peguei pesado


A melhor definição para este livro é: uma dose de ironia, humor e sátira, tudo junto e misturado num vinho ácido de afrontamentos na pobreza de rimas, nos jogos de palavras e naquela poesia de boteco de baixa reputação. E quando você pensa que não é possível levar esta obra a sério, aí você entende a mensagem.

ATENÇÃO:
NÃO RECOMENDADO
PARA MENORES DE 12 ANOS!


PODE CONTER VOCABULÁRIO
IMPRÓPRIO
Para indivíduos em fase de maturação.



esta obra
NÃO FOI FEITA
para
CRIANÇAS,
nem aborrescentes nem imaturos,
nem homens nem mulheres arrogantes
OU PRECONCEITUOSOS.
esta é uma obra
feita preferencialmente para
JOVENS ADULTOS
e todos aqueles que se consideram
Jovens para Sempre!
e mais:
ESTE CONJUNTO DE BRINCADEIRAS
e jogos de palavras e rimas
FOI INTEIRAMENTE DECICADO
à todos aqueles disseram
Que você
Não Conseguiria!

(morderam a língua)
                                                                                                               

Resgate
Okay,
Vou aceitar
O seu convite
Para namorar,
Mas que aqui
Fique bem claro!
Se não funcionar,
Vou pedir um Resgate
De todo amor
Que te dei,
De toda confiança,
Que depositei,
De todo sangue
Que sacrifiquei.
Que fique bem claro!

Aprender a Superar

1 - Exumação

 

Oh, por essa ninguém esperava,

Sabe o peso da sua vida, aquela trava?

Pois é, esse peso voltou

Para vingar o que ainda não vingou.

 

Sabe quem é que está volta?

Quietinho, sem revolta!

Sou eu mesma, euzinha,

Essa danada, essa rainha!

 

O coveiro fez minha exumação,

E deixa eu me lembrar,

Quem segurava a pá,

Oh, era ninguém menos do que eu.

 

O coveiro abriu meu caixão

E me fez reaprender a respirar,

E se você não se importar

Em saber quem o fez, fui eu.

 

Mas eu não voltei boazinha,

Eu voltei ranzinza.

Deixei para trás toda a minha

Inocência, agora cinzas.

 

E fechei de volta na cova

Aquela idiota que você podia usar

E livremente manipular.

Eu sou uma pessoa nova.

 

A serpente do teu último suspiro,

A moda do suspense policial,

Eu estava lá naquele circo.

Eu estava lá e passei mal.

 

Alguém me sepultou

Sem nenhum remorso aparente,

Mas esqueceu das chaves do lado de dentro.

 

Alguém no ouvido sussurrou

Mas esqueceu de que eu estou em toda mente,

Eu sou o seu centro.


 

2 - Karma

 

O pior karma para os destruidores

De lar

É provar em amargos sabores

De suas vítimas, o levantar.

 

A melhor vingança

Não tem preço, não tem fiança,

Não tem hora, não tem cobrança,

Vem de dentro e gera desconfiança.

 

É, até já estou acostumado,

Sem qualquer rebate ou nocividade,

A usar e abusar dela.

 

Toda vez que sou desprezado,

Exponho ao mundo minhas qualidades

E em silêncio, espero o bater de canelas.

 

O melhor reerguer

Dá-se sem o mal prover,

É quando você se levanta

Mas no alvo nada planta.

É quando você se reconstrói

E vê que o seu brilho por si só destrói,

Porque ignorar te faz melhor,

E isso por dentro o corrói.


 

3 - Vingança

Nos últimos dias

Só o que me vem à cabeça é vingança,

Há pouco parecia

Que o que eu queria era mente-abertança!

 

O que aconteceu que eu não previa?

O que aconteceu com minha criança?

Temo com pavor esta vadia

Que assumiu o lugar da esperança.

 

Pra onde escoou toda a empatia?

Para onde se foi minha bonança?

Há pouco eu dizia:

Para o crime do desamor não há fiança.

 

Que angústia é essa que me hipocrisia?

Quando foi que comecei a matança?

De cristal, estilhaçam-me à entropia,

Sou falando ou é a cobrança?

 

Quebraram minha vidraçaria,

O peso me levou à desconfiança,

Dói saber que me trouxeram lisergia

Dói saber que dei lugar à lança.

 

Mas se tanto me dói a artilharia,

Por que continuo com essa privança?

Se tanto prezo pela primazia,

Por que continuo sendo tão criança?

 

Não! Dane-se a teimosia!

Quero de volta minha libertança,

Traga-me de volta a harmonia!

Não vale a pena dançar essa dança!

 

Se eu sei que o ódio me retalia,

Só um beijinho para a vingança,

Pois contra o instinto que ludibria,

Marcho na luta com confiança.

4 - Aprender a Superar

 

No fim, todo esse rancor

Que meu coração insiste em transpor

Na forma de versos mal acabados

Não podem ser fruto de teu fazer.

Se estou com frio e machucado,

É porque tenho de aprender.

 

E o ódio, guardado esse tempo todo

E agora explodindo como vulcão,

As mágoas atolando-me em lodo,

Por todos os lados, cinzas e destruição...

Quem está me prejudicando sou eu mesmo,

Porque todos esses sentimentos,

Por mais que consequência de teus desalentos,

Sou eu quem estou gerando, é mesmo!

É em meu peito que os estou depositando

E pouco a pouco alimentando.

 

Não posso pensar em me vingar,

Seja atacando, seja na cara jogando,

Tenho que pensar é em me melhorar,

Ver o ódio de mim murchando.

 

Não posso pensar em te punir,

É natural a vida nos trazer desencontros,

Não posso pensar no nosso ruir,

Pra deixar tudo para trás, estou pronto.

 

Acho que todo mundo pensa

Que sabe superar,

Mas a maioria está propensa

Ao desafeto acumular.

Eu já penso diferente,

Porque eu aprendi a superar

Com um tipo alternativo de gente,

Dessas que nos faz pensar.

 

Já não penso mais em apunhalar-te

Pelas costas,

Já não penso mais em usar a arte

Para te jogar respostas,

Penso em melhorar o mundo.

 

Talvez eu não fique

De uma hora para outra mudo,

Mas eu quero que por muito se estique

A sensação de paz que é saber

Purificar com amor o teu ser.


 

O Processo de Superação

 

Se não há certeza

Sobre ter superado

Ou não,

Aqui vai a dica

De um velho ermitão.

Suave, deixai o tempo fluir,

De grave, nenhuma voz a sair,

Relaxa,

O tempo despacha,

E o bem volta a florir.

 

Você só saberá

Quando um dia

As seis da madruga

Sair rodopiando rua afora

A caminho do trabalho.

Na janela do ônibus

Podre de sujeira

Cantará mas não chorará

Ao ouvir A Rezadeira

E quando enfim desembarcar,

E no escritório chegar,

Irá sem problemas suportar,

Sem sequer se importar,

O “Bom dia” dos colegas

De outros setores

Com os quais você nunca conversou.

E jamais teve

Qualquer intimidade.

Estará frio de cair neve,

Mas você se sentará com felicidade

E pegará as pilhas de papel

Sem jamais mentalmente mencionar

Nenhum Pedro ou Samuel,

E dirá sorrindo, com o chefe a efervescer:

“Tenho trabalho a fazer”

Aí saberá que todo o processo de superação

Passou da maturação.

Relação Transnetuniana

 

Não se ataca

Quem não se quer ter

Por perto,

Mantém-se apenas

Relação Transnetuniana.

 

Não se xinga

Nem se julga

Aquilo que difere

De nossos paradigmas,

Apenas se mantém

Relação Transnetuniana.

 

Não se mata

Nem se faz guerra,

Nem com o extremista,

Nem com o regrado,

Apenas se mantém

Relação Transnetuniana.

 

Mas e quando

A lei de Netuno falha

E invadem seu espaço?

 

Bom,

Lute para que mais pessoas

Defendam seu lar

Sem briga, nem violência,

Mas com Relação Transnetuniana.


 

Linguiça... Pff... Calabresa

 

Uma vez quando pequeno,

Há não mais do que um milênio,

Meu avô me disse

Meu neto, siga em frente,

Porque onde quer que haja gente,

Haverá crendice.

E eu não acreditei.

A verdade me recusei

A enxergar

E assim assisti minha subida

Até que encontro você,

E seus maços de Marlboro vermê,

A voz rouca entanguida,

A soprar e a soprar

Expelindo toda a podridão

Do que hoje reconheço carvão

Outrora nomeado pulmão,

Teu peito a putrefar.

 

Como cigarro na boca,

Era muito e não pouca,

Tua prática de depreciar.

A chuva ácida de fuligem

Minha vida a regrar,

Mãos na garganta a apertar

E os olhos a esbugalhar,

Estou sendo f*dido

Ou pagando para transar?

 

Eu passei anos e anos a fio

De coração reprimido,

Do que concreto, mais frio,

E você a me pulverizar

Com o vício do terror,

Cuspindo em mim toda a podridão

Do que hoje reconheço como dor

Tua dor de viver em uma prisão,

Através de tua boca a descontar.

 

Mas eu agradeço pelas chagas

Porque todo o câncer que me foi causado

Para algum fim foi utilizado

E agora nem nas horas vagas

Consigo mais ser ultrapassado.

Eu agradeço pelo decrescer,

Porque todo o câncer que me foi causado

Só me fez músculo crescer,

Só me fez mais autovalorizado.

 

Fume o seu cigarro,

Eu já não me importo,

Uma pitada doentia para cada sarro,

E a névoa de mim não só deporto,

Como também expurgo,

Não espero mais nada de um dramaturgo,

Espero é que toda falsidade

Seja substituída por felicidade,

Porque ninguém merece

Ser agente passivo

De um desgraçado erosivo.

 

Eu só quero que fique ciente

De que quanto mais me defuma,

Mais minha linguiça fica consistente,

E eu mais gostoso, em suma.

 

Eu só quero que saiba

Que quanto mais me queima

De mais sabor me acaba,

E de brilho meu ego teima.


Batata Frita

 

Acharam um apelido

Para ela: Ninfa.

E no fim, um apelido

Sem sentido.

Quem diria que tudo

Começou quando

Ela foi a um restaurante

E discretamente articulou

Aos ouvidos do cavalheiro:

 

“Ao acaso já não foi dito

Que o palito de batata frita

Fica muito mais saboroso

Ao toque da boca

Quando, bem salgadinha,

Escorre a maionese

Cremosa e branquinha

Pela ponta?”

 

Tsc, tsc. Nada a ver,

Mal eles sabem que

Os acompanhantes

Falam e fazem

Coisas muito piores

Do que só atolar

Batata em condimento.


 

Tenham-me na boca

 

Tenham-me na boca,

Chamem-me de vadia,

Chamem-me de louca,

Mas tenham-me na boca.

 

Eu posso ter um gostinho de mel,

Um pedacinho de céu,

Mas eu também posso ser

Uma piranha de aluguel,

O pesadelo do anoitecer.

 

Querem de cobra me chamar?

Bora lá!

Querem me difamar?

É pra já!

 

Falem de mim! Oh, falem,

Mas se lembrem de que meus feitos

Jamais serão de seu respeito,

Cuidado,

De provas já tenho mais que um bocado,

Para fazer com que todos se calem!


 

SSSSSSSSSSSS

 

Lá vem a cobra!

SSSSSSSSSSSS

Ainda bem que ninguém me cobra

A identidade da vagabunda,

Senão eu tomaria uma tunda,

Afinal ela sou eu,

Ou pelo menos uma parte de meu

Corpo.

