Morte Artística

Morte Artística


Entusiasmo Passageiro

 Um dia como outro qualquer,

Cintilaram meus olhos como farol,

Finja demência o quanto puder,

Essa lua vai mudar com a vinda do sol.

 

Um dia como quem não quer nada,

Senti o peito pulsar mais rápido,

Mas essa atração não pode ser levada,

O sol me trouxe um deserto árido.

 

Pela octogésima terceira vez,

Peguei-me em mais uma paixão,

Obediente, fingi cegueira e surdez,

E novamente, enterrei meu coração.

 

Isso é só um entusiasmo passageiro,

Eles disseram e repetiram,

As paixões somem, mas voltam o tempo inteiro,

Não posso deixar que de novo me firam.

 

Eles vão me fazer dormir sob o céu,

Arrancarão minhas raízes, flores e ramos,

E eu molho o papel,

Enquanto escrevo “Eu Te Amo”.


Ultraje

O coração bate, bate, bate,

Desde tenra idade.

E ele bate, bate, bate,

Como um ultraje,

Até o dia que eu for pra lápide.

 

Quem nunca passou, não entende,

Minhas mãos abrem e se rendem,

E na corda, meu sacrifício pende,

Eu amo já ouvindo ranger os dentes,

Mas que droga! Eu estou carente!

E continuarei sendo por detrás da lente,

Porque dói sorrir, expor essa fé latente,

É difícil para eles, quebrar o aparente,

O dia em que cair a ficha: somos todos gente,

Eu espero que não seja tarde demais pra fazer diferente,

Não incrimina mais, incrimina quem se fizer oponente

E quem com violência tentar mudar a gente.

 

O coração bate, bate, bate,

Desde tenra idade.

E eu sou um covarde, varde, varde,

(Isso que é um ultraje)

Até o dia que eu for pra lápide.






Chuva lá fora,

Friozinho que aflora,

Cobertor pelo corpo,

Mas você está morto.




Putz

 

Ele não prece ser bom o suficiente

Para andar com esse tipo de gente

Que vai a todas as festas,

Que se escora bêbado pelas arestas,

Que beija sem se apaixonar,

Que beija com o coração em outro lugar.

 

Mas é isso o que ele quer,

Puta que pariu, é isso o que ele quer.

 

Ele tapa seu teatro de horrores

Com uma cortina rasgada.

Uma hora o buraco negro rufa os tambores

E o furo da bala — a brecha é escancarada.

 

O dinheiro compra a comida

Que aquece e abraça por dentro,

Mas não é assim que é para ser aquecida,

A indiferença gritante em seu centro.

 

Ele agora se olha no espelho,

Lembrando do sorvete na geladeira,

Ele não se orgulha do quadro vermelho,

E aí vem a choradeira.

 

Eis o que ele realmente quer,

Puta que pariu, eis o que ele realmente quer.


 

Eu me detenho a paranoias banais e transitórias, sei disso e continuo pensando nelas

 

Certa vez, uma alma pousou no leito da consciência que é a ciência de estar morto,

olhou para os lados, terror, mágoas, vidas para trás deixadas, um inferno,

uma miséria de amor próprio, era um cemitério de espíritos com pena de si mesmos,

uma nuvem de “e se”, alguns tentando fingir, que aquilo era um erro, que não podiam

estar ali, que tudo não passava de um engano.

mas o tempo passava. o que era um dia? o que era um mês? um ano?

lá ninguém sabia. ninguém nada mais sentia além  de arrependimento.

materializavam através de suas frequências vibratórias, caixões, correntes e tormenta,

queriam se livrar, mas quanto mais pena sentiam, mais o medo tremeluzia e ecoava,

quanto tempo, não se sabia. fato era a escuridão da noite, nunca dia,

algumas pessoas choravam, outras revoltadas,

quanto mais sentiam que estavam certos, mais fundo atolavam,

quanto mais se arrependiam do tempo perdido, mais distante de recomeçar,

sabe-se lá há quanto tempo haviam partido.

E a alma consciente olhou ao seu redor.

Quase gorfou ao perceber o fedor,

e tudo o que pode fazer naquele momento foi ter piedade

percebeu que aquele estado era resultado de uma série de infinidades

revividas e revividas e revividas sem nunca parar

uma série de possibilidades na cabeça repetidas, repetidas e repetidas,

que todos tiveram chance, mas nunca vieram a executar.

então lançou todo o amor e compaixão em seu coração por sobre os corpos,

deu-lhes de beber, encheu todos os copos,

alimentou-os, deu-os carinho, abrigo,

e no fundo de seu peito, de repente, bateu uma luz,

fora do espaço-tempo, sentia estar sozinho,

e todos aqueles a quem se apenara, nada mais do que traços incompletos,

suas próprias vidas anteriores não-acabadas, arrependidas, deixadas em a ver pelo caminho.

Não é que eu esteja fugindo de mim mesmo. É que eu temo.

 

Eles me ensinaram que era errado.

Não os culpo. Não os culpo.

Eles aprenderam assim: errado, coitados.

Não os culpo. Não os culpo.

 

Mas eu também aprendi que era errado,

E parece tão errado saber estar enganado,

E isso é tão ruim, não parece ter fim.

Não somos ensinados a lidar com o erro, enfim.

 

Estou de joelhos neste exato momento,

Afastando todas as impurezas com o esquecimento,

Deixar para lá sempre pareceu a melhor solução,

Mas sempre todo dia me retorna a questão.

 

Não se pode fugir daquilo que é fato,

Não se pode fugir do destino,

Não seria muito mais sensato

Desacreditar nas “verdades” que contam sobre o poder divino?

 

Por que eu me culpo tanto?

Por que eu quero ser diferente?

Não há uma nota fora do lugar no meu canto,

Mas o meu psicológico parece inconsistente.

 

Está na minha mão,

Mas mais complicado do que isso,

Está também na minha cabeça.

Solidárias Almas

 

Solidárias Almas,

Por favor, tenham pena de mim!

Eu não mereço essas palmas!

Estou sendo devorado por cupins!

 

Solidários Irmãos,

Por favor, olhem para mim!

Por favor estendam suas mãos,

Ajudem-me com o maldito boletim!

 

Não. Não adianta.

A primeira coisa é pensar que Deus

Nos desertou.

Mas não é verdade, criança.

Os problemas teus,

Você é que abandonou.

 

A força reside em teu peito,

Use-a para arrancar o teu desejo verdadeiro,

O medo até merece o seu respeito,

Mas o pavor e a fuga são um empecilho.

 

Quem disse que as almas não estão sendo solidárias?

Só você pode se ajudar, rapazinho,

Esta é a sua vida. Esta é a sua vida.

Você nunca foi deixado para trás, sozinho.


Ansiedade

Há um buraco no meu peito,

É o medo de não fazer direito,

O receio de não ser capaz,

A pressão para não ser só mais um rapaz.

 

Há um buraco dentro de mim,

São as expectativas que me cortam um rim,

Um impulso que luta a toda hora

Comigo mesmo, entre ficar ou ir embora.

 

Há um buraco me dissecando,

O embate interior não é nada brando,

E parece que andar para lá e para cá,

Até acalma, mas os pés gritam: não dá.

 

Há muita ansiedade em meu âmago,

E isso não se esvai em um relâmpago,

Eu queria poder parar, seria uma boa,

Mas às vezes parece mais fácil ser outra pessoa.


Válvula de Escape

É tequila, é tequila o que ele quer

É descer até o chão todo dia,

É sair com quatrocentas mulher,

E não sair com nenhuma, virge Maria!

É sair pronto para o que der e vier,

É se entupir de fritas, dane-se as calorias,

É abraçar a noite sem nenhum pudor sequer,

É fazer o que nem o diabo faria.

 

É amor, é amor o que ele procura,

E de nunca achá-lo, é o que tem medo,

Dane-se a tal de cura,

Hoje ninguém vai dormir cedo,

Na rotina do tempo, causa ruptura,

E escreve em tinta vermelha o próprio enredo,

Na maldade da inocência, se depura,

E chora sobre as ondas por não ter mais segredo.

 

Ele chegou no topo

E no fundo do poço

No mesmo instante,

E quando olhou para trás,

Sempre teve em mãos, o ás,

E de repente, sonhou importante.

 

Ele corria nú pela estrada na garoa,

E durante esse tempo todo, perdido,

Ele precisava do amor de uma única pessoa,

Aquela que só o enxerga através do vidro.


Acabou a bebida. E agora?

Nunca tive tantos amores,

Tem líquido de todos os sabores,

Não dá para virar a cabeça rápido,

A gente até esquece que está flácido.

 

Ah, como eu amo a bebida,

Com ela some completamente a ferida,

Eu me sinto forte,

Eu sou forte.

 

Como eu nunca percebi isso antes?

Não há nada a minha frente,

Eu poderia erguer com as mãos um elefante,

Eu não preciso ser diferente.

 

Durante esse tempo todo,

Eu tentei ser quem eu não era,

Transformava em rolo promessa de namoro,

Porque eu tinha medo da fera.

 

Mas não há fera nenhuma.

Espere!

Isso é um rugido?

 

Ah, não. Não preenchi mais a lacuna.

A garganta seca e se fere,

Acabou a felicidade. Novamente perdido.








Eu sou o nerd, que dos professores, senta-se pertinho,

E você? Você deve estar cheio de

contatinhos...








Que Inveja!

 

Eu admito!

Eu tenho inveja! Inveja!

E eu projeto essa inveja tentando achar defeitos em todos vocês!

Eu fico me perguntando... Por que essas pessoas que não prestam têm o que eu tanto quero

E não consigo?

E isso me cega. Isso me cega.

É um perigo...

 

Eu digo que não tenho poder para fazer o que quero, levar a vida em frente,

Eu digo que todo mundo tem isso e que é injusto logo eu não poder,

Eu enalteço a mim mesmo, olha só esse diploma, olha só essa inteligência,

E cadê a sabedoria?

 

Eu tenho esse poder que eu tanto procuro.

Está dentro de mim.

Esse tempo todo,

Ele esteve escondido lá,

Estava bem no fundo,

Embrulhado na escuridão do medo e do viver pelos outros,

Eu é que não tinha coragem para desatar os nós.

 

É muito para uma criança aguentar. É muito para um adulto aguentar.

Então eu fugi da responsabilidade e continuo fugindo.

Eu coloquei a culpa em vocês, projetei o meu estado de incapacidade e inferioridade,

Eu menti para mim mesmo, sabia da calúnia, mas me convenci de que estava certo...

Eu talvez não seja a melhor pessoa para dar conselhos, mas...

Uma coisa é certa: Você. É. Capaz. De. Tudo. Aquilo. Que. Você. Crê. Não. Conseguir.


 

Uma vez aqui, responsáveis

 

Chegou a hora de pôr em prática

Tudo aquilo que eu sempre preguei,

Como se fosse a verdade absoluta,

Julgando os outros por não seguirem,

Mas eu também não seguia.

 

Chegou a hora de pôr na mesa

Tudo aquilo que eu escondia debaixo do tapete,

Porque eu sempre fugi,

Eu sempre fui um cagão,

Sempre liguei para o que os outros pensam,

Sempre. Sempre.

 

Eu dizia para mim mesmo que não.

Eu sou um hipócrita.

É difícil não ligar.

Quando tudo o que você pensa e faz

Tem como consequência uma chuva de dedos

E vozes engrossadas e tentativas de te convencer o contrário.

 

Mas eu não aguento mais.

Qual é o meu propósito nesse mundo?

Eu não aguento mais.

Eu devo ter uma atribuição.

 

Eu vim para a vida para fazer o que?

Pelo que eu sou responsável?

Entre

 

Não precisa bater na porta,

Entre. Você é de casa.

Só não entre além do que minha alma comporta,

Diga a verdade, diga. Eu preciso aprender a lidar com a brasa.

Diga a verdade, diga. Eu preciso chorar quando a dor extravasa.

 

Não precisa avisar que você vem,

Entre. Você é amigo.

