reflete à luz da retina,

Mas faz-se tão concreto,

Que estou a um passo de tocá-lo.

 

Mande seus cavaleiros

Fecharem os portões,

Mande os atiradores

Prepararem e apontarem,

Mande soltarem os crocodilos,

Mande me deter,

E eu jamais vou fraquejar.

 

A corda é de aço e não arrebenta,

Eu escalo e escalo,

Sem nunca me cansar,

Pés e mãos liquefeitos em fonte escarlate,

Oh, sim, e doem,

Mas eu escalo e escalo,

Sem nunca me preocupar

Com a queda

Porque sei que chegarei

Ao outro lado.

 

Não olho para baixo

Muito menos para trás,

Pois sei o que se esconde

Por trás destas fundações,

Afinal,

Eu também escondia

O que eu tinha

Medo de ser arruinado.

 

E eu escalo e escalo

Sem medo de me estabacar

Porque sei que por trás

Da solidez do castelo negro

Existe um menino

Frágil e Gentil,

Ansiando alguém para lhe cuidar.


 

Indiretas Mil

 

Não adianta ficar se vingando,

Não adianta soltar indiretas mil,

Adianta deixar a ira descansando,

Quando menos esperar, BOOM, sumiu!

 

Exposição

 

Almas livres respiram transparência,

Mas as aprisionadas, falência,

Não se entrega pulmão à pneumonia,

Desvantagem é cobrir-se de vidraçaria.

 

Almas felizes aspiram transcendência,

Mau agouro se favorece de ciência,

Não se entrega cabeça à melancolia,

Desvantagem é ser feito de vidraçaria.

 

Momentos alegres,

Outros nem tanto,

Não deixes que ruindade regre,

Não sejas teu próprio desencanto.

 

Momentos alegres,

Outros nem tanto,

Sem azos, o mal que se segregue,

Não forces teu próprio pranto.


Amigo

 

Caro amigo, escrevo-te esta carta

Expressamente para lhe pedir perdão,

Por mais que tua atitude me parta,

Considero-te como um irmão.

 

Não quero te perder,

Tua amizade é muito importante,

Muitas coisas tu me fizeste aprender

E agora estás tão distante.

 

Por isso peço perdão por minhas palavras,

Vamos deixar tudo isso no passado,

Ainda me lembro do que tu sempre recitavas:

"Inimizade é o que destrói o soldado".

 

E por isso quero que me desculpes,

Vou baixar a bola e reconhecer meu erro,

Compreendo que tu talvez me culpes,

Mas dias sem ti são dias de enterro.

 

Viver sem tua risada é como estar sempre com fome,

E agora sem tua companhia,

Sinto-me um produto que ninguém consome,

Uma lembrança vazia.

 

Sinto muito se fui rígido demais,

Eu errei e agora compreendo,

Não quero te perder jamais,

Eu me rendo!

 

Vamos recomeçar tudo outra vez

E esquecer estes desalentos

É hora de parar com essa estupidez!

Estou disposto a me desfazer dos ressentimentos!


 

Perdoar

 

Eu te perdoo,

Por mais que você não consiga

Acompanhar o meu voo,

E às vezes deixa de agir como amiga.

 

Sim, não quero inimizades,

Por isso, mesmo que tu prossigas,

Com perdão, libero-te à eternidade.


 

Society

 

Fogo, fogo, fogo!

Atirem as bruxas na fogueira!

Que bruxas?

Só se vê fogueira!

Ordenem uma nova cruzada

E intolerem-se feito cão e gato,

Matem-se, guardem rancor,

Longe d’ágape, vivam a dor,

Ignorem os artifícios

Do conhecimento científico,

E sintam-se livres

Na burrice de um doutor epíteto,

Vinguem-se por egoísmo,

Batam-se sem nenhum juízo,

Sintam o prazer

De serem moldados pelo consumismo,

Sem jamais se lembrar

De esquecer para pensar.

 

Vivam na angústia da guilhotina,

Escondam-se atrás da bastilha,

E repitam o mesmo erro,

Vinte, trinta, trezentos trilhões de vezes,

Falem sobre sororidade,

Falem de solidariedade,

E como antônimos, luz e sombra,

Afastem-se com união,

Julguem por julgar,

Ataquem a quem estranhar,

E pequem nos delírios

Da santa fé,

Intitulem-se altruístas

Por reclamarem das sobras

E migalhas que o lixo come,

E vivam felizes por dois dias

Em suas vidas quadradas

E sem cores.

 

 


 

Twins

 

Não há história para ler,

Não há história para contar,

Mas o que aqui se sente é mais

Do que qualquer livro pode dar.

 

Esta é uma questão de crer,

Não de se estudar,

Que todo gêmeo é capaz

De sentir no irmão, o lar.

 

Onde esses garotos vão descer?

Sente-se a tristeza no olhar,

Por penosos pesares tão reais,

A dor de se separar.

 

De vergonha, é de se perceber,

À vontade de chorar,

Com tantas cidades e capitais,

Por que a vida insiste em encontrar?

 

O ônibus da existência a estremecer.

E aquela velha mágoa a atordoar,

Arde como fogo, tantos ais,

Que fica até difícil consolar.

 

Hoje no ponto vai chover,

Mas não é chuva, é lacrimejar,

Confábula não é fácil, jamais,

Mas é preferível ímpar a par?

 

Talvez um oi não vá doer,

Vai doer é de tanto praguejar,

Viver longe do que vivo te faz,

E induzir o próprio peito a sangrar.

 

Há motivos que os levam a crer

Que talvez seja melhor tergiversar,

Mas se o que se sente não se desfaz,

É porque ainda há muito a amar.


 

E a águia continua

 

A águia consegue ler toda a conversa

Na carta de teus olhos,

Na carta de teus olhos.

A águia voa distraída, pouco atenta,

Mas há 40ºC no radar,

Há 40ºC de instinto,

Ela jamais se contenta

Com saldo alheio, perversa,

Bate as asas com afinco,

Para longe de maus óleos.

Para longe de maus óleos.

 

E no mais sutil

Atravessar de rua

Para não cumprimentar,

A águia deu-se conta do que viu,

Deu graças a Deus por não ser nada sua

Por não se deixar enganar.

 

A águia consegue ler toda a conversa

Na carta de teus olhos,

Por isso sempre esteve a uma garra atrás,

Ela sabia que alguma coisa tinha,

Porque quando nada se faz

E descobre-se janela de vizinha,

Desconfia-se de bons olhos,

Desconfia-se de bons olhos.

 

A águia sabe e sempre desconfiou

Do quão mal sua boca debulhou

Folclores sobre ela,

Folclores sobre ela.

Mas sente-se feliz por nunca ter

Piado de você para o falcão dela,

Por nunca ter

Piado de você para o falcão dela.

 

E no mais sutil

Atravessar de rua

Para não cumprimentar,

A águia deu-se conta do que viu,

Deu graças a Deus por não ser nada sua

Por não se deixar enganar.

 

A águia acha que está tudo bem,

Porque todo o despeito e desdém

Não vem de seu coração de ave,

Então ela concede chave,

De porta que uma única vez pode ser aberta

Uma vez ela suporta a medida certa.

 

A águia acha que está tudo bem,

Mas não aceita mais ser refém

Da boca armada de falsidade,

Da boca armada de falsidade.

A águia continua a achar tudo bem,

Uma vez e mais ninguém

Para cair em mendacidade,

Para cair em mendacidade.

 

A águia perdoa sem esperar retribuição,

E ora para o doente conseguir libertação.

A águia perdoa, mas não se deixa enganar,

Afasta-se do que faz mal,

Para não mais se machucar.

 

E no mais sutil

Atravessar de rua

Para não cumprimentar,

A águia fez-se de vil,

Não olhou para pessoa alguma

E bateu as asas, rumo norte a voar.


 

Uma Última Chance

 

A

Ao invés de me construir,

Reduz-me a cinzas como Vesúvio,

Ao invés de me fazer sorrir,

Afoga-me em dilúvio,

Amor que induz o ruir,

É amor dúbio.

 

B

Relação que não para

De me reduzir à lama,

Afeição nunca foi clara,

Só se esculpe desculpas e reclama,

Quando sempre esteve na cara:

Você não me ama.

 

C

Relação não sadia,

Sempre quer me culpar,

Por coisas que eu sequer sabia,

Aponta insulto vulgar,

Reação tardia,

Sempre acha de se insinuar.

 

 

D

Sempre tentou mudar a mim,

Mas a si próprio jamais,

Tua zona de conforto é o fim,

Soa como Limites abismais,

Nunca saiu de lá nem esteve a fim,

É mais fácil mudar os meus canais!

 

E

Sempre unânime a decisão,

Mexer no garoto não em si,

Como se fosse a voz da razão,

Nunca enxergou o quanto cresci,

Nem buscou assimilar minha visão,

Hoje vejo o tempo que perdi.

 

F

Esperança era recorrente,

Talvez um dia tua rudez diminuísse,

Talvez fosse mais presente,

Ou compreendesse o que eu sempre disse,

Que nunca me importei com presente,

Sempre quis ser tua lenda, tua crendice.

 

G

Eu queria carinho e afeto,

Não autocracia cruel,

Hoje me desperto,

Cansei desse papel,

Não sou suficiente de certo,

Fique com teu bordel.

 

H

Se for pra me agredir,

Prefiro desertar,

E não há como impedir,

Você me tira o ar,

Nunca me ajuda a progredir,

Quando tenta me mudar.

 

I

Cansei de ouvir isso:

“Garotos da sua idade”

E eu com isso!

Adote-os, leve-os pra sua cidade,

Se são tão melhores que o “remisso”,

Que vivam sob tua autoridade!

 

J

Eu sei que também erro,

E peço perdão por este quesito,

Porém ninguém vive de berros,

Não quero mais conflito!

Não percebe que sempre o encerro

Quando começa o atrito?

 

K

O que precisas para largar o vinho?

Por mais que tente,

Não vai me levar para o mal caminho,

Não há motivo aparente,

Para eu ser igualzinho,

Está tudo bem em ser diferente.

 

L

Mas a mágoa é maior,

Ainda me lembro de palavras sujas,

Tentando me diminuir, Major,

E fazendo com que eu fuja,

Flexibilidade forçada no suor,

Um dia enferruja.

 

M

Por que ainda me comparas?

Não quero me espelhar em ninguém,

Não preciso de novas caras,

A mentira o entretém?

Cansei de tuas taras,

Abra os olhos, eu sou alguém.

 

 

N

Veja o quanto já conquistei!

Quanto mais tentar me ditar,

Mais contravirei,

Sempre quis te orgulhar,

Mas será que tenho valor para o “Rei”?

Só o que faz é me rebaixar.

 

O

Estando em tuas mãos,

Sinto-me desvalorizado,

Não há relação de irmãos,

Você quer que eu vá pro seu lado,

Mas nunca vem pro meu torrão,

É só você quem deve ser procurado?

 

P

Não é a primeira vez

Que duvidou de minha procedência,

Fere-me com agudez,

Ouvir tamanha malevolência,

 Esse amargor nunca se desfez,

Já me sinto bem em tua ausência.

 

Q

Dói quando empregas maus adjetivos

Para me fazer referência em conversa,

Entende agora por que me esquivo?

Tua alma já se mostrou perversa,

E não foi apenas uma vez no arquivo,

A ocorrência é diversa.

 

R

Tudo isso vai se acumulando,

No fundo de minha gaveta,

Não estou brincando,

Por mim, que a ojeriza derreta,

Mas não importa onde nem quando,

A cada encontro, uma nova faceta.

 

S

Não fico sem estresse,

Não fico sem uma dose de rancor,

Com o tempo, tudo se esquece,

Até mesmo a pior dor,

Mas isso só funciona quando se aquece

A melodia da vida com amor.

 

T

Devo lhe tratar com respeito?

Concordo certamente,

Este pacto não pode ser desfeito,

Mas eu também sou gente,

Embora imperfeito,

Mereço consideração benevolente.

 

U

A recíproca tem de ser verdadeira

Meu calor lhe acolhe bem,

Questão derradeira,

Trate-me assim também,

Sou uva de tua videira,

Desejo-te prosperidade, amém.

 

V

Se não aprendeu com geração anterior,

É a tua hora!

Terás de aprender com a ulterior,

Aqui e agora:

É com força de vontade que se cria amor,

Não é coisa que simplesmente aflora.

 

W

O que custa demonstrar apreço?

Escolha as palavras antes de usá-las,

 Pra mim não tem preço

Saber que tu também falas

Sobre coisas que conheço,

Sem a necessidade de rifles e balas.