 

Lá vem a cobra!

SSSSSSSSSSSS

Sssó esperando para ver do joelho, a dobra,

Sssó analisando como funfa o jogo

Para que muito em breve, logo logo,

Ela aprenda a dar a volta por cima,

Manipular o clima,

Para mais uma boca morder.


 

Poema do “ainda bem que nada aconteceu”

 

Ah, que peninha,

Ela precisa da minha

Ajuda.

Ah, que invejinha,

De repente boazinha

Quando quer que eu a acuda.

 

Ela precisou da história

Da prima prostituta

Para falar o que não conseguia,

Precisou da glória

Do anonimato, oculta,

Para perguntar o que pretendia.

 

Mas não acaba por aí,

Diz que não é fã de mimimi,

Mas adora um joguinho

Qualquer um que já ouviu falar

Em guerra dos tronos,

Sairia de fininho

Quando a visse se aproximar

Transformando verões em outonos.

 

Mas a sorte é que ela não conseguiu

O que sempre se mordeu para conseguir:

Ela jamais me tocou, me sentiu,

Jamais chegou a me possuir.


 

14ª Vez

 

E se depois da décima quarta vez

Tudo for diferente,

Só Deus sabe.

 

Este poderia ser um texto

Sobre tentativas de amar

Alguém que sempre estraga

Tudo ao seu redor,

Ah, poderia,

Mas não é.

 

E se depois da décima quarta vez

Tudo for diferente,

Só Deus sabe.

 

A vida é fenômeno, não é?

Um emaranhado de perguntas

Que quanto mais respondidas,

Mais sem resposta ficam.

E assim fica a gema

Do menino

Toda vez que lhe chutam

As canelas.

 

E se depois da décima quarta vez

Tudo for diferente,

Só Deus sabe.

 

Ele se ergue, se ergue e se ergue,

Mas e se um dia estiver

Frio demais

Para que se faça fogo

E a dor leve o troféu?

 

E se depois da décima quarta vez

Tudo for diferente,

Só Deus sabe.


 

Cinderelo

 

Oh, deixei meu diário

Em um manicômio,

Aquela noite

Eu não queria matrimônio,

Eu só queria expulsar

Ou melhor, me grudar,

A um demônio.

 

Eu não podia deixar a casa

Sem arranjar um par,

Dar uns beijinhos nunca defasa,

O problema é querer amar.

 

As bochechas em neon

Na luz negra a cintilar

Aquela noite

Eu queria poder beijar,

Mas no meio eu passo mal,

Cai na pista sapato de cristal,

A chance de te ver me procurar.

 

Mas você não me seguiu,

E eu sabia que não seria seguido,

A experiência me serviu

Para saber se era bom partido.


 

Alice no País das Utopias

1 - Utopia

 

Eu e tu

Juntinhos assim

Seria um erro

Manter só pra mim?

Quero muito

Um parzinho

Quer muito

Um amorzinho

Deus, cadê a pessoa certa?

Dói quando a carência aperta.

Eu quero abraço,

Construir um laço,

Quero amigo,

Quero uns amasso,

Tanto quanto amar,

Eu quero ser amado.


 

2 - Um homem de mistérios

 

Certa vez Alice se deparou

Com um homem de mistérios,

Sim, o mesmo que a deflorou,

E depois a deixou no cemitério,

Mas no começo não era assim — explanou,

Era nota dez em todos os critérios.

E essa é a história que o vento levou,

A história de como começou

Todo esse império.

 

Alice estava só na solidão do monastério,

Quando por azar se deparou

Com aquele sorriso lindo e ao mesmo tempo sério,

Quem naquele momento ela flagrou

Era o homem, o homem de mistérios.

E foi assim que se apaixonou

Por aquele jeitinho descontraído de pubério.

 

A

Gato, Gato, meu Ovo Fabergé,

Sou eu a menina certa

Para um cara certo como você?

Tenho medo de ser descoberta,

Tenho medo de deitar à mercê.

 

G

Eu sou um homem misterioso,

Vai ter que assimilar,

Pois tudo o que me é precioso,

Gosto de ocultar.

Também sou um cara receoso,

Ocupo o meu lugar,

Se sou certo ou sou penoso,

É você quem vai nomear.

 

A

Eu te mostro minha arte, meu ateliê,

Poderia deixar aberta

A porta de seu dossiê?

Preciso estar desperta,

Preciso primeiro te conhecer.

 

G

O motivo de meu olhar pesaroso,

Não posso te revelar,

Chame-me de audacioso,

Mas meu mistério para o túmulo hei de levar.

 

A

A sua sorte é que não posso ver

Nada além da oferta,

Nada além de um aspirante a Claude Monet,

Convidando-me a ser liberta.

Nada me tira desse clichê,

Eu vivo de novas descobertas.

 

G

A minha sorte é que sou gostoso,

Uma piscadela e o trânsito a parar,

Um beijo e sou criminoso,

Já me cansei de corações roubar.

O que eu quero é ser amistoso,

O que eu quero é ir devagar.

 

A

Teu amor comigo flerta,

E o breque, cadê?

Eu queria ser mais encoberta,

Mas eu só consigo pensar em você.

 

G

Alice, posso ser caridoso

E de ti por um tempo cuidar,

Mas meu existir é duvidoso,

Tenho medo de onde isso vai dar,

É meu jeito ser meticuloso,

Volto a insistir, devagar,

Meu passado pra mim é cabuloso,

E se eu lhe contar,

Alice, tu irás me chamar de tinhoso,

Tu irás se decepcionar.

 

A

Minha proposta sempre estará aberta

Pois teu jeito meu peito com afeto sempre lê.

De que adianta viver deserta

Se eu posso ter você?

 

G

Eu tenho medo de ser amoroso,

Será que você vai aguentar?

A tristeza e a solidão fizeram-me rancoroso,

O quão tenebroso

Um coração pode ficar?

 

A

Nunca vou desistir sem um bom porquê,

Essa tristeza que em ti arde, meu amor fará liberta.

 

G

Já que insistes, tentarei ser bondoso.

Mas não prometo, de uma hora para outra, mudar.


 

3 - Alice

 

Alice, Alice, Alice,

Tu gostas mesmo de ser iludida,

Eu já não te disse

Para não se deixar ser oprimida?

 

Alice, Alice, Alice,

Tu gostas mesmo de ser iludida,

Eu já não te disse

Para não se entregar nas mãos da vida?

 

O gato ri, mas é de tua tolice,

Deboche genocida,

Se pelos céus e mares eu pedisse,

Tu abririas teus caminhos pela subida?

 

Se o país da crendice

Está te fazendo perdida,

Por que espremes com burrice

Toda santa ferida?

 

Alice, Alice, Alice,

Tu gostas mesmo de ser iludida,

Eu já não te disse

Para não se deixar ser oprimida?

 

Alice, Alice, Alice,

Tu gostas mesmo de ser iludida,

Eu já não te disse

Para não se entregar nas mãos da vida?

 

Para cada promessa, uma doidice,

Para cada traição desprevenida,

Para cada crush uma Alice,

Para cada engano, uma constrangida.

 

Alice, Alice, Alice,

Prepara tuas medidas,

Eu já não te disse

Para ser mais precavida?

 

Alice, Alice, Alice,

Não se pode ficar abatida,

Eu já não te disse

Que nem tudo é amor, nessa vida?


 

4 - O Gato de Cheshire

 

Lá estava ele, o G de gato,

Aos amassos com sua princesa,

Mas será que de fato

O seu eu foi posto à mesa?

 

Em um dia sossegado e pacato,

O diabo esbanjando beleza

E a donzela mais faminta que o prato,

Perguntou, com destreza:

 

— Gato, eu te amo. Tu me amas?

Ele pensou, pensou e respondeu:

— É muito cedo para dizer que me amas.

 

— Talvez eu ainda me lembre de um antigo plebeu...

— Então é isso? Tens dormido em outras camas?

E o sorriso do gato reapareceu.


 

5 - A Resposta de Alice

 

Eu falei alguma piada, por acaso?

Não há motivo para dar risada,

Até onde eu sei você é que é raso,

Vive de superfície, que palhaçada!

 

Se quero um romance e não um caso,

Não significa que sou ultrapassada,

Significa que não faço pouco caso

Com os sentimentos da mulherada.

 

Não me chame de antiga, seu rude,

Eu ainda quero o seu bem,

Mas também quero que tu mudes.

 

Não quero que tu sejas outro alguém,

Quero que a empatia tu estudes,

E aí não vai mais machucar ninguém.


Psicopata

 

Dou passos no escuro

Apalpando-me às cegas no muro

Uma gota sequer de suor

Que cair no parquet

E ela vai saber

Onde estou.

 

Sinto-me observado

Pelos faróis da caminhonete

Onde olho, para qualquer lado,

Lá está ela, fazendo frete.

 

Ela lê meus movimentos,

Redige meus argumentos,

E depois corrige a mão,

Com um sorriso toda má impressão

Que tive sobre tudo,

Agora aqui estou, mudo,

Com medo da própria sombra,

É gente viva que me assombra.

 

Toc, toc, o sapato no chão,

Lá vem ela com o chicote na mão,

Será que está vindo de fato,

Ou é coisa da minha cabeça?

Arrependo-me de não ter sido sensato,

Agora me envolvo na névoa espessa,

Com medo da bruta jogada

Será que é cilada?

 

Oh, ecos,

Ecos na minha mente

Não preciso de nenhum peteleco,

O meu peteleco foi cair nesta rede.

 

Caí de amores por uma psicopata,

E agora, o que é que eu faço?

Ela me persegue feito vira-lata

Atrás de gato.

O que é que eu faço?

 

Apanha-me como laço,

Beija-me segurando a faca

Cuidando de cada traço

Traçando a rota da estaca.

 

Estou com medo de não sair vivo,

Estou com medo de ser consumido,

E se no fim algo de mim sobrar,

Será que ela vai comer no jantar?

Ai Meus Deus, só de pensar,

Já começo a suar.

 

Ping!

A gota.

Ping!

Mais outra!

Ping!

Fedeu!

Ping!

Ai, socorro! O que foi que me deu?

Será que agora eu corro?

 

— E morreu.


 

Amigues Menines

 

Ai, migue,

Não instigue,

Não investigue,

Não mendigue,

Ele não te merece!

 

Pô, menine,

Que muito se ensine,

Que não se procrastine,

Que a dor se extermine,

Vê se esquece!

 

Deixe de lado ojeriza,

Só quem te valoriza

Do jeito que tu és,

Chega a teus pés.

 

Um ser de empatia,

Transmitente da alegria,

Que com luz alumia

Todo bom amigo

Para longe do perigo.

 

Porque o maior castigo,

É não estar contigo.


 

Tiro o Chapéu

Tiro o chapéu,

Tiro, tiro o chapéu,

Para quem trabalha,

Estuda e à noite

Ainda costura o véu.

 

Tiro o chapéu,

Tiro, tiro o chapéu,

Para quem se empenha,

Vira a madrugada

Nos livros e não ao léu.

 

Tiro o chapéu,

Tiro, tiro o chapéu,

Para quem sacrifica

O próprio sono

Para cobrir com teto o céu.

Para cobrir com teto o céu.

Para cobrir com teto o céu.

Puxa-Puxa

 

Sou um puxa-puxa,

Puxa para um lado,

Puxa para o outro,

Mas, puxa!

Em dois eu só não fui separado,

Por muito pouco!

 

Na primeira mão,

A base da pirâmide,

O que pede o corpo animal,

Aquilo que se deve dizer não,

Se quiser na conta um trâmite

Milesimal, milesimal.

