ResgateOkay,Vou aceitarO seu convitePara namorar,Mas que aquiFique bem claro!Se não funcionar,Vou pedir um ResgateDe todo amorQue te dei,De toda confiança,Que depositei,De todo sangueQue sacrifiquei.Que fique bem claro!
Aprender a Superar
1 - Exumação
Oh, por essa ninguém esperava,
Sabe o peso da sua vida, aquela trava?
Pois é, esse peso voltou
Para vingar o que ainda não vingou.
Sabe quem é que está volta?
Quietinho, sem revolta!
Sou eu mesma, euzinha,
Essa danada, essa rainha!
O coveiro fez minha exumação,
E deixa eu me lembrar,
Quem segurava a pá,
Oh, era ninguém menos do que eu.
O coveiro abriu meu caixão
E me fez reaprender a respirar,
E se você não se importar
Em saber quem o fez, fui eu.
Mas eu não voltei boazinha,
Eu voltei ranzinza.
Deixei para trás toda a minha
Inocência, agora cinzas.
E fechei de volta na cova
Aquela idiota que você podia usar
E livremente manipular.
Eu sou uma pessoa nova.
A serpente do teu último suspiro,
A moda do suspense policial,
Eu estava lá naquele circo.
Eu estava lá e passei mal.
Alguém me sepultou
Sem nenhum remorso aparente,
Mas esqueceu das chaves do lado de
dentro.
Alguém no ouvido sussurrou
Mas esqueceu de que eu estou em toda
mente,
Eu sou o seu centro.
2 - Karma
O pior karma para os destruidores
De lar
É provar em amargos sabores
De suas vítimas, o levantar.
A melhor vingança
Não tem preço, não tem fiança,
Não tem hora, não tem cobrança,
Vem de dentro e gera desconfiança.
É, até já estou acostumado,
Sem qualquer rebate ou nocividade,
A usar e abusar dela.
Toda vez que sou desprezado,
Exponho ao mundo minhas qualidades
E em silêncio, espero o bater de canelas.
O melhor reerguer
Dá-se sem o mal prover,
É quando você se levanta
Mas no alvo nada planta.
É quando você se reconstrói
E vê que o seu brilho por si só destrói,
Porque ignorar te faz melhor,
E isso por dentro o corrói.
3 - Vingança
Nos últimos dias
Só o que me vem à cabeça é vingança,
Há pouco parecia
Que o que eu queria era mente-abertança!
O que aconteceu que eu não previa?
O que aconteceu com minha criança?
Temo com pavor esta vadia
Que assumiu o lugar da esperança.
Pra onde escoou toda a empatia?
Para onde se foi minha bonança?
Há pouco eu dizia:
Para o crime do desamor não há fiança.
Que angústia é essa que me hipocrisia?
Quando foi que comecei a matança?
De cristal, estilhaçam-me à entropia,
Sou falando ou é a cobrança?
Quebraram minha vidraçaria,
O peso me levou à desconfiança,
Dói saber que me trouxeram lisergia
Dói saber que dei lugar à lança.
Mas se tanto me dói a artilharia,
Por que continuo com essa privança?
Se tanto prezo pela primazia,
Por que continuo sendo tão criança?
Não! Dane-se a teimosia!
Quero de volta minha libertança,
Traga-me de volta a harmonia!
Não vale a pena dançar essa dança!
Se eu sei que o ódio me retalia,
Só um beijinho para a vingança,
Pois contra o instinto que ludibria,
Marcho na luta com confiança.
4 - Aprender a Superar
No fim, todo esse rancor
Que meu coração insiste em transpor
Na forma de versos mal acabados
Não podem ser fruto de teu fazer.
Se estou com frio e machucado,
É porque tenho de aprender.
E o ódio, guardado esse tempo todo
E agora explodindo como vulcão,
As mágoas atolando-me em lodo,
Por todos os lados, cinzas e
destruição...
Quem está me prejudicando sou eu mesmo,
Porque todos esses sentimentos,
Por mais que consequência de teus
desalentos,
Sou eu quem estou gerando, é mesmo!
É em meu peito que os estou depositando
E pouco a pouco alimentando.
Não posso pensar em me vingar,
Seja atacando, seja na cara jogando,
Tenho que pensar é em me melhorar,
Ver o ódio de mim murchando.
Não posso pensar em te punir,
É natural a vida nos trazer desencontros,
Não posso pensar no nosso ruir,
Pra deixar tudo para trás, estou
pronto.
Acho que todo mundo pensa
Que sabe superar,
Mas a maioria está propensa
Ao desafeto acumular.
Eu já penso diferente,
Porque eu aprendi a superar
Com um tipo alternativo de gente,
Dessas que nos faz pensar.
Já não penso mais em apunhalar-te
Pelas costas,
Já não penso mais em usar a arte
Para te jogar respostas,
Penso em melhorar o mundo.
Talvez eu não fique
De uma hora para outra mudo,
Mas eu quero que por muito se estique
A sensação de paz que é saber
Purificar com amor o teu ser.
O Processo de Superação
Se não há certeza
Sobre ter superado
Ou não,
Aqui vai a dica
De um velho ermitão.
Suave, deixai o tempo fluir,
De grave, nenhuma voz a sair,
Relaxa,
O tempo despacha,
E o bem volta a florir.
Você só saberá
Quando um dia
As seis da madruga
Sair rodopiando rua afora
A caminho do trabalho.
Na janela do ônibus
Podre de sujeira
Cantará mas não chorará
Ao ouvir A Rezadeira
E quando enfim desembarcar,
E no escritório chegar,
Irá sem problemas suportar,
Sem sequer se importar,
O “Bom dia” dos colegas
De outros setores
Com os quais você nunca conversou.
E jamais teve
Qualquer intimidade.
Estará frio de cair neve,
Mas você se sentará com felicidade
E pegará as pilhas de papel
Sem jamais mentalmente mencionar
Nenhum Pedro ou Samuel,
E dirá sorrindo, com o chefe a
efervescer:
“Tenho trabalho a fazer”
Aí saberá que todo o processo de
superação
Passou da maturação.
Relação Transnetuniana
Não se ataca
Quem não se quer ter
Por perto,
Mantém-se apenas
Relação Transnetuniana.
Não se xinga
Nem se julga
Aquilo que difere
De nossos paradigmas,
Apenas se mantém
Relação Transnetuniana.
Não se mata
Nem se faz guerra,
Nem com o extremista,
Nem com o regrado,
Apenas se mantém
Relação Transnetuniana.
Mas e quando
A lei de Netuno falha
E invadem seu espaço?
Bom,
Lute para que mais pessoas
Defendam seu lar
Sem briga, nem violência,
Mas com Relação Transnetuniana.
Linguiça... Pff... Calabresa
Uma vez quando pequeno,
Há não mais do que um milênio,
Meu avô me disse
Meu neto, siga em frente,
Porque onde quer que haja gente,
Haverá crendice.
E eu não acreditei.
A verdade me recusei
A enxergar
E assim assisti minha subida
Até que encontro você,
E seus maços de Marlboro vermê,
A voz rouca entanguida,
A soprar e a soprar
Expelindo toda a podridão
Do que hoje reconheço carvão
Outrora nomeado pulmão,
Teu peito a putrefar.
Como cigarro na boca,
Era muito e não pouca,
Tua prática de depreciar.
A chuva ácida de fuligem
Minha vida a regrar,
Mãos na garganta a apertar
E os olhos a esbugalhar,
Estou sendo f*dido
Ou pagando para transar?
Eu passei anos e anos a fio
De coração reprimido,
Do que concreto, mais frio,
E você a me pulverizar
Com o vício do terror,
Cuspindo em mim toda a podridão
Do que hoje reconheço como dor
Tua dor de viver em uma prisão,
Através de tua boca a descontar.
Mas eu agradeço pelas chagas
Porque todo o câncer que me foi causado
Para algum fim foi utilizado
E agora nem nas horas vagas
Consigo mais ser ultrapassado.
Eu agradeço pelo decrescer,
Porque todo o câncer que me foi causado
Só me fez músculo crescer,
Só me fez mais autovalorizado.
Fume o seu cigarro,
Eu já não me importo,
Uma pitada doentia para cada sarro,
E a névoa de mim não só deporto,
Como também expurgo,
Não espero mais nada de um dramaturgo,
Espero é que toda falsidade
Seja substituída por felicidade,
Porque ninguém merece
Ser agente passivo
De um desgraçado erosivo.
Eu só quero que fique ciente
De que quanto mais me defuma,
Mais minha linguiça fica consistente,
E eu mais gostoso, em suma.
Eu só quero que saiba
Que quanto mais me queima
De mais sabor me acaba,
E de brilho meu ego teima.
Batata Frita
Acharam um apelido
Para ela: Ninfa.
E no fim, um apelido
Sem sentido.
Quem diria que tudo
Começou quando
Ela foi a um restaurante
E discretamente articulou
Aos ouvidos do cavalheiro:
“Ao acaso já não foi dito
Que o palito de batata frita
Fica muito mais saboroso
Ao toque da boca
Quando, bem salgadinha,
Escorre a maionese
Cremosa e branquinha
Pela ponta?”
Tsc, tsc. Nada a ver,
Mal eles sabem que
Os acompanhantes
Falam e fazem
Coisas muito piores
Do que só atolar
Batata em condimento.
Tenham-me na boca
Tenham-me na boca,
Chamem-me de vadia,
Chamem-me de louca,
Mas tenham-me na boca.
Eu posso ter um gostinho de mel,
Um pedacinho de céu,
Mas eu também posso ser
Uma piranha de aluguel,
O pesadelo do anoitecer.
Querem de cobra me chamar?
Bora lá!
Querem me difamar?
É pra já!
Falem de mim! Oh, falem,
Mas se lembrem de que meus feitos
Jamais serão de seu respeito,
Cuidado,
De provas já tenho mais que um bocado,
Para fazer com que todos se calem!
SSSSSSSSSSSS
Lá vem a cobra!
SSSSSSSSSSSS
Ainda bem que ninguém me cobra
A identidade da vagabunda,
Senão eu tomaria uma tunda,
Afinal ela sou eu,
Ou pelo menos uma parte de meu
Corpo.
Lá vem a cobra!
SSSSSSSSSSSS
Sssó esperando para ver do joelho, a
dobra,
Sssó analisando como funfa o jogo
Para que muito em breve, logo logo,
Ela aprenda a dar a volta por cima,
Manipular o clima,
Para mais uma boca morder.
Poema do “ainda bem que nada aconteceu”
Ah, que peninha,
Ela precisa da minha
Ajuda.
Ah, que invejinha,
De repente boazinha
Quando quer que eu a acuda.
Ela precisou da história
Da prima prostituta
Para falar o que não conseguia,
Precisou da glória
Do anonimato, oculta,
Para perguntar o que pretendia.
Mas não acaba por aí,
Diz que não é fã de mimimi,
Mas adora um joguinho
Qualquer um que já ouviu falar
Em guerra dos tronos,
Sairia de fininho
Quando a visse se aproximar
Transformando verões em outonos.
Mas a sorte é que ela não conseguiu
O que sempre se mordeu para conseguir:
Ela jamais me tocou, me sentiu,
Jamais chegou a me possuir.
14ª Vez
E se depois da décima quarta vez
Tudo for diferente,
Só Deus sabe.
Este poderia ser um texto
Sobre tentativas de amar
Alguém que sempre estraga
Tudo ao seu redor,
Ah, poderia,
Mas não é.