Preciso que me ajude com meu amém,

Diga a verdade, diga. Diga que eu sou culpado porque não consigo.

Diga a verdade, diga. Diga que eu fujo do perigo.

 

Eu estou vivendo ou só existindo?

Tudo o que eu aprendi enquanto estava crescendo,

Agora parece bobo, discutindo.

 

Dê-me as costas, quero fazer carinho.

Obrigado por estar ao meu lado,

Eu precisava ouvir do outro para poder fazer certinho.

espaço 3

 

Doze horas, aponta o ponteiro,

E minha cama pelada e vazia.

Sem você eu não estou inteiro,

E todas as minhas noites são frias.


 

Eterna Paixão, Eterno Amor.

 

Eu te vejo de um jeito que ninguém mais vê,

Noites e noites perdidas, sonhando acordado,

Eu sabia que cedo ou tarde isso iria acontecer,

Tentei correr, mas o chão estava molhado.

 

Enfim eu compreendo que não dá para mudar,

Eis a minha missão neste mundo caótico,

Eu não pedi por tudo isso, pela vida, me atormentar,

Isso sempre foi tão lógico!

 

Olhei para o céu numa noite limpa,

E de repente não me senti abandonado aqui na Terra,

Sem o conhecimento de viajar pela Via Láctea, tão linda,

Não me senti mais no lugar onde só tem quem erra.

 

Eu também erro.

E o meu erro foi achar que isso poderia ficar para trás,

E é assim que o hiato, encerro,

Eu sempre fiz parte daqui, de todas essas pessoas más.

 

Mas está tudo bem, eu olho para o céu,

E não estou sozinho, seguro tua mão,

Ideias rimadas a lápis no papel,

Mas com tinta permanente no coração.


 

União

 

O que o amor uniu,

Ninguém pode separar.

O que o verdadeiro amor,

Incondicional, além das barreiras da visão,

Além do carnal, além da explicação, uniu,

Ninguém pode separar.

 

Eu não sei qual é a sua cor,

Não sei qual a sua idade, altura,

Não sei qual é o sua preferência de sabor,

Não sei sua origem, sua cultura,

Não sei nem o teu louvor,

Muito menos o motivo pelo qual sua alma luta.

 

Mas eu vou te dar um conselho.

Não faça como eu.

Ame quem você é, olhe-se no espelho,

Você é a perfeição de Deus,

Não tem erro!

 

Tome as rédeas e ame como quem nunca teve chance,

Não há nada mais lindo que o amor,

Seja de qual tipo for,

Ame antes que a vida passe... E você dance.

espaço 4

 

Eu tentei

Não te fazer insumo

de minhas obras literárias,

tentei não te transformar

em versos não-acabados,

tentei não te descrever

por inteiro nos meus

cortes de poemas,

mas o meu coração,

ele é um só,

tanto na vida,

quanto no papel.

desculpa.

desculpa por te trazer à tona,

meu próprio

lado mais sombrio.




EXPECTATIVAS

 

Eu sou do tipo que apanha

Para evitar ficar de mal com alguém,

Porque eu tenho medo de decepcionar as pessoas,

Só que isso não me faz bem.

Eu não vivo, eles me vivem.

 

E toda essa ansiedade e depressão,

Toda essa angústia cativa,

É porque eu começo a prestar atenção

Nas suas bostas de expectativas.

 

Eu sou do tipo que se permite ser morto

E perder, e sangrar, e falecer,

Só para não ter que bater,

Só para evitar um olhar torto.

 

É feio, fui ensinado de que é feio,

E por isso me prendi durante oito anos,

O que em oito dias poderia ter sido feito

E plenamente resolvido, Hermano.

 

E toda essa ansiedade e depressão,

Toda essa angústia nociva,

É porque eu ainda me sinto na obrigação

De atender às suas premissas.


 

Regra número 1

 

Regra número 1

Para viver no meio comum:

Não confie que vá chegar aos oitenta,

Para ficar postergando o que te impacienta,

Ninguém garante

Que você não ande

E seja atropelado

Ou que seja de qualquer outro jeito arrancado

Daqui,

Do material existir.

 

Regra número 1

Para viver no meio comum:

Não confie que você vai fazer amanhã

Se você não teve coragem nem a sã

Consciência de seguir em frente

Por conta de um mal inexistente,

Coisa das vozes em sua cabeça,

Preste atenção, antes que enlouqueça!

Ninguém garante

Que você não vai morrer ali adiante,

E sair daqui com uma sensação de incompleto,

De ter focado só no que alguém te disse que era certo.

 

A linda expressão no rosto de quem tomou um gole de liberdade

 

Se você quiser ser livre,

Se você quiser ser livre,

Sinta-se... Sinta-se livre.

 

Eu nunca gostei dos dogmas pragmáticos,

Parece que tudo já foi 100% definido.

Os beijos podem ser móveis ou podem ser estáticos,

Você escolhe e anota na comanda o pedido.

 

Às vezes, o perigo vem de dentro,

A aula de história sempre foi a mais difícil,

A vibração ruim atrai todo o seu centro,

Parece que estão te colocando contra um precipício.

 

Mas se você quiser viver livre,

Se você quiser ser livre,

Sinta-se... Sinta-se livre.

 

Às vezes o vale não está tão distante,

Abra os olhos e abrace a dança,

Sua ginga vai te conduzir, não obstante,

A luz que resplandece e não se cansa.

 

Se você quiser ser livre,

Se você quiser ser livre,

Sinta-se... Sinta-se livre.

espaço 5

 

Eu não preciso de ninguém

para me dar um beijo

de Boa Noite.

Preciso de alguém

que me traga à vida

pela manhã.

Apagar é muito fácil,

quero ver é acordar

num mundo fome e miséria.




Unicórnios

 

O que seria da vida sem rapazes saltitantes,

Se o olhar incapaz e limitante

Do povo alinhado, alienado,

Não consegue enxergar adiante?

 

As estradas de glitter cantam música pop,

E também as nuvens mágicas de algodão-doce,

É sobre amar e entender a marcha do galope,

Que nem todo mundo é igual, assim fosse.

 

Deus criou os Unicórnios

Para que o mundo aprendesse a amar.

 

Bi, bi, bi! Desponta a buzina,

Porque uma peruca é só uma peruca,

Quem persegue e encanzina,

É porque está ficando mal da cuca.

 

Em terra de guarda-roupas encantado,

A porta é aberta, todo mundo é bem-vindo,

Você não precisa escolher um lado,

Para quem tem amor no peito, é lindo.

 

Porque a beleza é questão de conhecer,

Às vezes a estranheza vem, é normal,

Mas atacar e condenar sem buscar entender...

Ultrapassa os limites de qualquer moral.

 

Deus criou os Unicórnios

Para que o mundo aprendesse a amar.

 

A igreja diz que é pecado o jeito como nascemos,

Mas também é a que condena se não reproduz,

É de nascença e não escolha. Não merecemos!

Quem entende? Quem entende, Jesus?

 

E se for para agredir, se assume!

Se te incomoda tanto que saltas do chão em pulo,

É porque tu brilhas como um vagalume,

Mas não consegues sair do casulo.

 

Deus criou os Unicórnios

Para que o mundo aprendesse a amar...

Não foi?

Malakoi

 

Malakoi... Você finge desconhecer tantos trechos,

Mas logo esse, LOGO ESSE, não passa pelo teu desleixo!

Não leve uma obra poética tão a sério!

Se precisar, leve! Mas não com esses critérios!

 

Onde está a referência?

Vamos, mostre-me suas provas!

Regras da ABNT, clareza, ética e proficiência,

Quero ver quantas coisas escritas tu renovas.

Se argumentar é de tua competência,

Vê! As barbaridades de Levítico incomodam.

 

A ferida da minha vida é a religião.

Eu me sinto abandonado, traído,

Como se eu fosse, esse tempo todo, um vilão.

Eu lhe pareço um bandido?

Eu não mereço consideração?

Esse tempo todo... Perdido?!

 

Tem metafísica, tem filosofia,

Tem soluções e tem psicologia!

A religião é a saída para quem humildemente precisa,

E não há nada de errado nisso! Coisa boa! Valoriza!

Crenças no Maior... Eu abençoo quem as criou,

Amor ágape a todo o povo que uma vez na vida, orou.

 

Mas eu te imploro, de pés juntos,

Tem tanta coisa que já mudou,

Não reviva em pleno século XXI, defuntos,

É bom entender que o mundo diversificou.

 

Jesus ensinou a amar,

Maomé ensinou a amar,

Buda ensinou a amar,

Todo profeta,

Músico, Artista e poeta,

Ensinou a amar.

 

Por que diabos, Deus estaria a condenar?

VOCÊ nunca parou para pensar que talvez Ele não seja

Quem quer que esteja

Se preocupando em apontar?

espaço 6

 

E quanto mais eu penso,

Menos pertenço.




C há 2 Pessoas se amando, que se fo--

 

Calor atípico, eu tomando um chá em Paris,

Repetindo em minha mente que se há,

Duas pessoas se amando... Sendo feliz,

Que se foda a porra toda.

 

Eu queria ter condições emocionais,

Inteligência e toque para com as incompreensões,

Mas acontece que a angústia é demais,

Então eu me comprometo a dar satisfações.

 

Eis aqui meu textão de facebook,

Cola na parede com fita adesiva,

Esse é um conselho do tamanho do Hulk,

Leve para a sua vida.

 

Ame,

Ame,

Ame,

Ame.

 

O meu nome,

Se precisar, chame,

Sabe essa fome?

Esse buraco voraz dentro de ti,

Que parece que vai te engolir?

Então?

Ame.

Onde foi que eles erraram?

 

E se eu te disser que o que você prega

Mata 25 pessoas por hora no país?

Você se recusa a entender e se nega,

Vestiu até a peruca de juiz.

 

Os corpos apedrejados,

Pelos pais, desertados,

Para fora de casa, jogados,

Por vezes espancados,

Brutalmente violentados,

Onde foi que eles erraram?

Onde foi que eles erraram?

O que aconteceu com os povos batizados?

 

Trinta e cinco,

É a expectativa de vida trans no Brasil.

Trinta e cinco...

E todo ano morrem quantos mil?

Onde foi que eles erraram?

Onde foi que eles erraram?

 

O Pai da Computação,

Michelangelo e os sonetos para Tommaso,

A primeira mulher norte-americana a receber um doutorado em medicina,

O Jogo da Imitação,

Apolo e Jacinto e também o Vento Oeste,

Hefestion,

Será que Shakespeare e Da Vinci também sentiam?

E nos tempos da Grécia Antiga, tão comum, Sócrates que o diga...

Wilde, Oscar (1854-1900),

Binghan desviou o voo United 93 do Capitólio e da Casa Branca,

Gad Beck e todos da câmara de gás do triângulo rosa,

Este foi o motivo da briga dos poetas Andrade,

Tenho certeza que Joana d’Arc não estava preocupada com os trajes,

Há quem ainda chore ouvindo Lady Gaga,

Quando na verdade não deveria haver mais choro nenhum,

É uma pena, é uma pena.

Onde foi que eles erraram?

Muita coisa a história tenta apagar,

E muitos inocentes, com a vida, ainda têm que pagar...

Mas eu volto e te pergunto...

 

João e Mário,

Romeu e Romeu,

Por que te incomoda tanto, o armário?

Será que isso é um problema seu?

 

Onde foi que eles erraram?

Onde foi que eles erraram?

Se há algum erro, quem foi que cometeu?

NÃO!

 

Tem coisas na vida

Que devemos dizer

NÃO!

 

Eu digo NÃO

A Você.

 

Você que espalha ódio por aí,

Ódio esse que vem a pessoas, ferir,

Você que se acha o Rei do Mundo,

E espalha por aí seu ideal absurdo.

 

Eu digo NÃO,

NÃO! NÃO!

 

Dois Mil e Dezoito, estou escrevendo isto,

Nestas Eleições, não tem indecisão nem imprevisto,

Eu Voto NÃO para Você

E Nulo pelo bem de tudo o que eu conquisto.


 

Socorro!