 

E na segunda,

Lá em baixo, bem pesada,

A mão do trabalho duro,

Que há éons moribunda,

Vira zumbi segurando enxada,

Post-mortem vem com juros.

 

Então, meu povo,

Será que vale mesmo a pena

Aqui nascer de novo?

 

Depois de certa idade,

Não dá mais para seguir

A medicina moderna,

Porque só quem tem capacidade

De oito horas dormir,

É quem vive vida terna.

 

É preciso trabalhar,

Fazer o que?

É preciso suar

Pra poder comer.

 

Infelizmente,

Ainda não há alternativa

Que legalmente

Faça a mão do tempo perdido

Novamente viva,

Num viver bem vivido.


 

Pisca-Pisca

 

Sou um pisca-pisca,

Mas ninguém sabe disso,

Quando não engolem a isca,

Dou um sumiço.

 

Minha luz

Pode soar brilhante

Em vossa companhia,

Mas sozinho carrego cruz

De peso incessante,

Apagando soberania.

 

Acontece que lágrima nenhuma

Me desce

Se ninguém me fuma,

Se não se escurece.

 

Mas não porque as escondo,

É porque ninguém deixa,

O riso, os escombros,

Desleixa.


 

O Pacto

 

A cada segundo

Em que respira cacos de vidro,

Ela renova o pacto

Que sacrifica sua desistência

Em troca de aprendizado.

 

Ela caminha descalça sobre ovos,

Faz cooper na corda bamba,

Navega sedenta pelo mar salgado,

Mas quando olha para baixo,

Bem à beira do penhasco,

Seus pés estão flutuando

E o pacto a trás de volta

Para a realidade.

 

Ela sacrifica

A própria vontade,

Mas não desiste,

Ela resiste

E em troca,

Mais forte fica,

Tomando as surras do existir

Na veia,

Com força e determinação.

 

A cada segundo

Em que respira cacos de vidro,

Ela renova o pacto

Que sacrifica sua desistência

Em troca de aprendizado.

 

Porque ela sabe

Que pode superar,

E o pacto consigo mesma

A obriga a ter consciência

Disso.

 

A cada segundo

Em que respira cacos de vidro,

Ela renova o pacto

Que sacrifica sua desistência

Em troca de aprendizado.

Descartável

 

Você não é descartável,

Por mais que o mundo diga o contrário.

Você não é descartável,

Mesmo que te façam de otário.

 

Ainda que a bagagem

Insista em te empurrar para o fundo,

Vá por mim, o mundo

Precisa de mais pessoas com a sua coragem.

 

Você não é inútil,

Por mais que assim te chamem,

Não vá dormir embaraçado a fútil,

Acorde com quem quer que te ame.

 

Ainda que a estrada

Seja escura e perigosa,

A saída é fazer piada

E desfrutar de uma boa prosa.

 

Às vezes o melhor a se fazer

É sentar em tomar um chá,

Com os amigos espairecer

E aprender a tensão aliviar.

 

Porque nem para teus parceiros,

Nem para teu eu mais intrínseco,

Você será descarte de terceiros

Se combater com amor o ímpeto.

 

O brabo mesmo é quando,

Quando se está desiludido

E anda por aí murmurando

Que amor é engano aprendido.

 

Mas se o amor não existe,

Então por que o procura

Dia em noite, em riste,

Atribuindo-lhe como cura?

 

É, porque o amor cura mesmo,

E cura e te reergue,

É preciso amor para consigo mesmo,

Para ver que a vida prossegue.

A Música

 

A Música

Me serve de massagem

Para o cérebro,

Pois como mãos,

Retira-me toda a tensão.

 

A Música

Fervilha ao mesmo tempo

Em que me faz dançar

E que me faz acreditar

Em um mundo melhor.

 

A Música

É o fermento

Que faz minha massa crescer

Em constante expansão

De harmonia e de ritmo,

De compreensão

Da dor alheia.

 

A Música

É o comprimido

Que muita gente precisa,

E não tem contraindicação,

Porque mais natural

Do que isso,

Não há.


 

Ninguém tem que Saber

Ninguém na face da Terra

Tem o direito de te rebaixar,

Se todo mundo erra,

Qual o sentido em apontar?

 

Se tu queres mesmo viver,

Fechai a boca!

Ninguém tem que saber,

E se souberem, eis tua forca!

 

Aquilo que não pode

Ser estragado,

Às más línguas eclode,

Quando falado.

 

E queres saber de uma coisa?

Teus planos são só teus!

Nem ninguém nem nenhuma coisa,

É só tu, é só teu Deus!


Superestrela

Trezentas mil cabeças

Ou devo dizer mãos?

Dedos, dedos indicadores,

A causa de muitas dores.

 

Como querem que transpareça

Se sucumbem em sermão?

Aonde quer que fores,

Desfrutarás amargos sabores.

 

Quebra-cabeça de muitas peças,

É fumaça no pulmão

Para personalidade de cores,

Putrida por velhos valores.

 

Mas ninguém tem o direito

De contrariar superestrela,

Se não enxergar o fundo do peito.

 

Importa é a clientela,

O público-alvo de respeito,

E não os gramofones na janela.

 

Olha as tuas conquistas,

Olha o teu legado,

Não deixe que persista

O ódio sem ser depurado.

 

Sejamos realistas,

Um único sorriso alcançado

Por jovens idealistas,

É melhor que qualquer trocado.

 

Melhor que sair na revista,

Do que a fama ter vivenciado,

É ser um bom artista,

Levando amor de bom grado.

 

Se um milhão de atingidos,

Coisa boa, meu irmão,

Mas se pelo menos um sair convencido,

Eis teu fruto e salvação.

Se for um existir bem vivido,

Não precisa de carro nem mansão,

Vão te dizer que estás perdido,

E sabes, têm razão,

Estás perdido no que foi pedido

Pelas pontes do Coração.

Não fique arrependido,

Mate-os com inovação,

Transforme o aprendido

Em força e superação.

 

Ninguém tem o direito

De contrariar superestrela,

Se não enxergam o fundo do peito.

Importa é atingir tua parcela,

Levar para o mundo bom proveito,

E quebrar do oprimido, a cela.

Eleve

 

Eleve

Os pensamentos,

Releve

Os desalentos,

Em breve,

Os detentos

Far-se-ão leves,

E as mágoas, o vento

Que carregue

Para longe do peito.

Antes que se enerve,

O escoamento,

Lembrai para que serve

Resfriar esquentamento.


 

A Rua Mais Linda

 

Ah, aquela rua,

É a rua mais linda da cidade,

Envolta no manto nebuloso

Da usina atômica,

Onde florescem

As flores químicas

De líquido poroso

Cor de ocre.

 

Os carros buzinam

O dia todo,

E o clima ferve

Como a raiva dos motoristas

Para consigo mesmo

Na fúria transversal

Do movimento

De êxodo.

 

A gota precipita e queima

A grama já torrada,

Derrete a fachada

E cobre as calçadas

Cinzas e tortas,

Dando liberdade,

Oh, que heroína,

Liberdade ao oprimido

E trancafiado esgoto

Com suas nuvens tóxicas.

Mas mais tóxicas ainda

São as pessoas

Que lá frequentam.

 

Mas sabe o que faz dessa rua

Uma rua tão bonita?

A propriedade em que

Te encontro.

 

Ah, aquela casa,

Quem sabe ao redor dela

Não possamos plantar um pasto,

Varrer de verde o capim,

Crescer algumas árvores,

E afixar um arco-íris?

 

Talvez nem seja preciso.

 

Huh,

Não é irônico

Como um sorriso transforma

Um ambiente hostil,

E não o contrário?

Prestação de Contas

 

Viva no controle

Para não deixar

Nenhuma

Oh, não, nenhuma,

Dívida ativa

Com o coração

Alheio.

 

Evite ao máximo

Possível,

O atrito

E que precise

De uma prestação de contas.

 

Eu sei,

Não é fácil,

Mas todo dia me pergunto

Se o que eu disse

Deixou marcas,

Marcas que eu não gostaria

Que tivessem sido

Deixadas em mim.


Olhe para Trás

 

Olhe para trás

E conte as pegadas

Que seus pés deixaram

Na areia.

 

Olhe para a frente

E conte quantas

Ainda pode deixar

Trilhando o mesmo

Caminho.

 

Quantificou?

 

Então, mi amigue,

Eis a prova irrefutável

De que tens valor!

 

A prova que a crítica

Jamais poderá combater,

A prova de que

Ninguém tem nada a ver

Com o futuro que

Escolheste.

 

Se aquele ou se este,

Meus parabéns

Por trilhá-lo!

Agora vá e escolha teus bens,

Corra como corre o cavalo,

E abrace o que te faz feliz,

Abrace a via da perdiz.

 

Abrace o valor

Que tu mesmo criaste

Sem precisar da ríspida haste

De um domador.


 

Misericórdia

 

Veja que exemplo!

Um rapaz que

Desde cedo batalhou

Pelo que desde criança

Acreditou.

 

Um cara que faz a coisa certa

Mesmo quando erra,

Tentando reparar aquilo

Que lhe foi inconveniente.

 

Um cara que sua,

Estuda,

Progride e cresce,

Com uma progressão

Para poucos,

Sendo criticado pelo predecessor

Porque nunca foi

“Lerdo” o bastante

Para ser como ele.

 

Oh, misericórdia,

Queria que o fruto

Fosse igual à árvore,

Mas a semente pode

Frutificar de muitas

Maneiras distintas,

E quem escolhe a

Mais favorável

E preferível,

É o rebento,

Já adulto.


 

Insuportável

 

“Tu não te percebes,

Seu insuportável?!”

 

Sou insuportável sim,

E fico feliz por ser

Reconhecido,

Porque isso quer dizer

Que no fim,

Permaneci inesquecido

Na tua cabeça.

 

Se isso te faz

Pensar no que eu disse,

Então continuarei,

Mais e mais perspicaz,

Na insistência e na chatice,

Porque eu sei

Que tu precisas

Pensar no assunto.

Deixa-me ser insuportável

É preciso deixar de pensar em defunto

E acordar para a vida.

 

Lamento que seja chato

Ouvir isso,

Dessa maneira,

Mas é a critica

Minha única ferramenta.


 

A Crítica Construtiva

 

Havia um muro sendo erguido

No alto daquele serro,

Mas era uma parede de vidro,

Com blocos transparentes

E com solda de areia.

Veio a crítica

E não desmontou,

Veio a crítica

E para o construtor mostrou

Os melhores tijolos,

A melhor argamassa,

E sem tirar do rosto o sorriso

E a graça,

O construtor, a obra

Concluiu.


 

O Vale dos Homossexuais

Pessoas são pessoas,

Todas cometem erros.

Há ruins e há boas,

Há nascimentos e há enterros.

 

Condição sexual

Não afeta a vida de ninguém.

Mas o ódio com disfarce casual

De opinião, sempre a ferir vem.

 

Você não será mais macho

Se um gay matar, humilhar ou bater.

Eu apenas acho

Que todos deveriam se entender.

 

Medo! Medo é dominante!

Sair na rua

Significa perigo constante,

Realidade nua e crua.

 

Pessoas que ninguém nunca viu

E nem têm como saber

Nada do seu estado civil

Cuspindo insultos ao te ver.

 

É ataque na internet

Que te relaciona com prostituição,

É gente que compete

Pra ver quem te derruba ao chão.

 

É invasão de privacidade

Por homens sem o que fazer,

Você ganha fama pela cidade

Sem jamais se envolver.