E se depois da décima quarta vez
Tudo for diferente,
Só Deus sabe.
A vida é fenômeno, não é?
Um emaranhado de perguntas
Que quanto mais respondidas,
Mais sem resposta ficam.
E assim fica a gema
Do menino
Toda vez que lhe chutam
As canelas.
E se depois da décima quarta vez
Tudo for diferente,
Só Deus sabe.
Ele se ergue, se ergue e se ergue,
Mas e se um dia estiver
Frio demais
Para que se faça fogo
E a dor leve o troféu?
E se depois da décima quarta vez
Tudo for diferente,
Só Deus sabe.
Cinderelo
Oh, deixei meu diário
Em um manicômio,
Aquela noite
Eu não queria matrimônio,
Eu só queria expulsar
Ou melhor, me grudar,
A um demônio.
Eu não podia deixar a casa
Sem arranjar um par,
Dar uns beijinhos nunca defasa,
O problema é querer amar.
As bochechas em neon
Na luz negra a cintilar
Aquela noite
Eu queria poder beijar,
Mas no meio eu passo mal,
Cai na pista sapato de cristal,
A chance de te ver me procurar.
Mas você não me seguiu,
E eu sabia que não seria seguido,
A experiência me serviu
Para saber se era bom partido.
Alice no País das Utopias
1 - Utopia
Eu e tu
Juntinhos assim
Seria um erro
Manter só pra mim?
Quero muito
Um parzinho
Quer muito
Um amorzinho
Deus, cadê a pessoa certa?
Dói quando a carência aperta.
Eu quero abraço,
Construir um laço,
Quero amigo,
Quero uns amasso,
Tanto quanto amar,
Eu quero ser amado.
2 - Um homem de mistérios
Certa vez Alice se deparou
Com um homem de mistérios,
Sim, o mesmo que a deflorou,
E depois a deixou no cemitério,
Mas no começo não era assim — explanou,
Era nota dez em todos os critérios.
E essa é a história que o vento levou,
A história de como começou
Todo esse império.
Alice estava só na solidão do
monastério,
Quando por azar se deparou
Com aquele sorriso lindo e ao mesmo
tempo sério,
Quem naquele momento ela flagrou
Era o homem, o homem de mistérios.
E foi assim que se apaixonou
Por aquele jeitinho descontraído de
pubério.
A
Gato, Gato, meu Ovo Fabergé,
Sou eu a menina certa
Para um cara certo como você?
Tenho medo de ser descoberta,
Tenho medo de deitar à mercê.
G
Eu sou um homem misterioso,
Vai ter que assimilar,
Pois tudo o que me é precioso,
Gosto de ocultar.
Também sou um cara receoso,
Ocupo o meu lugar,
Se sou certo ou sou penoso,
É você quem vai nomear.
A
Eu te mostro minha arte, meu ateliê,
Poderia deixar aberta
A porta de seu dossiê?
Preciso estar desperta,
Preciso primeiro te conhecer.
G
O motivo de meu olhar pesaroso,
Não posso te revelar,
Chame-me de audacioso,
Mas meu mistério para o túmulo hei de
levar.
A
A sua sorte é que não posso ver
Nada além da oferta,
Nada além de um aspirante a Claude Monet,
Convidando-me a ser liberta.
Nada me tira desse clichê,
Eu vivo de novas descobertas.
G
A minha sorte é que sou gostoso,
Uma piscadela e o trânsito a parar,
Um beijo e sou criminoso,
Já me cansei de corações roubar.
O que eu quero é ser amistoso,
O que eu quero é ir devagar.
A
Teu amor comigo flerta,
E o breque, cadê?
Eu queria ser mais encoberta,
Mas eu só consigo pensar em você.
G
Alice, posso ser
caridoso
E de ti por um tempo cuidar,
Mas meu existir é duvidoso,
Tenho medo de onde isso vai dar,
É meu jeito ser meticuloso,
Volto a insistir, devagar,
Meu passado pra mim é cabuloso,
E se eu lhe contar,
Alice, tu irás me
chamar de tinhoso,
Tu irás se decepcionar.
A
Minha proposta sempre estará aberta
Pois teu jeito meu peito com afeto
sempre lê.
De que adianta viver deserta
Se eu posso ter você?
G
Eu tenho medo de ser amoroso,
Será que você vai aguentar?
A tristeza e a solidão fizeram-me
rancoroso,
O quão tenebroso
Um coração pode ficar?
A
Nunca vou desistir sem um bom porquê,
Essa tristeza que em ti arde, meu amor
fará liberta.
G
Já que insistes, tentarei ser bondoso.
Mas não prometo, de uma hora para
outra, mudar.
3 - Alice
Alice, Alice, Alice,
Tu gostas mesmo de ser iludida,
Eu já não te disse
Para não se deixar ser oprimida?
Alice, Alice, Alice,
Tu gostas mesmo de ser iludida,
Eu já não te disse
Para não se entregar nas mãos da vida?
O gato ri, mas é de tua tolice,
Deboche genocida,
Se pelos céus e mares eu pedisse,
Tu abririas teus caminhos pela subida?
Se o país da crendice
Está te fazendo perdida,
Por que espremes com burrice
Toda santa ferida?
Alice, Alice, Alice,
Tu gostas mesmo de ser iludida,
Eu já não te disse
Para não se deixar ser oprimida?
Alice, Alice, Alice,
Tu gostas mesmo de ser iludida,
Eu já não te disse
Para não se entregar nas mãos da vida?
Para cada promessa, uma doidice,
Para cada traição desprevenida,
Para cada crush uma Alice,
Para cada engano, uma constrangida.
Alice, Alice, Alice,
Prepara tuas medidas,
Eu já não te disse
Para ser mais precavida?
Alice, Alice, Alice,
Não se pode ficar abatida,
Eu já não te disse
Que nem tudo é amor, nessa vida?
4 - O Gato de Cheshire
Lá estava ele, o G de gato,
Aos amassos com sua princesa,
Mas será que de fato
O seu eu foi posto à mesa?
Em um dia sossegado e pacato,
O diabo esbanjando beleza
E a donzela mais faminta que o prato,
Perguntou, com destreza:
— Gato, eu te amo. Tu me amas?
Ele pensou, pensou e respondeu:
— É muito cedo para dizer que me amas.
— Talvez eu ainda me lembre de um
antigo plebeu...
— Então é isso? Tens dormido em outras
camas?
E o sorriso do gato reapareceu.
5 - A Resposta de Alice
Eu falei alguma piada, por acaso?
Não há motivo para dar risada,
Até onde eu sei você é que é raso,
Vive de superfície, que palhaçada!
Se quero um romance e não um caso,
Não significa que sou ultrapassada,
Significa que não faço pouco caso
Com os sentimentos da mulherada.
Não me chame de antiga, seu rude,
Eu ainda quero o seu bem,
Mas também quero que tu mudes.
Não quero que tu sejas outro alguém,
Quero que a empatia tu estudes,
E aí não vai mais machucar ninguém.
Psicopata
Dou passos no escuro
Apalpando-me às cegas no muro
Uma gota sequer de suor
Que cair no parquet
E ela vai saber
Onde estou.
Sinto-me observado
Pelos faróis da caminhonete
Onde olho, para qualquer lado,
Lá está ela, fazendo frete.
Ela lê meus movimentos,
Redige meus argumentos,
E depois corrige a mão,
Com um sorriso toda má impressão
Que tive sobre tudo,
Agora aqui estou, mudo,
Com medo da própria sombra,
É gente viva que me assombra.
Toc, toc, o sapato no chão,
Lá vem ela com o chicote na mão,
Será que está vindo de fato,
Ou é coisa da minha cabeça?
Arrependo-me de não ter sido sensato,
Agora me envolvo na névoa espessa,
Com medo da bruta jogada
Será que é cilada?
Oh, ecos,
Ecos na minha mente
Não preciso de nenhum peteleco,
O meu peteleco foi cair nesta rede.
Caí de amores por uma psicopata,
E agora, o que é que eu faço?
Ela me persegue feito vira-lata
Atrás de gato.
O que é que eu faço?
Apanha-me como laço,
Beija-me segurando a faca
Cuidando de cada traço
Traçando a rota da estaca.
Estou com medo de não sair vivo,
Estou com medo de ser consumido,
E se no fim algo de mim sobrar,
Será que ela vai comer no jantar?
Ai Meus Deus, só de pensar,
Já começo a suar.
Ping!
A gota.
Ping!
Mais outra!
Ping!
Fedeu!
Ping!
Ai, socorro! O que foi que me deu?
Será que agora eu corro?
— E morreu.
Amigues Menines
Ai, migue,
Não instigue,
Não investigue,
Não mendigue,
Ele não te merece!
Pô, menine,
Que muito se ensine,
Que não se procrastine,
Que a dor se extermine,
Vê se esquece!
Deixe de lado ojeriza,
Só quem te valoriza
Do jeito que tu és,
Chega a teus pés.
Um ser de empatia,
Transmitente da alegria,
Que com luz alumia
Todo bom amigo
Para longe do perigo.
Porque o maior castigo,
É não estar contigo.
Tiro o Chapéu
Tiro o chapéu,
Tiro, tiro o chapéu,
Para quem trabalha,
Estuda e à noite
Ainda costura o véu.
Tiro o chapéu,
Tiro, tiro o chapéu,
Para quem se empenha,
Vira a madrugada
Nos livros e não ao léu.
Tiro o chapéu,
Tiro, tiro o chapéu,
Para quem sacrifica
O próprio sono
Para cobrir com teto o céu.
Para cobrir com teto o céu.
Para cobrir com teto o céu.
Puxa-Puxa
Sou um puxa-puxa,
Puxa para um lado,
Puxa para o outro,
Mas, puxa!
Em dois eu só não fui separado,
Por muito pouco!
Na primeira mão,
A base da pirâmide,
O que pede o corpo animal,
Aquilo que se deve dizer não,
Se quiser na conta um trâmite
Milesimal, milesimal.
E na segunda,
Lá em baixo, bem pesada,
A mão do trabalho duro,
Que há éons moribunda,
Vira zumbi segurando enxada,
Post-mortem vem
com juros.
Então, meu povo,
Será que vale mesmo a pena
Aqui nascer de novo?
Depois de certa idade,
Não dá mais para seguir
A medicina moderna,
Porque só quem tem capacidade
De oito horas dormir,
É quem vive vida terna.
É preciso trabalhar,
Fazer o que?
É preciso suar
Pra poder comer.
Infelizmente,
Ainda não há alternativa
Que legalmente
Faça a mão do tempo perdido
Novamente viva,
Num viver bem vivido.
Pisca-Pisca
Sou um pisca-pisca,
Mas ninguém sabe disso,
Quando não engolem a isca,
Dou um sumiço.
Minha luz
Pode soar brilhante
Em vossa companhia,
Mas sozinho carrego cruz
De peso incessante,
Apagando soberania.
Acontece que lágrima nenhuma
Me desce
Se ninguém me fuma,
Se não se escurece.
Mas não porque as escondo,
É porque ninguém deixa,
O riso, os escombros,
Desleixa.
O Pacto
A cada segundo
Em que respira cacos de vidro,
Ela renova o pacto
Que sacrifica sua desistência
Em troca de aprendizado.
Ela caminha descalça sobre ovos,
Faz cooper
na corda bamba,
Navega sedenta pelo mar salgado,
Mas quando olha para baixo,
Bem à beira do penhasco,
Seus pés estão flutuando
E o pacto a trás de volta
Para a realidade.