 

 

X

Após um alfabeto de sofrimento,

Estou disposto a perdoar-te,

Desde que não abra mais ferimento,

Que não julgue minha arte,

Que não me jogue contra o cimento,

Que busque fazer sua parte.

 

Y

Guardar ódio só faz mal,

Tanto pra mim quanto pra você,

Este é um ultimato, tua reta final,

Não vou mais ficar à mercê

De teu arsenal,

Esta é minha bandeira branca, tchê,

A briga ou acaba ou é separação total.

 

Z

Estou disposto a conceder uma última chance,

E quantas mais fizeres por merecer,

Não é preciso melosidade de romance,

Apenas deixe a brutalidade se esvaecer,

Deixe que o pêndulo do tempo balance,

E assim talvez possamos renascer.

 

 


 

Desejo-lhe tudo de bom!

 

Desejo-lhe tudo de bom,

Ainda que não tenhamos mais o tom;

E do fundo do meu coração,

Rogo misericórdia aos sem-noção.

 

Sei que errei,

E estou pagando por isso;

Aceitar desculpas não é lei,

E é seguir em frente compromisso.

 

Não estou em patamar honrado,

Mas uma escolha precisa ser feita:

Martelar o passado,

Ou prosseguir afeita!

 

Se tu me desejas mal ou não,

No ar fica a questão,

Mas o importante é que fiz minha parte,

E hoje tudo isso reflete na arte.

 

Graças a Deus, perdoar-te-ei,

Mesmo que ainda me perfure!

Pois de minha alma, o mal tirei.

E hoje quero relação que perdure.


 

Limpo

 

Cada vez que de gordo me chamam,

Que minha sexualidade difamam,

Não me irrito nem o ódio garimpo,

Sinto-me limpo.

 

Cada vez que ouço risadas,

Dessas pessoas mal amadas,

Não me irrito nem o ódio garimpo,

Sinto-me limpo.

 

Cada vez que ouço piadas racistas,

Preconceito e ideologias fascistas,

Não me irrito nem o ódio garimpo,

Sinto-me limpo.

 

Cada vez que praticam misoginia,

Ou desmerecem outra etnia,

Não me irrito nem o ódio garimpo,

Sinto-me limpo.

 

Não pregarei contraposição,

Para que me aceites, te acolherei como irmão,

Não me irrito nem o ódio garimpo,

Sinto-me limpo.           

 

Não condeno: me aceito do jeito que sou,                          

E se não conseguem entender, embora me vou,

Pois não devo me irritar nem a raiva garimpar,

A alma, do ódio é dever limpar.


 

6 –  O Quarto Mandamento

“Não Matarás nem da mortalha do irmão farás de abrigo ou comida..”

 

Hypocrite

 

Como?

Como posso seguir em frente

Gritando aos quatro grande muros

Como se deve agir

Se em meu próprio mundo

Vejo-me reagir

Só pela roupagem do próximo,

Discuto todos os dias

Comigo mesmo

Sobre não ter um corpo ótimo,

E ainda fervilha em mim brasa quente

De uma ferida que aparentemente

Meu ódio nunca me deixou esquecer.

 

Como?

Como posso seguir adiante

Gritando que a humanidade está distante

Porque se nutre das garras

Da morte de um semelhante

Quando meu cardápio diário

Não é, de nenhuma outra fonte,

Resultante?

 

Como?

Como transcrever no papel as leis divinas

Do aperfeiçoamento carnal

Se em muitas das esquinas

Que ergo placas de silêncio,

Pulo carnaval?

 

Como?

Como fazer tudo isso e não ser chamado de hipócrita?

 

Percebo então que se eu não precisasse das leis,

Aqui não teria nascido,

Porque para um terreno,

Tirar dez na prova do milênio

É o máximo de se ser evoluído.

 

E isso não sou,

Se a mim algum toque de visão

Bom espírito confiou,

Não é porque sou mais que os outros,

Mas simplesmente porque tenho capacidade

De guiar meus irmãos.

Perdoai Nossos Pecados

 

Vida...

 

Não sei se estás me ouvindo,

Mas quero lhe pedir perdão

A Senhora nos abençoa com um dia lindo

E estragamos tudo com brutidão

 

Às vezes falamos sem pensar,

Matando com palavras há muito contidas;

E mesmo sem a intenção de magoar.

Acabamos por abrir feridas.

 

Às vezes nos levamos pelo momento,

E só enxergamos o nosso lado;

Nossa voz áspera em tom de confinamento,

Então faz com que alguém saia prejudicado.

 

Eu me arrependo amargamente,

Por ter extravasado;

Dessa vez lutarei para que seja diferente,

E com amor, terei perdoado.

 

Não quero mais ser pecador;

Nós sempre queremos ser as vítimas da história,

Quando nós mesmos causamos a dor;

Nada nos difere da escória;

 

Queremos achar alguém para culpar,

Por problemas que nós mesmos causamos,

E por mais que vida insista em nos ensinar,

Volta e meia, no erro em não pensar, tropeçamos.

 

Não quero mais colecionar inimigos,

Quero fazer as pazes com meus irmãos

Não quero mais guardar rancores antigos,

Quero segurar Tuas mãos.

 

Senhora, oro para que me liberte,

Quero ajudar as pessoas,

Pois perante a morte sou inerte

E não serei lembrado por mágoa que ressoa.


 

Imprudente

 

Garoto, não seja imprudente

Tens a vida toda pela frente

Largue essa bebida

Elimine o vício da tua vida

 

O cigarro — cancerígeno — só te prejudica

E a vida passa num piscar de olhos, fica a dica

Cuida do teu corpo que ele é patrimônio

Foque nas relações, foque no matrimônio

 

Um fora ou um coração partido

Problemas no trabalho, prazer vendido

Nada disso é interferência

Para destruir sua existência

 

Viva o presente e lute pelo futuro

Pois um dia não terás mais de escalar o muro

E o que parecia ser contingência

Na lembrança descansará em dormência

 

Um dia as dificuldades serão simplificadas

As injustiças por Deus serão vingadas

E o caminho do bem se abrirá à tua frente

Dessarte, não desista cedo: enfrente!

Não há de ser nada!

 

Não há de ser nada!

Eu posso,

Eu consigo,

Eu faço acontecer!

 

Vem a solidão

E eu troco de calçada,

Porque eu posso,

Em mim confio,

Nada vai me abater.

 

Não perderei minha morada,

Ela está em meus ossos,

E mesmo a maior dor comigo

Jamais poderá me deter.

 

Não há de ser nada,

A historinha do qual me aposso

É terrena experiência, meu amigo,

Quando eu morrer e acordar,

Como não vi isto antes, vou dizer!

 

Porque não há de ser nada!

Eu posso,

Eu consigo,

Eu faço acontecer!

 

Nem que eu repita isso

Até o amanhecer,

Mas a lágrima que me escorre

É só o suor de meu crescer.

 

Não há de ser nada,

Nada há de ser.

7 –  O Quinto Mandamento

“Respeitarás com integridade o universo físico e mental de teus companheiros.”

A Culpa

 

A culpa não é da roupa,

Se não há nenhuma denota,

A culpa é do homem que não poupa,

A oportunidade de ser idiota.

 

Um assovio ou uma piscadela,

Não conquista, configura assédio.

Se houvesse interesse pela parte dela,

A moça choraria no teu epicédio!

 

Mas ela nem te conhece!

Tu és só mais um babaca que estava pela rua!

Então não diga que “acontece”!

A culpa é tua se a imaginas nua!

 


 

Liberdade!

 

Não importa se turca ou oriental,

Não importa se burqa ou avental,

Ela veste o que bem entender!

 

Não importa se short ou vestido,

Não importa o porte ou o tecido,

Ela não quer se vender!

 

Não importa se arrastão ou biquíni,

Não importa se saião ou mini,

Ela é dona da própria sexualidade.

 

Não importa se cropped ou basicão

Não importa se top ou blusão!

Ela está no controle de sua vaidade.

 

Mulher merece liberdade,

Mulher merece respeito!

Não importa a idade,

Não há motivo para despeito!

 

Mulher merece ter o controle do estilo!

Na flor pouco importa estame ou pistilo,

Mas a exteriorização do seu alguém,

Por que não pensar assim também?


 

Ela

 

Não a chame de feia,

O corpo é dela;

Não importa se é cheia,

Ou magricela.

 

Não a chame de obscena,

Ela veste o que quer;

Ela não pretende fazer cena,

Ela quer se sentir mulher.

 

Não a chame de preguiçosa,

Ela não vai cozinhar;

Ela não está sendo pomposa,

Ela só quer equalizar.

 

Não a chame de madame.

Ela não é sexo frágil,

Pois é feroz como um enxame,

E tão perspicaz quanto ágil.

 

Não a chame de alienada,

Chame-a de Feminista;

Ela não quer se esnobada,

Quer mostrar ao mundo que está na pista.


 

Stalker

 

A luz vermelha

Que orbita meu corpo

Não é de prostíbulo,

É de pare!

 

A luz vermelha

Que orbita meu corpo

Não é de prostíbulo,

É de pare!

 

A luz vermelha

Que orbita meu corpo

Não é de prostíbulo,

É de pare!

 

A luz vermelha

Que orbita meu corpo

Não grita outra coisa senão

PARE!

 

Está esperando convite para dar o fora?

Pois aqui está,

Stalker dos infernos.

PARE!


 

Parafernália

 

Vejo corpos se entrelaçando

Conforme eu ando

Vejo drogas, beijos e bebidas

Circulando entre almas perdidas

 

A música alta afasta a tristeza

Mas não afasta a impureza

Nem as cantadas idiotas

Pelo contrário, atrai propostas

 

No banheiro, vômito e tombo

Uns aparados pelo lombo

Para não caírem inconscientes,

Perdidos fora de suas próprias mentes

 

As meninas vão até o chão

Não buscam nem amor nem paixão

Querem distração momentânea

Pegação mais que instantânea

 

Os "amigos" incentivam a beber

Se você não o fizer, vai os perder

Algum descarado troca os copos

E logo resultará em contagem de corpos

 

As letras falam sobre trair a namorada

Rapazes estúpidos, não façam isso com as coitadas!

Dj soltou batida sobre estimular "aquilo lá"!

Meninas, sem proteção não dá!

 

Alguns tarados não saem de perto

Querem fazer de tudo o que não é certo

Mas se você não está a fim

Fuja, deixe-os assim

 

Esses caras já estão alucinados

Foram abduzidos por maus gingados

E deixaram a cabeça pra trás na pista

Por isso se manda, desista!

 

Aqui não se encontra alma gêmea

Só um bando de machos e fêmeas

Tentando satisfazer prazeres carnais

Vivendo em outros carnavais

 

Eles não estão a fim de mão dada

Eles querem se perder na mulherada

Elas não querem sossegar o facho

Pretendem mostrar que são o verdadeiro diacho

 

O mundo está mesmo mudado

Não se sabe mais o que é público e o que é privado

Respeito não mais existe

Eles agarram à força, ninguém mais resiste.

 

A festa é boa,

Mas o perigo não perdoa

Então se é pra me meter em furada,

Prefiro ficar longe dessa criançada!


 

Platão

 

Estou de olhos vendados

Despencando em queda livre

Sem qualquer saída

Em um lugar que nunca estive

 

Não adianta punho cerrado

Nem se debater

Isso só aumenta a ferida

Só faz o coração doer

 

Como faço para sair?

Ajude-me a escapar, por favor

Quero voltar a ver a luz

Imploro por teu perdão, Senhor

 

Não quero mais cair

Desisto de sofrer

Liberte-me desta cruz

Quero voltar a viver

 

Quero esquecer de tudo

Quero que ele abandone

É melhor deixar para lá

Antes que algo me decepcione

 

Mesmo que eu me torne carrancudo,

Sei que devo reprimir,

Pintar quadros de sá

E deixar ele partir

 

Porque aqui posso por pra fora,

E do lado de fora não

Aqui ninguém chora

Lá fora é depressão.


 

Severo

 

Perdão se desconfortável te deixo,

Entenda que está além de um desleixo,

É que é muito difícil não te olhar,

E não sentir o coração pulsar.

 

Perdão se por acaso te intimido,

Tu não tens noção do quanto tenho me reprimido,

Eu sei que estou indo pelo caminho errado,

Mas eu não escolhi te ter por amado.

 

Qualquer castigo que você me der,

Eu vou aceitar, não importa o que vier,

Puna-me com teu olhar mais severo,

Leve o tempo que for preciso, eu espero.