 

É obrigado a ouvir que vai

Queimar nas chamas do inferno.

Gente que pensa que de si Deus sai

Só porque lê e usa terno...

 

É obrigado a sentar e escutar

Sermão sobre netos,

Mas os valores sempre vão se mostrar

Sobretudo na paz de um teto.

 

Todos os dias,

Milhões de gays levantam cedo,

Dirigem pelas rodovias

E trabalham na construção do próprio enredo.

 

Muito antes da idade,

Foram forçados ao amadurecimento

E a grande quantidade

Adota empatia por sentimento.

 

Pois sabem como é viver com ironia,

Atacado com paus e pedras,

Sabe, como é ser minoria,

Muita luta para erguer-se das quedas.

 

Eles não vivem de festa,

Vivem é buscando respostas,

Porque a sociedade testa

E cobra vida imposta.

 

Um menino que ama outro menino

Deveria era ser aplaudido,

Pois ama além do visivo,

Ama além do compreendido.

 

Uma menina que ama outra menina

Deveria era ser encorajada,

Porque já luta por ser menina,

Agora luta também por ser amada.

 

Enquanto a população

Pensa em drogas, taras e safadezas,

Muitos cantam aquela canção

De Lennon imaginando além da beleza.

 

Enquanto muitos atuam de juízes,

Há muitos românticos na cena no macarrão,

Do filme de amor da Disney,

Aquele do cão.

 

Sacrificar-se

Para poder ouvir o peito,

É como libertar-se e ainda viver no cárcere

De um mundo de desrespeito.

 

O Vale dos Homossexuais

Sempre existiu e sempre vai existir,

Apolo e Jacinto, provas cabais,

E respeito, a única coisa que o Vale grita a exigir.

 

O Vale dos Homossexuais

Sempre existiu e sempre vai existir,

E todas essas perseguições infernais,

Rezo ao Bem para que venham a se extinguir.

Digamos que... / Débora / Explique

 

Digamos que

Um dia, como quem não quer nada,

Débora resolveu ser safada,

Quando bem a sua frente se abriu

Uma bifurcação.

 

De um dos lados do rio,

Uma tropa de homens,

Do outro,

Uma de mulheres.

 

Digamos que

Débora tenha resolvido seguir

Na direção das mulheres,

E assim fez surgir

O interesse por elas.

 

Digamos que

Débora tenha feito isso tudo

Ciente de onde estava se metendo.

Afinal, tem louco para tudo,

E ela gostaria de estar sofrendo,

Porque ela sabia que

Escolhendo aquele caminho,

A vida não se pautaria em carinho,

Mas nas linhas sangrentas

Da humilhação e intolerância,

Do ódio, preferiu ser detenta.

 

Digamos que

Débora, além de gostar de apanhar,

Tenha feito tudo isso

Na mais fria vontade,

Com a mais livre liberdade

De escolher seu tesão,

Sem qualquer remorso ou noção.

 

Digamos que

Essa seja a Débora:

Uma sadomasoquista,

Do próprio corpo nata maquinista

E ainda podemos acrescentar

Nessa lista

O desejo de causar.

 

Então explique

Porque dentro da cabeça da Débora

Não há dúvida que fique,

Se, ora pois,

Ela escolheu por vontade própria

Sua condição,

Como conseguiu por vontade própria

Excluir completamente o desejo por homens?

 

Explique

Como dentro da cabeça dela,

Débora não consegue sentir nada

Por nenhum menino,

Se ao tomar o caminho das damas,

Seu corpo continua sendo feminino,

E em tese,

O instinto de reprodução deveria agir,

Do mesmo jeito

Que a sede e a fome?

 

Nesse caso,

Débora não deveria gostar dos dois?

Ora, pois,

Um escolhido pela cabeça

E o outro naturalmente escolhido por corpo?

 

Explique como tendo Débora

Optado gostar de garotas,

Ela não sente nenhuma sequer vontadezinha marota

De sexualizar qualquer rapaz?

 

Explique como as partes baixas

Do corpo de Débora

Não se encharcam jamais pelo que encaixa,

Mas pelo que lhe foi “escolhido”?

 

Explique como Débora

Manipulou o próprio corpo

Para jamais sentir qualquer coisa

Além do que a cabeça dela quis pensar.

 

Explique como Débora

Fez isso!

EXPLIQUE!

 

Ah, eu me esqueci!

É mais fácil achar um versinho no cartaz

Para rebaixar e humilhar,

Do que ir atrás

De respostas.

Do que procurar

No DNA.

 

Se Débora,

Além de ser tudo isso,

Com habilidades sobre-humanas

De controlar o corpo,

Sendo que toda energia que emana

Da natureza não é laço solto,

Mas tem um propósito...

 

Como Débora fez para

Assinar o próprio atestado de óbito?

 

Acho que agora

Está fácil de responder.

Acham mais fácil mandar uma filha embora

Do que estudar e compreender...


 

Ascenção e Queda do Senador Penha

 

Penha é um senador,

Provido de visão,

Provido de pudor.

 

Penha tem a missão

De lutar contra o mal que for,

Em prol da fração.

 

Penha é um garoto com um sonho

Quer a vida feia embelezar

Ele não tem nada de tristonho,

Quer fome e a pobreza exterminar.

 

Não dá a mínima para o partido,

Valoriza o amor e o lar,

Quer ao fraco e oprimido

Dar condição de se sustentar.

 

Ele não é nenhum bandido,

Não se importa em trabalhar,

Sente orgulho do que tem vencido

E vai à guerra para mais conquistar.

 

Mas Penha não sabia de nada,

Sua vida pessoal começou a se expor,

Se soubesse andava à mão armada,

Será que ele deveria depor?

 

Penha não sabia bulhufas,

Quem é que vai transpor?

Após muitos gritos e ufas,

Quem é que vai repor?

 

Penha não tinha a mínima noção

De como as coisas funcionavam,

Entrou movido de paixão

Achando que os crimes se solucionavam.

 

Ele não tinha sequer uma sensação

De que muitos o olhavam,

Não via a quantidade de víboras no chão

Em que seus pés pisavam.

 

Mas Penha não entendia de lucro

Não sabia que quem movia as maletas,

Era o engravatado xucro

O mesmo que trazia as borboletas.

 

Penha não via o esquema,

De seus colegas a conspirar,

Por trás escondia-se edema

Para nele a culpa botar.

 

Quando a bomba estourou

E grito do lobo pelo país ecoou,

Era tarde demais para pedir senha,

Era tarde demais para Penha.

 

A conspiração reverberou

Penha a princípio não entendeu

Por trás das grades o povo o colocou,

"Não fui eu não, não fui eu!".

 

Depois de um ano solitário

Pagando pelo delito dos outros,

Penha revirou seu armário

E encontrou a prova dos potros.

 

Lá havia um bilhete

Anônimo da corrupção,

Sentou-se sem precedente

E anunciou renunciação.

 

E a Capital soltou fogos,

Quando o inocente foi destruído,

Penha caiu de cabeça nos jogos

E morreu destituído.

 

Nesse dia o avião brindou

Com um gole bem caro,

Com certeza não foi o líquido que o povo mijou

Na favela, na vala dos ratos.

 

Quem sabe o que se passa

Na cabeça desses de terninho?

Aposto que muita cachaça,

Dinheiro, mulheres e jatinho.

 

Quando aparece alguém que ajude

Morre alguém da família,

Dá um problema de saúde,

Some um bem, some uma filha.

 

Depois de muito se empenhar,

Penha entendeu o recado,

Qualquer lugar é melhor para o país ajudar

Do que estando no senado.

Lótus

A flor de lótus nasce

Em meio ao lodo

Em meio ao lodo

Em meio ao lodo.

 

E o brilho estampa a face

Simples como um todo

Simples como um todo

Simples como um todo.

 

A flor de lótus nasce

Em meio ao lodo

Em meio ao lodo

Em meio ao lodo.

 

Mas não deixa que se enlace

A feiura do todo

A feiura do todo

A feiura do todo.

Sozinho

 

I

Céu nublado e eu aqui sozinho,

Esperando que a chuva caia,

Esperando um sinal de carinho

Em meio ao mar de vaias,

Não me cabe mais nenhum mesquinho,

O material se dissolve na praia,

Garçom, por favor, um gole de vinho,

Eu só quero que a dor se esvaia,

Que se abram os meus caminhos,

E não que ruam como ruiu o povo maia,

Eu tento fazer tudo certinho,

Eu tento que a amargura de mim saia,

Nesse visível joguinho

Que o povo toca e fala,

Quero seguir em frente em meu barquinho.

 

 

II

Bate-me a solidão

Como nunca me bateu,

Lembro-me da provação,

Mas não sei da coragem, que fim deu,

Eu só quero paz no coração,

Eu só quero saber que fui eu

Que tentei de tudo pela boa ação,

Que o melhor meu consciente deu.

Mas as pessoas não veem coração,

Tudo o que elas veem é breu,

Porque só quem toca um espírito em ascensão

Sabe o amor que absorveu.

 

III

Eu não me importo de saber

Que sozinho estou,

Porque nunca estou sozinho.

Eu quero é poder

Levar para onde vou

Esse prazer de ser padrinho,

Eu quero é viver

E levar a vida onde vou,

Olhar e ver que a grama do vizinho,

Pode estar a apodrecer

Assim como a minha quase se dissipou.

E por fim certificar-me de que o linho,

Volte a crescer

E a vestir o povo que tanto lutou

Assim como lutei desde o ninho.


 

Sinos de Vento

 

O menino tem medo,

Oh se tem,

O menino tem medo

De um dia ver

Aquilo que deixou de viver.

 

Mas por incrível que pareça,

Quando os sinos de vento

Põem-se a tocar,

Não há nada que o impeça

De se apaixonar.

Quando o sangue ferve fluido

E as matrizes da felicidade

Alvorotam-se em presença,

O menino abraça com sanidade

E total consciência,

A possibilidade.


 

Evidente

 

É evidente que a abiogênese

Não condiz,

Por isso, meu Deus é abstrato,

Nem humano, nem rato.

 

Abençoo as esferas e as supernovas,

A ideia de diabo, uma ova!

 

Se até para as medidas do corpo

Há uma proporção de ouro,

Por que o princípio mais importante

Do Universo

Teria brotado em vão?

 

Não acredito em um Deus-vindouro,

Acredito em um Deus-Geração.

 

Não sou um pedaço da alma dEle,

Nem foram pedaços Hitler, Mussolini ou Stallin;

A minha alma não vai para o lugar aquele,

Nem para o precipício e nem para o vale.

 

Talvez um dia,

Eu volte para a Terra,

Para segurar nova cruz.

 

Citando Ricardo Manfredini *

Pelo Espírito João de Deus,

A luz,

A luz é meu Deus.

 

 

 

_____________________

Leitura Recomendada:

*MANFREDINI, Ricardo. A vida resistirá. - Ricardo Manfredini; espírito João de Deus - Goiânia: / Editora Kelps, 2016. 60 p. il.

 


 

Carla

 

Carla abriu a porta e entrou de fininho

Porque todos pareciam estar encarando,

Não podia dar nenhum sequer piozinho,

Não sabia como ainda estava andando,

Medo de arder no outrora amado banho quentinho.

As feridas já frias ainda estavam esfolando.

Seu coração precisava de consolo e carinho,

Mas ela não suportaria alguém de novo a tocando.

 

Carla chorava lágrimas de desespero,

O que os outros iriam pensar dela?