Ela sacrifica
A própria vontade,
Mas não desiste,
Ela resiste
E em troca,
Mais forte fica,
Tomando as surras do existir
Na veia,
Com força e determinação.
A cada segundo
Em que respira cacos de vidro,
Ela renova o pacto
Que sacrifica sua desistência
Em troca de aprendizado.
Porque ela sabe
Que pode superar,
E o pacto consigo mesma
A obriga a ter consciência
Disso.
A cada segundo
Em que respira cacos de vidro,
Ela renova o pacto
Que sacrifica sua desistência
Em troca de aprendizado.
Descartável
Você não é descartável,
Por mais que o mundo diga o contrário.
Você não é descartável,
Mesmo que te façam de otário.
Ainda que a bagagem
Insista em te empurrar para o fundo,
Vá por mim, o mundo
Precisa de mais pessoas com a sua
coragem.
Você não é inútil,
Por mais que assim te chamem,
Não vá dormir embaraçado a fútil,
Acorde com quem quer que te ame.
Ainda que a estrada
Seja escura e perigosa,
A saída é fazer piada
E desfrutar de uma boa prosa.
Às vezes o melhor a se fazer
É sentar em tomar um chá,
Com os amigos espairecer
E aprender a tensão aliviar.
Porque nem para teus parceiros,
Nem para teu eu mais intrínseco,
Você será descarte de terceiros
Se combater com amor o ímpeto.
O brabo
mesmo é quando,
Quando se está desiludido
E anda por aí murmurando
Que amor é engano aprendido.
Mas se o amor não existe,
Então por que o procura
Dia em noite, em riste,
Atribuindo-lhe como cura?
É, porque o amor cura mesmo,
E cura e te reergue,
É preciso amor para consigo mesmo,
Para ver que a vida prossegue.
A Música
A Música
Me serve de massagem
Para o cérebro,
Pois como mãos,
Retira-me toda a tensão.
A Música
Fervilha ao mesmo tempo
Em que me faz dançar
E que me faz acreditar
Em um mundo melhor.
A Música
É o fermento
Que faz minha massa crescer
Em constante expansão
De harmonia e de ritmo,
De compreensão
Da dor alheia.
A Música
É o comprimido
Que muita gente precisa,
E não tem contraindicação,
Porque mais natural
Do que isso,
Não há.
Ninguém tem que Saber
Ninguém na face da Terra
Tem o direito de te rebaixar,
Se todo mundo erra,
Qual o sentido em apontar?
Se tu queres mesmo viver,
Fechai a boca!
Ninguém tem que saber,
E se souberem, eis tua forca!
Aquilo que não pode
Ser estragado,
Às más línguas eclode,
Quando falado.
E queres saber de uma coisa?
Teus planos são só teus!
Nem ninguém nem nenhuma coisa,
É só tu, é só teu Deus!
Superestrela
Trezentas mil cabeças
Ou devo dizer mãos?
Dedos, dedos indicadores,
A causa de muitas dores.
Como querem que transpareça
Se sucumbem em sermão?
Aonde quer que fores,
Desfrutarás amargos sabores.
Quebra-cabeça de muitas peças,
É fumaça no pulmão
Para personalidade de cores,
Putrida por velhos
valores.
Mas ninguém tem o direito
De contrariar superestrela,
Se não enxergar o fundo do peito.
Importa é a clientela,
O público-alvo de respeito,
E não os gramofones na janela.
Olha as tuas conquistas,
Olha o teu legado,
Não deixe que persista
O ódio sem ser depurado.
Sejamos realistas,
Um único sorriso alcançado
Por jovens idealistas,
É melhor que qualquer trocado.
Melhor que sair na revista,
Do que a fama ter vivenciado,
É ser um bom artista,
Levando amor de bom grado.
Se um milhão de atingidos,
Coisa boa, meu irmão,
Mas se pelo menos um sair convencido,
Eis teu fruto e salvação.
Se for um existir bem vivido,
Não precisa de carro nem mansão,
Vão te dizer que estás perdido,
E sabes, têm razão,
Estás perdido no que foi pedido
Pelas pontes do Coração.
Não fique arrependido,
Mate-os com inovação,
Transforme o aprendido
Em força e superação.
Ninguém tem o direito
De contrariar superestrela,
Se não enxergam o fundo do peito.
Importa é atingir tua parcela,
Levar para o mundo bom proveito,
E quebrar do oprimido, a cela.
Eleve
Eleve
Os pensamentos,
Releve
Os desalentos,
Em breve,
Os detentos
Far-se-ão leves,
E as mágoas, o vento
Que carregue
Para longe do peito.
Antes que se enerve,
O escoamento,
Lembrai para que serve
Resfriar esquentamento.
A Rua Mais Linda
Ah, aquela rua,
É a rua mais linda da cidade,
Envolta no manto nebuloso
Da usina atômica,
Onde florescem
As flores químicas
De líquido poroso
Cor de ocre.
Os carros buzinam
O dia todo,
E o clima ferve
Como a raiva dos motoristas
Para consigo mesmo
Na fúria transversal
Do movimento
De êxodo.
A gota precipita e queima
A grama já torrada,
Derrete a fachada
E cobre as calçadas
Cinzas e tortas,
Dando liberdade,
Oh, que heroína,
Liberdade ao oprimido
E trancafiado esgoto
Com suas nuvens tóxicas.
Mas mais tóxicas ainda
São as pessoas
Que lá frequentam.
Mas sabe o que faz dessa rua
Uma rua tão bonita?
A propriedade em que
Te encontro.
Ah, aquela casa,
Quem sabe ao redor dela
Não possamos plantar um pasto,
Varrer de verde o capim,
Crescer algumas árvores,
E afixar um arco-íris?
Talvez nem seja preciso.
Huh,
Não é irônico
Como um sorriso transforma
Um ambiente hostil,
E não o contrário?
Prestação de Contas
Viva no controle
Para não deixar
Nenhuma
Oh, não, nenhuma,
Dívida ativa
Com o coração
Alheio.
Evite ao máximo
Possível,
O atrito
E que precise
De uma prestação de contas.
Eu sei,
Não é fácil,
Mas todo dia me pergunto
Se o que eu disse
Deixou marcas,
Marcas que eu não gostaria
Que tivessem sido
Deixadas em mim.
Olhe para Trás
Olhe para trás
E conte as pegadas
Que seus pés deixaram
Na areia.
Olhe para a frente
E conte quantas
Ainda pode deixar
Trilhando o mesmo
Caminho.
Quantificou?
Então, mi amigue,
Eis a prova irrefutável
De que tens valor!
A prova que a crítica
Jamais poderá combater,
A prova de que
Ninguém tem nada a ver
Com o futuro que
Escolheste.
Se aquele ou se este,
Meus parabéns
Por trilhá-lo!
Agora vá e escolha teus bens,
Corra como corre o cavalo,
E abrace o que te faz feliz,
Abrace a via da perdiz.
Abrace o valor
Que tu mesmo criaste
Sem precisar da ríspida haste
De um domador.
Misericórdia
Veja que exemplo!
Um rapaz que
Desde cedo batalhou
Pelo que desde criança
Acreditou.
Um cara que faz a coisa certa
Mesmo quando erra,
Tentando reparar aquilo
Que lhe foi inconveniente.
Um cara que sua,
Estuda,
Progride e cresce,
Com uma progressão
Para poucos,
Sendo criticado pelo predecessor
Porque nunca foi
“Lerdo” o bastante
Para ser como ele.
Oh, misericórdia,
Queria que o fruto
Fosse igual à árvore,
Mas a semente pode
Frutificar de muitas
Maneiras distintas,
E quem escolhe a
Mais favorável
E preferível,
É o rebento,
Já adulto.
Insuportável
“Tu não te percebes,
Seu insuportável?!”
Sou insuportável sim,
E fico feliz por ser
Reconhecido,
Porque isso quer dizer
Que no fim,
Permaneci inesquecido
Na tua cabeça.
Se isso te faz
Pensar no que eu disse,
Então continuarei,
Mais e mais perspicaz,
Na insistência e na chatice,
Porque eu sei
Que tu precisas
Pensar no assunto.
Deixa-me ser insuportável
É preciso deixar de pensar em defunto
E acordar para a vida.
Lamento que seja chato
Ouvir isso,
Dessa maneira,
Mas é a critica
Minha única ferramenta.
A Crítica Construtiva
Havia um muro sendo erguido
No alto daquele serro,
Mas era uma parede de vidro,
Com blocos transparentes
E com solda de areia.
Veio a crítica
E não desmontou,
Veio a crítica
E para o construtor mostrou
Os melhores tijolos,
A melhor argamassa,
E sem tirar do rosto o sorriso
E a graça,
O construtor, a obra
Concluiu.
O Vale dos
Homossexuais
Pessoas são pessoas,
Todas cometem erros.
Há ruins e há boas,
Há nascimentos e há enterros.
Condição sexual
Não afeta a vida de ninguém.
Mas o ódio com disfarce casual
De opinião, sempre a ferir vem.
Você não será mais macho
Se um gay matar, humilhar ou bater.
Eu apenas acho
Que todos deveriam se entender.
Medo! Medo é dominante!
Sair na rua
Significa perigo constante,
Realidade nua e crua.
Pessoas que ninguém nunca viu
E nem têm como saber
Nada do seu estado civil
Cuspindo insultos ao te ver.
É ataque na internet
Que te relaciona com prostituição,
É gente que compete
Pra ver quem te derruba ao chão.
É invasão de privacidade
Por homens sem o que fazer,
Você ganha fama pela cidade
Sem jamais se envolver.
É obrigado a ouvir que vai
Queimar nas chamas do inferno.
Gente que pensa que de si Deus sai
Só porque lê e usa terno...
É obrigado a sentar e escutar
Sermão sobre netos,
Mas os valores sempre vão se mostrar
Sobretudo na paz de um teto.
Todos os dias,
Milhões de gays levantam cedo,
Dirigem pelas rodovias
E trabalham na construção do próprio
enredo.
Muito antes da idade,
Foram forçados ao amadurecimento
E a grande quantidade
Adota empatia por sentimento.
Pois sabem como é viver com ironia,
Atacado com paus e pedras,
Sabe, como é ser minoria,
Muita luta para erguer-se das quedas.
Eles não vivem de festa,
Vivem é buscando respostas,
Porque a sociedade testa
E cobra vida imposta.
Um menino que ama outro menino
Deveria era ser aplaudido,
Pois ama além do visivo,
Ama além do compreendido.
Uma menina que ama outra menina
Deveria era ser encorajada,
Porque já luta por ser menina,
Agora luta também por ser amada.
Enquanto a população
Pensa em drogas, taras e safadezas,
Muitos cantam aquela canção
De Lennon imaginando além da beleza.
Enquanto muitos atuam de juízes,
Há muitos românticos na cena no macarrão,
Do filme de amor da Disney,
Aquele do cão.
Sacrificar-se
Para poder ouvir o peito,
É como libertar-se e ainda viver no
cárcere
De um mundo de desrespeito.
O Vale dos Homossexuais
Sempre existiu e sempre vai existir,
Apolo e Jacinto, provas cabais,
E respeito, a única coisa que o Vale
grita a exigir.
O Vale dos Homossexuais
Sempre existiu e sempre vai existir,
E todas essas perseguições infernais,
Rezo ao Bem para que venham a se
extinguir.