 

Não te saboreias do mesmo manjar que eu,

E pode apostar que a verdade doeu,

Mas eu ainda não posso controlar o que sinto,

E há muito venho tentando domar o instinto.

 

O teu espaço não quero invadir,

Mas a cada dia, sinto a vitalidade se esvair,

Estou chorando sangue agora,

Estar na sua presença me faz querer ir embora.

 

Já não quero mais viver essa enrascada,

Sei que há uma saída, embora mascarada,

E eu estou lutando para alcançá-la,

Embora pareça inútil com faca vencer bala.

 

Se vê-lo me faz sentir tudo isso,

Imagine com é ter um coração submisso,

Ao amor sem opção, algemado,

Sem poder escolher da razão, o lado.

        

Então de sua vida, por favor, me exclua,

Não posso passar mais nenhum segundo na lua,

Meus pés têm de estar bem firmes no solo,

E é por isso que lhe imploro.

 

Puna-me com toda a tua vontade,

Não tenha compaixão, esqueça a bondade,

Antes que seja tarde, estou sendo sincero,

Puna-me com o teu olhar mais severo.


 

Poema do Nada

 

Não tenho nada a te oferecer

Não posso te fazer feliz

Não tenho nada que te acrescente

Nada que lhe agrade

Nada que lhe convenha

Nada que venha a te completar

 

Você poderia ser alvorecer

Minha força motriz

Paixão entardecente

Sol da manhã que me invade

Brasa, fogo e lenha

Flor de anis, meu pulmão, meu ar

 

Eu cuidaria de você até envelhecer

Eu poderia curar qualquer cicatriz

Faria desaparecer qualquer dor vertente

Te trataria com lealdade

Não seria apenas uma resenha

Mas o livro completo a se zelar

 

Poderíamos de tudo esquecer

Ser paladar ou ser geratriz

Ficar nas linhas do tempo eternamente

Semear vitaliciedade

Qualquer fruto que do amor venha

Bombeado pela jugular

 

Com afeto para sempre nos aquecer

Perpetuamente meu petiz

Não teria erro nem acidente

Seria meu rubi, meu jade

Mas como o universo errado às vezes desenha

Volto a lembrar que nada tenho a lhe ofertar.


 

Tragédia Moderna

 

Preso em tragédia moderna,

Tento seguir em frente

Mas a adrenalina e baderna

Puxam-me para a torrente

 

Preso em tragédia moderna,

Tento me reconstituir

Desalento que nunca hiberna

Volta para tudo ruir

 

Preso em tragédia moderna,

Compreendo que não há escapatória,

Sofrer de amor é dor eterna

Fim de história.


 

8 –  O Sexto Mandamento

“Não atentarás em nenhum nível ou grau contra a trindade Vida, Sentimentos e Natureza do homem e do animal, da árvore e do vegetal em benefício próprio nem de terceiros.”

Educação, Brasil

 

“Jovens inteligentes, sem livro didático: o problema não é a precariedade de sua escola, é o país, sendo enfático! Querem que vós peçais esmola, A falta de merenda ou ventilador no teto / Indigna a todos com a coragem do Brasil / Em continuar aceitando sem veto, / Os engravatados o chamando de vil...”

 

I – Os Mestres

 

Falta pataca, falta professores,

Muito corte para muitos penhores,

Quem são os heróis

E quem são os agressores?

 

Gole de vinho, gole de educadores,

Muito corte para muitas dores,

A verdade corrói

E não traz flores.

 

Dose de álcool, dose de horrores,

Muito corte para muitos senhores,

Ele se rói

E paga senadores.

 

Hemácias jazem alvas,

Cabeças jazem calvas,

Inadimplência entra sem convite,

Enterrem-nos com malvas,

Dê aos jovens pregos e arrebites.

 

II – Os Estudantes

 

Falta noção, falta mentores,

Muita atitude para poucos saberes,

Quem são os cowboys

E quem são os vingadores?

 

Gole de protesto, gole de pudores,

Muita atitude para poucos dizeres,

A revolta destrói

E não traz cores.

 

Dose de fogo, dose de temores,

Muita atitude para poucos afazeres,

Ela se desconstrói

E paga por favores.

 

Hemácias jazem novas,

Cabeça não aguenta mais provas,

Dificuldades entram sem convite,

Enterrem-nos uma ova,

Dê ao governo queixas e não holerites.


 

Ha ha ha 2

Não sei se choro ou se rio

Do jeito que está esse Brasil,

Mas se de fato rio,

É fruto da ironia,

Pois do país toda sincronia

Está casada a corruptela.

 

Não sei se choro ou se rio

Do jeito que vive o Brasil,

Não apoio nem anistio

Partido que faz ou fazia,

Tampouco ato de rebeldia,

Triste não confiar na chancela.

 

Ha ha há, por um fio,

Estamos de acabar com o Brasil

Há éons processo tardio,

Onde jaz isonomia?

Despenca a economia,

Perante lei, ethos sempre se cancela...

Não me vendo

 

Não me vendo

Nem me rendo.

Meu voto é secreto,

E é pelo povo que interpreto

A melhor escolha.

Alguns ainda presos à bolha,

Outros já mais abertos,

Não há certo

Que chegue atempo

Quando do poder se é detento.

Do homem menor

Ao maior,

Todos podem te matar,

Todos podem te abandonar

E usar

E te deixar sem um lugar

Para morar,

Mas eu me cuido mesmo é da flecha que vem de cima,

Está nas mãos deles, e antes na nossa, toda a chacina.

9 –  O Sétimo Mandamento

“Com humildade, protegerás os irmãos de vida, porque eles hão de te auxiliar no processo de evolução, assim como vos auxiliarás.”

Mulher

 

Ela nunca teme nada,

Então abusa na vaidade,

Se por ventura maltratada,

Seus olhos contam a verdade.

 

Ela não precisa de homem,

Sempre conquistou o próprio dinheiro,

Não acredita em coisas que somem,

Pois sabe que quem vence é o mais ligeiro.

 

Ela prefere dias de chuva,

Porque não receia ousar,

É apelidada de viúva,

Pois dos rapazes ela tira o ar.

 

Essa mulher é uma tigresa,

Se precisar, ela sai sozinha,

Nunca foi fã de princesa,

Sempre agiu como uma rainha.

 

Essa mulher é nossa diva,

Dirige, estuda e malha,

Tem atitude e é impulsiva,

Sua intuição nunca falha.

 

Ela vive dois séculos à frente,

Não tem nenhum preconceito,

Sempre a procura de gente diferente,

Ela exigirá o seu respeito.

 

Seu cabelo é sua arma,

Seus quadris são seu escudo,

Ela pode ser o seu carma,

Pois te deixará mudo.

 

Ela tem um espírito selvagem,

Então batalha todos os dias,

Não curte malandragem,

Prefere amizades sadias.

 

Pra ela, amor não existe,

Então sorrir faz parte,

Mas quando está triste,

Ela produz a própria arte.

 

Essa mulher é o orgulho da nação,

Não se envergonha da raça,

Pode ser alicerce de qualquer construção,

Ou sua completa desgraça.

 

Ela é rica em sua pobreza,

E acredita num país melhor,

É amiga da natureza,

Conquista o pão com seu suor.


Mãe, Obrigado!

 

A cadeira está te esperando,

Sente-se, traga-me um pente,

Deixe-me desembaraçar tua tensão e força, Sansão,

Deixe-me retribuir por toda alegria dividida

E depositada na conta poupança do meu coração.

 

A cada segundo o tempo vai passando

E eu não poderia imaginar nada diferente

Nada além de flores, canção,

A maior engrenagem da máquina da vida

Girando e girando como fonte de inspiração.

 

É possível imaginar vida sem sol?

É possível imaginar plena existência longe da tua?

São palavras e cores que não existem,

A descrição de família, nua e crua.

 

São palavras que insistem,

Erguendo minha cabeça,

Impedindo que eu enlouqueça,

Ao meu lado trilhando não só os trilhos

Como também todo sistema ferroviário

Do que adianta ser filho,

Se for um cretino ordinário

E não reconhecer que sempre foi

Fruto de teu florescer?

E agora que adulto e acordado estoy,

Obrigado por me ajudar a crescer.


 

Que Bom Para Você

 

Que bom para você

Que tem um companheiro,

Trabalham, moram juntos

E podem dividir o dinheiro.

 

Mas aqui a renda é fraca,

Mal dá pra pagar a comida,

Pra viver só com 100 pratas,

Pondero estômago ou as dívidas?

 

Um, dois, três,

Baixe a bola e agradeça pela vida de marquês

Eu sei que não é nada luxuoso,

Mas ainda assim, burguês,

Só tu que não vês,

Que por mais que eles se esforcem,

Não precisam mendigar por um freguês,

A vida lhes entrega pão prazeroso,

E ninguém tira o que é de vocês.

 

Por mais que todos nós soframos,

As pessoas querem sempre ter razão.

Entendo, a cruz é pesada para todos,

Mas quem sempre se ferra é o peão.

 

 Em meio à geada e o granizo,

Acordo às 6h e vou de busão trabalhar,

Mas me diga se isso tem juízo?

Metade da metade se vai só com um jantar.

 

Dancem, Um, dois, três,

Baixe a bola e agradeça pela vida de marquês

Eu sei que não é nada luxuoso,

Mas ainda assim, burguês,

Só tu que não vês,

Que por mais que eles se esforcem,

Não precisam mendigar por um freguês,

A vida lhes entrega pão prazeroso,

E ninguém tira o que é de vocês.

 

Todos temos privilégios,

Assim você e eu,

Mas o importante é observá-los,

E agradecer para, seja ele quem for, seu Deus!

 

Todos temos coisas boas,

Todos temos coisas ruins,

Mas é melhor ser grato agora,

Do que valorizar só depois do fim!

 

O passo é esse: Um, dois, três,

Baixe a bola e agradeça pela vida de marquês

Eu sei que não é nada luxuoso,

Mas ainda assim, burguês,

Só tu que não vês,

Que por mais que eles se esforcem,

Não precisam mendigar por um freguês,

A vida lhes entrega pão prazeroso,

E ninguém tira o que é de vocês.

 

Os desafios atestam,

Mas adivinha de onde vem a gratidão?

Muitos ainda contestam,

Mas ela mora no fundo, no fundo do coração.

 

 Os desafios afrontam,

Mas pra que serve a acumulação.

Se muitos nem são dão conta,

Do quão favorecidos já são?

 


 

Dança dos Desamparados

 

Pouca comida,

Meias furadas,

Tênis surrado,

Roupa sem cor,

Penteado simples,

Pouca ajuda,

Dente torto,

Cárie ardendo,

Ônibus lotado,

Carrinho de mão,

Estudo por último,

Primeiro o trabalho,

Ah, muito,

Muito trabalho

Para pouco luxo

E ainda assim,

Agradecem até o fim.


 

Rico

 

Um dia, resolveu que queria ser rico,

Queria tirar Mariazinha das ruas,

Salvar Pedro dessa realidade crua,

E pagar um tratamento pro Chico.

 

Mas sonho de pobre não muito dura,

Gastou todo o dinheiro na loteria,

Sonhava acordado achando que venceria,

Ilusão pura.

 

Um dia, resolveu que rico queria ser,

Estudou além do necessário,

Formou-se para veterinário,

Mas a crise não fez render.

 

Teve de atropelar cachorro,

Para conseguir cliente,

Fez de tudo para atrair gente,

No final, ele é quem precisou de socorro.

 

Um dia, resolveu que queria ser rico,

Enterrou-se nos livros decorando anatomia,

De cada músculo o nome ele sabia,

Mas acabou tomando no furico.

 

Abriu igreja do lado do hospital,

Pastor curou mais fiéis que Jesus fazendo milagre,

A realidade azedou tanto quanto vinagre,

E para a rua foi, feito animal.

 

Um dia, resolveu que rico queria ser,

Especializou-se no tal magistério,

No começo parecia que não ter mistério,

Mas não deu mais para abastecer.

 

Governo cortou gastos com remuneração,

As crianças protestaram pondo fogo,

Já não tinha mais lugar para se jogar o jogo,

E ele foi esnobado como um cão.

 

Um dia, resolveu que queria ser rico,

Tentou abrir meu próprio negócio,

Mas o problema começou com o sócio,

Armou barraco com o crítico.

 

Fiscal se irritou,

Inventou irregularidade onde não tinha,

Trocou açúcar por farinha,

E pobre nada restou.

 

Um dia, resolveu que rico queria ser,

E uma última vez resolveu tentar,

Afiliou-se a um partido desses de ladrar,

E político se fez parecer.