Ela já até cogitava um fim derradeiro,  

Na vida já ouviu muito "vadia, cadela",

Mas depois desse twist sorrateiro,

Carla jamais poderia ser uma Cinderela.

 

O pescoço de dor não virava mais,

As mãos horas depois ainda tremendo,

Como ela iria contar para os pais

O que estava acontecendo?

 

Carla sofria cheia de hematomas,

No chão do quarto jogou-se sem esperança,

E se com o passar do tempo surgissem os sintomas

De ali haver sido depositada uma criança?

Não sabia mais se o enjoo ao sentir qualquer aroma

Era coisa da cabeça ou era mesmo ânsia.

 

Carla, o que fazer, Carla?

O que fazer?

 

Ela tampava com as mãos a boca,

Mas isso lembrava as mordaças de carne,

Será que estava ficando louca?

Todo o sangue que brotava era seu descarne?

 

Carla se encolhia na parede

Mas isso lembrava como havia sido imobilizada

E as mãos presas em algema, sufocada pela rede,

Enquanto com violência era forçada.

Carla não sentia mais fome nem sede,

Ficou em claro por toda a madrugada.

O que era mais frio: os tijolos da parede

Ou o medo a forçando ficar calada?

 

A mão que sua boca prendia

Fez tanta força que rasgou a gengiva

E mesmo um tempo depois, ainda doía

Todas aquelas pancadas lentas e progressivas.

Mas o que ela não entendia

Era aquela paixão compulsiva,

Aquela vontade doentia

Que a fez colidir contra bruteza destrutiva.

 

Teve um momento que não aguentou

E cedeu à pressão supremacista,

Carla sem forças chorou

Enquanto era vítima daquele troglodita.

 

Carla, o que fazer, Carla?

O que fazer?

 

Carla se levantou depois de um pesadelo

Que teve com os olhos bem abertos

E viu ali sua única companhia em zelo,

Um telefone, ela havia descoberto.

 

E naquele momento, todos os anjos em coro,

Suas preces direcionaram,

Ela engoliu e aguentou no couro

Enquanto a examinaram.

 

Teve alguém para duvidar, sem engano,

Mas Carla não recuou um passo sequer,

Ela tem apenas doze anos,

Mas já sabe o quão duro é ser mulher.


 

Peguei Pesado

 

Ser Humano:

Criatura racional

De quatro-seis cromossomos.

 

Ou melhor dizendo,

Acha que é racional

Mas não sabe de nada.

 

As pessoas

Têm asco da verdade,

Nascem, crescem,

Projetam cidades,

Mas deixam para trás

A ingenuidade

De criança,

Que não vê desigualdade

No irmão,

Na mocidade.

 

As pessoas

Ignoram a verdade,

Porque têm medo

De serem substituídas

Talvez seja cedo

Para dizer que estão perdidas,

Ou talvez estejam há tanto tempo

Que já não podem mais sequer

Ser socorridas.

 

A verdade dói

Queima como brasa ardente.

 

Há gente que se corrói

Só de ver o próximo contente.

 

Alguns lambem a reputação

De conservadores

Porque qualquer alteração

Ou pequena mudança

Os fazem morrer de horrores,

Morrer de cagança.

 

Sempre vai ter

Aquele tiozão

Para dizer

Que você Pegou Pesado

Mas junte desses um milhão

E não obterás um

Com igual bravura em teu seio estampado.

 

Porque pra ver adiante

E planejar futuro,

Seja próximo ou distante,

É preciso desafiar

O medo da religião,

Desencravar

A verdade da ficção

E em casa

Fazer a lição

Para só assim obter resultado.

 

Mas se para obter a repercussão

É preciso mudar,

Antes o ser humano precisar parar

De querer chamar atenção

E entender que estudar

Com respeito e dedicação

Sempre será a melhor opção.

 

Matar jamais,

Senão,

O mundo tornar-se-á mundo de canhão.

 

O ser humano

Se borra de medo da verdade

E da transformação,

Mas em seu seio pede libertação.

 

Libertação do que,

Se não queres mudar?

 

Achas que Deus

Vai te livrar

Daquilo que tu mesmo

Podias melhorar

E nada fizeste para

Ajudar?

 

Pelo contrário,

Em teu eu sabias que era verdade

Mas tivestes medo da liberdade

Que se obtém ao lutar

Contra o mar de fantasia

Daqueles cujos quais o medo domina.

 

É, não há como negar.

O ser humano fede.

Se esconde debaixo

Da asa protetora da mãe-receio

E julga a si e aos outros

Com a fôrma do preconceito.

 

Mas para boa cabeça

Revestida em firmeza de ferro,

Não é qualquer “bigorninha”

Que fará com que estremeça,

Um só berro

E ela se parte todinha.

 

Tem que botar quente mesmo!

O poeta poderia sussurrar

Floreios e eufemismos

Em redondilha ou alexandrino,

Nos ouvidos do menino,

Mas ele sabe que se não gritar,

Se pesado não pegar,

Ninguém vai se mover.

Crime Passional

 

Pode prender, seu juiz!

Foi Crime Passional!

Ele roubou

E depois destruiu

Meu coração.

 

Estou passando mal,

Ele dilacerou

E partiu

Bem-partido

Meu coração.

 

Alguém me diz

Como faz para ser feliz

Depois de ter sido

Arrancado

Do peito, o pulsar?

 

Alguém me conta

Como deixar de ser tonta

E continuar vivendo

E escrevendo a vida

Sem querer revidar?

 

Pode prender, seu juiz!

Pode prender!

Coloque-o atrás das grades

Para que esta beldade

Não volte a me magoar.

 

Ou melhor,

Vamos pensar maior,

Prenda esse diabrete

Para que ninguém mais enfrente

A dor de por ele se apaixonar.


 

Gordo

 

Gordo o carai,

Sou Soft,

Quando alguém em mim tropeça e cai,

Ploft!

Envolve-se no amasso

E se apaixona pelo abraço.

 

Pastel de Vento

 

Tem gente que é igual

Pastel de Vento,

Atrativíssimo por fora,

Mas por dentro,

Saturado

E cheio de ar.


 

Telemarketing

 

O pior tipo de discussão,

É a discussão-telemarketing,

Aquela em que vira e mexe

E você tem de aturar

Até o final

Sem alterar o tom de voz,

Pois está sendo gravado.


 

Azul-Índigo

 

Eu vejo o branco-alvo

De teu sorriso,

De felicidade e prazer,

Também de juízo.

 

Eu vejo o verde-folha

De tua esperança,

De muitos verdes

Como tua natureza.

 

Eu vejo o amarelo-dourado

De tua riqueza

Em saúde e alegria,

Em sorte e primazia.

 

Eu vejo o laranja-felino

Das chamas escalavrantes

De tua ambição,

Ardendo sem precisar de carvão.

 

Eu vejo o vermelho-rubra

Do sangue que bombeia

Para teu coração,

Da vida e do pulsar.

 

Eu vejo o rosa-pink

Do pomar,

Da frutificação

De tua poesia.

 

Eu vejo o roxo-púrpura

De teu perfume lavanda,

Cintilando-me

No aroma da carne.

 

Mas também vejo o azul-índigo

Do mar da frieza

Com que me tratas,

Das cores mais frias.

 

Eu vejo muito mais

Do que um prisma em teus olhos,

Mas talvez eu simplesmente devesse

Enxergá-los da cor que de fato são:

Preto-Vazio.


 

Ele só quer chamar atenção

 

Ele só quer IBOPE

Com seus exageros,

Tipo Rochelle e o xarope,

Tipo briga de herdeiros.

Ele só quer audiência,

Gritando em desespero,

Mas avisa que pra mim doença,

É se esquecer de tudo por dinheiro.

Ele quer fama,

Só brinca com banqueiro,

Mas não me engana,

Se tem vergonha de carpinteiro,

É porque só quer grana;

Não chame nenhum bombeiro,

Porque se aviva a chama

Que vai queimar esse farinheiro.

E quando eu digo farinha,

Não é essa que tem na cozinha,

É aquela que te faz perder a linha,

Aquela que te come

Como cão faminto atacando galinha.

Quanto mais aqui eu falo,

Mais você ganha fama de galo,

Mas se é fama o que você quer,

Seja feliz com o que tiver,

Seja feliz no embalo,

Aprenda o que seu coração puder,

E se arrependa se assim ainda quiser.


 

1920

 

Chegou a morte

Para um velho capataz,

E nos últimos segundos, por sorte,

Voltou a ser rapaz.

 

De volta a mil novecentos e vinte,

Lá estava ele com seu requinte,

Esperando convite

Para ir tomar um quite.

 

E no meio da noite

Começou a chover,

Água potável a cair e a escorrer,

Mas a verdade é que o açoite

Era o peito a doer.

 

“Coitadinho,

Está todo molhado,

Prestes a ser traído

E não sabe, coitado!”

Mas lá estava o vinho

E um conhaque do lado.

 

Ele olhou para sua versão mais nova

E comentou “Estou indo para a cova,

Onde foi parar

Aquele garoto com tanto, tanto

Tanto sonho a sonhar?

 

E se lembrou então,

De como era a vida no sertão,

Onde desdenhou educação,

Juntou o primeiro tostão

E torrou na farra com seus irmãos.

 

Achava que a dor

Era sofrer de amor,

Mas hoje sabia que sofrer pela cor

Era o pior sabor,

E na época em que devia

Ao preconceito se opor,

Era só mais um jovem que bebia

Uma boa dose de licor

Sem se preocupar

Com as consequências...

Ele queria voar

E esquecer-se das carências,

Ele queria amar

Várias em sequência,

Só porque a com quem queria se casar

Tinha escolhido outro, oh demência.

 

Um gole aqui,

Um gole ali

E o peito a entupir,

Um gole aqui

Um gole ali

Não queria discutir.

 

Talvez fosse muito hormônio,

Mas poderia invocar o demônio,

Era raiva, era traição,

Era lágrima, era coação.

E assim erguia a enxada,

Depois dava uma exagerada

No fim de semana

Uma hora com a Rita,

Uma hora com a Ana.

 

E assim passou o resto de seus dias,

Onde arrastou consigo

Pedro, Paulo e Malaquias,

Seus melhores amigos.

 

Mal ele sabia

Que não era esse tipo de amigo

Que florescia.

 

E assim foi por muito tempo,

Um gole pro santo

E outro para dentro.

Um gole ao pranto

E outro ao vento.

 

Irresponsável com a própria vida,

Deixou o lar,

Deixou a família,

Deixou de trabalhar,

Deixou sua filha,

Para ir para um bar,

Para descer de táxi a descida.

 

E quanto mais ele saboreava

Os prazeres carnais,

Seu eu desintegrava,

Mais e mais.

 

Como poderia se arrepender agora?

Se já tinha chegado a hora?

Como poderia com Deus se redimir

Se ele mesmo havia escolhido partir?

 

Mas que bobagem,

Por um instante, pensou,

Talvez fosse tudo uma miragem

Ele comeu diversas vezes o pão que o diabo amassou,

Era seu direito ser feliz,

Mas então parou

E viu que quanto mais bebia,

Mais doía

A cicatriz.

 

E o que ele poderia fazer?

Havia tempo de se arrepender?

Talvez fosse tarde demais

Para apesarar-se dessa e das demais,

Porque no fundo,

Já se sentia imundo

Na podridão

Do mundo

E da decomposição.

 

E o que mais dava medo,

Não era a hipótese de encontrar-se com o capeta,

Era saber que ainda faltava mais de sete anos

Para mil novecentos e quarenta.