 

Socorro! Socorro!

A noite desceu seu véu mágico, profundo, estonteante, infinito,

Eu grito e grito ao léu, rápido, misturando tudo, alarmante, eu findo,

Está passando, está passando,

Eu digo para mim mesmo, mas não paro. Ainda corro.

 

Quando eu acordar, vou estar em uma escola florida,

Com casinhas brancas de cerca cor-de-rosa,

Mas eu desço do teto e lá está a ferida,

O relógio pisca e pulsa. Ir para casa: essa é a hora.

 

Quando os estranhos começam a ter nexo,

E o silêncio já não mais incomoda,

É porque você está ficando perplexo,

Perdeu-se alguma coisa que importa.

 

Socorro! Socorro!

As pessoas veem seu sorriso e nem desconfiam,

Às vezes tão descolado, às vezes tão deslocado,

Esse existencialismo tão impreciso... Eu morro.

 

Socorro! Socorro!

Para alguns, superação é ir para a academia e malhar,

Para mim, é saber que no fim do dia,

Eu vou poder contar para quem eu amo, como é bom amar.

Troca de Figurinhas

 

Vamos trocar figurinhas

E viver como se nada fosse tudo,

Vamos trocar figurinhas

E sentir a dor que traz o mundo.

 

O que são alguns momentos

Capturados no tempo?

Somos todos detentos,

Às vezes nem querendo.

 

Vamos fingir que está tudo bem,

Vamos fazer de conta e ir mais além.

 

A vaga lembrança

Dos tempos de criança

Em que a gente sentia nojo,

Do beijo, do toque,

Vai morrendo, perdendo o enfoque,

Pega um lápis qualquer no estojo

E colore teus momentos a sós,

Não tem nada mais sem sentido

Do que ser traído

E do que eu e vós.

 

Vamos trocar figurinhas

E viver como se nada fosse tudo,

Vamos trocar figurinhas

E perder o pudor para o mundo.

Reprisando em minha mente quantas vezes já olhei para aquela mancha no teto

 

Eu nunca pensei que eu pudesse partir corações,

Afundei na garrafa do poder, mas não poder,

As câmeras e seus flashes, tantos olhos nas ações,

Quem sabe o que pode acontecer? Vai acontecer!

 

Com certeza, Com certeza!

Sinto como se eu tivesse brincado com uma pessoa,

Por Deus, nosso Senhor, ele sabia das incertezas,

Hoje vira a cara numa boa, numa boa...

 

Eu só peço que me perdoe,

O que foi já se foi,

E quando eu olho para cima,

A única coisa que me vem à mente é você.

 

Eu estava tão feliz no início,

Aquilo foi me tirado de um dia para outro,

Só Deus sabe o medo que eu tive do precipício,

Sozinho, a espada empunhei e empalei o encosto.

 

Então as coisas começaram a ficar estranhas,

Eu, pelo menos, era muito mais feliz quando éramos só amigos,

Deus te poupou de não precisar sentir o que sinto em minhas entranhas,

Mas hoje eu vejo que o medo me derrotou e comigo mesmo, todo dia, brigo.

 

Eu só peço que me perdoe,

O que foi já se foi,

E quando eu olho para cima,

A única coisa que me vem à mente é você.

 

Desculpa, desculpa, eu te estraguei,

Eu olho para seus cacos em minhas mãos

E choro de arrependimento pela pedra que atirei,

E do tempo desacordado em tantos chãos.

 

Por quê? Por quê?

Perdi o amigo e também o amante,

Estou reprisando em minha mente quantas vezes já olhei para aquela mancha no teto,

Porque tudo o que eu consigo pensar quando olho para ela, é você.


 

Aprendi assim

 

Quando você aprende que seu corpo é incorreto,

E que o jardim que você regou parece marciano,

Você pode até fingir que não ouviu e ficar quieto,

Mas eu juro que dentro de ti desagua um rio de pranto.

 

É triste saber que você está errado,

Mas é muito pior, saber que você é errado.

Como se todo mundo te rogasse uma praga, desejando o fim,

É você quem começa a desejar... Infelizmente, eu aprendi assim...


 

Não há nada pior que o medo

 

Mil Novecentos e Setenta, Oitenta...

Saindo da escuridão das discotecas,

O globo dependurado, ninguém mais aguenta,

Tanto vampirismo, tanta festa.

 

Mas naquela época já se sabia que a pinga

E qualquer loucura hippie era muito mais fácil

Do que encarar a mandíbula da tigresa cinza,

O medo é só uma latinha de alumínio, amasse-o!

 

A TV já te ensinava como pensar,

Mas as pessoas eram todas tão coloridas,

E o ser humano, ah... O universo há de alcançar!

A Lua foi só a nossa primeira conquista!

 

Obrigado... Yuri, Neil... Muito obrigado!

Vocês estiveram entre nós para nos ensinar,

Que o pavor de qualquer soldado,

Não impediu que o Universo pudesse ser conquistado.

 

Não há fronteira que não se possa cruzar,

Não há lugar onde não se possa chegar,

O bom do ser humano é que ele pode amar,

Abençoado pelos sete mares, ele pode amar.


 

Garotos também traçam vales pelo rosto

 

A esbórnia, ah, a esbórnia,

Noites de álcool e tiros na veia pela Califórnia,

Noites mal dormidas em hotéis

Fedendo a cigarro e coquetéis,

Era um violão debaixo do braço,

E uma cruz debaixo das costas,

Ele fez de tudo para escapar do fardo,

Mas é de tumulto que a mídia gosta.

 

Perseguido e perseguido,

O cantor viveu de luxos que jamais imaginaria

Quando era só mais um moleque perdido...

Mas a fama não era só um teto,

Era a casa toda, ausente de concreto, só vidraçaria.

 

Ele pegou seu violão,

O chapéu cowboy fora de moda,

Deu um tapa na bota,

E concebeu a canção.

 

E ouvindo esta história de tantos anos atrás,

Finalmente eu parei para pensar...

Garotos também traçam vales pelo rosto

Com tanta lágrima, que até sentem o gosto,

E está tudo bem... Está tudo bem.


 

Imediatista

 

Às vezes parece que o meu tempo não vai chegar,

Sendo que a minha reta ainda nem saiu do lugar,

Parece que as chances estão se esgotando,

Sendo que ainda nem começaram.

Em um buraco negro,

A singularidade, nula de espaço e tempo em meu peito,

Se acaba em fogo ou em gelo,

O vazio existencial.

Às vezes parece que o meu tempo não vai chegar,

Mas eu sou o culpado por isso,

Existencialismo. Eu movo o meu próprio universo.

Por que eu deveria estar chorando?

Por que eu deveria estar para baixo,

Repetindo e absorvendo como um mantra em concentração,

De que eu não posso, de que eu não sou capaz?

Por que eu fico construindo o meu próprio cenário

Nessa premissa tão negativa,

Se eu sei que tudo o que tenho que fazer

É erguer a cabeça e seguir no meu próprio tempo?

 

O meu tempo, às vezes, parece que nunca vai chegar,

Mas é porque eu fico olhando para o meu tempo

E olhando para o tempo dos outros.


 

Menino, Levanta daí!

 

Menino, levanta daí!

Recusar-se a viver não vai ajudar,

Você vai continuar

Respirando mesmo depois que o sono vier.

Ah, mas lá o mundo parece melhor,

Você sente o baque quando abre os olhos,

E percebe que está de volta exatamente onde parou,

Neste mundo frio e cruel...

Recusar-se a viver não vai ajudar.

Se o mundo está ruim,

Vai lá e faz ficar bom.

Eu sei, eu sei, é difícil,

Você já pensou em várias maneiras de se machucar,

Porque a dor física é menos pior que a do buraco a te sugar,

Você já até pensou em sair do edifício

Pela janela,

Mas o que ainda não te deixou

Cometer uma loucura foi aquela,

Aquela vontadezinha de ver as coisas melhorarem,

A esperança de que eles vão ouvir o seu grito:

PAREM!

Se o mundo está ruim,

Vai lá e faz ficar bom.

Recusar-se a viver não vai ajudar.

Levanta daí, sai dessa cama,

Ela parece boa, mas te engana,

Conquista teu lugar!

Espaço & Tempo

 

Felicidade em excesso é sinal de queda brusca,

Eu bem sabia, não seria fácil,

Toda escada, na vida, que eu me esquivei de passar,

Vingou-se zangada com o dobro de anos de azar.

 

Todos os pomares e hortas

Foram extinguidos pela seca,

E os rios que antes fluíam pelo corpo,

Agora preenchem os alvéolos pulmonares.

 

Todos os beijos que me despertaram para a realidade

agora são areia na ampulheta do tempo

e eu me engasgo com o gosto de terra.


 

Novo Nome

 

Eu tenho um novo nome,

um que não está na identidade e CPF,

mas está na boca de todos.

Eu não sou feito de papel,

mas a borracha conseguiu me apagar

incrivelmente bem.

Tormentos & Tormentas/Mortandade Divina/Tudo Acaba no Começo

 

Eu me grudo às paredes

como cartazes de procurado

à espera do vento e da chuva

que encharcam e desfiguram o papel

até ficar ilegível.

 

Eu caio lentamente no solo encharcado

Como a última pétala da rosa morta

Eu me sobressaio nas rachaduras do tempo

E nas rugas do rosto de uma avó esquecida

Eu falho nas pontuais dobras cinzas

Do apodrecer da carne e do cair dos dentes

E o sangue desce-me à face dependurada para baixo

Eu vivo, vivo e vivo, e nunca me acho.

Somos um amontoado de átomos num caos quântico

Enquanto a clássica mecânica amontoa os corpos

E eu me desfaço pelo descaso com meu cântico

Somos tão perfeitos, mas diminuímos uns aos outros, a porcos.

 

Cascalho corroendo no triturar do infinito

Sátiros e Sátiras povoando o labirinto

E o poeta deitado sob a chuva de meteoros

Sonhando com a poetisa dos olhos leitosos

Mas as páginas de um mesmo número

São de livros diferentes

As lembranças são como restos pútridos

Povoando as ilhas da mente

Habitando-as com o veneno das serpentes

E caem as lágrimas no chorar do violoncelo

O sol se vai, aparecem as nuvens e matam el cielo

Que dirá o apimentado ranger de dentes amarelos

Quando a música sucumbir nas armadilhas

De quem não corresponde nem se identifica à matilha.


 

O Segredo de La Gioconda

 

Gioconda tinha um segredo.

Um não. Vários.

Gioconda os carregava desde cedo,

Calejava as mãos. Guardava sob os braços.

 

Ninguém sabia.

Ninguém desconfiava.

Gioconda carregou o peso de Maria...

Maria Madalena,

E quanto mais pena, mais pesava.

 

Gioconda tinha um segredo.

Um não. Vários.

Gioconda os carregava com muito medo,

Até o caixão. Fez a si mesma em pedaços.

 

Valeu a pena?

Valeu a pena?

Madalena... Para quem não enxergava,

Maria... Para quem amava,

Oremos. Ave Maria enterrada.


 

espaço 7

 

E dentre todas as coisas que perdi,

A mais importante foi você.

Eu sinto que não dei chance de me permitir,

E foi assim que tudo aconteceu,

Adeus. Me perdoa. Fica com Deus.


 

Pressão

 

Eu quero ficar bêbado.

 

Quero adentrar no campo da escuridão,

Jogar pôquer com a morte, perder e sair rindo,

Eu quero me fundir à multidão...

Quero me perder e sentir que estou lindo.

 

Eu quero esquecer anos de construção psicomotora,

Eu quero rir do que não tem graça

E acordar no outro dia como quem levou uma voadora

E dar risada sem pedir licença, fazer pirraça.

 

Eu quero trocar beijos por uns cinco minutos,

Como quem achou a boca no lixo,

Eu quero esmaecer nos compostos miúdos,

Quero voltar ao estado primitivo.

 

Eu quero a cor que eles têm,

Que chama atenção como ninguém.

 

Eu quero o andar que eles desfilam,

E o copo adulterado que eles mesmo destilam.