 

 

A grana livre começou a crescer,

Propina aqui, propina ali e ele no meio,

E em certo momento uma lembrança então veio,

Deixou Chico, Pedro e Maria, pobres a falecer.


 

Viva a Arte Moderna!

 

Às vezes fico me perguntando,

Quantos deixaram de respirar,

Enquanto o parnaso esculpia,

Perdido na sagrada contagem.

 

Às vezes me pego imaginando,

O que o vaso chinês fez pra agradar,

Sabe-se que estátua não anda nem pia,

E o grego sequer lhes rendeu viagem.

 

Isso tudo ficou lá no Ensino Médio,

Dou graças a Deus!

Pois para cegueira não há remédio.

 

Aos oprimidos não havia intermédio!

Por isso o Realismo é dos meus!

Não escapa cotidiano nem assédio.


 

A Arte Pelo Povo

 

Todo dia passo trabalho,

Todavia, a pena eu valho,

Pois não sou de me escorar,

Suo para conquistar.

 

Economizei uns trocados,

Deixei de ver novos lados,

Muito estudei e decorei,

Nunca deixei de ser rei.

 

Como pão com mortadela,

Mas isso não me modela,

Não diminui minha força,

Por mais que você distorça.

 

Sinto-me bem, e bem vivo,

No trepidar coletivo,

Abancado com estranhos,

Hora de rever os ganhos.

 

Naquele ônibus fui posto,

Onde encontrei novos rostos;

Amizades eu vivi

Com a carência aprendi.

 

Com o pouco vem o afeto,

Obrigado por meu teto,

Sei que ainda há quem não tenha,

Por eles, Deus intervenha.

 

Com orgulho da raiz,

Hoje sou muito feliz,

Pode me chamar de estorvo!

Estou aqui é pelo povo!

 

Todos nós somos humanos,

Nestes cenários mundanos;

Na humildade, valor brada.

Sem ela, não sobra nada.

Viva o Professor!

 

Feliz é aquele que ensina,

O que foi aprendido;

Não é uma espécie de sina,

Sem saber, viver perdido?

 

Seja você também professor!

Passe adiante uma dica,

Uma experiência, um contra dor;

 Pois o importante é o que fica.

 

Seja especial para alguém,

Construa o sentido da sua vida!

Seja para gente de mal ou de bem,

Passe adiante a memória vivida!

 

Todos nós precisamos aprender,

Juntos, erguemo-nos à evolução,

Faça disso seu lazer,

E um dia, haverá de ser salvação!

Verídico

 

Hoje eu vi um indiozinho

Um indiozinho filho de uma tribo

Que vende três ou quatro estatuetas artesanais por

Mês a um real cada,

Um indiozinho sentado no meio fio,

Um indiozinho comendo um pastel chinês

De três e setenta e cinco,

Um indiozinho que no fim, não estava sozinho,

Eu vi um indiozinho comendo a relíquia

De um pastel chinês

De três e setenta e cinco

E vi o indiozinho dividi-lo com seu amigo,

Um pequeno cãozinho.

Se eu acredito na bondade do ser humano?

Aquele cachorrinho acredita.

10 –  O Oitavo Mandamento

“Não deixai de compreender a ciência nem a espiritualidade, e jamais colocai na balança a busca pela verdade.”

 

Diálogo: O Universo Está Onipresente

 

Durante todo este tempo, estive procurando por Deus. O que eu não sabia, era que procurava o Deus errado. Procurava um senhor velhinho, à minha imagem e semelhança, sentado em um trono, escutando as orações de seus fiéis seguidores e interferindo positiva ou negativamente na vida de suas criaturas. Acabei dando-me conta então, que Deus está além desta visão humanizada que sugere um Céu e um Inferno, anjos e demônios e é claro, todo o antagonismo do capeta. Descobri em meu interior que Deus é ALGO e não alguém, e esse algo não tem valor! As três únicas coisas que dinheiro nenhum podem comprar são: o amor, uma vida e a natureza. Eis que percebo que Deus pode não ser onisciente, mas é onipotente e com muita certeza, ONIPRESENTE.

Abaixo, explano minha compreensão pessoal de Deus. Você pode concordar ou discordar livremente, é seu direito, mas faz-se necessário entender primeiro o conceito para prosseguir com a leitura, por isso, esta pausa.

Deus = Universo ou Espaço Sideral (Abstrato e Infinito, transcende a matéria e o espírito, incompreensível aos sentidos humanos, pode ser observável e pode simultaneamente não ser – Tudo o que está dentro do universo criador, torna-se, portanto a criatura, sujeita às leis do design inteligente). É a partícula e a antipartícula ao mesmo tempo e desdobra-se em três multiformes aqui chamados vetores divinos, a saber:

 

Vetor Espiritual = O amor e os sentimentos. Seu nível de evolução é moral e intelectual.

Simbologia = Coração Yin Yang. Diz-se que o bem é quando há amor e diz-se que o mal é quando há ausência deste ingrediente.

 

Vetor Material = A Natureza e as Leis da Física e Química, o tempo e o espaço, a gravidade, os planetas, os sistemas solares e as galáxias. Seu nível de evolução é físico. Foi o que Charles Darwin ensinou em sua renomada teoria.

Simbologia = A árvore, cujos frutos geram a vida, cujas folhas compartilham o ar puro para com todos os outros seres, e cuja sombra protege os desamparados.

 

Vetor Matéria-Espírito = A vida. Seu nível de evolução é tanto moral quanto físico, e se dá através de repetidas experiências carnais, o que em algumas religiões é chamado de reencarnação ou multiplicidade de existências.

Simbologia = A estrela do nascimento somada ao símbolo do infinito. A vida cíclica que, através da morte, se reconstrói inúmeras e inúmeras vezes, subindo gradualmente em um processo de elevação evolutiva, tanto física e corporal (Darwin) quanto moral e intelectual (Kardecismo).

Deus é o Amor

 

Vênus é o centro do universo,

Permitindo-nos assim existir

E a tela da vida colorir,

Impelindo voz em perfis diversos.

 

Eros, o bom e velho Cupido,

Jamais entrou em decadência;

Amor é cultura, amor é querência,

Jamais passou despercebido.

 

Porta aberta na união dos casais,

Ele só atrai coisas boas;

O amor é fogo que une as pessoas,

Não importa se diferentes ou iguais.

 

Porque aqui nos convém o respeito,

Julgar não nos é delegado,

Essa chama é o nosso legado,

Porta fechada para o preconceito.

 

Storgé é elástico,

Estica ou encolhe, mas não parte,

Ciência, religião e arte,

Juntas neste cabo didático.

 

Vibrando nesta ágape empatia,

A colina de existências se sobrepondo;

O que em grego antigo, filos já dizia,

Em ciclo, todo feito é redondo.

 

Seja através da doação,

Ou de laços sanguíneos, fraternais,

Estamos sempre querendo mais,

Pois é brisa que se cria no coração.

 

Muito mais que o cordão,

No primeiro olhar, une a mãe ao filho;

Se há uma fé da qual martilho,

É a vivência através do perdão.

 

O amor é saber ouvir,

É acolher e saber respeitar;

Cada paixão tem rosto singular,

Tem seu veneno e seu elixir.

 

Mas se é possível amar,

Vendedor não vende seus tóxicos;

Afrodite interveio, a unir os próximos,

Mas temos de ir além e nos ajudar!

 

Quer coisa melhor que esta sensação?

Poder contar com os outros?

Mesmo que a caixa nos traga poucos,

O amor sempre forma uma ligação.

 

Seja da carne ou do neural,

O pulsar é vital e sempre ganha,

Ele tece como tece a aranha,

Afastando-nos de todo o mal.

 

Quer coisa melhor que estes apogeus,

Fazer parte da vida de alguém?

Se esta é a fonte do saber e do bem,

Então o Amor é nosso Deus!


 

Deus é a Natureza

 

Deus não é juiz,

Deus não tem tribunal,

Deus é a perdiz,

É a água, é o sobreiral.

 

Deus não está à espreita,

Deus é a Natureza,

Deus não desrespeita,

Nem rotula nossa beleza.

    

Deus é floresta,                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                        

Deus é mar,

Deus é o que resta,

De todo esse lugar.

 

Deus não guarda paraíso,

Muito menos rancor,

Não tem dia do juízo,

Ou acordos pra propor.

 

Deus é animal

E equilibra o ecossistema,

Deus é vegetal

E colore nosso tema.

 

Deus não pede igreja,

Deus não tem escritura,

Os teus conceitos, então reveja:

Ele não é ditadura.

 

Deus é ciência,

Deus é universo,

Então tenha sapiência

E respeite o diverso!

 

Deus é proporção,

Não tem coroa nem trono,

É o todo e a fração,

Está no ar e no átomo de Carbono.

 

Deus não nos guia,

Nem sequer nos envia,

Pois é simplesmente a natureza,

Em sua forma mais esguia.


 

Deus é a Vida

 

A vida não é um presente divino,

Mas o próprio Deus, em multiforme abstrato,

Porque a vida é ciclo que passa ensino,

Reincidência de existências, um trato.

 

Todos nós um dia já fomos pequeninos,

Tivemos de enfrentar algum campeonato,

Um dia, teremos a morte por destino,

E na somatória de feitos, impacto.

 

Mesmo que seja uma difícil missão,

É chance que nunca se passa batida,

Pois para alguém, já fomos intercessão.

 

E mesmo que para alguns, mal recebida,

Ela nos traz sonhada emancipação,

Dispondo-nos o comando da partida.


 

Licor Sagrado

 

Quando chegar a tardinha,

Olhe para os céus e agradeça!

Esqueça intervenções de tua vidinha

E deixe boas emoções aflorarem a cabeça!

 

O espesso véu de nuvens que se alinha

É força viva para que se enalteça,

É a Mãe Natureza, Primeira Rainha,

Permitindo que tudo em tua vida aconteça.

 

O por do sol que tudo abrange

É o licor que teu ser precisa

Para desmanchar qualquer falange.

 

Deite-se e acompanhe a brisa,

Bloqueie o mal e a tudo no que ao ódio tange

E encontrarás enfim, paz concisa.


Sei lá

 

Sei lá,

Percebo-te agora,

Não se vá,

Proteja-me a toda hora.

 

Sei lá,

Sinto-te agora,

Não se vá,

Proteja-me com tua glória.


 

Sonetos e Serenatas

 

Tem coisa mais clichê

Sonetos e Serenatas

Em aliterações de Mãe Terra?

Mas agora que o menino

Desfaz-se pouco a pouco

E dá lugar a rimador, o louco,

Entende-se que a visão bem vista

Do poeta pensante

É glorificar e endeusar

Aquilo que unicamente nos dá a vida,

De ventre feminino,

O chão em que pisamos,

O planeta onde moramos.


 

Tem Coisa Mais Linda?

 

Tem coisa mais linda

Que a maré arrebentando na areia?

Só se for te ver sorrindo,

De orelha a orelha.

 

Tem coisa mais linda

Que nuvens se confundindo às montanhas?

Só se for te ver feliz,

Ungidos pela lua que nos banha.

 

Relvas e campinas

Não se comparam ao teu florescer

Selvas e ruínas

Não chegam aos pés do nosso prazer

 

Oh, amor verdadeiro,

Não se desfaz com o vento;

Não se acaba num devaneio.

Ele te leva às nuvens e depois para o chão;

Oh, eu sempre tento;

Encontrar, sem sorte, a razão.

 

Tem coisa mais linda

Que o sol se pondo lá no horizonte?

Só se for sentir a sua brisa

É leve, é amorosa, estonteante

 

Tem coisa mais linda

Que o nosso Brasil, brasileiro?

Só se for sentir o teu calor,

Em um abraço, o teu cheiro.

 

Dias de chuva ou insolação,

Não se comparam ao teu renascer

Seja na claridade ou na escuridão,

Nada atrapalha o nosso prazer

 

Oh, amor verdadeiro,

Não acaba em uma ilha deserta;

Não acaba em um gorjeio.

Ele te leva às nuvens e depois para o chão;

Ele te arrasta para as cobertas;

E se faz na mais sagrada conexão.

 

Nem mesmo uma tempestade de neve

Pode ser mais fria do que estar sem você

Nem mesmo o calor que qualquer verão nos reserve

Pode ser mais quente que te benquerer.

 

Tem coisa mais linda que segurar sua mão?

Tem coisa mais linda que andar descalço ao seu lado?

Mesmo que o tempo desertifique este rincão,

Nunca esquecerei de um dia ter te encontrado.