 

A Ex-Esposa

   

Hasta La Vista, baby

Pegue o seu Mustang,

Ou o que sobrou dele,

Vai lá com sua gangue,

Mas me dê o fora daqui,

Achou que eu não ficaria sabendo?

O que é isso na sua cara, medo?

Você já me perdeu, não tem redimir,

Que pena que só deu valor

Depois que perdeu,

Mas a boa é que o meu sabor

Ainda vai te atormentar, Romeu,

Por muitos e muitos anos.

E não, eu não estou surtando,

Essa faca aqui na minha mão

Não é minha, não,

Ela é a faca fixa e firme da confiança,

Que você fez questão

De me fincar nas costas

Por causa daquela criança

E dessa tara constante,

E a cada dia você mais e mais distante,

Mas eu não sou boba,

Meu filho, eu sou uma loba

E eu sou a rainha da matilha,

Fique sabendo que tudo

O que me convém na guerra e na guerrilha,

A mim não passa cego nem mudo,

Muito menos surdo,

Eu tenho pássaros em meus ouvidos,

Eu tenho visto, eu tenho ouvido,

E não vou negar,

Eu até tentei pensar

Que talvez você fosse voltar

E se recuperar,

E mudar

E nós iríamos enfim nos casar,

Espero que tenha valido a pena

Esta será a última vez

Que verá seu brinquedinho em cena,

Esta será a última vez

Que me verá brava,

Oh, na-na-ni-na-não,

Ou você pensava

Que aquele dinheiro que EU juntei

Não iria junto comigo para Milão?

Pode ir abrindo a carteira,

Estou farta de financiar zoeira,

Ah, então você pensava

Que enquanto suas cuecas eu lavava,

A sua insignificante minhoquinha

Poderia visitar outra toquinha?

Pois bem,

Aqui vai a real, meu bem,

Eu não fui feita para cozinhar,

Eu não fui feita para os seus filhos criar sozinha,

Enquanto eu ficava em casa

Em depressão lidando com as contas,

Você ganhava asas

E ia pra noite me fazer de tonta,

Mas eu sei,

Não tem mais como negar,

Algum dia, eu avisei,

Que tudo a mim iria chegar

E eu não nasci ontem, não,

Pode até tentar levantar a mão,

Mas o tiro da espingarda

Já terá atingido sua retaguarda

Ou você acha que não tem um Ricardão

Segurando a arma do lado de fora do portão?

Ou você acha que eu sou trouxa

O suficiente

Para não ter nenhum contatinho eficiente?

Escuta aqui, seu palhaço,

A bala é de aço

E vai te rasgar na mesma intensidão

Com que me dilacerou o coração,

Ou você achava

Que enquanto de mim

Pros teus amigos debochava,

Eu não me preparava

Para o que estava por vir?

Ah, mas você não sabe

Com quem se meteu,

Já ouviu a expressão “não cabe

Ao rei ajoelhar-se a plebeu?”,

Ah, pois é,

Se desconhecia, agora conhece,

Zé mané,

Vê se cresce

Você nem chega aos meus pés,

Moleque da vida,

Um idiota sem renome,

Esqueceu que aguerrida

É meu sobrenome?

Não, pra ser boba eu não fui feita,

Eu sei que eu não sou perfeita,

Mas você não me deu valor,

Você me tratou como lixo,

Então fique sabendo, bicho,

Que eis aqui seu delator:

 

— E na ponta da faca a denunciar,

Um sutiã usado a balançar.


 

Setembro Amarelo

 

Talvez o que mais machuque

É que o setembro é amarelo,

Mas o ato em si é muito mais singelo,

Do que um mero post no facebook.

 

 

O Espartilho

 

O espartilho aos poucos evoluiu

Sem muita diferenciação,

Para uma forma “menos vilã”,

De opressão:

O sutiã.


 

Quando fazem o Pomo de Adão Ficar Entalado

 

Que Edward Mãos de Tesoura,

Que nada!

A moda agora é LÍNGUA de tesoura,

Aquelas que articulam palavras e cortam

A garganta do próximo,

Plantando ali o terror da angústia.

Será a minha áspera assim?


 

Monopólio do Conhecimento

 

Não, não quero ser um monopólio do conhecimento,

Tenho certeza que para meu crescimento,

As críticas não arbitrárias

Serão necessárias.

 

Acontece que algumas pessoas

Não aceitam ser contrariadas,

No fundo, sei que são boas,

Mas como não sabem o que fazer,

Sentem-se ameaçadas,

Por isso dizem que gosto de me aparecer.

 

Mas critiquem!

Critiquem e não mendiguem

A razão,

Porque às vezes,

É muito mais coisa do coração

Do que a razão,

Propriamente dita.

 

Critiquem!

Critiquem, mas não fiquem

Como detentores da verdade,

Porque às vezes,

O que para um é verdade,

Para o outro é anti-liberdade.


 

Eu luto por mim, luto por ti, luto por todos

 

Então eu sou vagabundo?

Meu caráter é imundo,

Eu fui tomado pelo mundo,

Hã?

Desculpa,

Se você sente alguma culpa

No seu interior

E pra poder dela se esquecer

Precisa se opor

Ao jeito, dos outros, de ser.

 

Pode me chamar de idiota,

Pode me ferir a pau e a estaca,

Mas há muito mais quem diga que sou foda,

Não diminua minha luz se a sua é fraca.

 

Eu ‘tava ocupado,

Desculpa te deixar esperando,

‘Tava enxugando meu cérebro suado

De respostas pr’esse mundo ficar buscando.

 

Desculpa se meu pensar

Abre um balão muito grande,

Meu foco não é a ninguém sufocar,

Mas dar a gente de valor um lugar no estande.

 

Enquanto muitos buscavam os holofotes,

Enquanto muitos davam pinotes,

Eu crescia e me tornava mais forte.

 

Se minha força te incomoda,

Peço perdão,

Não quero ser o mais foda,

Só luto para fazer tudo com precisão.

 

Porque aqui,

Se um projeto qualquer sair,

É pra sair bem feito,

Então, meu chapa,

Quando tu colocas defeito,

Minha equipe vai lá e encaçapa.

 

No meu tempo,

Chamavam isso de inveja.

 Todo esse contratempo

Que você criou

É o desafeto que você mesmo despeja

No seu interior.

 

Não me culpe,

Eu não estou buscando ser perfeito,

Como você tem feito,

A pedra da fama que meu time esculpe

É à prova de gente botando defeito.

 

Quando eu saí da comunidade,

Ninguém dava nada pra minha pouca idade,

Mas graças à Mãe Natureza,

Eu tenho na mente a certeza

De que muitas línguas grandes

Eu calei,

Então não esquenta, meu bem.

 

Muita gente tomou nos dedos,

E arregalou os olhos de medo

Quando viu que a voz que ecoava

Era mais do que uma voz brava,

Era a voz do povo,

Manifesta de novo e de novo,

Até todo mundo aprender

Porque enquanto

O império do aborrecer

Não se render,

Eu vou voltar e voltar

E lutar

Pra te defender.

 

Pode até tentar me derrubar,

Mas eu sei onde é o meu lugar,

Calculo sempre onde posso pisar,

E não vai ser em você

Nem em ninguém,

Pra você tudo o que eu posso dizer

É amém.

 

Espero que um dia

Tu possas ver os dois lados

Que toda situação proporciona,

O que você tem mais e o que tem menos simpatia,

Nenhum certo, nenhum errado,

Minh’alma se emociona.

 

Espero que dê tudo certo no seu caminho,

Eu sei que é longa a jornada,

Pode até tentar me tirar tudo, me tirar o ninho,

Mas eu não vou desistir até que TUA vitória seja alcançada.

 

Porque a minha felicidade é ver a tua,

Se tu não consegue me ver sem gritar “perua!”,

Sinto muito, pode continuar assim,

Mas eu não vou desistir até o fim,

Eu vou lutar até contra um querubim

Se preciso for,

Mas fique sabendo, meu amor,

Que não vou me rebaixar tentando compor

Uma resposta de ódio pro teu desamor.

 

O mundo é pesado,

O mundo é um peso,

Mas eu cresci amarrado

E agora que vejo,

Ninguém jamais

Vai me fazer voltar atrás

E me tirar o que eu conquistei

E o que ainda vou conquistar,

Não quero dinheiro, rico já sou não serei,

Eu quero cada vez mais é me aprimorar,

Mas não tomando como base

O brilho que no próximo se vê brilhar,

Mas minhas próprias antigas fases,

Naquelas velhas frases,

Que já não mais cabem,

Que nada mais valem,

Mas que um dia eu disse,

E agradeço hoje por perceber que foi burrice.

 

Eu cresço e cresço,

Mas o nível eu não desço.

Comentários como o seu

Só me fazem agradecer mais e mais a Deus,

Por não ter olhos vendados,

E jamais ter orquestrado

Ataques nucleares como os teus.


 

Feio

Sou feio

Mas não sou burro

A cada esmurro

Que a vida me dá,

A cada muro,

Que há de se criar,

Eu hei de superar.

 

Quanto mais me dizem

Que esse tampinha aqui

Não vai conseguir,

Mais eles veem esse moleque rebelde

Progredir e evoluir.

 

Quanto mais me chamam de menina,

Menos mostro a eles o Katrina,

Porque seu eu der pra eles o furacão,

Então terão conseguido o que queriam,

Minha preciosa atenção.

 

E chamar atenção de estrela,

É como escolher uma única centelha

Em uma noite de fogos,

Então ninguém me tira o foco,

A barreira pentelha

Até quebrar eu chuto, esperneio e soco.


 

Desperdício

 

Quando te disserem

Que você é um desperdício

De tempo e de espaço,

Mostre a eles o desperdício

Que é levar na cara um tapaço.

Mas não dê um tapa físico,

Dê um tapa à moda Picasso,

Mostre a eles que a sua parte

É trazer pra esse mundão

A arte

Da esgrima,

Da rima,

Do espadarte,

Do fogo,

Do estandarte.

Se é pra comparar,

Digamos que o mundo seja uma sala de aula,

Alguns vão querer passar cola,

Outros vão ter que rebolar

Para aprovar,

Mas o que é importa é que

Sendo da frente ou do fundão,

Todos têm uma função

Que é conquistar uma profissão,

Uma mesa pra por o pão,

Uma luta, um ganha-pão.

Quando disserem que tu és um completo desperdício,

Diga a esses estrupícios

Que pra mim, você sempre será meu irmão,

E que enquanto respirar, terá minha proteção,

E não só a minha,

Mas a da Constituição.

Ninguém vale mais do que ninguém

E quando a brincadeira vai além,

A única coisa que te peço

É para calar esses infelizes,

Porque quanto mais me expresso,

Mais vejo que é bom ter amor pelas raízes,

E se eles não gostam de você assim,

Que se dane,

Você é perfeito pra mim.


 

Essa é para Pais (homens) e Responsáveis

 

Senhores Pais e Responsáveis,

Por que os senhores não ensinam

Pros seus filhos a controlar

Essas peecas

Ao invés de chamá-los de beeshas

Se não mostrarem a lista

De quantas eles já “pegaram”?

 

Senhores Pais e Responsáveis,

Por que se a sua filha fica

Com um menino,

Ela é vagabunda, promíscua,

Enquanto seu garotinho

Ganha recompensa

Por dar uma de garanhãozinho?

 

Tem alguma coisa errada...

Muito errada.

Pais e Filhos

 

Você já amou seu filho hoje?

Você já amou seu filho hoje,

Ou apenas aprendeu a conviver

Com ele?