 

Eu quero o ritmo da sua noite,

Eu quero o chicote do seu açoite,

Eu quero.

 

Os livros que eu tenho, vou queimar todos,

Ser desse jeito é para poucos,

Eu quero poder andar com eles sem correr e ir bem ora,

Eu quero me matar na ida e na volta, aqui e agora,

Eu quero ficar bêbado, eu quero me jogar fora.


 

Agora adulto

 

Eles dizem

Você está na sua agora,

Compre seu tênis, abasteça seu carro,

Cozinhe o seu almoço de hoje, amanhã e depois,

Monetize seus esforços, termine o seu curso,

Você está na sua,

Mas não é verdade...

Eles nunca param de te deixar à porta da escola,

Nunca.


 

Ridícula taça de vinho

 

O assoalho parece descascar,

Mas só parece,

Quem descasca sou eu,

Eis minha pele decorando o piso.


 

Assédio

 

Você tem uma reputação a zelar,

Você tem uma imagem a preservar,

Eles dizem para não julgar,

Mas são os mesmos que em entrevista de emprego

Obrigam-te a, terno, usar.

 

Eles dizem: Perdoe. Siga em frente. Faça as pazes.

São os primeiros a te decepcionar.

 

Quando as sarjetas húmidas e cheias de fungo

Dançarem ao som do enfraquecer cardíaco,

Talvez seja tarde demais para recuperar.

 

Eu nunca precisei fugir de casa,

Agradeço por tudo o que tenho,

Mas muita gente não tem essa sorte.

 

Eu nunca precisei fugir de casa...

Milhões de pessoas também não precisaram fugir,

É que elas foram levadas à porta

Antes mesmo de optarem por conta própria.

 

É curioso como as famílias se vendem

Umas para as outras...

A ideia de que são perfeitas,

Sendo que todos sabemos

Que nenhuma é, de fato.


 

espaço 8

 

Eu não quero partir corações,

Mas às vezes acontece,

Eu não quero brigar,

Mas às vezes acontece,

Eu não quero morrer,

E é certo que acontece.

Eu não quero ser o errado,

Mas eu assumo a culpa. Acontece.


 

O GRITO

 

Ele dá um grito.

Ele se belisca até doer.

Ele quer ser ouvido,

Mas não se deixa entender.

 

Os tapetes estão cheios de pó,

Tapando mais pó que alguém colocou para baixo,

Os pés estão cheios de rachaduras,

Porque seu dono insiste em ir a pé.

 

As árvores estão cheias de frutos,

É o que vemos,

As árvores estão cheias de agrotóxicos,

Fingimos que não, mas sabemos.

 

Ele dá um grito.

Chega de sofrer.

Ele quer ser ouvido,

Deixa florescer.

 

As pessoas estão cheias de animalismos,

Porcos! Depois que se agarram a merda, não mais soltam,

Se retrocedessem um pouquinho ao animismo,

Talvez as mãos cerradas se abrissem para perder peso.

 

As pessoas brigam o tempo todo,

As vidas estão cheias de ódio ou o ódio está cheio de vidas?

Talvez um dia o tempo se revolte e nos conte a verdade,

Até lá quantas revoluções ao redor do sol serão perdidas?

Não dá para comparar um grão de areia

Com o Saara inteiro.

 

Ele dá um grito.

Chega de sofrer.

O burrismo que ele mesmo havia contraído,

Ele deixa cair para ver o inimigo viver.


 

Sim, Viver é Bom

 

Sim, viver é bom,

Tão bom comer trufas e bombons,

Nadar, ouvir o som do mar,

Pilotar, ser passageiro, voar.

Não tire isso de ninguém...

A sensação de se sentir bem.

 

Sim, viver é bom,

Tão bom estrear um sapato novo na pista,

É rir do que nem sequer era piada

Só para ver os dentes da conquista,

É saber que no fim do dia, a única casa

Que você quer estar,

Está tão dentro quanto o pulsar.

Não tire isso de ninguém...

A sensação de se sentir bem.

 

Eles te dizem coisas ruins, é verdade,

Mas você só as ouve, porque é capaz de escutar!

Os carros batem e se estragam em acidentes,

Mas o seu carro só estraga, porque você tem um!

 

Para que presente de aniversário

Se o que você mais gosta é beijar e abraçar

E conversar e poder tocar e estar junto?

Para que taxar inválido

Um pedido para reconciliar,

Se você e todas as crianças sonham com a paz no mundo?

Para que entrar no guarda-roupa

E fingir ser cabide, nos escuros,

Se você pode ir para rua e ser luz

Sem sequer precisar mentir?

 

Você brilha. A vida é boa.

Você irradia. A vida é boa.

Você inflama. A vida é boa.

Você ama. A vida é ótima.

 

Não tire isso de ninguém...

A sensação de se sentir bem.

 

Você não precisa de drinks e mansões,

Você não precisa de quantidades, no bolso ou de amigos,

Você só precisa seguir com as suas expansões,

Evoluir, e gastar com aqueles que realmente merecem, os domingos.

 

Você não precisa de aplausos e elogios,

Você não precisa de espelho nem de comparações,

Você não precisa perder nem manter o brio,

Você não precisa se apagar por conta de cuzões.

 

Nunca tire isso de ninguém...

A sensação de se sentir bem!

Se estão tirando de você,

Dê as costas, é existir ou viver...

Só depende de você.


 

espaço 9

 

Nem sempre as coisas fluem,

Nem sempre faz sol,

Nem sempre faz calor,

Nem sempre se abrem as flores,

Nem sempre a fome é saciada,

Nem sempre a água mata a sede,

Nem sempre a água banha.

E é isso o que eles não contam

Durante sua iniciação.

Nem sempre o vilão é o outro.




O Nascimento de Vênus

 

Erros, todos nós cometemos.

Falhas, todos nós temos.

Cicatrizes, todos nós fazemos,

Responsabilidades, nos outros ou em nós mesmos.

Abrace a beleza que existe na vida,

Deixe nascer sua Vênus.

 

Os antigos gregos e também os romanos

Achavam que o amor e a beleza

Provinham do erótico e dos corpos mundanos,

Por isso Vênus era o ideal, a realeza.

 

Mas podemos redesenhar o mapa,

Podemos traçar novas rotas,

Dentre todas essas categorias, o normal se escapa,

Classificações, quem vê não se importa.

 

O teu cabelo crespo, não precisa alisar.

O teu gosto por meninos, não precisa mudar.

A tua fragilidade, não precisa fragilizar.

Quem disse que você precisa se calar?

 

Erros, todos nós cometemos.

Falhas, todos nós temos.

Cicatrizes, todos nós fazemos,

Responsabilidades, nos outros ou em nós mesmos.

Os privilégios que existem são tudo, se souber aproveitar,

E aquilo que não é nosso, dane-se! Faça nascer a sua Vênus.

Um Coração Partido

 

O que é aquilo que sangra

E geme logo ali a frente?

O que é aquilo que a tristeza estampa

E se arrasta num apelo carente?

 

É um Coração Partido,

E foi você que o partiu.

Aconteceu, aconteceu...

E agora o que fazer?

 

Como olhar para a própria rugas

Sem sentir vergonha?

Como olhar para as próprias falhas

Sem se sentir falido?

 

A libertação vem do perdão...

Às vezes você não consegue ser perdoado,

Mas sente-se bem novamente

Quando vê que o outro já seguiu em frente.

 

Às vezes você não é a pessoa certa para aquele alguém,

E às vezes você se sente bem, quando o vê com quem o faz bem.

E você se sente feliz por ter dado o lugar

Para alguém que realmente veio a acrescentar.

 

A sua equação não fecha com a matemática de todo mundo,

Talvez o que você precise é parar de se culpar

Por não conseguir fazer dar certo, o que não dava para dar.

Toda Festa

 

Toda festa que ele vai,

Ele se sente fora de lugar,

Como peça que não encaixa e cai,

Como quem decide perambular.

 

Toda festa que ele frequenta,

Ele acaba se sentindo mal,

Porque a música é muito turbulenta

E as pessoas determinam-lhe um final.

 

Ele vê duas versões de cada um

Postadas a sua frente,

Mas não é porque está bebum,

É porque consegue ler a mente.

 

Uns mal intencionados,

Outros nem aí para os desafios,

E ele sofre calado,

Tentando achar um local sombrio.

 

Mas talvez tudo isso seja coisa da cabeça,

Por que ele se preocupa com os outros,

Por que ele se preocupa com cerveja?

A noite também é dele, é de todos.

Rubra

 

Você não se sente como se não houvesse sentido?

As estrelas orbitando umas as outras,

E de repente você está tão sozinho,

A sua maior arma são as papoulas.

 

O medo te molha como o sangue das paredes,

A sua casa acumula itens jamais tocados,

E o buraco não se apaga, mais se acende,

Dizem que o amor cura qualquer machucado.

 

Abdomens, tequila, noites, axilas,

Leite condensado, o sabor da luxúria,

A música fervilha, mas ela só aumenta a fúria.

 

A verdade te persegue ou você corre atrás dela?

As sociais mazelas te preenchem e te fazem genuíno,

Você não se sente como se não houvesse sentido?

O Inferno tem gosto de Whiskey

 

O Inferno, Ah... Ele tem gosto de Whiskey,

Ruim que é uma desgraça, mas sua escolha,

Ele implora para que você fique,

Disfarça-se de zona de conforto, a sua bolha.

 

O medo e o arrependimento,

A dor misturada à vergonha,

A culpa senta-se em todo assento,

Você chora à noite e molha a fronha.

 

O seu inferno está aí para te perseguir,

Ele nasce no seu peito e você o desconhece,

Mas se você não agir e reagir,

Ele vai tomar conta até das suas preces.

 

O seu inferno está aí para te prejudicar,

As suas emoções ruins tragando erva,

Ele é derrotado quando você sai do lugar,

Por isso, ele te paralisa e te enerva.

 

O Inferno, Ah... Ele tem gosto de Whiskey,

Ruim que é uma desgraça, mas você se põe lá,

Você entrou nessa e agora ele quer que você fique,

Frio, e não quente, está em suas mãos sofrer ou afundar.


 

Sem Você

 

Eu não sinto sua falta,

Eu te vejo 24 horas por dia,

Você está nos meus sonhos,

Nos meus pensamentos,

Vai comigo à escola,

Ao trabalho,

Na cozinha, no banheiro,

No sol, na lua,

Em casa, na rua.

E não, eu não sinto sua falta,

Eu não sinto, não,

O que eu sinto é a presença

De um amor que já se foi.

 

Mas tudo bem.

Talvez eu mereça estar acompanhado

Por uma alma penada.

Sair sem dizer adeus foi errado,

E com certeza isso será útil

Para a minha escalada.

Porque a gente aprende com tudo

E mais ainda com o que parece te puxar

Para o fundo.


 

vírgula

 

E sentou-se perto,

como se de repente não tivesse vergonha nem desafeto,

e foi amigo.

e à menção da pergunta, respondeu:

como é morrer?

morrer é leve,

você se sente melhor do que antes.

VÍRGULA — Eu sempre achei

que fosse assim...

Morte Artística

 

Muitas bocas pela minha vida

E pelo meu corpo,

A cruz é acrescida

Eu me sinto morto,

Chuva vermelha pela ferida,

E eu direito, padecendo torto.

 

Muitas bocas, a álcool cheirando,

E drogas e pílulas coloridas

O mundo é fúria, ele não é brando,

Soco na vinda, chute na ida,

Morro pelo preto, morro pelo branco,

Mas a última folha ainda está por ser lida.

 

Eu não queria ter que passar

Por uma (clichê) Morte Artística

Para poder me recuperar,

Mas aqui deito na cama de espinhos da Metafísica,

E entro nos fascínios de Quadros de Sá,

Segurando o compasso da crítica.

 

Pensando em perspectiva,

Floresce a flor murcha,

A mente lê ativa;

Queima na fogueira, a bruxa;

Deixo de estar à deriva,

Acordo para enfrentar a luta.