 

Oh, amor verdadeiro,

Não acaba assim do nada;

Ele é uma dádiva que nos interveio.

Ele te leva às nuvens e depois para o chão;

Em uma sintonia acelerada;

Te faz esquecer qualquer preocupação.


 

Teu Princípio e Teu Fim

 

Quando me perguntam se acredito em Deus, se tenho uma religião, o que sigo, qual meu bem maior, digo que há três grandes pilares perceptíveis e extremamente palpáveis no universo que o homem vê e convive todos os dias, mas por total desleixo, não adora como uma força primordial maior, como uma força divina, prendendo-se, no entanto, a imagens, postura de medo e antigos padrões. Essas três grandes diretrizes que regem meu credo são: A Natureza (tudo o que envolve nossa flora, nossa fauna, nosso planeta, sistema solar, galáxia e universo), A Vida (Nascimento, crescimento, desenvolvimento, amadurecimento, evolução e morte), e por fim, O Amor (fraterno, conjugal, reciprocidade, humanismo, solidariedade, a presença do bem e o respeito).

Pergunte-me o que é Deus para mim e eu lhe direi: A Natureza, A Vida e o Amor, repetindo eternamente em um ciclo de vidas e mais vidas, adquirindo a cada existência terrena mais uma experiência e consequentemente, progredindo mais e mais na lei da evolução. Pra mim, não se trata de um senhor de barba branca em um tribunal, julgando quem está apto para ir para o paraíso e quem merece ir para o inferno. Deus são essas forças do dia-a-dia que fazem sentido, são palpáveis e cientificamente existem, só não são louvadas porque somos cegos demais para abençoar aquilo que de mais precioso temos.

 

Quando o orvalho do alvorecer

Faz-se puro diante de meus olhos,

Tenho certeza do Teu amor por mim,

Tenho certeza da Tua bondade.

 

Dos sons ludibriantes, enlouquecer,

Fruto das fragrâncias e óleos,

É Teu princípio e Teu fim,

Regidos por Tua graça e majestosidade.

 

Quando olho para o céu e respiro o Teu ar,

Tomo consciência de Tua presença,

E então agradeço por tudo sem parar.

 

Agradeço eternamente por esta bença,

E por viver de Tuas matas, Teus picos e Teu mar,

Fui abençoado desde nascença.

Relatos de um cão fantasista

 

Em nome da trindade

Vida, Amor e Natureza,

Destrói-se o sonho da vaidade,

Da ‘imagem e semelhança’ beleza.

 

Perde-se no tempo

A face do homem no seio da fé,

Mudam-se as estações e não o vento,

Labs and Doctrines, ambos de pé.

 

Gozo da liberdade,

O deleite da fineza,

Trocam-se as prioridades,

Mantém-se a mesa.

 

O radical é destempo,

Ignorar é um gole de café,

O beijo da mudança está atempo,

Potro não dá coice, dá pontapé.

 

Indulgências, oh falastrão,

É certo, décima a cair,

As relíquias lambidas na unção

Como vidro a se partir.

 

A lei natural do design inteligente

E o vigor do enlace coletivo,

Somos cão e somos gente,

Respeitemos o morto e o vivo.

 

Paz entre empregado e Patrão,

Votos reais a sucumbir,

Já nos afogamos com munição,

O relógio grita para o rei sair.

 

Vai ver o povo é carente

E se apoia no redutivo

Joelho tremendo no batente,

Por medo de não acordar vivo.

Peço perdão

Peço perdão pelos meus erros,

E também pela poluição de nosso ar, rios e serros,

Peço perdão pelos meus atos,

E também pela queimada de nossos matos,

Pois o pecado que cometo,

É também a vida que comprometo.

 

Porque em ti confio, planeta Terra,

Pois tu é mãe e pai de quem erra,

Sempre esteve aqui pelos aflitos,

Neste horizonte de orbes infinitos,

Nós a exploramos todos os dias,

E a Senhora nos abençoa com suas moradias.

 

Não sejamos egoístas de rezarmos por nós mesmos

Oremos pelo globo que a cada dia perdemos,

Pela vida que a cada dia extinguimos,

Pela natureza que a cada dia nos despedimos

Se confessar teus erros afrouxa o peso dos ombros,

Ore, mas não esqueça do mundo que rui em escombros.

11 - O Nono Mandamento

 “Não desistirás da caminhada.”

Poema da Tristeza Inexplicada

 

De repente, sinto-me abatido, vazio

Cada acorde esculpido em meu violão

Levas minhas memórias de volta à solidão

Sinto que estou prestes a decair em pousio

 

A chuva fina milagrosa perturba o silêncio da noite

E cada passo no escuro é um tormento

Já não tenho mais lágrimas, foi pranto violento

A dor recai sobre mim como um açoite

 

Álcool não ajuda a acalmar

Eu queria partir para um lugar distante

Viver em anonimato, segredo constante

Suprindo a terra, ondulando o mar

 

A dor que sinto não tem explicação

Olhar para o céu já não é sinônimo de alegria

Minha vida já não é de minha autoria

Tudo parece de faz de conta, encenação.

 

Antes de me resguardar,

As esperanças devo reabastecer,

Pois assim que um novo dia nascer

Quero voltar a respirar.


 

Sara

 

INTRO

Como não percebemos isso antes?

Como pudemos ser tão cegos?

Sara precisava de ajuda!

Agora é tarde demais para estender a mão.

Tarde demais para nossa filha.

 

Sara se olhava no espelho e se sentia infeliz,

Uma gordurinha aqui e outra ali para atrapalhar,

Então ela parou de comer, mas não porque quis,

Ela passou a botar para fora para seu azar.

 

Engoliu em seco, mas engoliu uma doença,

Mergulhando na imensidão da tristeza,

Sara abdicou toda a sua crença,

E passou a cultuar a beleza.

 

Sara queria ser magra,

Por isso, a si mesma passou a judiar,

Mesmo tendo sido pega no flagra,

Ela não quis se ajudar, não quis melhorar.

 

Ela se tornou sua própria praga,

Deixou de comer e se autodestruiu,

E nisso Sara não se fraga

Que sua doença evoluiu.

 

Sara pesava menos que uma pena,

E então para sempre deixou este plano,

Não sei se do lado de lá descobriu a alegria plena,

Mas aqui, sua ideia de felicidade foi um engano.


 

Disturbia

 

Aquelas flores derretem-se...

Derretem-se sob a falha perspectiva de um jardim,

Derretem-se sob a ótima perfeita da química que rege meu corpo,

Aquelas flores são rosas,

Vermelhas e brancas, glóbulos de paixão,

Mas sua doce fragrância ludibria,

Intoxica com exageradas doses de utopia,

Uma possibilidade que poderia ser,

Mas que de fato, não poderia,

Aquelas rosas foram cortadas,

Arrancadas pela raiz,

E agora ganham rugas pouco a pouco,

Derramando sangue inocente pela várzea,

Esvaziando qualquer sentimento,

Subtraindo os encontros de cada tertúlia,

Tirando de cada sono, o sonho...

Aquelas rosas estão dispostas no chão,

Assim como cada pingo de esperança,

Como cada gotícula de imaculada madressilva que encharca minhas janelas,

Minhas duras e envelhecidas janelas,

Venezianas que um em dia embarcaram em Veneza,

Dobradiças um dia maleáveis como seu perfume,

Hoje trancadas, escancaram-se em um bosque úmido e frio,

Poderia ter sido uma cena europeia naturalmente bela,

Mas de fato, não poderia,

Aquelas flores,

Aquelas rosas,

Elas estão dispostas no chão,

Elas derretem sob a perspectiva da eternidade,

Debulham-se sobre a terra,

Petrichor namora chorume,

Estranhando sob a sola de meus pés...

Em outras circunstâncias, caminhar teria sido indolor,

Se agora aquelas flores,

Aquelas rosas,

Não estivessem sendo pressionadas,

Esmagadas por minhas ásperas e descascadas plantas...

Espinhos noivam-se com sangue,

Mas eu continuo,

Eu sigo em frente,

Em outras circunstâncias,

Caminhar teria sido doloroso,

Se agora eu não estivesse rumo ao encontro de minhas amadas flores...

Olho para baixo,

Cinco bosques de extensão para o infinito,

Mas lá embaixo,

Onde o olho perecível não alcança,

Eu o avisto,

Avisto um jardim de muitas vidas,

Um jardim de muitas rosas,

Seu cheiro doce continua vivo,

Assombrando-me do outro lado da rígida abertura,

E é a única coisa que sinto,

Quando me desprendo da pele,

Quando me desprendo da matéria,

O jardim tem muitos espinhos,

Mas também tem muitas cores,

É a única coisa que penso,

Enquanto minha raiz é cortada,

Enquanto a espiral sem fim enterra-me em afogamentos...

Caio em queda livre,

Estou em queda livre,

Mas estou me aproximando,

Tiraram minhas rosas,

Cortaram-nas pela raiz

E jogaram-nas para apodrecer no chão,

O baque não dói,

Ele me liberta!

Agora me decomponho...

Desaparecendo a cada dia,

Subtraída enfim,

Célula a célula,

Pétala a pétala.

Derreto-me sob a perspectiva de meus distúrbios,

Derreto-me sob a ação de decompositores,

Petrichor casa-se com chorume,

Mas até que enfim as atingi,

Minhas flores,

Meu jardim,

Minhas rosas,

Meu Bonfim,

Do outro lado do penhasco,

A cinco bosques de extensão para o finito,

Estendo-me em minha última pose,

Arrancada como minhas flores,

Arrancada com as minhas flores,

Mas finalmente,

Oh, finalmente,

Estamos juntas,

Para sempre.


 

A Menina Que Escrevia

 

Noite escura a atordoar o peito,

Boca sem palavras, Pulmão sem ar,

Por que todos odeiam sem nada ela ter feito?

Mais um motivo para se anotar...

 

Trancada em seu quarto,

A lembrança no choro de tudo,

Com medo de causar um infarto,

Com medo de deixá-lo mudo.

 

Precisava dizer o que sentia.

Mas não tocava no assunto, aquele.

Tudo o que conseguia,

Era escrever o nome dele.

 

Vergonha ou medo ou paixão,

O peso equilibrava-se por um fio,

Tudo o que vinha de seu coração,

De lá jamais saiu.

 

Ela só tinha força em seus poemas,

Como esclarecer o que sentia?

Não conseguia nem por telefonemas,

Morreu cansada de adormecer com alma vazia.


 

Volte para a cama!

 

Volte, Carolina!

Volte para a cama!

Finja ser boazinha,

Finja que alguém te ama,

Esqueça sua sina,

O mundo etéreo te chama.

 

Volte, Carolina!

Volte para seu leito!

Finja ser bonitinha,

Esqueça seus defeitos,

Finja ser boa menina,

E que seus pais são perfeitos.

 

Volte, Carolina!

Volte para a cama já!

A dor se procrastina,

Deite-se e espere passar,

Se o mundo real domina,

Vá para a cama e passe o dia lá!

 

Volte para mim, Carolina,

Porque eu sou tentadora,

Silencio-te, anfetamina,

E te consumo à usurpadora,

Não preciso de adereço ou purpurina,

Sou a droga mais devastadora.


 

Não Chore, Ana!

 

Ana lutou contra o mal do amor:

Todos os dias pela manhã, assistia o nascer do sol,

Mas nas entrelinhas do dia, prendia-se ao lençol;

Ela Falhou!

 

Ana tentou se afastar do pavor:

Deitou-se à noite para descansar a alma,

Mas a insônia a fez madrugar sem pausa para calma;

E Falhou!

 

Ana tentou a si mesma propor:

Que não seria vencida pela lugubridade,

Mas mesmo assim sofreu demais para sua idade;

Ela Falhou!

 

Ana tentou fazer a si mesma um favor:

Levantou-se de sua cama tentada a mudar,

Mas bastou um 'não' para sentir a garganta sufocar;

E Falhou!

 

Ana tentou resistir ao silêncio manipulador:

Mas em sua cabeça, ela voltava várias e várias vezes,

Esvaziando todas as suas lucidezes;

Ela Falhou!

 

Ana tentou exprimir aos anjos um louvor:

Disse a si mesma que aquele dia seria diferente,

Mas após anos invisível, não se sentia boa o suficiente;

E Falhou!

 

Ana tentou achar na vida um valor:

Aceitou o convite dos amigos para sair,

Mas entre sorrisos de sucesso, viu-se reduzir;

Ela Falhou!

 

Ana tentou lutar contra a dor:

Mas entre tanto emocional,

Seu físico já não encontrava-se normal;

E Falhou!