Já o abraçou, já o beijou,

Você já amou seu filho hoje?


 

O Coelho

O Coelho

É um bicho complicado

De se criar,

Porque ele é muito arisco

E a gente dá e dá amor,

Mas ele não sabe amar

A gente de volta.

Mas se tem uma coisa

Que ele sabe fazer

Com força de vontade

E maestria,

É procriar.

Sabe,

Tem muita gente por aí

Que é que nem coelho,

Só que ao invés de elas

Terem medo de mim,

É o contrário,

Eu é que tenho medo delas.

Sátiras e Anedotas

 

Não é porque eu vivo

De sátiras e anedotas

Que eu não vou falar

Do que realmente importa,

De toda podridão

Que esse mundo comporta.

 

Não é porque eu vivo

De sátiras e anedotas

Que eu não vou falar

Do que realmente importa,

De toda podridão

Que esse mundo comporta.

 

Não é porque eu vivo

De sátiras e anedotas

Que eu vou ser idiota

E deixar de mencionar

O que realmente importa,

A necessidade de

Não engolir ideia imposta,

Mas somente aquilo

Que teu peito crê e gosta.


 

E Assim Morre o Assunto

 

Oi, tudo bem?

Oiiii;

Tudo e com você?

Tudo bem também.

Novidades?

Não, nenhuma, e você?

Nenhuma também.

Que tá fazendo?

Nada e você?

Nada também.

— E assim morre o assunto.

Bem-vindos à geração

Onde fazer nada é melhor

Que andar junto.


 

Égua

 

Chame-a de égua, chame!

Tá achando que o senhor é um tordilho?

Ih, meu filho,

Tá mais pra pangaré,

Oh, zé mané!

Ela é uma p*ta de uma mulher

Trabalhadora,

Na vida uma vencedora,

E o senhor, o senhor o que que é?

Se situa, qualé, 

1 centavo é o preço do homem de má fé.


Ouro em Pó

 

Garota, essa tua paixão

Já se desgastou mais que ouro em pó,

Se tentar esfarelar mais,

Não esfarela,

Não tem como ficar pior.

Antes até tinha algum valor,

Mas agora todo o resto

O vento levou.


 

A Fome

 

Eu tentei apagar a fome,

Eu tentei apagar,

Eu tentei apagar a fome,

Eu tentei apagar,

Tentei,

Tentei,

Tentei,

Eu tentei apagar a fome,

Eu tentei apagar,

Eu tentei apagar a fome,

Eu tentei apagar,

Mas no fim foi a fome,

A fome que me apagou

Sem muito tentar.

Shanti Devi

 

Esta história talvez te dê vertigem,

Mas é preciso revivê-la,

Trazê-la de volta da fuligem,

Porque é mais que cinco estrelas.

 

Em onze de dezembro

De mil novecentos e vinte e seis,

Reencarnou mais um membro

Ciente para contar para vocês.

 

Shanti Devi se chamava,

E aos três ou quatro anos de idade,

Já dizia que seu marido a esperava

Em Mathura, outra cidade.

 

Shanti lembrava de ter tido filho,

Ludgi lembrava de ter sido,

Em seus olhos se via o brilho,

Até Gandhi foi convencido.

 

Mas Shanti não é o único caso

De lembrança póstuma,

E não diga que é fruto do acaso,

Ou que era mais uma apóstola.

 

Nem os pais acreditaram,

Era só a imaginação,

Creditaram,

Até ficarem sem reação.

 

A menina reconheceu

O suposto marido disfarçado,

A riqueza em detalhes convenceu,

Todo mundo ficou chocado.

 

Mas Shanti não foi a primeira

Nem a última a se lembrar,

É só passar uma peneira,

A internet está aí pra pesquisar.

 

O fato é que não se explica

A morte da consciência,

Mas que bom que a Metafísica

Nos dá essa evidência.

 

Sabe-se lá se já não vivemos

No tempo do faraó,

Se já não nos trucidemos,

Lá pelos templos de Jacó.

 

Sabe-se lá se sadio ou se em chaga,

Se escravo ou de proficiência,

Mas que bom que o véu apaga

Pra gente não lembrar das pendências.

 

Se na vida de agora

Todo mundo tem do que se arrepender,

Que bom que quando vamos embora,

Deixamos de nos ocorrer.

 

Shanti não foi a primeira,

Nem a última a se recordar,

Acreditar em reencarnação de primeira,

É difícil, mas as pessoas hão de se lembrar.

 

A internet está aí,

É só pesquisar,

Não que tu tenhas de seguir

E essa crença exaltar.

 

Apenas obtenha conhecimento,

Porque ele será o responsável,

Por teu discernimento

Do que é ou não aceitável.


 

Teorias da Conspiração

 

Se o povo Anunnaki

Implantou ou não em mim seu DNA,

Ok, a vida segue em frente,

Se existem ou não os Illuminati,

Se o mundo eles querem dominar,

Ok, a vida segue em frente.

Se alguns caras de cavanhaque

Querem a terra plana comprovar,

Ok, a vida segue em frente.

Se Hercólubus vem de Cadillac

Para a Terra destroçar,

Ok, a vida segue em frente.

 

Você tem a total liberdade

Para acreditar,

Afinal, a verdade

É o que você decide que será,

E nada mais que isso.

 

Mas não tente,

Por favor, intervir nos estudos da ciência,

Porque não há nenhuma sapiência

Em atrasar e encher de reticências

A observável ocorrência

Do Universo visível e aparente.

 

Se os Reptilianos estão entre nós,

Que bom, tá tudo certo,

Nem que fiquemos a sós,

Conseguirei me tornar o rei do deserto,

Eu continuarei pobre

Ganhando meu salário de cobre,

Trabalhando empregado,

Para me assegurar de ter jantado

A janta do mês passado

Que passei no cartão

E agora tá atrasado.

 

Se os Alienígenas, Arcturianos

E Germânicos

Estão nos curando,

E não nos causando pânico,

Que bom, camarada!

Espero que estejas certo!

Porque se for para acreditar nessas parada,

É melhor acreditar no bem, certo?

 

Ainda que me encha de medo

O Paradoxo de Fermi,

Eu escolho acreditar que é cedo

Para termos a "infame"

Visita de seres mais evoluídos

De outras moradas,

Sem os ruídos

Que aqui se tem,

Nesta Terra mal governada.


 

Mas é de Esquerda ou é de Direita?

 

O Nazismo

Não foi só um movimento,

Foi uma onda,

Uma onda de fogo,

Uma onda de sangue,

Que dizimou

Centenas de milhares

De inocentes.

O Nazismo matou

E se deixar,

Ainda nos dias de hoje

Ele mata

E mata muita,

Muita, muita gente.

 

Tá, mas é de esquerda ou de direita?

É democrata ou republicano?

É estrelinha ou é tucano?

 

Meu filho,

F*da-se!

ESQUERDA E DIREITA

Foram inventados

Somente com o propósito

DE DIVIDIR

A nação.

Porque uma nação

UNIDA

Não pode ser controlada,

Uma nação

SEM O QUE DISCUTIR

Não pode ser roubada.

O que eles precisam

É TE DISTRAIR,

Porque não importa

Quem esteja

NO CONTROLE,

O mesmo vai se repetir,

Se de um partido

Ou de outro,

O país ainda

VAI RUIR,

Para eles o que importa

É QUANTO DINHEIRO INVESTIR

Importa é que da caixa

NINGUÉM PODE SAIR.

 

Já que estávamos falando

De Teorias da Conspiração,

Peguemos os Illuminati

Por exemplo,

Um dos supostos objetivos

Seria dividir a população

Para que não prestassem

ATENÇÃO

No terrorismo que corre solto

POR DETRÁS DO TELÃO.

 

Mas vendo o que acontece

No Brasil e no Mundo,

Não tem como não dizer

Que essa ruptura

ENLOUQUECE,

Porque enquanto

O ocultismo

CRESCE,

O povo adoece,

Adoece na tentativa

De discutir

Qual dos dois lados

É o melhor,

Quando na verdade,

A resposta é uma só:

A UNIÃO.

 

A solução

É escalar,

Subir a subida,

Dar a partida

E desligar os extremos,

Pois a única direção

A ser seguida

É PRA CIMA.


 

O centro não é anarquia

 

O centro não é anarquia,

O centro é foco,

Não pensem que passo meus dias

Defendendo esses bandidos

Só porque eu tenho via,

Porque enxergo e luto

Pela minoria

Como luta muito partido,

O que ninguém sabia

Era que enquanto eu dormia,

Eu torcia

Para que aquela fatia

Saísse do Poder,

Eu fiz o que podia

Para vê-los descer,

Mas e adiantou alguma coisa?

Saiu a sangria

E entrou a hemorragia,

E eu continuo no protesto

Lutando pela alegria

Do pobre sem manifesto,

O problema é que saiu

O comunista da hierarquia

E entrou outro que não devia,

Então não me pergunte

Se sou de esquerda ou de direita,

O que eu na verdade queria

Era que o povo tivesse apoio,

Que a igualdade desse cria

E a geração mais nova equidade

Trouxesse justiça todo dia,

O problema é que o que há muito se fazia

Ainda tá na cabeça de muita gente

Que acha que não ser conservador é rebeldia,

Mas para e pensa,

Se regredirmos ao que a ditadura fazia,

Quem seremos se não mente vazia?

Só de pensar chega a me dar azia,

Viver nesse esquenta e esfria,

E ainda pedir segunda via

Será que é utopia?

Pobres estudantes argentinos lutando

Por passagem de ônibus.

Será que o Brasilzão acabaria

De novo torturando

Tendo exemplo próprio e mais o da vizinha?

Do outro lado um idealista

Persuasivo extremista,

Machista, racista,

Sexista, homofóbico,

Misógino e tantos outros

Quem nem cabe mais na lista.

Rótulos bem empregados,

E eu não gosto de rotular,

Mas esses daí ‘tão bem engajados

Em vergonha passar,

Mas vergonha passa mesmo

É o político que o povo protegia

Porque enquanto protegia

Roubava em grande companhia,

E o extremista

Mesmo com sua soberania

E desejo de autocracia

Provou que enquanto o outro corrompia,

O dinheiro sujo ele devolvia.

Mas de qualquer forma,

Observando essa confusão

Que aqui se forma,

O que eu observo

É que a imagem de nenhum

Dos lados eu preservo

Porque mesmo com governo,

Isso aqui está uma correria,

Gente dando tiro

E ganhando bolsa-banditia

E eu te pergunto

E se ele matasse a única irmã

Da sua tia?

Você ainda pagaria?

Ainda repartiria

Seu mísero salário

Que já é uma porcaria

Com o imposto que deixa

O safado na mordomia?

O socialismo tinha seu fundamento

Com o pão que repartia,

Mas em muitos países faliu,

E ainda hoje, reação tardia.

De gente tentando desexplodir

O que já se explodiu.

Lição básica de administração,

Não é para toda ideia

Que se deve tomar ação,

Porque nem tudo é oportunidade,

Às vezes é mais imaginação,

E aquilo que já foi implantado

E no fim, deu errado,

Precisa ser melhorado,

E repensado,

Senão será contra a correnteza,

Pode ter certeza,

Todo o nado.

Por isso eu digo,

Temos que repensar nossa estadia,

É época de melhorar a economia

E não deixar que essas pessoas

Roubem e tomem nossa moradia,

O centro não é anarquia,

O centro não é ousadia,

Vamos traçar um novo gráfico,

No mapa inovação se afia,

Um novo plano ergue

O que a população dividida

Entre dois extremos não via.