A NOITE ESTRELADA

 

O céu da noite cintila a via láctea,

A questão que não quer calar é

Quem brilha mais,

Se elas ou se eu.

 

O sol da madrugada refresca as vistas,

A questão que não quer calar é

Quem é capaz,

Se ele ou se eu.

 

Todos os dias eu acordo numa prova chamada vida,

Onde tenho que me superar a cada minuto,

Mas ela não precisa ser vivida

Reclusa, sem gratidão pelos salmos que escuto.

 

Acho que tem algo querendo pular para fora

Do meu peito em pleno luar,

E essa sensação orquestral que aflora,

Farei o que for preciso para salvar...

 

É bom lembrar que os astros não amam,

É bom lembrar que a chance é minha.

A noite estrelada e o dia ensolarado me chamam,

E eu conduzo as palavras que vão a cada linha.

Soam os Pássaros e também as Estrelas

 

Entrando em uma constante,

Uma pétala, amor, eu e tu.

 

E na cálida noite permanente,

 

Empreendem os céus eternamente,

Lá pelas constelações de tom azul,

Eu e você, não há nada mais relevante.


 

espaço 10

 

Não é sua culpa

Se as pessoas criam

E despejam

Expectativas por sobre seus ombros.

 

A culpa é delas,

Por acreditarem em coisas

Que só existem em seu imaginário.


 

Eu me decomponho / Confissão

 

Eu me decomponho,

Minha pele desgruda dos ossos,

Desligo-me do meu corpo dolorosamente célula a célula,

Mas dessa vez não é nenhuma doença terminal que a internet me contou,

As pessoas já sabiam o que era antes que eu precisasse pesquisar.

A diferença é que agora

Sinto prazer na dor.

Sou sádico, aberração?

Acho que não.

 

Eu ando descalço,

Pagando promessa sobre as pedras ásperas

e pontiagudas, nas derrocadas profundas

de te imaginar em várias áreas

Do meu corpo pecador.

 


 

Uma Ova

Chorar, uma ova,

Desperdiçar esse rímel caríssimo...

Valorizar-se... Isso te renova!

Não há nada mais íntimo.

 

Não gaste suas lágrimas

Com quem não te quer feliz,

As mínimas e as máximas,

Guarde para quem condiz.

 

Não pense demais.

O tempo é veloz.

Tem vontade? Vai lá e faz!

O rio corre em direção à foz.

 

As energias negativas...

Desgosto, desprezo, ódio e reprovação,

Quem tem é quem precisa

Passar por recuperação.

 

Já as positivas,

Amor, carinho, afeto e ternura...

Se é você quem as realiza,

Abrace a si mesmo com bravura.

 

Não é você quem precisa mudar,

Coisas grandes levam bastante tempo,

Não culpe a idade, não culpe o lugar,

Quem carrega rancor é quem precisa de outros ventos...

espaço 11

 

Pra que brigar

Pra ver quem tem a razão?

Página virada

Até tem um papel no fim

Da história,

Mas as que ainda estão por vir,

Têm ainda maior importância.


 

Enquanto isso, no fundo do peito...

 

Todos os meus quartos estão bagunçados,

É preciso fazer uma faxina

Antes de convidar alguém

a entrar...

 

Por você eu pegava a vassoura

Agora mesmo.

Sol

 

Saí de casa,

Da zona de conforto,

Com a cabeça cheia,

Brigas e confrontos,

Para o sofrer, uma ceia.

 

Mas foi quando percebi

Que a vida não é só reclamar,

É também dar, se doar,

Sem ter que esperar

Nada em troca.

 

É aceitar o perdão,

Abraçar o irmão

E saber relevar.

É mergulhar na dimensão

Do gosto da gratidão

E valorizar.

 

É amar a natureza,

Não destruir por beleza,

Nem tirar o lugar,

É saber viver com pouco,

E ser grato pelo todo,

Até por poder respirar.

 

É estar com os seus

E perceber a graça de Deus

Que é tê-los.

É dar carinho aos bichos,

E compreender os nichos

Sem precisar vivê-los.

 

É a mão estender,

Deixar o bem florescer,

Aproveitar cada minuto.

A cada topo que tu tiveres alcançado,

Uma montanha mais alta terá se formado,

E isso eu não discuto.

 

Por isso, seja humilde

Com quem não chegou

Porque nunca se chega lá.

Seja modesto,

Tudo o que você passou

Foi necessário para mudar.

 

Olha para o sol

E todo o seu esplendor.

Você também poderá brilhar,

É só viver com amor.


 

Tempo de Vencer

 

O triunfo está bem à sua frente,

Acorde, você só precisa partir as correntes,

Ouça o eco interior enraizado,

Mova-se, você não pode ficar parado.

 

A sobrevivência depende do teu esforço,

Respire fundo para escalar o poço,

É preciso calma, é preciso paciência,

Está dentro de ti, a força e a inteligência.

 

A saída pode não ser tão aparente

Talvez você precise de auxílio, precise de gente,

Não importa qual o seu lado,

Você merece amar e merece ser amado.

 

Calcifique o escudo de osso,

Seja delicado ou seja grosso,

Não se acanhe diante das penitências,

Você é muito mais do que qualquer aparência.


 

A Medida de Tempo

 

A medida de tempo

Não é ano-luz.

Esta é uma medida para a distância

Entre você e o seu pai.

 

A medida de tempo

Na realidade

É a eternidade,

Mas você tem talvez uns 50 anos ou menos

Para resolver isso,

Ou talvez um só dia,

Considerando que alguém pode morrer acidentalmente.

Talvez nem isso.

Vencer

 

Nem sempre é sobre vencer,

Nem sempre é de primeira,

Às vezes você despenca da beira,

Às vezes tropeça, na cegueira,

Às vezes você precisa aprender.

 

Nem sempre é sobre vencer,

Nem sempre é sair em vantagem,

Às vezes seus ossos precisam sentir a friagem,

Para levantar e prosseguir com a viagem,

Às vezes você precisa crescer.


 

Andar de Mão Dada

 

Andar de mão dada na praia,

A brisa escurece a vaia,

Água de coco, cair na gandaia,

Eu ganho pouco,

Mas o swing não falha.

 

Andar de mão dada, andar,

Surfando, mas não pelo mar,

No teu abdômen,

Eu fico com fome,

Você me tira o ar.

 

Eu amo o brilho dos teus olhos,

Eu amo a cor da tua pele,

Longe de mim, todo ódio,

É amor o que me compele,

O sofrimento é ilusório,

Em mim, o calor só cresce.

 

E esse sol tão bonito,

Um céu tão azul,

Eu busco o infinito

Num vazio tão cru,

Mas esse coração esquisito,

Não cansa de somar eu mais tu.

 

E pode até nem durar para sempre,

Talvez termine ainda amanhã,

Mas eu repito: tente, tente,

Siga em frente,

A noite ébria é sã,

E os persistentes, os sonhadores, meu clã.


 

espaço 12

 

Finais Felizes não são presentes

São recompensas por seus esforços.


 

Semente

 

Era uma sementinha

Tão pálida e fraquinha

E ninguém botou fé,

E ninguém botou fé.

 

Passou de mão em mão,

Ninguém deu valor,

Preferiram muda ou botão,

Deixando-a na chuva, a dispor.

Mas ela pôs-se em pé,

Ela pôs-se em pé.

 

Ela se ergueu,

Despertou no âmbito do inverno,

Atravessou o mar e o inferno,

Ela cresceu,

Ficou verde, floresceu,

E tomou altura,

Que só dela e de ninguém mais,

Agora veem sua estatura,

E se remoem olhando para trás.

 

E ela se ergueu,

Despertou na ira do vento,

Afundou no solo lamacento,

E cresceu e cresceu,

Ficou verde, floresceu,

E você que aí me ouve

Também vai virar uma sequoia,

Não vai se encaixar onde nunca coube,

Vai vencer e florir a própria flora.

 

Acorde!

Não vai mais te incomodar a chuva,

Veja bem, a dor cai como uma luva,

Ensina-te novos acordes,

E te impede de temer o lado escuro da lua.

 

Era uma semente,

Mas sempre esteve ciente

Que merecia algum valor.

Não sabia qual era,

Mas sabia que tinha algo a propor,

E que tinha a capacidade de compor,

Muito mais do que erva

Daninha, musgo e hera!

 

E tudo começou

Com uma sementinha

Pálida e fraquinha,

Que o povo até calou,

Mas só até ela cruzar a linha!

Esquece!

 

Hoje é um dia muito especial,

Você passou por um término,

Bateu o carro,

As pessoas tiraram sarro,

Você gastou dinheiro à toa,

Gastou lágrimas com gente que não é boa,

Sofreu a mordida do crocodilo,

E a fofoca das cobras, oh vacilo,

Mas hoje é um dia muito especial,

Porque você chegou em casa,

Abriu as janelas,

Pegou as panelas,

E cantou,

E cantou.

Hoje é um dia muito especial,

Você pegou as decepções, uma de cada

Dia da semana,

Formou uma banda

E cantou,

E brilhou.

Pra que olhar para trás?

Tudo na vida tem um final.

Menos a música. Hoje é um dia muito especial.

E cantou.

Não Chora, Chora

 

Não chora, não chora,

Vai chegar a tua hora,

Talvez não seja agora,

Talvez deva largar e ir embora,

Mas não chora,

Não implora,

Ou melhor... Quer saber? Chora!

Chora até descartar todas as impurezas,

Até restaurar o sorriso da tua beleza,

Até a sua estrutura ficar coesa,

Mude de estratégia, o foco da tua proeza.

 

Um bom banho é o pranto,

Ele pode te esvaziar um tanto,

Depois recompõe teu encanto,

E vai subindo, e vai cantando,

E na secura, vai te ajustando.

 

Até que você percebe que não precisava

Gastar nenhuma de suas lágrimas,

Com quem nunca te deu amor,

Nem nunca te valorizava.

 

O choro é asa,

Chora na rua, não voa dentro de casa,

Ou não chora, segura a raiva e na hora, não extravasa.

Você escolhe. Chora, não chora, gota, brasa.

Deixa isso pra lá

 

Rompa as barreiras,

Rompa as barreiras,

A vida tem muitas ladeiras,

Escolha qual a sua beira,

E desfrute-a inteira,

Sem brincadeira.

 

O melhor da vida é o caminho,

A maioria do tempo é bem ruinzinho,

Mas não adianta sair de fininho,

Nem sempre acaba em vinho.

 

Rompa as fronteiras,

Rompa as fronteiras,

Dê as mãos, faça poeira,

Ame, supere a choradeira,

Você não está sozinha na canseira,

Sem brincadeira.


 

O Equilíbrio

 

Mesmo depois que você se for,

O dia virá primeiro, depois a noite,

O sol ainda vai nascer e se por,

A chuva ainda vai cair,

A vida ainda vai surgir,

Do ovo, da barriga, do peito,

Ainda vai haver quem falte com respeito,

O mundo ainda provará o sabor dos solícitos,

O mundo ainda acolherá as pessoas boas,

As lojas ainda vão abrir,

Algumas irão falir,

Ainda haverá montanhas, vales e lagoas,

Árvores, primatas e insetos,

Embalagens inteiras e restos,

O choro e o sorriso,

O beijo e a arma,

A dor no dente do siso,

A Lei do Retorno e o Karma.

 

E você aí, se remoendo!

Pra que se segurar? Amor não se segura!

Pare de se torturar, não se puna!

Mude de atitude, mude de figura,

Quando partir daqui para outro morar,

Ainda vai dar tudo certo,

O equilíbrio e todo o resto.

espaço 13

 

Ela teve que se rasgar e se desprender,

Cavar a saída, mesmo com pressão por todos os lados,

Ela teve que esperar pela chuva, porque precisava beber,

Ela teve que abruptamente sair do seu teto, porque já não era mais teto, era solo,

Ela teve que enfrentar tantas bocas famintas que tentavam lhe absorver os melhores nutrientes,

Ela teve que subir e subir cada vez mais, tentando achar a luz que os maiores tapavam,

Ela teve que competir por espaço, dando ar puro para os outros, enquanto era sufocada,

Ela teve que se submeter a servir de sombra do homem para que não fosse cortada ao meio,

Mas ela viveu por tanto tempo,

Ela viu toda a família do desgraçado nascer e morrer

E ficou lá, por tantos e tantos anos,

Pleníssima, Verdíssima,

Cheia de cicatrizes, mas cheia de vitórias,

Ela era uma sementinha

Que ninguém botou fé.