 

Ana tentou projetar um futuro promissor:

Mas cada vez que via-se infeliz,

Em seu braço surgia uma nova cicatriz;

Ela Falhou!

 

Ana já não sentia mais aquele calor:

Seus pais não entendiam como doía,

Julgavam-na estar presa em uma utopia;

E Falhou!

 

Ana calou-se e conteve o grito ensurdecedor:

Nessas alturas, ela já não queria mais ser compreendida,

Pois nem ela entendia o que havia de errado com a vida;

Ela Falhou!

 

Ana sentia-se em um filme sem fim de terror:

Não sabia a origem de seu martírio,

Do jeito que sofria, não enxergava nenhum lírio;

E falhou!

 

Ana tentou milhões de vezes se opor:

Nada adiantou, o interior permaneceu ferido,

Não sabia mais discernir quem era herói e bandido;

Ela falhou!

 

Ana disse em voz alta que a morte era um terror:

Mas ela sabia que a vida era quem trazia desgosto,

Todos os dias desabava, deslocada em seu posto;

E Falhou!

 

Ana queria escapar disso tudo e voltar ao torpor:

Com lágrimas no rosto, tomou a medicação,

Ela esperava encontrar paz no coração.

Mas Ana Falhou!

 

Sem sucesso, Ana cansou-se do frio assolador:

Tomou mais uma, duas, três pílulas sem se redimir,

Então aos poucos ela sentiu o peso diminuir;

E pela última vez, falhou!

Anti

 

A obsessão tomou conta

De todas as cores que o peito desponta;

A solidão fechou todas as portas

E com as mãos torceu as retas em tortas;

A distância se solidificou

Tanto quanto concreto;

E o que mais marcou,

Foi a inópia por um fim certo.

 

Desceu dos céus o véu negro do pavor

E este transou com o amargor negativo;

Transbordado sem resistência nem propor,

Zombeteiro tomou companhia por abrigo.

 

Nuvens pretas de acusação,

Vozes de desaprovação,

Seria coisa da cabeça

Ou fruto do coração?

Quando viver torna-se uma peça,

As mãos se abrem e desistem,

Pranto em sufoco é mata leão entalado,

Mas as dúvidas persistem,

O que há do outro lado?

E se jogar tudo fora

Não valha mesmo a pena, embora?

Talvez fosse só uma vida usual,

Afinal,

Morrer de penúria já é quase que natural,

E eu, sem esforçar a cabeça, tentei jogar a toalha,

Enquanto em silêncio se vê tanto na justiça a falha,

Enquanto crianças contra o câncer todo dia a lutar,

Enquanto senhores juízes, nossos direitos a revogar.

 

E se a procura pelo Anti

Estiver bem à nossa frente?

E se achar uma missão para viver fosse olhar adiante

E ver que também vive mal todo tipo de gente?

 

E se o peito queima em gastura

A perspicácia diz para deixar para lá,

É melhor não prestar atenção na queimadura,

Mas dividir o fardo num mútuo ajudar.

E se a dor é a pior coisa que você sente

E jamais desejaria sequer para um inimigo

Não seria complacente

Ajudar o próximo também ferido

E no fim todo mundo se abraçar?

Porque a única saída

E a única resposta para qualquer pergunta na vida

É sem sombra de dúvidas, o amar.


 

Eu luto

 

Abrace-me e não me largues mais

Porque anseio logo partir

Para não mais me ferir,

Vítima de mãos canibais.

 

Beije-me e não me deixes jamais

Porque a vontade é de sumir

E pelo infinito cingir

Os refúgios celestiais.

 

A cada dia que contais,

Minh ’alma a se extinguir,

Gosto amargo, porém me faz resistir,

Tons de vermelho e cinza metais.

 

Sangue que de minha raiz arrancais,

Que me meu povo fizestes cair,

Renuncio a morte, por eles a intervir,

E a buscar da justiça, os primeiros sinais.

Super Ultra

 

O que veio de dentro

Ninguém poderia jamais mexer;

Foi uma chama, o epicentro,

Um abraço, uma razão para viver;

O amor em sua forma mais pura,

Em suas mais diferentes variações,

Limpando qualquer chaga impura

E ensinando a dissipar tensões.

Tudo o que era preciso era um ombro,

E então das ruínas, só escombros,

Tudo o que era preciso era um confiar,

E então, da cama poder levantar.

Se os olhos antes tivessem visto

Que do lado de fora há tanta gente,

Talvez o corpo tivesse cometido menos risco,

E tudo teria sido há décadas diferente,

Foi preciso cair o precipitar

Sem se precipitar.

Foi preciso se erguer

Sozinho até certo ponto,

Mas depois que os olhos conseguiram ver,

O peito soube que estava pronto!

Um de cada vez,

O diálogo esqueceu-se da cor das bochechas,

E pouco a pouco o cravar das flechas

Deu lugar ao arco da lucidez.

Ruge a pantera que não mais rugia,

E o monstro da insegurança

Mostra-se pintinho ante as asas de harpia

Da confiança.

Quem diria que o colóquio

Poderia desamarrar tantos nós?

“Para manter o peito saudável, coloque-o

Em um ambiente de voz”.

Qualquer um pode ser um Super Ultra

Amigo,

Pois na árdua vida adulta,

Qualquer um tem peso para dividir contigo.


 

São Domingos

 

“Aceitar não envolve só olhar para as diferenças, é ter uma visão sistêmica de mundo e olhar para todos como um todo homogêneo em suas heterogeneidades.” — O autor.

                 

Da tradução literal, dia de sol,

Da composição visceral, tormenta

Dissipando qualquer pulso ou calor

Que veias de amor possam tecer.

São dogmas — Acredita o poeta,

Tradição rotineira do dia de descanso.

São paradigmas — Credita o menino,

Que se constroem e se afixam, de manso,

Até alguém perceber o que realmente são.

 

Se o inferno se faz nas repetições eternas,

Então todos os infernos são domingos,

Queimando consciências sem usar fogo,

Fazendo-as reviver e reviver o sufoco,

Até não restar mais nada...

 

Mas se o dia do julgamento está por vir,

Contesto e afirmo que ele já veio e voltará

Uma vez por sete, relembrando-nos

De que quando não resta mais nada do

Material, a razão de viver se revela.

As frestas e trincas do único dia

De escape — O descanso da bolha—,

São escancaradas, basta saber ler

As páginas emboloradas e as linhas

De letra diminuta. — Force a visão,

E o bom senhor será capaz de enxergar.

 

Falta do que fazer aliado a lúgubre prostração

Expurga a filosofia do fundo da alma,

Como esponja que suga a água,

Puxando todos os resíduos líquidos

Que te fazem olhar para frente

E não para o lado.

 

Mas se a perca da clareza

É tão mais fácil no trabalho braçal,

Quem sabe o Pinóquio, tal fábula,

Não estivesse certo e todos nós

Devêssemos correr para o parque

De diversões como se nada

Estivesse errado?

 

Talvez seja isso mesmo,

Mas algo me diz que não literal,

As diferenças que se costuram a carne

E as águas de aperfeiçoamento da mente

É que deveriam escoar sem que o opressor

Tomasse banho e se sentisse molhado.

Mas o que ninguém jamais mente

É que em mãos de redator,

Ao fim de sábado, alguém acaba julgado.

 

Se o inferno se faz nas repetições eternas,

Então todos os infernos são domingos,

Queimando consciências sem usar fogo,

Fazendo-as reviver e reviver de tudo um pouco,

Até você perceber que tinha oportunidades

Em todos os dias da semana,

Mas o ar só encheu pulmão no último suspiro.

 

Cegos, é o que estamos nos tornando,

Ou talvez assim sempre tenhamos sido,

Não nego, esquecer-se de vez em quando,

Faz parte da condição de pecador,

Mas enquanto a tapa estiver impedindo

Que os olhares transcendam a direção

Lapidada na dura parede de vidro,

O cabresto nos faz retornar ao dia a dia.

 

Clamem os vivos! É necessária a diversão,

É necessário perder-se na batida,

Mas para bom pensador,

Ou qualquer um que tenha pudor,

Os braços que se estendem do outro lado

Do firmamento societal,

Esperam que nós quebremos a barreira

Por nós mesmos — Para só então nos abraçar.

 

Quem não percebe que o muro

Pode ser escalado, ainda não

É privilegiado pela visão.

Quem não percebe que o muro

Pode ser perfurado, Tem o domingo

Por só mais um dia de verão.

 

Clamem as almas daqueles que já partiram!

Estes que têm muito o que por lá fazer,

Não precisam ser avisados,

Porque depois que as células voltam a ser

Uma só — E o homem torna-se íntegro

Em sua multiplicidade —, corriqueiro,

Percebe-se com facilidade o quão

Aproveitado ou não

Foi o plano da existência.

 

Mas eles caminham entre nós!

E nos acompanham pelo dia cinzento,

Trazendo os ventos da soturnidade

E desabrochando as flores do desalento,

Mas só a águia que muito vê

Por através das rachaduras dos falhos fundamentos

Consegue entender o porquê

De o dia de não fazer nada

Ser o dia de com se luz ser iluminada.

 

O obstáculo, todavia, não se faz

Sólido à nossa frente,

Porque a águia sábia e pensante

Consegue projetar a mente adiante,

Mas sobretudo, porque domingo

É o dia em que olhos e ouvidos

Sangram pela sensorial atribuição

de significado, Enquanto cansada voz

De gritar faz-se rouca.

 

Silêncio

 

Prezo o silêncio, ó louvores,

Porque nele se obtém

Todas as respostas,

Mesmo daquilo que jamais

Foi Perguntado.

 

Mas entendam, ó senhores,

Que o silêncio nos detém

A almas mal dispostas

Daquilo que o outro se faz,

Sem ajudar nem ser ajudado.


 

Padre

 

I

Quando piá,

Ele queria ser alto,

Mas de altura quanto há?

Não houve nenhum ressalto.

 

Ele cresceu puro e pleno,

Mas não chegou a ser comprido.

Ele cresceu ainda pequeno,

Sem jamais ter crescido.

 

Quando piá,

Ele queria ser galgaz,

Mas de magreza quanto há?

Não especificou, o rapaz.

 

Ele emagreceu escaleno,

Mas não chegou a ser medido,

Ele emagreceu muito sereno,

Sem jamais ter emagrecido.

 

Quando piá,

Ele queria ter uma namorada,

Mas de charme quanto há?

Não se mensurou nada.

 

Ele namorou com empeno,

Mas não chegou a ser comprometido,

Ele namorou em um aceno,

Sem jamais ter sido pedido.

 

II

Hoje, idoso já,

Percebeu que o piscar voa,

Pois nada nunca mudará,

A velhice um dia ecoa.

 

Ele trabalhou no enceno,

E nunca chegou a ser demitido,

Ele serviu como um galeno,

Sem jamais precisar ter servido.

 

Hoje, idoso já,

Percebeu que o físico se perdoa,

Pois nada nunca mudará,

A alma é que se entoa.

 

Ele gozou de um terreno,

E nunca deixou seu partido,

Ele viveu dulce bueno,

Sem jamais precisar ter vivido.

 

Hoje, idoso já,

Percebeu que se esforçou a toa,

Pois nada nunca mudará,

E mesmo assim ainda é vida boa.

 

Ele desprezou obsceno,

E legou valor há muito esquecido,

Ele diluiu dos outros o veneno,

Sem jamais precisar ter diluído.

 


 

Perfeição

 

I

Tudo parece plástico em relação

À aparência, ao físico externo,

Qualquer tipo de ação,

Parece coisa do inferno.

 

Sabemos que não é certo

Cultuar a forma, o perecível,

Mas ainda que com olho esperto,

A beleza coloca-te em outro nível.

 

Talvez perfeição seja farra,

Ser livre para dia e noite festejar,

 Talvez seja o som da guitarra

Ecoando, à luz do luar.

 

Mas enquanto festejamos,

Povos passam fome,

Já dizia Nostradamus,

O próprio homem se consome.

 

Nascemos bons

Ou nascemos maus?

Temos muitos dons,

Mas o ódio tem muitos degraus.

 

Alguns ensinam,

Outros testam,

Mas os que de fato não discriminam,

São poucos que restam.

 

II

Então o que seria a dita cuja,

Se não é cabelo bonito nem nada comprado?

Se não é o olho da coruja,

Nem o domínio de qualquer prado?

 

Perfeição é pura energia,

E energia rara,

Está na fé que há muito emergia,

Mais barata do que cara.

 

Fenômeno raro é a Pureza,

Transcende qualquer flor,

Vai além de qualquer beleza,

É nota para compor.