Digamos que... /
Débora / Explique
Digamos que
Um dia, como quem não quer nada,
Débora resolveu ser safada,
Quando bem a sua frente se abriu
Uma bifurcação.
De um dos lados do rio,
Uma tropa de homens,
Do outro,
Uma de mulheres.
Digamos que
Débora tenha resolvido seguir
Na direção das mulheres,
E assim fez surgir
O interesse por elas.
Digamos que
Débora tenha feito isso tudo
Ciente de onde estava se metendo.
Afinal, tem louco para tudo,
E ela gostaria de estar sofrendo,
Porque ela sabia que
Escolhendo aquele caminho,
A vida não se pautaria em carinho,
Mas nas linhas sangrentas
Da humilhação e intolerância,
Do ódio, preferiu ser detenta.
Digamos que
Débora, além de gostar de apanhar,
Tenha feito tudo isso
Na mais fria vontade,
Com a mais livre liberdade
De escolher seu tesão,
Sem qualquer remorso ou noção.
Digamos que
Essa seja a Débora:
Uma sadomasoquista,
Do próprio corpo nata maquinista
E ainda podemos acrescentar
Nessa lista
O desejo de causar.
Então explique
Porque dentro da cabeça da Débora
Não há dúvida que fique,
Se, ora pois,
Ela escolheu por vontade própria
Sua condição,
Como conseguiu por vontade própria
Excluir completamente o desejo por
homens?
Explique
Como dentro da cabeça dela,
Débora não consegue sentir nada
Por nenhum menino,
Se ao tomar o caminho das damas,
Seu corpo continua sendo feminino,
E em tese,
O instinto de reprodução deveria agir,
Do mesmo jeito
Que a sede e a fome?
Nesse caso,
Débora não deveria gostar dos dois?
Ora, pois,
Um escolhido pela cabeça
E o outro naturalmente escolhido por
corpo?
Explique como tendo Débora
Optado gostar de garotas,
Ela não sente nenhuma sequer
vontadezinha marota
De sexualizar qualquer rapaz?
Explique como as partes baixas
Do corpo de Débora
Não se encharcam jamais pelo que
encaixa,
Mas pelo que lhe foi “escolhido”?
Explique como Débora
Manipulou o próprio corpo
Para jamais sentir qualquer coisa
Além do que a cabeça dela quis pensar.
Explique como Débora
Fez isso!
EXPLIQUE!
Ah, eu me esqueci!
É mais fácil achar um versinho no
cartaz
Para rebaixar e humilhar,
Do que ir atrás
De respostas.
Do que procurar
No DNA.
Se Débora,
Além de ser tudo isso,
Com habilidades sobre-humanas
De controlar o corpo,
Sendo que toda energia que emana
Da natureza não é laço solto,
Mas tem um propósito...
Como Débora fez para
Assinar o próprio atestado de óbito?
Acho que agora
Está fácil de responder.
Acham mais fácil mandar uma filha
embora
Do que estudar e compreender...
Ascenção e Queda do
Senador Penha
Penha é um senador,
Provido de visão,
Provido de pudor.
Penha tem a missão
De lutar contra o mal que for,
Em prol da fração.
Penha é um garoto com um sonho
Quer a vida feia embelezar
Ele não tem nada de tristonho,
Quer fome e a pobreza exterminar.
Não dá a mínima para o partido,
Valoriza o amor e o lar,
Quer ao fraco e oprimido
Dar condição de se sustentar.
Ele não é nenhum bandido,
Não se importa em trabalhar,
Sente orgulho do que tem vencido
E vai à guerra para mais conquistar.
Mas Penha não sabia de nada,
Sua vida pessoal começou a se expor,
Se soubesse andava à mão armada,
Será que ele deveria depor?
Penha não sabia bulhufas,
Quem é que vai transpor?
Após muitos gritos e ufas,
Quem é que vai repor?
Penha não tinha a mínima noção
De como as coisas funcionavam,
Entrou movido de paixão
Achando que os crimes se solucionavam.
Ele não tinha sequer uma sensação
De que muitos o olhavam,
Não via a quantidade de víboras no chão
Em que seus pés pisavam.
Mas Penha não entendia de lucro
Não sabia que quem movia as maletas,
Era o engravatado xucro
O mesmo que trazia as borboletas.
Penha não via o esquema,
De seus colegas a conspirar,
Por trás escondia-se edema
Para nele a culpa botar.
Quando a bomba estourou
E grito do lobo pelo país ecoou,
Era tarde demais para pedir senha,
Era tarde demais para Penha.
A conspiração reverberou
Penha a princípio não entendeu
Por trás das grades o povo o colocou,
"Não fui eu não, não fui
eu!".
Depois de um ano solitário
Pagando pelo delito dos outros,
Penha revirou seu armário
E encontrou a prova dos potros.
Lá havia um bilhete
Anônimo da corrupção,
Sentou-se sem precedente
E anunciou renunciação.
E a Capital soltou fogos,
Quando o inocente foi destruído,
Penha caiu de cabeça nos jogos
E morreu destituído.
Nesse dia o avião brindou
Com um gole bem caro,
Com certeza não foi o líquido que o
povo mijou
Na favela, na vala dos ratos.
Quem sabe o que se passa
Na cabeça desses de terninho?
Aposto que muita cachaça,
Dinheiro, mulheres e jatinho.
Quando aparece alguém que ajude
Morre alguém da família,
Dá um problema de saúde,
Some um bem, some uma filha.
Depois de muito se empenhar,
Penha entendeu o recado,
Qualquer lugar é melhor para o país
ajudar
Do que estando no senado.
Lótus
A flor de lótus nasce
Em meio ao lodo
Em meio ao lodo
Em meio ao lodo.
E o brilho estampa a face
Simples como um todo
Simples como um todo
Simples como um todo.
A flor de lótus nasce
Em meio ao lodo
Em meio ao lodo
Em meio ao lodo.
Mas não deixa que se enlace
A feiura do todo
A feiura do todo
A feiura do todo.
Sozinho
I
Céu nublado e eu aqui sozinho,
Esperando que a chuva caia,
Esperando um sinal de carinho
Em meio ao mar de vaias,
Não me cabe mais nenhum mesquinho,
O material se dissolve na praia,
Garçom, por favor, um gole de vinho,
Eu só quero que a dor se esvaia,
Que se abram os meus caminhos,
E não que ruam como ruiu o povo maia,
Eu tento fazer tudo certinho,
Eu tento que a amargura de mim saia,
Nesse visível joguinho
Que o povo toca e fala,
Quero seguir em frente em meu
barquinho.
II
Bate-me a solidão
Como nunca me bateu,
Lembro-me da provação,
Mas não sei da coragem, que fim deu,
Eu só quero paz no coração,
Eu só quero saber que fui eu
Que tentei de tudo pela boa ação,
Que o melhor meu consciente deu.
Mas as pessoas não veem coração,
Tudo o que elas veem é breu,
Porque só quem toca um espírito em
ascensão
Sabe o amor que absorveu.
III
Eu não me importo de saber
Que sozinho estou,
Porque nunca estou sozinho.
Eu quero é poder
Levar para onde vou
Esse prazer de ser padrinho,
Eu quero é viver
E levar a vida onde vou,
Olhar e ver que a grama do vizinho,
Pode estar a apodrecer
Assim como a minha quase se dissipou.
E por fim certificar-me de que o linho,
Volte a crescer
E a vestir o povo que tanto lutou
Assim como lutei desde o ninho.
Sinos de Vento
O menino tem medo,
Oh se tem,
O menino tem medo
De um dia ver
Aquilo que deixou de viver.
Mas por incrível que pareça,
Quando os sinos de vento
Põem-se a tocar,
Não há nada que o impeça
De se apaixonar.
Quando o sangue ferve fluido
E as matrizes da felicidade
Alvorotam-se em presença,
O menino abraça com sanidade
E total consciência,
A possibilidade.
Evidente
É evidente que a abiogênese
Não condiz,
Por isso, meu Deus é abstrato,
Nem humano, nem rato.
Abençoo as esferas e as supernovas,
A ideia de diabo, uma ova!
Se até para as medidas do corpo
Há uma proporção de ouro,
Por que o princípio mais importante
Do Universo
Teria brotado em vão?
Não acredito em um Deus-vindouro,
Acredito em um Deus-Geração.
Não sou um pedaço da alma dEle,
Nem foram pedaços Hitler, Mussolini ou
Stallin;
A minha alma não vai para o lugar
aquele,
Nem para o precipício e nem para o
vale.
Talvez um dia,
Eu volte para a Terra,
Para segurar nova cruz.
Citando Ricardo Manfredini *
Pelo Espírito João de Deus,
A luz,
A luz é meu Deus.
_____________________
Leitura Recomendada:
*MANFREDINI, Ricardo. A vida resistirá. - Ricardo Manfredini;
espírito João de Deus - Goiânia: / Editora Kelps, 2016. 60 p. il.
Carla
Carla abriu a porta e entrou de fininho
Porque todos pareciam estar encarando,
Não podia dar nenhum sequer piozinho,
Não sabia como ainda estava andando,
Medo de arder no outrora amado banho
quentinho.
As feridas já frias ainda estavam
esfolando.
Seu coração precisava de consolo e
carinho,
Mas ela não suportaria alguém de novo a
tocando.
Carla chorava lágrimas de desespero,
O que os outros iriam pensar dela?
Ela
já até cogitava um fim derradeiro,
Na vida já ouviu muito "vadia, cadela",
Mas depois desse twist sorrateiro,
Carla jamais poderia ser uma Cinderela.
O pescoço de dor não virava mais,
As mãos horas depois ainda tremendo,
Como ela iria contar para os pais
O que estava acontecendo?
Carla sofria cheia de hematomas,
No chão do quarto jogou-se sem
esperança,
E se com o passar do tempo surgissem os
sintomas
De ali haver sido depositada uma
criança?
Não sabia mais se o enjoo ao sentir qualquer
aroma
Era coisa da cabeça ou era mesmo ânsia.
Carla, o que fazer, Carla?
O que fazer?
Ela tampava com as mãos a boca,
Mas isso lembrava as mordaças de carne,
Será que estava ficando louca?
Todo o sangue que brotava era seu
descarne?
Carla se encolhia na parede
Mas isso lembrava como havia sido
imobilizada
E as mãos presas em algema, sufocada
pela rede,
Enquanto com violência era forçada.
Carla não sentia mais fome nem sede,
Ficou em claro por toda a madrugada.
O que era mais frio: os tijolos da parede
Ou o medo a forçando ficar calada?
A mão que sua boca prendia
Fez tanta força que rasgou a gengiva
E mesmo um tempo depois, ainda doía
Todas aquelas pancadas lentas e
progressivas.
Mas o que ela não entendia
Era aquela paixão compulsiva,
Aquela vontade doentia
Que a fez colidir contra bruteza
destrutiva.
Teve um momento que não aguentou
E cedeu à pressão supremacista,
Carla sem forças chorou
Enquanto era vítima daquele troglodita.
Carla, o que fazer, Carla?
O que fazer?
Carla se levantou depois de um pesadelo
Que teve com os olhos bem abertos
E viu ali sua única companhia em zelo,
Um telefone, ela havia descoberto.
E naquele momento, todos os anjos em
coro,
Suas preces direcionaram,
Ela engoliu e aguentou no couro
Enquanto a examinaram.
Teve alguém para duvidar, sem engano,
Mas Carla não recuou um passo sequer,
Ela tem apenas doze anos,
Mas já sabe o quão duro é ser mulher.