 

Um novo dia, amanhã será

 

Faceiro acordei,

Focado num único objetivo,

O meu objetivo.

Levantei,

Os dentes escovei,

E fui trabalhar.

E ao longo do dia,

Fiz o que podia

Pelo meu objetivo,

O meu objetivo.

Até o cair da noite,

Enquanto sol ainda reluzia,

Desacreditarem na importância,

Desconhecendo a relevância.

Em segundos,

Meu plano derretia.

E num suspiro profundo,

Desacordei

 

E na manhã seguinte,

Levantei,

Os dentes escovei,

No espelho me olhei,

Sorri e voltei a sonhar.

Pelo meu objetivo, a batalhar,

Pelo meu objetivo.


 

Marcha Para a Vida

 

Eu vou estar bem ao seu lado,

É o que você deve dizer,

É o que você deve fazer

Eu vou te fazer se sentir amado,

Mesmo quando o mau-tempo prevalecer,

Mesmo quando a vida te ensinar a crescer.

 

Eu vou estar bem ao seu lado,

E trazer-te o amanhecer

Sem precisar estremecer.

E juntos rumo ao topo sem ter desembainhado,

Juntos vamos nos erguer,

Juntos vamos vencer.


 

A Lei da Fraternidade

 

As mãos em carne viva,

As pernas cansadas de correr,

Até você perceber

Que não tem nenhum inimigo,

Apenas alguém em conflito

Nessa chuva, tão perdido

Quanto você.

 

Respire fundo

Antes que se torne

Mais uma vítima do consumo,

Antes que se conforme,

Mais um dia em ser insumo.

 

As mãos em carne viva,

As pernas cansadas de correr,

Mas com a cabeça bem erguida,

Isso é sobreviver,

Isso sim é viver.

espaço 14

 

Era um menino como outro qualquer,

Com seus mitos e ritos, desejos e vergonhas,

Mas isso não o impedia de abraçar

Um LGBT+.




Você não está sozinho!

 

A trilha é cheia de paredes e obstáculos,

A estrada é repleta de imperfeições e buracos,

Mas basta abrir os braços e estender os tentáculos,

Que terás apoio para enfrentar os pontos fracos.

 

Você não está sozinho,

Tem poucos amigos verdadeiros, mas muitos... Nem sabe que tem,

Você tem que dar para receber carinho,

Estenda seus tentáculos para ir além.


 

E quando ninguém mais

 

E quando ninguém mais acreditar,

Abrace as lágrimas,

Aperte-as,

Esmague-as,

Liquefaça-as.

E quando ninguém mais se importar,

Abrace-se,

Vista-se,

Banhe-se,

Ame-se.

E quando ninguém mais perceber,

Eleve-se,

Perdoe,

Perdoe-se,

Declame.


 

Respiração

É tão necessário quanto respirar...

 

Que essa sensação não me abandona;

Uns vão dizer que é mentira,

E rir como se não fosse com eles...

 

Não que eles estejam fazendo por mal,

A vida ensina a perdoar, mas...

O corte também ensina a temer.

 

De agora em diante,

As pessoas não me tocam mais!

 

Porque para viver, é preciso

Respirar o ar,

Aprender a comer, beber, se virar.

 

Você não faz ideia,

Ir e viver de um lado para o outro,

Você não faz ideia...

E viver como escravo, mutilado pouco a pouco,

Rápidas diferenças não me fazem louco.

 

Só que é tão natural quanto

Estar em busca do combate ao vazio,

Mais comida, mais amor para escapar do frio.

 

Ainda bem que é como ar, e eu não mais ouço,

Rápidas diferenças não me fazem louco.

Guernica

 

Você achava que sabia tudo,

Mas o mundo calou a sua boca,

Doce e ingênuo,

Mas o gosto amargo das coisas te apodreceu.

 

Você achava que era fácil a solução

Para a paz mundial e os problemas das nações,

Doce e ingênuo,

Achava que o certo era agradar a todos.

 

Você achava que as pessoas estariam lá por você,

Sempre, sob qualquer circunstância,

Doce e ingênuo,

Mal você sabia que as amizades de hoje vêm com contrato de benefício.

 

Você achava que não arranjaria briga com ninguém

E que sempre saberia distinguir entre o mal e o bem,

Doce e Ingênuo,

Você não sabia de nada, mas que bom que ainda está aí, em algum lugar...


 

O Cântico da Superação

 

Quando o sangue pulsar

E a voz você ouvir,

Você não vai sair do lugar,

Você não vai desistir.

Mesmo que o persiga,

O rugido da fera,

Ou que pelo trovão,

Abra-se a terra,

E que o perigo

Dia e noite persista,

Essa é a vida,

E você não vai romper a esfera.

 

Se espernear-se e atirar-se ao chão

Resolvesse algum problema,

Sofredor venceria no grito,

Mas se você lutar com fogo e paixão,

Curará qualquer edema,

E transformará em realidade, o mito.

 

O amor gera calor,

Combustível do peito e do cérebro,

A ele, não resiste nenhum pavor,

Pelo contrário, padece em féretro.

 

Quando o sangue pulsar

E o algoz de perseguir,

Basta um grito para mudar,

A natureza vai te ouvir,

O prisma universal floresce

E o errante recai, ele erra.

Mas é pelo erro que ele cresce,

E quem cresce, prospera.

 

Não vai mais se abaixar,

Nem se autodepreciar,

O ditador abusivo

Não é exclusivo,

Vale a pena, vale a pena,

Se aceitar e lutar.

 

Coragem! Coragem e força

Mudam a forca,

Trocam a roupa,

Mas não trocam o leão

Que há no teu coração.

Esqueça a ilusão terrena, a ilusão terrena,

E não vai mais precisar de proteção.

 

De esquerda, de direita,

Pele branca ou pele preta,

Pobre, incapaz, analfabeto,

Gay, mulher, burro, rico, esperto,

A Terra é de todos, pô!

 

O Paraíso tá mais longe

Do que perto!

Mas todo mundo é capaz!

Eu creio no ser humano!

E você, seja quem fô,

Sei que você é bem maior

E bem mais do que qualquer

Visto mundano.


 

Nenúfares / Garanto Que Um Bom Sorriso Muda Tudo

 

As janelas estão cheias de aberturas.

Talvez fosse melhor tê-las escancarado antes, durante o dia,

Para deixar a luz natural fazer uma varredura

E tirar o cheiro de mofo no período em que o sol ainda irradia.

Mas agora foi. Acabou.

E foi na hora certa, seu coração assentia.

E no inventário das dores, a que se encerrou,

Foi a que ele mais sentia.

 

O menino achava que não haveria mais nenhum nenúfar

Para que um pintor impressionista pudesse admirar e pintar.

O menino estava quadradamente enganado. Ufa.

Ele aprendeu que não adianta se mudar de lugar,

Se você levar junto consigo a sua luta.

 

O menino brigou consigo e já não era mais menino,

O menino ficou de castigo e o poeta entrou em cena,

As artes pintam o que só existe no interior. Que fino!

O poeta optou pelo amor e encontrou alegria plena.

 

Não se exponha, um conselho de quem ama,

Mas não compreende.

Não tenha vergonha, um conselho de quem clama

Pelo seu amor, primeiramente.


 

 

 

Ele alimentava o ralo

Com água,

Ele tentava pará-lo,

Mas não bastava.

 

Ele ficava bravo

E se criticava,

E quanto mais zangado

Ele ficava...

Mais o sombrio lado

Aumentava.

 

Foi então que ele viu

Que ele mesmo nutriu,

E nunca mais se permitiu

Colocar o sorriso na lixeira,

Nem ficar triste por qualquer besteira,

Se orgulhar, preferiu,

E quem quiser, que viva na cegueira.


 

HOMEM (O Filho Do)

 

O filho do homem entrou em um carro

E não sabia conduzir.

Saiu de lá dando aula de direção.

 

O filho do homem saiu para beber,

Não tinha nenhum tostão no bolso,

Saiu de lá confuso com tantos gostos.

 

O filho do homem começou a ouvir vozes

Não tinha nenhuma instrução,

Saiu de lá cantarolando tra lá lá com os dedos nos ouvidos.

 

O filho do homem sentiu dor de cabeça,

Seus ouvidos não estavam preparados para tamanho som.

Saiu de lá dançando em raves de 3 dias de duração.

 

O filho do homem começou a ler comentários

Não tinha ideia do quão mal podia ser o ser humano,

Saiu de lá simplesmente ignorando.

 

O filho do homem bateu contra a parede

Suas mãos estavam sem luvas,

Saiu de lá com músculos e veias no lugar de rugas.

 

O filho do homem ameaçou a se entregar às mãos vida

E ele não tinha proteção nenhuma, só a inteligência e conhecimento que construiu por força de vontade e motivação própria, pra variar.

Saiu de lá sem nem ao menos entrar.

A Praça do Café da Praça

 

O menino ainda era menino

Quando saiu com outro menino.

Nada aconteceu!, jura ele,

E é aí que mora o fato!

Ele percebeu o quão abençoado

Era o estilo de vida dele.

 

O outro menino, todo perdido,

Não tinha para onde ir,

Dirigia para Porto Alegre, escondido,

E não parava de ir e vir,

Sem nenhum rumo definido,

Ele brigava, mas não queria ferir.

 

O outro menino tinha seus fantasmas,

E uma pá de problemas piores que asma,

A falta de respiração vinha da ansiedade

E da depressão em tão tenra idade.

 

O outro menino foi ao parque,

Mas não queria brincar,

O outro menino já conduzia o próprio embarque,

Mas no volante das emoções, tinha medo em se aceitar.

 

E nos muros e muros que não se viam pelo bairro,

Ele subia e subia até escorregar,

Então ele chorava, ficava sem comer e se trancava no carro

Esperando a mágica chegar.

 

Mas ela nunca chegou

Ela nunca veio,

O menino desabrochou.

Mas já tinha murchado primeiro.

 

Ele não se sentia bem na escola,

Uma peça invasora no quebra-cabeça,

E a dor que rasgava a pele e ninguém dava bola,

Ele pegava uma linha e obrigava a si mesmo — Teça!

 

Ele não ficava em casa mais,

Mas queria proteger a irmã,

Ele já não conseguia ouvir os seus pais

Nem chegava aos cem por cento só com o divã.

 

Ele estava traumatizado,

Não poderia magoar quem o amava

Ele conseguia desfazer-se de todo o passado,

Mas o novo eu resetado em muitas partes, faltava.

 

Como deixar de ser quem você é

Sem perder todas as lembranças?

Como fingir e jogar fora toda sua fé,

E deletar todo o período de infância?

 

O primeiro menino disse:

Você não precisa se matar para criar um novo eu!

Isso é só crendice!

Você precisa mesclar quem você já foi com quem você é! — E deu!

 

Será?

A dúvida ficou no ar...

 

O tempo passou,

Tudo mudou,

Encontros, desencontros,

Novas frases, velhos pontos.

E eles nunca mais se viram,

Mas nenhum dos dois... Eles jamais desistiram.

 

O primeiro menino já escreveu coisas sobre o segundo,

Mas ele acredita que todo esse rancor e raiva profundos

Vêm de um lugar muito escuro.

O primeiro menino já se arrependeu de suas antigas falas,

Aprendeu com o segundo que é muito mais difícil do que pensava,

E nunca mais se esqueceu do quanto aprendeu

Naquele dia. Naquela praça.

 

O primeiro menino virou poeta,

O segundo ainda vaga por aí,

O primeiro menino colocou metas

Para ajudar mais meninos como o segundo e aí

Esse ódio gratuito não vai mais precisar existir.