 

Enfrentar a devastação,

Apreender o mal que ecoa,

Navegar pela a imensidão

Que é dentro de uma pessoa.

 

Seja rica ou seja pobre,

Seja carente ou seja nobre,

Todas têm chance de se purificar,

Todas têm chance de unificar.

 

Algumas só magoam,

Outras só desdenham,

Mas há também as que perdoam,

E as que o brio desenham.

 

Só o mais destemido guerreiro,

Que já encarou o verdadeiro amor,

É capaz de fazer-se inteiro,

Através do Mentor.

 

Perfeição é inocência,

Não se encontra por corrupção,

Mas na falta, na carência,

No bom ato e na boa ação.

 

 

***

O profeta poderia ter dito que perfeição era ter corpo esbelto, poderia ter dito que era a teimosia, a ânsia em vencer, a persistência, a habilidade em competir, em sair por cima, em ostentar, em ter o físico, o material... Mas ao contrário, ele disse-nos que muito mais importante do que qualquer competição ou posse, é providenciar ajuda e acolhimento a quem precisa. É a ação solidária, desde que de coração. Tem-se aí, a verdadeira perfeição.


 

Mensagens de Ódio

 

I

 

Em qualquer cultura,

Deus ensina a vida,

Independente da fé,

Independente do alfarrábio.

 

Em qualquer fissura,

Uma lição pode ser aprendida,

Independente de quem é,

Independente se ingênuo ou sábio.

 

II

 

Ideologias opostas colidem,

Os mais inteligentes logo inibem,

Mas a maioria entra em discussão,

Bola de neve de selvageria e agressão.

 

Não custa nada acreditar,

Como seria bonito um dia se sentar,

E conviver sem nenhuma distinção,

Sem indiretas e do ódio a propagação.

 

Os que vivem dando castigo,

Não estão de bem consigo,

Pois criaturas bem-resolvidas,

Não indagam outras vidas.

 

Quando se aceita

Os próprios defeitos,

Tem-se a receita:

Não existem humanos perfeitos.

 

III

 

Houve um tempo

Em que a fé se esvaiu completamente

De mim.

 

Foi um destempo,

Eu estive dormente,

Foi um tempo em que tudo era ruim.

 

Mas então eu percebi

Que não importa a doutrina,

Cada um administra a sua.

 

O importante foi o que vi,

Foi a solidariedade, a vacina,

Foi a cura.

 

Não uma cura por fora,

Mas uma cura por dentro,

Foi uma doação, uma campanha.

 

Mesmo que alguma fé o mal corrobora,

A maioria tem o amor como centro,

Prazer em ajudar quem da vida apanha.

Spatodeas

 

Siga o rastro das flores

E sempre saberás onde me encontrar

Porque onde quer que eu vá

Levo comigo a essência de um lugar

Lindo e florido,

Sempre a procurar

Por paz e sossego,

Pelo respeito e pelo amar.

Cheirinho de café bourboun,

E um blues a cantar,

Junto aos pássaros do além-túmulo,

A se abraçar

Correndo pelas docas

Sentindo-se tempero fundo no mar.

 

Não brinquem com meus sentimentos, spatodeas,

Não estou para brincar,

Quero o beijo da boa rosa

Onde as boas obras hão de o espírito elevar,

Quero morrer de felicidade

Por aprender a afagar

Sem se conhecer,

Sem se tocar.

 

Quero sentir a brisa dos Novos Tempos,

Mesmo que já não possa suportar

E levar aos sete palmos

A certeza de que pude ajudar.

12 –  O Décimo Mandamento

“Caminharás rumo à elevação Moral, Espiritual e Intelectual todos os dias de tuas incontáveis existências, sem reclamar das exigências..”

Ó Mãe Natureza

 

Por favor me proteja, ó mãe natureza,

Eles estão vindo com muita destreza.

 

Os calafrios, as noites de tormenta,

Nunca é tarde demais para quem tenta.

 

Meu coração está parando,

Meu pulso diminui, o sangue coagulando.

 

Meus pais mortos vieram me buscar,

Sinto que estou retornando para meu lar.

 

Por favor tenha piedade, ó mãe natureza,

Não permita que eu parta sob tal bruteza.

 

Que meus filhos e discípulos não se desesperem,

Proteja aos que firme se mantiverem.

 

E não se esqueça daqueles que se perderam,

Mesmo longe, fico feliz de ver que venceram.

 

Que seus caminhos sejam abençoados,

E que demorem muito para conhecerem estes lados.

 

Por favor seja inspiração, ó mãe natureza,

Para que alguém continue o que não pude dar inteireza.

 

Atue para que minha obra continue viva.

E que mesmo depois de partir, ainda tenha força expressiva;

 

Permita que seu deleite eterno tenha cunho artístico.

Permita que minha escrita traga paz e amor no físico.

 

Ó sábia mãe natureza, em meu leito te abraço,

Desde que me permita continuar o que de melhor faço.

 

Ó sábia mãe natureza, em meu leito me despeço,

Do tempo não me apague, é só o que te peço.   


 

Reclamação

 

Você reclama que o tempo está fechado,

Você reclama do peso do machado,

E de ir todos os dias trabalhar.

 

Você reclama dos clientes, tão chatos

De ter de arcar com os próprios atos,

Acha que é tolice morrer de estudar.

 

Mas em um lugar não tão distante,

Onde há constante pressão militante,

É preciso mendigar restos pro jantar.

 

Quantos foram devastados pela fome?

Quantas crianças nasceram sem nome?

Quantos filhos se foram por falta de lar?

 

Sob o diagnóstico de incurável,

No teu canto do mapa é improvável,

Mas lá é morte em questão de um piscar.

 

Lá, não se consegue achar emprego,

Você tem a vida de um deus grego,

O que os mantém é a vontade de superar.

 

Muitos não podem cuidar dos próprios filhos,

Deixam seus casebres, agora andarilhos,

Implorando por alguém capaz de doar.

 

Eles tomam remédio feito de farinha,

E a verdade morre na entrelinha,

Pois lá só há espaço para afundar.

 

Há quem sinta falta de um conforto,

Há quem nasça trabalhando, há quem nasça morto,

Há quem vingue com pesar.

 

Eles crescem sem saber ler ou escrever,

Mas tem valores que nunca vai entender,

Com tudo o que tem, tu só sabes reclamar.

 

Foram vinte anos de sua vida preciosa,

Reclamando, ainda que tão generosa,

Atenção: há quem precise do seu olhar!

 

Não seja egoísta, reze por esta gente,

Doe, desapegue, não seja indiferente,

Talvez assim tu dês valor ao teu patamar.

 

Você contesta causas que acha justas,

Mas você nunca teve ESTAS lutas,

Então pare e agradeça o seu bem-estar.

 

Enxergue o quanto você é feliz,

Agradeça por seu carro, teto e raiz,

Não há com o que se preocupar.

 

O bem advém de pensamento positivo,

Agradeça por seu bem aquisitivo,

Você fará muito bem ao se aceitar.

 

Ore à natureza e peça por perdão,

Peça para que ela tenha compaixão,

Pois você se deixou desprezar.

 

Reconheça, você é da realeza!

Jamais teve de enfrentar tamanha tristeza,

De acordar mais um dia sem a boca molhar.

 

A vida lhe dá flores!

Não se esqueça de onde quer que tu fores,

Sempre há alguém para ajudar.


 

Tenho Tudo

 

Parte I – Geração Egoísta

 

Somos uma geração de egoístas!

Por mais que a dificuldade exista,

Só enxergamos falhas e pecados,

Mas não que somos privilegiados

Por termos um pão, um sapato,

Por sermos sãos e sensatos

Por termos casa e abrigo

Debaixo da asa, longe do perigo.

 

Por que, humanidade?

Insistimos em lembrar um erro

Ao invés de milhares de acertos em comunidade?

Criamos feridas em nosso próprio desaterro.

 

Nossos olhos, ouvidos e todos os sentidos,

Eles funcionam! Agradeça!

Por mais que às vezes nos sentimos oprimidos,

A gente impressiona! Agradeça!

Nossa barriga está cheia

Pela fome nunca passamos! Agradeça!

Por mais que possa se sentir feia,

Há quem queria, convenham! Esqueça!

 

 

Somos uma geração de narcisistas!

Queremos que aquele mísero erro persista

Para que sejamos bajulados,

Para que sejamos analisados,

Porque queremos atenção, não fatos,

Não basta mais ser belo, tem que ser gato

Vitimismo diz: “Por que fez isso comigo?”

E assim, criamos nosso próprio castigo.

 

Por que, humanidade?

Insistimos em lembrar um erro

Ao invés de milhares de acertos em comunidade?

Criamos feridas em nosso próprio desaterro.

 

Parte II – Sou Grato ao Mundo

 

Pra que correr,

Se dá pra ficar?

Pra que sofrer,

Se dá pra abrandar?

Pra que chorar,

Se dá pra sorrir?

Pra que esvaziar,

Se dá pra fluir?

 

Ser pessimista é opção,

Já ser grato é virtude;

Vai sofrer pelo padrão

A menos que mude!

 

Temos muitas coisas boas,

Basta observar!

Muita coisa que não se enjoa,

Mas que podemos preservar!

 

Pra que infelicidade,

Se dá pra ser alegria?

Pra que maldade,

Se dá pra ser calmaria?

Pra que por defeito?

Pra que se autodestruir?

Se ninguém é perfeito,

Não há razão para desistir.

 

Eu mudei,

Me libertei!

Sou grato ao mundo,

Pois tenho tudo!

 

Eu mudei,

Me libertei!

Tenho todo o necessário

Para mudar meu próprio cenário.

 

Não preciso buscar felicidade

Pois agora tenho liberdade

Hoje sou grato ao mundo,

Pois percebi que sempre tive tudo!

 


 

Se Deus Quiser

 

I - O Poeta

 

Vide a importância do legado,

Se rejeitado, reergue-se;

Se subjugado, redime-se;

E assim se desfaz o pecado.

 

A criação reconstrói, refaz,

Ela vem como uma forma

De promover uma reforma

No mundo onde não há paz.

 

A ideia presa na garganta

Pode mudar vidas,

Como prudência dividida,

Não há o que o bem não garanta.

 

A inspiração há de partir

De um coração com boa vontade,

O prazer na missão há de ser de verdade,

Ou o legado será ruir.

 

Não é fácil a provação,

É preciso ajudar uns aos outros,

É preciso amar uns aos outros,

Só assim haverá evolução.

 

É pela arte que se percebe

Que poeta não é poeta,

Poeta pode ser profeta,

Pode trazer superação à plebe.

 

II - O Menino

 

Um dia, se Deus quiser,

Partirei daqui,

Terei deixado meu “estive aqui”

Para enfrentar quantos males puder.

 

Um dia, se Deus quiser,

Estarei bem longe disso tudo,

Mas terei deixado para o mundo

Carta para facear qualquer mal que vier.

 

 


 

Da Materialidade

 

Estava certo quem disse

Que simplicidade é o caminho,

O bem foi criado para que servisse

De exemplo torvelinho.

 

Espiral de aprazimento,

Norteia as tertúlias do bem-querer,

Para com ceticismo fique atento,

Espiritualidade é poder!

 

A crença pode não lhe ser especial,

Mas sim a desmaterialização

Que acusa o convencional

E promove a boa ação.

 

Gentileza inesperada

É sinônimo de sorriso.

Amigos, paz, empreitada,

É viver o paraíso.

 

O sorriso de um paciente

É o suficiente para curar,

Quando a alma já está doente,

E o faz vegetar.

 

Crianças sem o que comer

Precisam muito mais de amparo

Do que o que o dinheiro pode oferecer,

É mais barato do que caro!

 

Verba pode até vir bem a calhar,

Mas ela nunca te proporcionará

A alegria, a vontade de se soltar,

Só o bem quando há.

 

Pedir esmola não é ruim,

Ruim é deixar o necessitado pedir,

Ao invés de doar antes disso, enfim,

Ao invés de doar por suprir.

 

Sentir a chuva do amor

Purificando a alma,

É livrar-se de qualquer temor,

É reestabelecer a calma.

 

Um toque, um beijo, um abraço,

Um filho, uma mãe, um pai,

 A construção de um laço

É o material que se esvai.

 

Somos muito mais

Do que carne e osso,

Não se esqueça, jamais,

Viver do físico é viver insosso.

 

Desapegue,

Desprenda-se da materialidade,

Descarregue,

Independente da sua idade.

 

Cada segundo que se passa,

Fica por detrás da cortina,

Então aproveite, a dor passa

Muito mais rápido que você imagina.