Peguei Pesado
Ser Humano:
Criatura racional
De quatro-seis cromossomos.
Ou melhor dizendo,
Acha que é racional
Mas não sabe de nada.
As pessoas
Têm asco da verdade,
Nascem, crescem,
Projetam cidades,
Mas deixam para trás
A ingenuidade
De criança,
Que não vê desigualdade
No irmão,
Na mocidade.
As pessoas
Ignoram a verdade,
Porque têm medo
De serem substituídas
Talvez seja cedo
Para dizer que estão perdidas,
Ou talvez estejam há tanto tempo
Que já não podem mais sequer
Ser socorridas.
A verdade dói
Queima como brasa ardente.
Há gente que se corrói
Só de ver o próximo contente.
Alguns lambem a reputação
De conservadores
Porque qualquer alteração
Ou pequena mudança
Os fazem morrer de horrores,
Morrer de cagança.
Sempre vai ter
Aquele tiozão
Para dizer
Que você Pegou Pesado
Mas junte desses um milhão
E não obterás um
Com igual bravura em teu seio
estampado.
Porque pra ver adiante
E planejar futuro,
Seja próximo ou distante,
É preciso desafiar
O medo da religião,
Desencravar
A verdade da ficção
E em casa
Fazer a lição
Para só assim obter resultado.
Mas se para obter a repercussão
É preciso mudar,
Antes o ser humano precisar parar
De querer chamar atenção
E entender que estudar
Com respeito e dedicação
Sempre será a melhor opção.
Matar jamais,
Senão,
O mundo tornar-se-á mundo de canhão.
O ser humano
Se borra de medo da verdade
E da transformação,
Mas em seu seio pede libertação.
Libertação do que,
Se não queres mudar?
Achas que Deus
Vai te livrar
Daquilo que tu mesmo
Podias melhorar
E nada fizeste para
Ajudar?
Pelo contrário,
Em teu eu sabias que era verdade
Mas tivestes medo da liberdade
Que se obtém ao lutar
Contra o mar de fantasia
Daqueles cujos quais o medo domina.
É, não há como negar.
O ser humano fede.
Se esconde debaixo
Da asa protetora da mãe-receio
E julga a si e aos outros
Com a fôrma do preconceito.
Mas para boa cabeça
Revestida em firmeza de ferro,
Não é qualquer “bigorninha”
Que fará com que estremeça,
Um só berro
E ela se parte todinha.
Tem que botar quente mesmo!
O poeta poderia sussurrar
Floreios e eufemismos
Em redondilha ou alexandrino,
Nos ouvidos do menino,
Mas ele sabe que se não gritar,
Se pesado não pegar,
Ninguém vai se mover.
Crime Passional
Pode prender, seu juiz!
Foi Crime Passional!
Ele roubou
E depois destruiu
Meu coração.
Estou passando mal,
Ele dilacerou
E partiu
Bem-partido
Meu coração.
Alguém me diz
Como faz para ser feliz
Depois de ter sido
Arrancado
Do peito, o pulsar?
Alguém me conta
Como deixar de ser tonta
E continuar vivendo
E escrevendo a vida
Sem querer revidar?
Pode prender, seu juiz!
Pode prender!
Coloque-o atrás das grades
Para que esta beldade
Não volte a me magoar.
Ou melhor,
Vamos pensar maior,
Prenda esse diabrete
Para que ninguém mais enfrente
A dor de por ele se apaixonar.
Gordo
Gordo o carai,
Sou Soft,
Quando alguém em mim tropeça e cai,
Ploft!
Envolve-se no amasso
E se apaixona pelo abraço.
Pastel de Vento
Tem gente que é igual
Pastel de Vento,
Atrativíssimo por fora,
Mas por dentro,
Saturado
E cheio de ar.
Telemarketing
O pior tipo de discussão,
É a discussão-telemarketing,
Aquela em que vira e mexe
E você tem de aturar
Até o final
Sem alterar o tom de voz,
Pois está sendo gravado.
Azul-Índigo
Eu vejo o branco-alvo
De teu sorriso,
De felicidade e prazer,
Também de juízo.
Eu vejo o verde-folha
De tua esperança,
De muitos verdes
Como tua natureza.
Eu vejo o amarelo-dourado
De tua riqueza
Em saúde e alegria,
Em sorte e primazia.
Eu vejo o laranja-felino
Das chamas escalavrantes
De tua ambição,
Ardendo sem precisar de carvão.
Eu vejo o vermelho-rubra
Do sangue que bombeia
Para teu coração,
Da vida e do pulsar.
Eu vejo o rosa-pink
Do pomar,
Da frutificação
De tua poesia.
Eu vejo o roxo-púrpura
De teu perfume lavanda,
Cintilando-me
No aroma da carne.
Mas também vejo o azul-índigo
Do mar da frieza
Com que me tratas,
Das cores mais frias.
Eu vejo muito mais
Do que um prisma em teus olhos,
Mas talvez eu simplesmente devesse
Enxergá-los da cor que de fato são:
Preto-Vazio.
Ele só quer chamar atenção
Ele só quer IBOPE
Com seus exageros,
Tipo Rochelle e o xarope,
Tipo briga de herdeiros.
Ele só quer audiência,
Gritando em desespero,
Mas avisa que pra mim doença,
É se esquecer de tudo por dinheiro.
Ele quer fama,
Só brinca com banqueiro,
Mas não me engana,
Se tem vergonha de carpinteiro,
É porque só quer grana;
Não chame nenhum bombeiro,
Porque se aviva a chama
Que vai queimar esse farinheiro.
E quando eu digo farinha,
Não é essa que tem na cozinha,
É aquela que te faz perder a linha,
Aquela que te come
Como cão faminto atacando galinha.
Quanto mais aqui eu falo,
Mais você ganha fama de galo,
Mas se é fama o que você quer,
Seja feliz com o que tiver,
Seja feliz no embalo,
Aprenda o que seu coração puder,
E se arrependa se assim ainda quiser.
1920
Chegou a morte
Para um velho capataz,
E nos últimos segundos, por sorte,
Voltou a ser rapaz.
De volta a mil novecentos e vinte,
Lá estava ele com seu requinte,
Esperando convite
Para ir tomar um quite.
E no meio da noite
Começou a chover,
Água potável a cair e a escorrer,
Mas a verdade é que o açoite
Era o peito a doer.
“Coitadinho,
Está todo molhado,
Prestes a ser traído
E não sabe, coitado!”
Mas lá estava o vinho
E um conhaque do lado.
Ele olhou para sua versão mais nova
E comentou “Estou indo para a cova,
Onde foi parar
Aquele garoto com tanto, tanto
Tanto sonho a sonhar?
E se lembrou então,
De como era a vida no sertão,
Onde desdenhou educação,
Juntou o primeiro tostão
E torrou na farra com seus irmãos.
Achava que a dor
Era sofrer de amor,
Mas hoje sabia que sofrer pela cor
Era o pior sabor,
E na época em que devia
Ao preconceito se opor,
Era só mais um jovem que bebia
Uma boa dose de licor
Sem se preocupar
Com as consequências...
Ele queria voar
E esquecer-se das carências,
Ele queria amar
Várias em sequência,
Só porque a com quem queria se casar
Tinha escolhido outro, oh demência.
Um gole aqui,
Um gole ali
E o peito a entupir,
Um gole aqui
Um gole ali
Não queria discutir.
Talvez fosse muito hormônio,
Mas poderia invocar o demônio,
Era raiva, era traição,
Era lágrima, era coação.
E assim erguia a enxada,
Depois dava uma exagerada
No fim de semana
Uma hora com a Rita,
Uma hora com a Ana.
E assim passou o resto de seus dias,
Onde arrastou consigo
Pedro, Paulo e Malaquias,
Seus melhores amigos.
Mal ele sabia
Que não era esse tipo de amigo
Que florescia.
E assim foi por muito tempo,
Um gole pro santo
E outro para dentro.
Um gole ao pranto
E outro ao vento.
Irresponsável com a própria vida,
Deixou o lar,
Deixou a família,
Deixou de trabalhar,
Deixou sua filha,
Para ir para um bar,
Para descer de táxi a descida.
E quanto mais ele saboreava
Os prazeres carnais,
Seu eu desintegrava,
Mais e mais.
Como poderia se arrepender agora?
Se já tinha chegado a hora?
Como poderia com Deus se redimir
Se ele mesmo havia escolhido partir?
Mas que bobagem,
Por um instante, pensou,
Talvez fosse tudo uma miragem
Ele comeu diversas vezes o pão que o
diabo amassou,
Era seu direito ser feliz,
Mas então parou
E viu que quanto mais bebia,
Mais doía
A cicatriz.
E o que ele poderia fazer?
Havia tempo de se arrepender?
Talvez fosse tarde demais
Para apesarar-se dessa e das demais,
Porque no fundo,
Já se sentia imundo
Na podridão
Do mundo
E da decomposição.
E o que mais dava medo,
Não era a hipótese de encontrar-se com
o capeta,
Era saber que ainda faltava mais de
sete anos
Para mil novecentos e quarenta.
A Ex-Esposa
Hasta La Vista, baby
Pegue o seu Mustang,
Ou o que sobrou dele,
Vai lá com sua gangue,
Mas me dê o fora daqui,
Achou que eu não ficaria sabendo?
O que é isso na sua cara, medo?
Você já me perdeu, não tem redimir,
Que pena que só deu valor
Depois que perdeu,
Mas a boa é que o meu sabor
Ainda vai te atormentar, Romeu,
Por muitos e muitos anos.
E não, eu não estou surtando,
Essa faca aqui na minha mão
Não é minha, não,
Ela é a faca fixa e firme da confiança,
Que você fez questão
De me fincar nas costas
Por causa daquela criança
E dessa tara constante,
E a cada dia você mais e mais distante,
Mas eu não sou boba,
Meu filho, eu sou uma loba
E eu sou a rainha da matilha,
Fique sabendo que tudo
O que me convém na guerra e na
guerrilha,
A mim não passa cego nem mudo,
Muito menos surdo,
Eu tenho pássaros em meus ouvidos,
Eu tenho visto, eu tenho ouvido,
E não vou negar,
Eu até tentei pensar
Que talvez você fosse voltar
E se recuperar,
E mudar
E nós iríamos enfim nos casar,
Espero que tenha valido a pena
Esta será a última vez
Que verá seu brinquedinho em cena,
Esta será a última vez
Que me verá brava,
Oh, na-na-ni-na-não,
Ou você pensava
Que aquele dinheiro que EU juntei
Não iria junto comigo para Milão?
Pode ir abrindo a carteira,
Estou farta de financiar zoeira,
Ah, então você pensava
Que enquanto suas cuecas eu lavava,
A sua insignificante minhoquinha
Poderia visitar outra toquinha?
Pois bem,
Aqui vai a real, meu bem,
Eu não fui feita para cozinhar,
Eu não fui feita para os seus filhos
criar sozinha,
Enquanto eu ficava em casa
Em depressão lidando com as contas,
Você ganhava asas
E ia pra noite me fazer de tonta,
Mas eu sei,
Não tem mais como negar,
Algum dia, eu avisei,
Que tudo a mim iria chegar
E eu não nasci ontem, não,
Pode até tentar levantar a mão,
Mas o tiro da espingarda
Já terá atingido sua retaguarda
Ou você acha que não tem um Ricardão
Segurando a arma do lado de fora do
portão?
Ou você acha que eu sou trouxa
O suficiente
Para não ter nenhum contatinho eficiente?