 

E a praça continua lá,

Intacta, Impacta,

Quadros de mais um Sá.

espaço 15

 

Talvez não haja mais nenhum nenúfar,

Mas isso é por conta da radiação,

Um problema à parte.

Um problema que exigirá permuta

E muita colaboração.

Mas o menino promete fazer sua parte.




Eu Vou Estar Lá!

 

Oh, meu amor!

Aonde quer que você for,

Eu vou estar lá!

 

Oh, meu docinho!

Se precisar de carinho,

Eu vou estar lá!

 

Oh, meu sol latente!

Quando estiver com dor no dente,

Eu vou estar lá!

 

Oh, meu coração!

E quando faltar emoção,

Eu terei mais do que o suficiente

Para te dar!

 

Me abraça, me tira do sério,

Faz eu me zangar só de pirraça, depois me perdoa,

E o meu simplório amor, considere-o,

Peça para eu ficar, você pode,

E depois quando a noite ficar boa,

Durma e acorde tranquilo,

Porque eu vou estar lá!

 

Oh, meu sabor!

Quando se esquecer de dispor,

Eu vou te ajudar!

 

Oh, meu benzinho!

Quando beber vinho,

Eu vou te segurar!

 

Oh, meu sol ardente!

Quando quiser um presente,

Eu vou te beijar!

 

Oh, minha razão!

Se precisar de uma oração,

Até os céus, eu vou te levar!

 

Me abraça, me tira do sério,

Faz eu me zangar só de pirraça, depois me perdoa,

E o meu simplório amor, considere-o,

Peça para eu ficar, você pode,

E depois quando a noite ficar boa,

Durma e acorde tranquilo,

Sem se preocupar com aquilo

Que fez a outra pessoa,

Porque eu vou estar lá!


 

Rápida Volta ao Redor do Mundo

 

Perdoe! Perdoe estas pessoas

Que se importam com quem você está

Trocando beijos.

Perdoe! Perdoe estas pessoas

Que se desmontam à simples menção

De natural desejo.

Elas não têm com o que se preocupar,

Porque vivem de costas para um mundo

Onde aproximadamente 870 milhões

Não vivem — acordam mais um dia — Subnutrição,

Sendo que 13 milhões destes peões

São só deste solo que você cospe no chão.

E aí, mermão?

Elas não têm com o que se preocupar,

Porque vivem de costas para um mundo

Onde as estradas estão lotadas

De saias curtinhas e rodadas,

Onde as drogas entram na vida das pessoas

Ainda durante a adolescência,

Menos da idade boa,

Buscando prazeres para matar a carência.

Crianças essas que nunca viram seus pais,

Crianças essas que nunca tiveram chance

De olhar para as letras e numerais

E entender a grande

Dádiva que é a leitura,

E a cultura,

Analfabetismo funcional,

Se você ainda acha que toda religião é racional,

Veja tantas mortes em plano global!

Pessoas subindo antes da hora,

E eles discutindo com quem você deflora,

Talvez fosse melhor ir embora,

Mas como deixar para trás tanta fome de guerra

E destruição que mata e não enterra,

Como deixar para trás tudo o que foi construído

Sob as costas do povo escravizado e destituído?

Como abandonar tudo o que as autoridades,

Políticos que deveriam salvar a humanidade,

Têm feito, eu estou falando da lavagem!

Como não relevar quando um presidente

E um rebelde no poder de tanta gente

Discutem nas redes sociais

Quanto ao poder de seus mísseis nucleares,

Meu Deus! Como é que faz

Para não dar atenção a todos estes lugares

Que estão servindo de bares

Para o vício de ter mais e mais?

O homem dos negócios

Vive entupido de ópio,

Morreu mais um rapaz

Lá na rua de trás,

Eles servem a morte nas nossas mesas

O gosto parece bom

Até entendermos que essas riquezas

Não são abundâncias da natureza,

São seres como nós, só que em outro tom.

E a verdade por detrás das grandes empresas

Que prendem as pessoas por detrás das mesas

Por horas e horas a fio

Para receberem um salariozinho vazio...

E é muita luta para esbanjar o currículo,

Você precisa provar para todos,

Como se uma frase a mais, um textinho ínfimo

Fosse capaz de te definir como um todo.

E isso ainda é pouco!

Você estuda, estuda, estuda,

Três ensinos: fundamental, médio, superior.

Depois vem a pós matuta,

Mestrado, Doutor e pós-doutor.

E você vai escalando e escalando

Até perceber que mesmo ralando e suando,

O seu trabalho não é apreciado.

Muito obrigado.

Eu estudei para a sua vida, ter salvado!

E a máfia por detrás das farmácias!?

Por que é tão difícil curar o câncer?

HIV, AIDS, Ebola aniquila tudo onde se enrola,

Até você perceber que nada rima com câncer.

As prisões estão entupidas,

Não há mais onde colocar tanta gente!

E as escolas sofrem pela má gestão, falidas,

Deveria ser diferente!

E de repente a pauta do momento é sobre o porte de armas,

Porque as pessoas temem serem arrancadas de suas casas

E de repente a atenção está toda voltada

Para a divisão das opiniões, que deixa a população desorientada

Para o governo poder controlar,

E rédeas no povo, colocar.

Olha o preço da gasolina!

O carro que você comprou, e não achou ali na esquina,

Ele NUNCA é seu!

A casa que você suou e continua financiando,

Dia e noite essa rotina,

Ela NUNCA é sua!

Toma essa verdade na cara!

Vê se acorda, cara!

Você deve se orgulhar de enxergar

Além das muralhas da opinião geral,

Porque eles nunca saem do lugar,

Só pensam no que é deles e em futebol,

Perdoe! Perdoe estas pessoas

Que não sabem das coisas boas!

Elas estão acreditando em placebo,

Eles chegam até a acordar cedo

Só para conseguir fórmulas e poções mágicas,

Superstições — Que lástima!

Gato preto, escadas, trevos e sorte,

Carregam consigo até a morte,

E por isso acreditam em tudo o que há de místico,

Desmerecem o trabalho de mapear, de um astrofísico,

Acreditam que a cor da pele revela caráter,

Acreditam que mulher deve cozinhar, faz parte!

Acreditam que homem não pode amar nem achar bonito outro homem,

Acreditam que o importante é usar terno e gravata

E fingir para os outros uma imagem que não é sua!

Acreditam que o que conta é o dinheiro,

Acreditam que a resposta para tudo vem da antiga escrita,

Acreditam que estarão mais seguros

Criando teorias da conspiração,

Para revelar o que há por trás de quem teve sucesso,

Algo que eles falharam terrivelmente em conquistar,

Porque não mereceram!

Acreditam que tudo o que vem da imaginação

Pode ser real.

Acreditam que família vem de caracteres externos,

Acreditam e vão dormir morrendo de medo do inferno,

E por um segundo, só uma fração

De toda população

Parece ser capaz de abraçar o inimigo

E fazer as pazes com o pessoal

Que feriu e estilhaçou seus sentimentos.

E isso é difícil, mas fiquem atentos!

A salvação não é ter mais e mais detentos,

O crime só aumenta e piora,

Porque dentro das cadeias, a facção elabora

Esquemas com quem tá do lado de fora!

Procurem se informar!

E toda essa poluição que contamina nosso ar, rios e lagoas,

Os pedófilos e as fake News nunca irão parar!

Perdoe! Perdoe estas pessoas,

Que vivem de costas para a realidade,

Porque elas não têm com o que se preocupar.

Perdoe! Perdoe estas pessoas,

Que vivem, mas só pela metade,

Porque no fundo elas só querem ter um lugar.


 

Apesar de Tudo, Ainda Vale a Pena

 

Toda dor não é nada

Perto de ver os primeiros passos do filho,

A raiva se acaba

Diante da esperança e do brilho,

Nos olhos, no sim da amada,

Os pés nas ondas, volta a ser menino.

 

Pela manhã, o som dos canários,

O verde e o amarelo pintam os cenários,

E no frio do inverno,

É ter por perto

Alguém com quem dividir,

Beijar, abraçar, se permitir.

 

Apesar dos tombos e deslizes,

Não há quem não se realize

Em comer uma boa comida,

Em dançar a música preferida,

Cantar com o shampoo no chuveiro,

Pensar no amor o dia inteiro,

Correr sem nada pela chuva

Respirar atmosfera pura

E abrir os braços e também as mãos,

Lavar as falhas da memória

E deixar para trás e rir e virar história.

 

Apesar das vergonhas e dos medos,

Ter o conhecimento na ponta dos dedos,

Apesar dos olhares tortos e desavenças,

Acreditar e ir evoluindo o modo como se pensa.

 

Apesar das perguntas sem resposta que nos perseguem ao caixão,

Fazer o que a gente gosta agora, porque não temos um tempão.

E apesar de sempre corrermos contra o ponteiro,

Saber que ninguém nos impedirá de sermos certeiros.

Apesar de nos fecharmos por vezes,

Voltar e fazer tudo de novo, por mim, por ti, por eles.

 

O amor não tem custo,

E mesmo que tenha, ainda assim parece justo,

Porque é o maior presente que se pode dar

No menor pacote que se pode receber,

E se queres mesmo alguma coisa aprender

É valor tudo o que você precisa dar.

 

Apesar de tudo,

De tanta desgraça acontecendo no mundo,

Ainda vale a pena,

O mundo nos é ofertado de graça

E nos quadros da vida, nós é que pintamos a cena.

Apesar de tudo,

Ainda vale a pena.


 

espaço 16

 

Não há motivo

Para não chover risos e sorrisos,

Assim como não precisa de motivo

Para simplesmente extrair risos

E abrir sorrisos.

Viva o infinito.

Ame, perdoe, seja rico!

 


 

Praia de Torres

 

Quem é que imagina

Que o mundo

Surdo e mudo

É só trabalho e propina

Não consegue ver

Nem sai de casa, sem viver

Logo além da esquina.

 

E correr,

Sem ter lugar nenhum para ir

Reviver

Tudo na imaginação e ainda sorrir.

 

E perder todas as estribeiras,

Codificando muralhas e telhas,

É perder a noção sem jamais tê-la

Do início ao fim.

 

Juntar todas as brincadeiras,

Jogar bola, no mar, na areia,

Eu quero tecer minha teia,

Deixar tudo de ruim.

 

Meu Deus, me perdoa

Por não crer na Terra,

É fato, toda pessoa

Ruim ou boa, erra,

E parte pensando no dindim.

 

Mas o céu tão azul e estrelado

Infinito, pra sempre expandindo

Me abraça e me pega sorrindo

E num susto desesperado,

A peste acaba fugindo.

 

Purifica até o menos matreiro,

Escoa em cores e não em dinheiro

E onde quer que tu fores,

O dia branda espada, faceiro,

Sol entrando e a luz, invadindo.

 

E assim termino este poema

Com a graça e a força suprema

De levantar e me pegar

Mais um dia colorindo.

Amor Por Toda Parte / Não tem o que esconder: Eu Amo Te Amar!

 

E assim é tua cor,

Teu brilho tão intenso,

A ser feliz, estou propenso,

Para sempre a seu dispor.

 

E no fim, a tua cor

Me faz secar o lenço,

Ombros outrora tensos,

Descansam no teu sabor.

 

Oh, pinta-me o céu,

Floresce e alimenta minhas matas,

Negatividade ao léu.

 

Dá novo gostos às águas,

E sorrir rouba as forças do escarcéu,

Rodeia-me de cascatas.

 

O meu vermelho é o teu cabelo, oh!

O meu laranja é o teu fogo, eu vou,

E o meu amarelo, o teu valô.

 

O meu verde é a tua floresta,

O azul é o teu céu, tudo o que resta,

E o violeta, a tua janela.

 

O meu vermelho é o teu cabelo, oh!

O meu laranja é o teu fogo, eu vou,

E o meu amarelo, o teu valô.

 

Mostre-me todo o seu espectro,

Deixa a luz penetrar,

E todo o meu gesto de afeto,

É porque eu amo te amar.