 

Viva sem esperar remunerar,

Em sintonia na comunhão,

Não espere por um recompensar,

Peça e aceite o perdão.

 

Educação é um bem para consigo,

Um aceno, um gesto, um bom dia,

Namorado, Irmão, Amigo,

Polidez é fonte de alegria.

 

Desista,

Desprenda-se da materialidade,

Caridade conquista,

E constrói felicidade.

Síndrome

 

E quando olho para dentro,

Percebo que não sou só um.

 

Sou a fera me fazendo perder

A dentadura.

Sou a velha perdendo-se

Em amargura,

Sou o menino do vale

Que pouco a pouco se depura.

 

E quando olho para dentro

E ninguém mais me atura,

Percebo que desta vez sou outra pessoa

E não é tarde para recomeçar.

 

A cada pulsar do miocárdio,

É uma nova tentativa,

Um novo tempo.

 

No fim, sou o montante de tudo isso,

E mais, muito mais,

Eu sou todos a quem já fui

E todos a quem serei.

 

Eu sou o montante de tudo isso,

E mais, muito mais

Do que estes globos de partículas

Podem detectar.

 

Porque quando olho para dentro,

Não é tarde para recomeçar,

E eu me ergo e recomeço,

Sabendo que não sou só um.

 

Porque quando olho para dentro,

Sei que não estou sozinho.

Escarlate

 

Mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita, mas não chegará a ti. (Salmos 91:7)

 

Não aceite migalhas,

Não aceite restos,

Mereça tuas próprias batalhas,

Vingue teus punhos lestos.

 

Quando perderes a fala,

Imponha teu poder,

Serás ferido a ferro e bala,

Mas posição não irá perder.

 

Não deixe que te rebaixem,

Imponha teu ser,

Não deixe que te desencaixem,

Se não fazes por merecer.

 

Tu és um campeão

Por ter chegado aonde chegou,

Erga-se com convicção

E liberte-se do peso que carregou.

 

Corra atrás de tua felicidade,

Teu triunfo escarlate,

Ele só depende da tua capacidade

De encerrar o debate.

 

Mostre tua fibra,

Mostre teu suor,

Orgulha-te de teu peso, tua libra,

Pois no quesito força, és melhor.

 

Quando tudo parecer ruir,

E achares que estás perdendo,

Beba o divino Elixir,

E vá para a luta sedento.

 

Eles rirão ao te ver retroceder,

E por mais que arda,

Não dê o braço a torcer,

Não baixe tua guarda.

 

Tu és um campeão

Por ter chegado aonde chegou,

Erga-se com convicção

E liberte-se do peso que carregou.

 

Corra atrás de tua felicidade,

Teu triunfo escarlate,

Ele só depende da tua capacidade

De encerrar o debate.

 

Eles escavarão tuas defesas,

E tentarão te acertar no ponto mais fraco,

Mantenha virtude e garra ilesas,

E impeça que abram mais um buraco.

 

Orgulha-te, não tenha medo.

Erga a cabeça e siga em frente,

No tempo, escreva teu próprio enredo,

E com vigor, a discriminação enfrente.

 

Mostre tua fúria, mostre teu furor,

A dor que se esconde em teu peito,

Ela foi feita para expor,

Por amor e autorrespeito.

 

Tu és um campeão

Por ter chegado aonde chegou,

Erga-se com convicção

E liberte-se do peso que carregou.

 

Corra atrás de tua felicidade,

Teu triunfo escarlate,

Ele só depende da tua capacidade

De encerrar o debate.

 

Erga teu escudo,

Coloque-os em seu devido lugar,

Tenha voz, não seja mudo,

Teu leão interior precisa despertar.

 

Cavaleiro, erga tua espada,

Prepare tua armadura,

A vitória há de ser galgada,

Ponha um fim nesta ditadura.


 

Rebelde

 

O empecilho de sua vida

Sempre foi a caixa,

Agonizando, tão apertada,

Sufocando tudo aquilo

Que você sempre foi.

 

A caixa foi pequena demais

Para o que saía de sua cabeça,

Pensamentos tomaram a forma

De um pássaro e voaram

Para o alto e além,

E o que sobrou foram apenas pedaços

De papelão disforme.

 

Eles jamais entenderam,

Rasgaram tuas roupas e faixas,

Mas deixaram para trás a única coisa que jamais conseguiriam arrancar

De teu nobre coração,

O conhecimento e todo o amor que

Um jovem rebelde como você

Poderia carregar.

 

Tentaram arrancar tuas flores,

Tentaram enegrecer tuas cores,

Mas jamais conseguiriam qualquer resultado,

Porque só quem tem coração nobre

Agradece pela espada apunhalada nas costas,

Só quem é rebelde

Aprende que o Aprender

Aprende-se na falha.

 

Tentaram encaixar aquele azedo efebo,

Nos padrões da alta,

Mas por pura ignorância, recusaram-se a ler

Nas entrelinhas,

Que o que havia dentro dele

Jamais poderia se encaixar,

 Porque já estava encaixado.

 

A caixa não contém a verdade absoluta,

E ele sempre soube!

Soube também que só um pensamento bem cozido,

Pode ser servido,

E baby, você está em chamas,

Oh, clemência, por favor!

A águia revolucionária enxerga

Tão longe quanto as outras,

Todavia, deixa de perseguir coelhos

Para perseguir sonhos.

 

No boletim, muito fracassou

E os palavrões desde cedo aprendeu,

Mas nada disso jamais diminuiu,

Nada disso fê-lo mais plebeu.

Pelo contrário, marcou a ferro em lava seu verdadeiro eu,

E a vontade de atropelar as expectativas,

Porque sempre teve resposta para tudo,

E era sempre a resposta que todos gostam de dar,

Mas ninguém gosta de ouvir:

“Pouco me importa”.

 

Da culpa sempre se poupa,

Garoto Rebelde, quero ser igual a você,

Quero me desvencilhar e crescer,

Do jeito que você cresceu,

Sem jamais se esquecer do inocente eu

Que compôs sua infância.

 

Porque você sabe que não está errado,

Você vê erro no “engraçado”,

E amarra em seu próprio peito

As emoções bem vividas,

Como se cada dia de tristeza fosse menos que um mísero grão de areia

Na infindável praia da vida.

 

Conquiste sua felicidade,

Garoto Rebelde,

Estou aqui contigo!

Conquiste o beijo do sol,

Brilhe de noite,

E morra de dia,

Beba de canudinho das façanhas da vida,

E lute, hilário, pela paz nas idas e vindas

Do pêndulo da oposição.

 

Fim ao absolutismo,

Vá para a luta, muchacho benigno,

Lute pelos seus e de mais outros, direitos!

Sê livre,

E de liberdade construa tua casa,

Sem teto, sem paredes,

Quando vão perceber que o verdadeiro lar

Está do lado de dentro?

 

Eles se recusam a acreditar,

Mas eu estive lá,

E sei que você sempre foi digno.


 

13 – Regênesis

Dias Difíceis

 

Houve um tempo em que eu acreditava que a humanidade estava perdida. Mas depois, cheguei à conclusão de que os dias de hoje são os melhores em muito tempo. Nunca houve tantas pessoas acordando para a realidade. Uma atrás da outra e os números não param. Mas eu também sei que ao mesmo tempo em que a atualidade demonstra-se amigável, dias mais difíceis ainda estão por vir. Afinal, os judeus venceram os nazistas, mas só após teremos tido inúmeras perdas. Hoje sabemos a verdade, hoje sabemos a crueldade do holocausto. Mas ainda há muitas guerras a travar. Algumas frias, outras com sangue, mas se persistirmos, se partilharmos a visão com nossas crianças, talvez isso nem precise acontecer, porque as pessoas saberão o que faz bem e o que faz mal. Elas estarão absortas em puro mente-abertismo, bem antes de as forças do mal tomarem conta do país. Mas até que isso aconteça, talvez seja preciso primeiro chegar ao fundo, para depois transbordar e evoluir e só então teremos escapado destas provas e expiações. Seremos mundo de regeneração. (Quadros de Sá)

 

Um rei sem poderes,

Um rei extinto,

Soberania entre os seres,

Abuso de instinto.

 

Dias difíceis estão por vir,

Se ele vencer,

A civilização pode ruir,

Se ele vencer...

 

Durante eras,

Pensou-se estar no fundo

Do poço, panteras,

Hoje parece absurdo.

 

O país está acordando,

O país está para acordar!

Todo dia, escancara-se nos noticiários:

Nunca houve tantos visionários!

 

Leve-os à delegacia!

Brasil, acorde para a democracia,

Brasil, não volte para a autocracia,

Leve-os com diplomacia!

 

É mesmo, só pode ser mito!

Que espécie de ser humano,

Deserdaria um filho ao infinito,

Acreditando que tudo foi engano?

 

Pais falham com filhos,

Filhos falham com pais,

Mas nunca se apaga o brilho

De tais ligações carnais.

 

Alguns herdam sabedoria,

Outros herdam rancor,

Os que querem a auditoria,

Querem o mal sobrepor.

 

Cadeira Elétrica nele,

Fim desumano e cruel,

Todos merecem o perdão Dele,

Amor é amor desde que fiel.

 

O sol brilha para todos,

Paz negocia liberdade,

Só pode ser um denodo,

Exigir da massa piedade.

 

A favor do voto pesquisado,

A web é uma teia de informações,

Antes de ser governado,

Veja quais são as menções!

 

Teu voto é tua voz!

Teu voto é teu poder!

Não dê chances ao algoz!

Ele vai te prender.

 

O país está acordando,

O país está para acordar!

Verdugo destruirá a minoria,

O que vosmicê faria?

 

Leve-os ao júri!

Brasil, acorde para a democracia,

Brasil, não volte para a anarquia,

Não há mal que o bem não cure!


 

A Bolha (Parte II)

 

Oh, tomai as dores

Deste cíclico firmamento,

Pois estou de partida.

 

Oh, bebei das cores

Falsificadas que comento,

A gota de coação vertida.

 

Oh, comei das flores

De desalento,

Sem medo de ser repetida.

 

Oh, morrei de sabores

Vítima do pestilento,

Da bolha da vida.


 

Poema dos Quadros

 

Naquela sala não havia nada;

Nem portas nem janelas,

Apenas uma parede branca infinita,

E dois quadros de sá.

 

O primeiro tinha cor detalhada,

Uma criança sorria entre velas,

Preparando-se para uma morte bonita,

Que os anjos previam já.

 

Eles vinham a buscar a alma inocentada,

Que pela paz celestial anela,

E pelo descanso não mais hesita,

Alegre, pelos erros não mais cairá.

 

A expiação era predestinada,

E agora essa criança zela,

Pela desconstrução da tirania finita,

Pois ela sabe que um dia tudo se desfará.

 

O segundo quadro mostrava um senhor,

E mesmo com pedaços faltando,

Em ondulações de cinza e branco,

Percebe-se que a prova não o intimida.

 

Ele não demonstrava nenhum pavor,

Acolhia de bom grado o divino comando,

E em nenhum momento, para ser franco,

Tinha medo da ida.

 

As vozes ecoantes o colocavam em torpor,

E seus olhos sozinhos estavam se fechando,

Voltava à carne, em um só tranco,

Deus já havia dado a partida.

 

Preso naquela sala de eterno pavor,

Percebi então que estava eternamente operando,

A realidade estabeleceu-se em solavanco,

Em quadros de sá só havia vida.

Doce Juventude

 

“Meu esforço diário concentra-se em viver um século adiante do que está no calendário. Muita gente vive no atual e muita gente ainda vive no que veio antes desse, mas eu não. Eu vivo no que virá.” — O autor.

 

O quão ultrapassados

Seremos?

O quão ultrapassados

Seremos?

 

Quando 50 anos

Tiverem se passado

O quão atrasados

Seremos?

 

A juventude há anos atrás,

Sem saída no passado;

A solidão de princípios,

Há muito abandonados.

 

Oh, o quão seremos

Ultrapassados?

O quanto viveremos

No transato?


Regeneração

 

Obrigado, Vida,

Pelo pão que tenho para comer,

Pelo teto que toda noite vem a me acolher,

Pelo chão que me viu engatinhar e agora correr,

Pelas pessoas que me fizeram crescer,

Pelas que me fizeram aprender,

Pelas que me fizeram entender

Que tu és muito mais do que nascer,

É empreender,

E é o ser

Que o tecido espaço-temporal tem forjado

E depois, rasgado,

E, sobretudo, obrigado

Pelas lutas que ainda tenho a vencer.


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