Escuta aqui, seu palhaço,
A bala é de aço
E vai te rasgar na mesma intensidão
Com que me dilacerou o coração,
Ou você achava
Que enquanto de mim
Pros teus amigos debochava,
Eu não me preparava
Para o que estava por vir?
Ah, mas você não sabe
Com quem se meteu,
Já ouviu a expressão “não cabe
Ao rei ajoelhar-se a plebeu?”,
Ah, pois é,
Se desconhecia, agora conhece,
Zé mané,
Vê se cresce
Você nem chega aos meus pés,
Moleque da vida,
Um idiota sem renome,
Esqueceu que aguerrida
É meu sobrenome?
Não, pra ser boba eu não fui feita,
Eu sei que eu não sou perfeita,
Mas você não me deu valor,
Você me tratou como lixo,
Então fique sabendo, bicho,
Que eis aqui seu delator:
— E na ponta da faca a denunciar,
Um sutiã usado a balançar.
Setembro Amarelo
Talvez o que mais machuque
É que o setembro é amarelo,
Mas o ato em si é muito mais singelo,
Do que um mero post no facebook.
O Espartilho
O espartilho aos poucos evoluiu
Sem muita diferenciação,
Para uma forma “menos vilã”,
De opressão:
O sutiã.
Quando fazem o Pomo de Adão Ficar Entalado
Que Edward
Mãos de Tesoura,
Que nada!
A moda agora é LÍNGUA de tesoura,
Aquelas que articulam palavras e cortam
A garganta do próximo,
Plantando ali o terror da angústia.
Será a minha áspera assim?
Monopólio do
Conhecimento
Não, não quero ser um monopólio do
conhecimento,
Tenho certeza que para meu crescimento,
As críticas não arbitrárias
Serão necessárias.
Acontece que algumas pessoas
Não aceitam ser contrariadas,
No fundo, sei que são boas,
Mas como não sabem o que fazer,
Sentem-se ameaçadas,
Por isso dizem que gosto de me
aparecer.
Mas critiquem!
Critiquem e não mendiguem
A razão,
Porque às vezes,
É muito mais coisa do coração
Do que a razão,
Propriamente dita.
Critiquem!
Critiquem, mas não fiquem
Como detentores da verdade,
Porque às vezes,
O que para um é verdade,
Para o outro é anti-liberdade.
Eu luto por mim, luto
por ti, luto por todos
Então eu sou vagabundo?
Meu caráter é imundo,
Eu fui tomado pelo mundo,
Hã?
Desculpa,
Se você sente alguma culpa
No seu interior
E pra poder dela se esquecer
Precisa se opor
Ao jeito, dos outros, de ser.
Pode me chamar de idiota,
Pode me ferir a pau e a estaca,
Mas há muito mais quem diga que sou foda,
Não diminua minha luz se a sua é fraca.
Eu ‘tava ocupado,
Desculpa te deixar esperando,
‘Tava enxugando meu cérebro suado
De respostas pr’esse mundo ficar
buscando.
Desculpa se meu pensar
Abre um balão muito grande,
Meu foco não é a ninguém sufocar,
Mas dar a gente de valor um lugar no
estande.
Enquanto muitos buscavam os holofotes,
Enquanto muitos davam pinotes,
Eu crescia e me tornava mais forte.
Se minha força te incomoda,
Peço perdão,
Não quero ser o mais foda,
Só luto para fazer tudo com precisão.
Porque aqui,
Se um projeto qualquer sair,
É pra sair bem feito,
Então, meu chapa,
Quando tu colocas defeito,
Minha equipe vai lá e encaçapa.
No meu tempo,
Chamavam isso de inveja.
Todo esse contratempo
Que você criou
É o desafeto que você mesmo despeja
No seu interior.
Não me culpe,
Eu não estou buscando ser perfeito,
Como você tem feito,
A pedra da fama que meu time esculpe
É à prova de gente botando defeito.
Quando eu saí da comunidade,
Ninguém dava nada pra minha pouca
idade,
Mas graças à Mãe Natureza,
Eu tenho na mente a certeza
De que muitas línguas grandes
Eu calei,
Então não esquenta, meu bem.
Muita gente tomou nos dedos,
E arregalou os olhos de medo
Quando viu que a voz que ecoava
Era mais do que uma voz brava,
Era a voz do povo,
Manifesta de novo e de novo,
Até todo mundo aprender
Porque enquanto
O império do aborrecer
Não se render,
Eu vou voltar e voltar
E lutar
Pra te defender.
Pode até tentar me derrubar,
Mas eu sei onde é o meu lugar,
Calculo sempre onde posso pisar,
E não vai ser em você
Nem em ninguém,
Pra você tudo o que eu posso dizer
É amém.
Espero que um dia
Tu possas ver os dois lados
Que toda situação proporciona,
O que você tem mais e o que tem menos
simpatia,
Nenhum certo, nenhum errado,
Minh’alma se emociona.
Espero que dê tudo certo no seu
caminho,
Eu sei que é longa a jornada,
Pode até tentar me tirar tudo, me tirar
o ninho,
Mas eu não vou desistir até que TUA vitória
seja alcançada.
Porque a minha felicidade é ver a tua,
Se tu não consegue me ver sem gritar
“perua!”,
Sinto muito, pode continuar assim,
Mas eu não vou desistir até o fim,
Eu vou lutar até contra um querubim
Se preciso for,
Mas fique sabendo, meu amor,
Que não vou me rebaixar tentando compor
Uma resposta de ódio pro teu desamor.
O mundo é pesado,
O mundo é um peso,
Mas eu cresci amarrado
E agora que vejo,
Ninguém jamais
Vai me fazer voltar atrás
E me tirar o que eu conquistei
E o que ainda vou conquistar,
Não quero dinheiro, rico já sou não
serei,
Eu quero cada vez mais é me aprimorar,
Mas não tomando como base
O brilho que no próximo se vê brilhar,
Mas minhas próprias antigas fases,
Naquelas velhas frases,
Que já não mais cabem,
Que nada mais valem,
Mas que um dia eu disse,
E agradeço hoje por perceber que foi
burrice.
Eu cresço e cresço,
Mas o nível eu não desço.
Comentários como o seu
Só me fazem agradecer mais e mais a
Deus,
Por não ter olhos vendados,
E jamais ter orquestrado
Ataques nucleares como os teus.
Feio
Sou feio
Mas não sou burro
A cada esmurro
Que a vida me dá,
A cada muro,
Que há de se criar,
Eu hei de superar.
Quanto mais me dizem
Que esse tampinha aqui
Não vai conseguir,
Mais eles veem esse moleque rebelde
Progredir e evoluir.
Quanto mais me chamam de menina,
Menos mostro a eles o Katrina,
Porque seu eu der pra eles o furacão,
Então terão conseguido o que queriam,
Minha preciosa atenção.
E chamar atenção de estrela,
É como escolher uma única centelha
Em uma noite de fogos,
Então ninguém me tira o foco,
A barreira pentelha
Até quebrar eu chuto, esperneio e soco.
Desperdício
Quando te disserem
Que você é um desperdício
De tempo e de espaço,
Mostre a eles o desperdício
Que é levar na cara um tapaço.
Mas não dê um tapa físico,
Dê um tapa à moda Picasso,
Mostre a eles que a sua parte
É trazer pra esse mundão
A arte
Da esgrima,
Da rima,
Do espadarte,
Do fogo,
Do estandarte.
Se é pra comparar,
Digamos que o mundo seja uma sala de
aula,
Alguns vão querer passar cola,
Outros vão ter que rebolar
Para aprovar,
Mas o que é importa é que
Sendo da frente ou do fundão,
Todos têm uma função
Que é conquistar uma profissão,
Uma mesa pra por o pão,
Uma luta, um ganha-pão.
Quando disserem que tu és um completo
desperdício,
Diga a esses estrupícios
Que pra mim, você sempre será meu
irmão,
E que enquanto respirar, terá minha
proteção,
E não só a minha,
Mas a da Constituição.
Ninguém vale mais do que ninguém
E quando a brincadeira vai além,
A única coisa que te peço
É para calar esses infelizes,
Porque quanto mais me expresso,
Mais vejo que é bom ter amor pelas
raízes,
E se eles não gostam de você assim,
Que se dane,
Você é perfeito pra mim.
Essa é para Pais
(homens) e Responsáveis
Senhores Pais e Responsáveis,
Por que os senhores não ensinam
Pros seus filhos a controlar
Essas peecas
Ao invés de chamá-los de beeshas
Se não mostrarem a lista
De quantas eles já “pegaram”?
Senhores Pais e Responsáveis,
Por que se a sua filha fica
Com um menino,
Ela é vagabunda, promíscua,
Enquanto seu garotinho
Ganha recompensa
Por dar uma de garanhãozinho?
Tem alguma coisa errada...
Muito errada.
Pais e Filhos
Você já amou seu filho hoje?
Você já amou seu filho hoje,
Ou apenas aprendeu a conviver
Com ele?
Já o abraçou, já o beijou,
Você já amou seu filho hoje?
O Coelho
O Coelho
É um bicho complicado
De se criar,
Porque ele é muito arisco
E a gente dá e dá amor,
Mas ele não sabe amar
A gente de volta.
Mas se tem uma coisa
Que ele sabe fazer
Com força de vontade
E maestria,
É procriar.
Sabe,
Tem muita gente por aí
Que é que nem coelho,
Só que ao invés de elas
Terem medo de mim,
É o contrário,
Eu é que tenho medo delas.
Sátiras e Anedotas
Não é porque eu vivo
De sátiras e anedotas
Que eu não vou falar
Do que realmente importa,
De toda podridão
Que esse mundo comporta.
Não é porque eu vivo
De sátiras e anedotas
Que eu não vou falar
Do que realmente importa,
De toda podridão
Que esse mundo comporta.
Não é porque eu vivo
De sátiras e anedotas
Que eu vou ser idiota
E deixar de mencionar
O que realmente importa,
A necessidade de
Não engolir ideia imposta,
Mas somente aquilo
Que teu peito crê e gosta.
E Assim Morre o
Assunto
Oi, tudo bem?
Oiiii;
Tudo e com você?
Tudo
bem também.
Novidades?
Não,
nenhuma, e você?
Nenhuma também.
Que tá fazendo?
Nada
e você?
Nada também.
— E
assim morre o assunto.
Bem-vindos
à geração
Onde
fazer nada é melhor
Que
andar junto.
Égua
Chame-a de égua, chame!
Tá achando que o senhor é um tordilho?
Ih, meu filho,
Tá mais pra pangaré,
Oh, zé mané!
Ela é uma p*ta de uma mulher
Trabalhadora,
Na vida uma vencedora,
E o senhor, o senhor o que que é?
Se
situa, qualé,
1 centavo é o preço do homem de má fé.
Ouro em Pó
Garota, essa tua paixão
Já se desgastou mais que ouro em pó,
Se tentar esfarelar mais,
Não esfarela,
Não tem como ficar pior.
Antes até tinha algum valor,
Mas agora todo o resto
O vento levou.
A
Fome
Eu tentei apagar a fome,
Eu tentei apagar,
Eu tentei apagar a fome,
Eu tentei apagar,
Tentei,
Tentei,
Tentei,
Eu tentei apagar a fome,
Eu tentei apagar,
Eu tentei apagar a fome,
Eu tentei apagar,
Mas no fim foi a fome,
A fome que me apagou
Sem muito tentar.