 

E o meu verde é a tua floresta,

O meu azul é tudo o que te refresca,

E o violeta somos nós nessa festa.


 

Respire

 

Eis que te envolve um abraço,

Mas não é um abraço de amor,

Esmaga-te e quebra-te

Em mil pedaços.

E quanto mais desfragmenta,

Mais difícil fica o escape,

Mas num time-lapse,

Eis que te envolve uma luz,

Que brilha de dentro para fora,

Reúne as peças e age como cola.

É você,

Que nunca deixou de acreditar

No teu sonho maior.

Escuta Dó-Ré-Mi-Dó

E geme em teu peito resistência.

Foge não,

Foge é da falência,

Tu tens muito mais a oferecer

Do que o mundo tem

A te tirar.


 

A Gente

 

Ele me disse "eu te amo"

E o que eu poderia fazer?

Brotou dentro de mim um ramo,

Também tenho a oferecer.

 

Que culpa tenho eu

Se ao olho fracote,

O presente que a vida me deu

Não veio no melhor pacote?

 

Ele me disse, "eu te quero"

E eu disse também,

Ele me disse, "Eu te espero",

E eu disse tudo bem.

 

Porque ninguém tem de gostar do que é nosso

Senão a gente,

O que menos me prende

É o desamo-o-o-or

Ninguém tem que aprovar o que é nosso

Se não entende

Que não se vende

(E nem se rende)

O peito, a própria dor.

 

Os cães de caça espreitam na escuridão

Vigia, fareja, a matilha,

Devo prender a respiração?

Ah, mas eu não estou dois passos à frente,

NÃO!

Eu estou duzentos,

Aqui ninguém se rende,

Mesmo que esteja doendo,

Mermão.

E eu digo mais,

Que tipo de homem é capaz

De ordenar a execução

Sem na mente ser detento

Daquilo que se aprende

Na velha construção?

A fuga, tá na hora,

A velha enruga, a nova aflora,

De noite a criança sempre chora,

Mas enquanto ela ora,

Bochecha sempre cora,

Porque no fim, ora,

De joelhos ela não pede nem implora,

Não fede nem explora,

Ela ama e é agora.

 

Porque ninguém tem de gostar do que é nosso

Senão a gente,

O que menos me prende

É o desamo-o-o-or

Ninguém tem que aprovar o que é nosso

Se não entende

Que não se vende

(E nem se rende)

O peito, a própria dor.

espaço 17

 

Eu me arrasto para fora da cama

Todos os dias,

Mas de repente eu tiro forças

De onde eu não tinha,

E a fonte é muito simples,

É você...


 

Memória, A Persistência da

 

Não há problema

Senão o problema

Do hétero-dilema.

 

As dunas se movem de lugar,

O vento sopra as asas da mudança,

Mas areia movediça, a afundar,

E eu sei que isso é birra de criança.

 

Olhai estes dentes alinhadinhos,

Andei pela estrada do teu abdômen

E me perdi pelo caminho.

 

Olhai para este corpo e também a gentileza,

Deixa-me em paz, homem!

Não inspira a minha leveza.

 

Não há problema

Senão o problema

Do esquecer por cinco minutos,

E você se desdobra, como papel imundo.

 

As cores saturam na presença do visível,

O êxtase sem droga, incrível,

Chega uma hora, e você se acha burro.

 

Mas e o açúcar da Memória?

Mantê-lo aberto ou fora do alcance das formigas?

E o rio dos prazeres em toda sua Glória?

Tapá-lo, poluí-lo ou manter as águas limpas?

Insuficiência de Autoestima

 

Ele não foi feito

Para esse tipo de coisa,

Onde ele começa a botar defeito

Nas próprias perucas loiras.

 

Ele não foi feito

Para se entristecer

Ele é perfeito,

Aconteça o que acontecer.

 

Ele não precisa de um prefeito,

Ele precisa é desencanar.

Não tem jeito,

Ele prefere outro local frequentar.


 

Más Palavras

 

Puna-me com más palavras,

Se a ferro me lavras,

Reajo positivamente,

Porque amor me transborda a mente.

 

Destrua-me com maus verbetes,

Taque-me o porrete,

E eu continuarei são e vivo,

O passado vai para o arquivo.

 

Passe-me dez mil pragas,

Prisão, presilha e travas,

E eu continuarei carente,

Mas o ódio some, seguramente.

 

Me anular, o cacete!

Não sou mais um cadete

Do teu exército repulsivo,

Eu tenho personalidade de divo.


 

espaço 18

 

Não é porque você desistiu

de sonhar

Que eu também

vá.

Não é porque você se permitiu

apagar

Que as flores de outrem

devam murchar.


 

Meu Sad Boy

 

Ele veste jeans e calça All Star,

É o que percebo ao observar

O lindo espectro visível

Desse menino incrível.

 

Mas isso me leva a crer

Que por dentro seja sombrio,

Simpático, mas é só o parecer,

Talvez esteja com frio.

 

E eu posso, eu posso ajudar,

Posso transformá-lo em primeiro lugar,

Para que nunca mais precise correr atrás

Nem da alegria nem da paz.

 

Eu posso fazê-lo meu,

Estiar toda névoa e breu

Que por ventura o cubra,

Minha paixão por ele é rubra.


 

Encantado

 

Tudo estava a dar certo,

As plantas dançavam a música da floresta,

E de repente os lobisomens, vampiros, morcegos,

Monstros, Pé-Grandes, Yetis e o que mais aparecesse por lá,

Não chegavam aos pés da missão de resgate ao príncipe.

Tudo estava a dar certo,

Ele estava vivo, mas morto, em um caixão de vidro,

Os anões eram sete... E sete eram suas emoções,

Mas quando a maçã envenenada parecia ter dado a mordida,

Lá veio ele, no seu cavalo preto,

Inteligente, covarde, todo errado, anti-herói, humano e com falhas,

Em um conto de bruxas (onde nem elas e nem as fadas são caçadas),

Tudo estava a dar certo...

O destino foi selado pelo beijo do amor verdadeiro

E ele estava encantado por ter encontrado outro ele.


 

Segura Minha Mão e Voa

 

Os pés dançam sozinhos,

Soltando faíscas e estrelinhas,

E foi num tombo redondinho,

Reescrevi todas as linhas.

Foi bonitinho,

Lembranças minhas.

 

Peguei-o pelo braço

E corri, e corri.

Ele até ficou bravo,

Mas a emoção que eu vi

Descreveu o meu dia,

Mês, ano e o que mais podia.

 

Me atirei do precipício

Mistura de amor com vício

E tudo ficou lá embaixo,

Ele gritou de medo, eu acho,

Mas eu flutuava no ar,

Eu havia descoberto que podia voar.

 

Voa, voa,

Vamos para um paraíso,

Numa floresta, numa lagoa,

O que você acha disso?

Que coisa boa!

 

Meu amor, pedacinho de ouro,

Vale pelo todo,

Te ver sorrir

E admitir

Que foi o voo mais louco

Da sua vida,

E a tristeza, agora esquecida,

Morre no calor do teu abraço,

Segura com toda força dos braços

Eu vou te levar daqui

Junto a mim.

 

Me beija, me capricha,

Me tem por virtude,

Pode ainda não ter caído a ficha,

Mas me envolve com toda plenitude,

Saber que em uma latitude e longitude,

Vou aos céus sem morrer,

Ao paraíso com você.


 

Meu Calmante

 

Nós somos raio de luz,

E por inteiro me seduz,

O cheiro da tua pele,

A marca da tua camisa,

A tua vibe, a tua brisa,

E a lição mais importante

Que aprendi e repito a todo instante,

O brilho da tua segurança

Eletriza a minha dança,

Abaixam-se as espadas,

Eu fico tão feliz contigo

Que é como se qualquer obstáculo

Não fosse nada,

Nada perto do que me despertas,

No fundo do peito,

Na maçã do rosto,

Na boca do estômago,

Me ame, Me deixa te amar,

Me leva para Vênus,

Me leva para ver o mar

Sem sequer sair do lugar.

Me ama, eu e você mais uma cama,

Beijos na testa,

Dormir de conchinha,

Me esqueço do que não presta,

A sua mão dorme sobre a minha,

E eu aqui me perguntando

Por onde você estava todo esse tempo,

Enquanto estamos nos amando,

Me liberta das correntes do medo,

E eu deixo de ser detento.

ONI (presente, ciente, potente)

 

Onde começa o universo?

Digo, será que teve mesmo um começo? Ou todos os fins colidem com as gêneses do todo?

Onde começa o tempo?

Um dia são as vinte e quatros horas que a Terra leva para girar em torno de si,

Um ano são os trezentos e sessenta e cinco dias (e uns quebrados) que a Terra leva para girar em torno do sol,

Mas essa medida só vale aqui,

Em um pontinho diminuto,

Microscópico,

Talvez nanoscópico

Ou qualquer coisa insignificantoscópica,

Que a gente chama de lar.

Tempo não existe para o Universo.

E espaço, então?

Nem se fala. Tem espaço por tudo quanto é lugar, e quando parece que vai chegar na borda, ainda tem mais.

O universo deveria se chamar Oni (presente, ciente e potente)

E nós deveríamos ter altares e mais altares para agraciá-lo por completo,

Porque se tem uma coisa que nos deu a dádiva da vida, que nos deu o livre arbítrio, que nos dá (todos os dias) as mais infinitas bênçãos e o melhor de tudo, a possibilidade de amar e ser amado...

Ah, esse alguém é o Universo.

Se tem alguém que está de olho todo dia em tudo o que fazemos,

Se tem alguém que está em todos os lugares e em nenhum ao mesmo tempo,

Se tem alguém que está nos prometendo o céu (literalmente),

Ah, esse alguém é o Universo,

Dentro e fora, não existe. Nem dentro nem fora.

Não é de fato uma loucura como nós, criaturas vivas, com genoma (um código inteligente), capazes de nos locomover, de falar, de elaborar plantas e prédios, de conviver (nem todos) em sociedade... Estamos aqui?

Aqui no meio do... Nada?!

Não tem como nos localizarmos dentro do Universo.

Em que continente? Em que país? Em que estado? Em que cidade? Em que porção do absurdo?

Não existe cartografia se não há formato.

Deus! Qualquer problema que você encontra pelo caminho é tão pequeno

E tão desprezível que não merece a sua atenção.

Que não faz sentido você passar a vida toda olhando para baixo.

Olhe para cima.            

Olhe para seus satélites,

Olhe para suas estrelas,

Olhe para suas galáxias...

Não é de fato uma loucura como nem a luz consegue atravessar todo o corpo do infinito?

Claro! A luz é onda, a luz é partícula. E a luz é filha! E foi concebida na manjedoura do caos.

Deus olha para você todas as noites,

E você o enxerga.

Não consegue o tocar, mas está dentro Dele. Tudo está dentro Dele.

Diabos, o que você é comparado a tudo isso?

Nem mesmo a menor partícula de um átomo (que nem sequer sabemos qual é) é uma escala de comparação perfeita entre você e o tamanho do Universo.

E você está aqui,

E você tem chances,

Tem oportunidades,

Tem inteligência,

Se não tem conhecimento, tem a capacidade de adquirir,

Por que você não é feliz?

Por que a Terra, tão diminuta e com tantas ideias voltadas para ela mesma,

Te faz ficar tão triste?

Por que você passa a vida toda olhando para baixo?

Olhe para cima!

E se você se sentir nulo diante da perfeição e da imensidão de tudo,

Faça o seguinte: Ame.

Ame e deixe nas pessoas que você escolheu e também nas que deixou a vida escolher por você, um trechinho da sua história,

E mesmo que você se vá, terá experienciado o infinito,

Porque quem Ama de verdade,

Compartilha um pouco de si de tamanho imensurável

E Ama por todo o Sempre.


 

ponto.

 

Aquele que segue as emoções,

                                   morre de medo.

Aquele que segue a razão,

                                         morre cedo.

Mas aquele que segue os dois,

O cérebro e o coração,

                                   Só morre de velho.

                                                   PONTO.


 


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