Shanti Devi
Esta história talvez te dê vertigem,
Mas é preciso revivê-la,
Trazê-la de volta da fuligem,
Porque é mais que cinco estrelas.
Em onze de dezembro
De mil novecentos e vinte e seis,
Reencarnou mais um membro
Ciente para contar para vocês.
Shanti Devi se
chamava,
E aos três ou quatro anos de idade,
Já dizia que seu marido a esperava
Em Mathura,
outra cidade.
Shanti lembrava de ter tido filho,
Ludgi lembrava de ter
sido,
Em seus olhos se via o brilho,
Até Gandhi
foi convencido.
Mas Shanti não é o único caso
De lembrança póstuma,
E não diga que é fruto do acaso,
Ou que era mais uma apóstola.
Nem os pais acreditaram,
Era só a imaginação,
Creditaram,
Até ficarem sem reação.
A menina reconheceu
O suposto marido disfarçado,
A riqueza em detalhes convenceu,
Todo mundo ficou chocado.
Mas Shanti não foi a primeira
Nem a última a se lembrar,
É só passar uma peneira,
A internet está aí pra pesquisar.
O fato é que não se explica
A morte da consciência,
Mas que bom que a Metafísica
Nos dá essa evidência.
Sabe-se lá se já não vivemos
No tempo do faraó,
Se já não nos trucidemos,
Lá pelos templos de Jacó.
Sabe-se lá se sadio ou se em chaga,
Se escravo ou de proficiência,
Mas que bom que o véu apaga
Pra gente não lembrar das pendências.
Se na vida de agora
Todo mundo tem do que se arrepender,
Que bom que quando vamos embora,
Deixamos de nos ocorrer.
Shanti não foi a primeira,
Nem a última a se recordar,
Acreditar em reencarnação de primeira,
É difícil, mas as pessoas hão de se
lembrar.
A internet está aí,
É só pesquisar,
Não que tu tenhas de seguir
E essa crença exaltar.
Apenas obtenha conhecimento,
Porque ele será o responsável,
Por teu discernimento
Do que é ou não aceitável.
Teorias
da Conspiração
Se o povo Anunnaki
Implantou ou não em mim seu DNA,
Ok, a vida segue em frente,
Se existem ou não os Illuminati,
Se o mundo eles querem dominar,
Ok, a vida segue em frente.
Se alguns caras de cavanhaque
Querem a terra plana comprovar,
Ok, a vida segue em frente.
Se Hercólubus
vem de Cadillac
Para a Terra destroçar,
Ok, a vida segue em frente.
Você tem a total liberdade
Para acreditar,
Afinal, a verdade
É o que você decide que será,
E nada mais que isso.
Mas não tente,
Por favor, intervir nos estudos da
ciência,
Porque não há nenhuma sapiência
Em atrasar e encher de reticências
A observável ocorrência
Do Universo visível e aparente.
Se os Reptilianos estão entre nós,
Que bom, tá tudo certo,
Nem que fiquemos a sós,
Conseguirei me tornar o rei do deserto,
Eu continuarei pobre
Ganhando meu salário de cobre,
Trabalhando empregado,
Para me assegurar de ter jantado
A janta do mês passado
Que passei no cartão
E agora tá atrasado.
Se os Alienígenas, Arcturianos
E Germânicos
Estão nos curando,
E não nos causando pânico,
Que bom, camarada!
Espero que estejas certo!
Porque se for para acreditar nessas
parada,
É melhor acreditar no bem, certo?
Ainda que me encha de medo
O Paradoxo de Fermi,
Eu escolho acreditar que é cedo
Para termos a "infame"
Visita de seres mais evoluídos
De outras moradas,
Sem os ruídos
Que aqui se tem,
Nesta Terra mal governada.
Mas é de Esquerda ou é
de Direita?
O Nazismo
Não foi só um movimento,
Foi uma onda,
Uma onda de fogo,
Uma onda de sangue,
Que dizimou
Centenas de milhares
De inocentes.
O Nazismo matou
E se deixar,
Ainda nos dias de hoje
Ele mata
E mata muita,
Muita, muita gente.
Tá, mas é de esquerda ou de direita?
É democrata ou republicano?
É estrelinha ou é tucano?
Meu filho,
F*da-se!
ESQUERDA E DIREITA
Foram inventados
Somente com o propósito
DE DIVIDIR
A nação.
Porque uma nação
UNIDA
Não pode ser controlada,
Uma nação
SEM O QUE DISCUTIR
Não pode ser roubada.
O que eles precisam
É TE DISTRAIR,
Porque não importa
Quem esteja
NO CONTROLE,
O mesmo vai se repetir,
Se de um partido
Ou de outro,
O país ainda
VAI RUIR,
Para eles o que importa
É QUANTO DINHEIRO INVESTIR
Importa é que da caixa
NINGUÉM PODE SAIR.
Já que estávamos falando
De Teorias da Conspiração,
Peguemos os Illuminati
Por exemplo,
Um dos supostos objetivos
Seria dividir a população
Para que não prestassem
ATENÇÃO
No terrorismo que corre solto
POR DETRÁS DO TELÃO.
Mas vendo o que acontece
No Brasil e no Mundo,
Não tem como não dizer
Que essa ruptura
ENLOUQUECE,
Porque enquanto
O ocultismo
CRESCE,
O povo adoece,
Adoece na tentativa
De discutir
Qual dos dois lados
É o melhor,
Quando na verdade,
A resposta é uma só:
A UNIÃO.
A solução
É escalar,
Subir a subida,
Dar a partida
E desligar os extremos,
Pois a única direção
A ser seguida
É PRA CIMA.
O centro não é
anarquia
O centro não é anarquia,
O centro é foco,
Não pensem que passo meus dias
Defendendo esses bandidos
Só porque eu tenho via,
Porque enxergo e luto
Pela minoria
Como luta muito partido,
O que ninguém sabia
Era que enquanto eu dormia,
Eu torcia
Para que aquela fatia
Saísse do Poder,
Eu fiz o que podia
Para vê-los descer,
Mas e adiantou alguma coisa?
Saiu a sangria
E entrou a hemorragia,
E eu continuo no protesto
Lutando pela alegria
Do pobre sem manifesto,
O problema é que saiu
O comunista da hierarquia
E entrou outro que não devia,
Então não me pergunte
Se sou de esquerda ou de direita,
O que eu na verdade queria
Era que o povo tivesse apoio,
Que a igualdade desse cria
E a geração mais nova equidade
Trouxesse justiça todo dia,
O problema é que o que há muito se
fazia
Ainda tá na cabeça de muita gente
Que acha que não ser conservador é
rebeldia,
Mas para e pensa,
Se regredirmos ao que a ditadura fazia,
Quem seremos se não mente vazia?
Só de pensar chega a me dar azia,
Viver nesse esquenta e esfria,
E ainda pedir segunda via
Será que é utopia?
Pobres estudantes argentinos lutando
Por passagem de ônibus.
Será que o Brasilzão acabaria
De novo torturando
Tendo exemplo próprio e mais o da vizinha?
Do outro lado um idealista
Persuasivo extremista,
Machista, racista,
Sexista, homofóbico,
Misógino e tantos outros
Quem nem cabe mais na lista.
Rótulos bem empregados,
E eu não gosto de rotular,
Mas esses daí ‘tão bem engajados
Em vergonha passar,
Mas vergonha passa mesmo
É o político que o povo protegia
Porque enquanto protegia
Roubava em grande companhia,
E o extremista
Mesmo com sua soberania
E desejo de autocracia
Provou que enquanto o outro corrompia,
O dinheiro sujo ele devolvia.
Mas de qualquer forma,
Observando essa confusão
Que aqui se forma,
O que eu observo
É que a imagem de nenhum
Dos lados eu preservo
Porque mesmo com governo,
Isso aqui está uma correria,
Gente dando tiro
E ganhando bolsa-banditia
E eu te pergunto
E se ele matasse a única irmã
Da sua tia?
Você ainda pagaria?
Ainda repartiria
Seu mísero salário
Que já é uma porcaria
Com o imposto que deixa
O safado na mordomia?
O socialismo tinha seu fundamento
Com o pão que repartia,
Mas em muitos países faliu,
E ainda hoje, reação tardia.
De gente tentando desexplodir
O que já se explodiu.
Lição básica de administração,
Não é para toda ideia
Que se deve tomar ação,
Porque nem tudo é oportunidade,
Às vezes é mais imaginação,
E aquilo que já foi implantado
E no fim, deu errado,
Precisa ser melhorado,
E repensado,
Senão será contra a correnteza,
Pode ter certeza,
Todo o nado.
Por isso eu digo,
Temos que repensar nossa estadia,
É época de melhorar a economia
E não deixar que essas pessoas
Roubem e tomem nossa moradia,
O centro não é anarquia,
O centro não é ousadia,
Vamos traçar um novo gráfico,
No mapa inovação se afia,
Um novo plano ergue
O que a população dividida
Entre dois extremos não via.
Visando condições justas e necessárias
Para o menor e para a maioria,
Porque olhando para as duas pontas,
Esquerda e direita,
Não consigo ter por nenhum dos dois
Muita simpatia,
Eu até tenho empatia
E consigo ver pelos dois lados,
Mas chega, não dá mais
Para se deixar ser controlado
Pela disparidade radical,
Tenho lutado é pela harmonia
E não pela imposição
Seja pelo poder ou pela oposição,
De suas extremas ideologias.
É hora, é hora de abrir
O baú que ninguém abria,
É hora, é hora de entender
Que o centro não é anarquia,
É a empresa que nenhum empreendedor
Jamais construía,
Porque é preciso todo Brasil
Para reformar com serventia.
É hora, é hora de mixar
As melhores características
Das mangas tecer o resto da camisa,
Só há uma direção para se elevar,
E ela é para cima,
Só há uma maneira de se salvar,
É com equilíbrio,
Fundar essa nova firma.
Quando falo para cima
Quando falo para cima,
Não faço referência a Nolan,
Faço ao gráfico do sucesso,
Cuja flecha mira o céu.
Quando falo para cima,
Não me refiro ao autocrata,
Mas a um plano em três dimensões,
Em que o centralismo de cima é a
altura,
E a setas da política atual,
Nada mais que o simplório
Bidimensional,
De Largura e Comprimento.
Fiz Besteira
Enquanto eu tentava dormir,
Uma lágrima manchava meu travesseiro.
Tava tentando me decidir,
E fui para a cama sem o corpo inteiro.
Porque parece ter uma parte faltando,
E não é que eu esteja brincando,
Ruí em briga, acabei atacando,
Dói demais, estou sangrando,
O menino que estava estudando,
O cansaço levou e acabou desmoronando.
Igual a ti não tem,
Ruí em briga com você também,
Mas antes de dormir, deixo pra ti o meu
amém,
Ainda que eu não esteja nada bem,
O erro jamais vai roubar minha
reflexão, meu zen.
Sorry
(Desculpa)
Desculpa se o humor perdi,
E se meu sorriso deixei esvair,
Se minha face veio a se contrair
Com pesar é que retorno
Uma, duas, três, quantas vezes teus
Lábios acharem necessário para me
conferir
Perdão.
E mais do que isso, quero que venha do
coração.
— Ele queria alcançar status de
rebeldia,
Mas do que adianta vencer o mundo
E o mundo ter sido vencido?
Por exemplo,
O fruto de Vênus aqui na Terra,
Reescreve um ser, mas só com a caneta
do outro.
Façamos de conta que
A presunção e o orgulho
Virassem então entulho,
O que sobraria?
Resto nenhum de muita gente.
E por pouco se perde um querido ente,
Uma fagulha é capaz de separar para
sempre.
Se tem uma coisa, é fazer diferente,
E seguir e perdoar, e pedir e abraçar,
Iguais todos somos, temos medo é de
confiar.
Quando a dúvida bater,
Uma, duas, três, quantas vezes for
preciso,
Escolha o perdão e acalme o juízo.
Então é melhor sentir que está com a
Razão do que sentir que o ódio,
sentimento
Ruim se perdeu diante da
Emoção que desfaz a doce
Ilusão que são os conflitos carnais?
Não Sou Obrigada
Querida, não sou obrigada
A gostar de você ou das coisas
Que você diz e faz,
Mas eu sou obrigada
A te perdoar pela insapiência
Que percebo
E que o teu preconceito
Vem a justificar.
E essa não é uma obrigação
Para com Deus
Ou com religião alguma,
Mas um tratado
Em contrato de alma
Que propus a mim mesmo
Com o intuito de
O rancor agourento relevar,
E o bom pensamento elevar
Na escada da evolução
Interior.
Temer
Tema, tema,
Tema, tema,
Tema temer.
Tema, tema,
Tema, tema,
Tema temer
E tema Temer.
Tema, tema,
Tema, tema,
Tema temer,
Ou toma tumor.
Tema, tema,
Tema, tema,
Tema temer
Ou tumor toma.
A Liminar
Saiu a liminar,
A liminar,
A liminar.
Querem nos
Eliminar,
Eliminar,
Eliminar.
A liminar saiu,
Ela saiu,
Ela saiu.
Mandar-nos-ão
Para o Canil,
Para o Canil,
Para o Canil.
Agora podem
Nos internar,
Nos internar,
Nos internar.
Para os machos
Não precisarem
Mais estudar,
Estudar,
Estudar
O Nosso denehá,
Denehá,
Denehá,
Porque é mais fácil
Acusar,
Apontar,
Trancafiar,
Matar,
Dizer que vai curar,
Acabar,
E exterminar
Do que estudar,
Estudar,
Estudar
O nosso denehá,
Denehá,
Denehá.
Desordem e Regresso
Eu até tinha esperanças
No mundo e no Brasil,
Mas depois de tudo isso,
É de se mandar pra pura que par--
Acho que o Aurélio
Não registrou como se serviu
A definição de patologia,
Mas a de imbecil.
Não se espera mais nada
Vindo dessa educação nota mil,
Era bem previsível
Proporem algo desse feitio,
Mas não dá para reclamar,
Não, isso é coisa de vil,
Mimimi dos brabos,
Eles estão certos, viu?
Ah, mas se me desse na telha
De invadir esse covil
E transplantar mente-abertismo
Na cabeça desses bravios,
Talvez adiantasse alguma coisa,
Talvez mudasse o curso do rio,
Mas é muito laboroso ensinar
Quem nunca um livro abriu,
Porque eles não querem aprender,
Acham que estão no controle do navio,
Mas um dia eles aprenderão
E verão que a casa caiu,
Pois o povo é a água,
E o povo reagiu.
Talvez seja melhor acreditar
No povo desse Brasil
Que ainda é novo
Mas que já se conduziu.
Idade Média
I
Quer doença?
Não tem maior enfermidade
Do que o Retorno à Idade Média.
Quer desavença?
Diga para a comunidade
Que nela serão colocadas rédeas.
II
Campos de Concentração
Da época do Hi-dículo,
Voltaram a surgir em uma nação
Que eu não vou mencionar o nome,
Mas todo mundo sabe
Que começa com Ch
E termina com Echênia.
Acho que só falta a guilhotina
Para preencher bem a cena.
III
Como se não bastasse
Do alto de um prédio empurrar,
O E.I. ainda tem que gravar
A morte de um homem julgado
CULPADO
De ser viado
Mas será que querem mesmo purificar
O mundo ou aterrorizar,
Distorcendo a imagem do Deus de lá?
IV
Experimentos em cobaias involuntárias
Caça às bruxas,
Às vezes penso que estou no divã
Em meio a uma regressão,
Mas não é regressão espiritual,
É regressão moral,
Opressão banal
Retrocesso,
Regresso,
Onde está a revolução
Que as boas almas prometeram?
Talvez seja um obstáculo necessário
Para a evolução,
Mas quantas vidas inocentes
Serão reduzidas a calcário
Até que voltem a dar voz à razão?
Daqui a alguns dias,
Só falta não ter mais energia elétrica,
A lâmpada tem sido substituída
Pouco a pouco pelo lampião.
Sexo a 3
A administração
Desse país
Parece Sexo a 3,
Todo mundo quer fazer,
Muitos não têm coragem,
E os poucos que se propõem,
Ou ficam com medo
Ou não sabem como proceder.
A administração
Desse país
Parece Sexo a 3,
Os que realmente querem
Administrar,
Não têm responsabilidade
Para "saudavizar"
E ir em frente com o ménage.
A Chuva
A chuva derrama
E meneia
Sobre o calor,
Mas não acalma
A peleia.
O fogo,
Já cansado
De tanto ser apagado
Se revoltou,
O obstáculo estudou
E se esforçou,
Fortificou,
E magma virou
Para não ser derrotado
E assim,
De quebra,
O plot
twist,
O povo acorda,
Não quer mais engolir
Alpiste.
A chuva derrama
E meneia
Sobre o calor,
Mas não acalma
A peleia.
Pelo contrário,
A chama
Incendeia.
Bate-Cabelo
O problema em bater cabelo
É que enquanto todo mundo
Está batendo,
Meus fios continuam sóbrios,
Em percepção panorâmica,
Se debatendo.
Anti-Herói
Eu sou um Anti-Herói
O maior encrenqueiro
Que você pode conhecer,
Eu sou encrenqueiro,
Ah, como sou,
Mas eu só sou esse
Trapaceiro,
Porque gosto de fazer
Tudo certinho,
E esse é meu problema,
Esse é meu definho.
Louco
Trejeitos
e Chiliques
A moda
vem e passa
E eu
cada vez mais chique,
Sem me
importar
Com o
que sinto, o que faço,
Nem com
o combinar
Das
cores do cadarço.
Das
risadas faço canto,
Do
passo a passo, danço,
Escárnio
sempre vai existir,
Ojeriza
sempre a fingir,
E eu a
me deliciar.
Quanto
mais louco fico,
Mais
são me torno,
Clareia-me
o olhar
Não
mais me importar.
Quanto
mais doido me identifico,
Melhor
da cabeça me sinto,
Em um
mundo de réplicas,
Feliz
não é bonito nem rico,
Mas
aquele jovem rapaz
Que se
destaca no que faz.
Segurem minhas mãos
Podem fazer minha mente,
Prender-me eternamente,
Mandar-me para terapia,
Por goela abaixo reversão,
Cortar minhas companhias,
Mas não podem segurar minhas mãos,
Mãos essas tão travessas
Que pintam o sete
E colorem transcrevendo à beça
A fome e a peste.
Podem minha língua cortar,
Em uma jaula me trancafiar,
Tirar-me do contexto social,
Descartar-me como bicho,
Empalar-me feito era medieval,
Tratar-me feito lixo,
Mas jamais poderão segurar
Essas mãos traquinas,
Mãos que sobem pelas quinas
Da borda da moldura,
Transcrevendo essa vida dura,
Relatando o mal que perdura.
Podem arrancar meus braços,
Tentar apagar meus traços,
Asfixiar-me no lençol,
Deixar-me desidratar,
No olho do sol,
Podem até me afogar,
Mas jamais prenderão
Minhas mãos,
Tão safadas em parte,
Não se escapam da denúncia,
Mãos de fé e renúncia,
Mãos que fazem arte.
Soldado
Chora soldado,
Chora que a guerra a ti coercitada
Fica cada dia mais para trás
No rodar da roda a estrada,
Vem junto às vitórias do bom rapaz.
Chora soldado,
Chora, pois a cada grito de aflição,
É uma volta por cima,
Pode até demorar um tempão,
Mas sempre acha a rima.
Chora soldado,
Chora porque tua conquista é limpa,
Porque a tua batalha é honesta,
E se a vida não anda muito supimpa,
Não desespera, logo vem festa.
Chora soldado,
Chora porque a lágrima é tua,
E de ninguém mais,
Se duvidarem do bem que cultuas,
Terás argumentos para jamais.
Mas não chora soldado,
Porque tais argumentos
Devem ficar guardados,
Eles são teu documento
De tudo que lhe é sagrado.
Então não estrague a deixa,
Não dê aos generais a queixa,
Chore pelo fim da guerra
Quando estiver chegando
De volta à sua terra.
Destemido
Você quer ser lembrado
Por ser destemido?
O medo é o Deus
De muitas almas,
Porque se constrói
A mitologia
Sobre o que se deve
Ou não,
Sobre o que é de Eva
E o que é de Adão,
E define então
O que a sociedade
Ama ou Repudia.
Rompa a bolsa,
Sem medo de perder,
O choro da vitória
Às vezes é o da derrota,
Se fosse fácil nascer
E para este mundo vir,
O bebê não berraria,
E a mãe não teria
De uma mãe ser.
Todos os dias
Ao aterrissar em casa
Você vai se questionar
Por que não há melhorias,
Nada dura,
Relações rasas,
Onde é que perdura
O erro a te declinar?
É a falta de
Coragem,
É a falta de
Coragem,
A falta de
Amor próprio.
Todos os dias,
Você será jogado
No meio da arena
Com leões e harpias,
A um passo de ser devorado,
A saída é pura,
Simples e plena.
Entregar-se não é a resposta,
Ceder à cura imposta
É pior do que perder uma aposta,
É gritar alto para toda a costa,
Que você mesmo é um b*sta.
Ah, mas se o peso pesar,
Lembre-se que ainda há
Um mundo inteiro a melhorar
E o que te definirá
Não será sua cara de paisagem,
Mas o trabalho que com coragem
Se propuser a enfrentar.
Rapaz, desistir para quê?
Quem caminha com teus pés
Não é ninguém senão você!
As lágrimas
Não serão mais problema,
Pois todo destemido
Tem o seu esquema.
Lutar, lutar
Com coragem,
Criar sua própria
Abordagem
Enquanto muitos
Se escoram na viagem,
Vença por ti,
E construa tua imagem.
O menino fez a sua parte,
O poeta deixou de fazer
Arte pela arte.
A vingadora se controlou,
A cobra se revelou,
Alice acordou
E o gato gatuno se lascou,
O “descartável” não se descartou,
Maicon, a vida valorizou,
Penha junto ao povo voltou,
Carla telefonou,
O bêbado se apesarou,
A esposa, ex se tornou,
O feio se levantou,
A égua melhor se mostrou,
Shanti reencarnou,
Arcturiano
amor mostrou,
O centro se planejou,
O pecador se desculpou,
A liminar o povo desdenhou
E a chuva desencadeou
O que o anti-herói achou
Que fosse a verdade.
E o Ricardo,
Da rima pré-sumário
Resgatou
O amor vão que depositou
Em vaidade.
Não temas, jovem,
Não temas!
Você quer ser lembrado
Por ser destemido
Ou continuar calado
E passar a vida reprimido?
Você quer ser lembrado
Por ser destemido
Ou viver anulado,
Sentimento comprimido?
Não temas, jovem,
Não temas!
Chegou a sua
Hora.
Não temas, jovem,
Não temas!
Está em suas mãos
Agora.
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