Visando condições justas e necessárias

Para o menor e para a maioria,

Porque olhando para as duas pontas,

Esquerda e direita,

Não consigo ter por nenhum dos dois

Muita simpatia,

Eu até tenho empatia

E consigo ver pelos dois lados,

Mas chega, não dá mais

Para se deixar ser controlado

Pela disparidade radical,

Tenho lutado é pela harmonia

E não pela imposição

Seja pelo poder ou pela oposição,

De suas extremas ideologias.

É hora, é hora de abrir

O baú que ninguém abria,

É hora, é hora de entender

Que o centro não é anarquia,

É a empresa que nenhum empreendedor

Jamais construía,

Porque é preciso todo Brasil

Para reformar com serventia.

É hora, é hora de mixar

As melhores características

Das mangas tecer o resto da camisa,

Só há uma direção para se elevar,

E ela é para cima,

Só há uma maneira de se salvar,

É com equilíbrio,

Fundar essa nova firma.


 

Quando falo para cima

 

Quando falo para cima,

Não faço referência a Nolan,

Faço ao gráfico do sucesso,

Cuja flecha mira o céu.

 

Quando falo para cima,

Não me refiro ao autocrata,

Mas a um plano em três dimensões,

Em que o centralismo de cima é a altura,

E a setas da política atual,

Nada mais que o simplório

Bidimensional,

De Largura e Comprimento.

 


 

Fiz Besteira

 

Enquanto eu tentava dormir,

Uma lágrima manchava meu travesseiro.

 

Tava tentando me decidir,

E fui para a cama sem o corpo inteiro.

 

Porque parece ter uma parte faltando,

E não é que eu esteja brincando,

Ruí em briga, acabei atacando,

Dói demais, estou sangrando,

O menino que estava estudando,

O cansaço levou e acabou desmoronando.

 

Igual a ti não tem,

Ruí em briga com você também,

Mas antes de dormir, deixo pra ti o meu amém,

Ainda que eu não esteja nada bem,

O erro jamais vai roubar minha reflexão, meu zen.

Sorry

(Desculpa)

Desculpa se o humor perdi,

E se meu sorriso deixei esvair,

Se minha face veio a se contrair

Com pesar é que retorno

Uma, duas, três, quantas vezes teus

Lábios acharem necessário para me conferir

Perdão.

E mais do que isso, quero que venha do coração.

— Ele queria alcançar status de rebeldia,

Mas do que adianta vencer o mundo

E o mundo ter sido vencido?

 

Por exemplo,

O fruto de Vênus aqui na Terra,

Reescreve um ser, mas só com a caneta do outro.

 

Façamos de conta que

A presunção e o orgulho

Virassem então entulho,

O que sobraria?

Resto nenhum de muita gente.

 

E por pouco se perde um querido ente,

Uma fagulha é capaz de separar para sempre.

 

Se tem uma coisa, é fazer diferente,

E seguir e perdoar, e pedir e abraçar,

Iguais todos somos, temos medo é de confiar.

 

Quando a dúvida bater,

Uma, duas, três, quantas vezes for preciso,

Escolha o perdão e acalme o juízo.

 

Então é melhor sentir que está com a

Razão do que sentir que o ódio, sentimento

Ruim se perdeu diante da

Emoção que desfaz a doce

Ilusão que são os conflitos carnais?

Não Sou Obrigada

Querida, não sou obrigada

A gostar de você ou das coisas

Que você diz e faz,

Mas eu sou obrigada

A te perdoar pela insapiência

Que percebo

E que o teu preconceito

Vem a justificar.

E essa não é uma obrigação

Para com Deus

Ou com religião alguma,

Mas um tratado

Em contrato de alma

Que propus a mim mesmo

Com o intuito de

O rancor agourento relevar,

E o bom pensamento elevar

Na escada da evolução

Interior.

Temer

 

Tema, tema,

Tema, tema,

Tema temer.

 

Tema, tema,

Tema, tema,

Tema temer

E tema Temer.

 

Tema, tema,

Tema, tema,

Tema temer,

Ou toma tumor.

 

Tema, tema,

Tema, tema,

Tema temer

Ou tumor toma.

A Liminar

 

Saiu a liminar,

A liminar,

A liminar.

Querem nos

Eliminar,

Eliminar,

Eliminar.

A liminar saiu,

Ela saiu,

Ela saiu.

Mandar-nos-ão

Para o Canil,

Para o Canil,

Para o Canil.

Agora podem

Nos internar,

Nos internar,

Nos internar.

Para os machos

Não precisarem

Mais estudar,

Estudar,

Estudar

O Nosso denehá,

Denehá,

Denehá,

Porque é mais fácil

Acusar,

Apontar,

Trancafiar,

Matar,

Dizer que vai curar,

Acabar,

E exterminar

Do que estudar,

Estudar,

Estudar

O nosso denehá,

Denehá,

Denehá.

Desordem e Regresso

 

Eu até tinha esperanças

No mundo e no Brasil,

Mas depois de tudo isso,

É de se mandar pra pura que par--

Acho que o Aurélio

Não registrou como se serviu

A definição de patologia,

Mas a de imbecil.

Não se espera mais nada

Vindo dessa educação nota mil,

Era bem previsível

Proporem algo desse feitio,

Mas não dá para reclamar,

Não, isso é coisa de vil,

Mimimi dos brabos,

Eles estão certos, viu?

Ah, mas se me desse na telha

De invadir esse covil

E transplantar mente-abertismo

Na cabeça desses bravios,

Talvez adiantasse alguma coisa,

Talvez mudasse o curso do rio,

Mas é muito laboroso ensinar

Quem nunca um livro abriu,

Porque eles não querem aprender,

Acham que estão no controle do navio,

Mas um dia eles aprenderão

E verão que a casa caiu,

Pois o povo é a água,

E o povo reagiu.

Talvez seja melhor acreditar

No povo desse Brasil

Que ainda é novo

Mas que já se conduziu.


 

Idade Média

 

I

Quer doença?

Não tem maior enfermidade

Do que o Retorno à Idade Média.

Quer desavença?

Diga para a comunidade

Que nela serão colocadas rédeas.

 

II

Campos de Concentração

Da época do Hi-dículo,

Voltaram a surgir em uma nação

Que eu não vou mencionar o nome,

Mas todo mundo sabe

Que começa com Ch

E termina com Echênia.

Acho que só falta a guilhotina

Para preencher bem a cena.

 

III

Como se não bastasse

Do alto de um prédio empurrar,

O E.I. ainda tem que gravar

A morte de um homem julgado

CULPADO

De ser viado

Mas será que querem mesmo purificar

O mundo ou aterrorizar,

Distorcendo a imagem do Deus de lá?

 

IV

Experimentos em cobaias involuntárias

Caça às bruxas,

Às vezes penso que estou no divã

Em meio a uma regressão,

Mas não é regressão espiritual,

É regressão moral,

Opressão banal

Retrocesso,

Regresso,

Onde está a revolução

Que as boas almas prometeram?

Talvez seja um obstáculo necessário

Para a evolução,

Mas quantas vidas inocentes

Serão reduzidas a calcário

Até que voltem a dar voz à razão?

Daqui a alguns dias,

Só falta não ter mais energia elétrica,

A lâmpada tem sido substituída

Pouco a pouco pelo lampião.


 

Sexo a 3

 

A administração

Desse país

Parece Sexo a 3,

Todo mundo quer fazer,

Muitos não têm coragem,

E os poucos que se propõem,

Ou ficam com medo

Ou não sabem como proceder.

 

A administração

Desse país

Parece Sexo a 3,

Os que realmente querem

Administrar,

Não têm responsabilidade

Para "saudavizar"

E ir em frente com o ménage.


 

A Chuva

 

A chuva derrama

E meneia

Sobre o calor,

Mas não acalma

A peleia.

O fogo,

Já cansado

De tanto ser apagado

Se revoltou,

O obstáculo estudou

E se esforçou,

Fortificou,

E magma virou

Para não ser derrotado

E assim,

De quebra,

O plot twist,

O povo acorda,

Não quer mais engolir

Alpiste.

A chuva derrama

E meneia

Sobre o calor,

Mas não acalma

A peleia.

Pelo contrário,

A chama

Incendeia.


 

Bate-Cabelo

 

O problema em bater cabelo

É que enquanto todo mundo

Está batendo,

Meus fios continuam sóbrios,

Em percepção panorâmica,

Se debatendo.

Anti-Herói

Eu sou um Anti-Herói

O maior encrenqueiro

Que você pode conhecer,

Eu sou encrenqueiro,

Ah, como sou,

Mas eu só sou esse

Trapaceiro,

Porque gosto de fazer

Tudo certinho,

E esse é meu problema,

Esse é meu definho.

Louco

 

Trejeitos e Chiliques

A moda vem e passa

E eu cada vez mais chique,

Sem me importar

Com o que sinto, o que faço,

Nem com o combinar

Das cores do cadarço.

 

Das risadas faço canto,

Do passo a passo, danço,

Escárnio sempre vai existir,

Ojeriza sempre a fingir,

E eu a me deliciar.

 

Quanto mais louco fico,

Mais são me torno,

Clareia-me o olhar

Não mais me importar.

 

Quanto mais doido me identifico,

Melhor da cabeça me sinto,

Em um mundo de réplicas,

Feliz não é bonito nem rico,

Mas aquele jovem rapaz

Que se destaca no que faz.


 

Segurem minhas mãos

 

Podem fazer minha mente,

Prender-me eternamente,

Mandar-me para terapia,

Por goela abaixo reversão,

Cortar minhas companhias,

Mas não podem segurar minhas mãos,

Mãos essas tão travessas

Que pintam o sete

E colorem transcrevendo à beça

A fome e a peste.

 

Podem minha língua cortar,

Em uma jaula me trancafiar,

Tirar-me do contexto social,

Descartar-me como bicho,

Empalar-me feito era medieval,

Tratar-me feito lixo,

Mas jamais poderão segurar

Essas mãos traquinas,

Mãos que sobem pelas quinas

Da borda da moldura,

Transcrevendo essa vida dura,

Relatando o mal que perdura.

 

Podem arrancar meus braços,

Tentar apagar meus traços,

Asfixiar-me no lençol,

Deixar-me desidratar,

No olho do sol,

Podem até me afogar,

Mas jamais prenderão

Minhas mãos,

Tão safadas em parte,

Não se escapam da denúncia,

Mãos de fé e renúncia,

Mãos que fazem arte.


 

Soldado

 

Chora soldado,

Chora que a guerra a ti coercitada

Fica cada dia mais para trás

No rodar da roda a estrada,

Vem junto às vitórias do bom rapaz.

 

Chora soldado,

Chora, pois a cada grito de aflição,

É uma volta por cima,

Pode até demorar um tempão,

Mas sempre acha a rima.

 

Chora soldado,

Chora porque tua conquista é limpa,

Porque a tua batalha é honesta,

E se a vida não anda muito supimpa,

Não desespera, logo vem festa.

 

Chora soldado,

Chora porque a lágrima é tua,

E de ninguém mais,

Se duvidarem do bem que cultuas,

Terás argumentos para jamais.

 

Mas não chora soldado,

Porque tais argumentos

Devem ficar guardados,

Eles são teu documento

De tudo que lhe é sagrado.

 

Então não estrague a deixa,

Não dê aos generais a queixa,

Chore pelo fim da guerra

Quando estiver chegando

De volta à sua terra.


 

Destemido

 

Você quer ser lembrado

Por ser destemido?

 

O medo é o Deus

De muitas almas,

Porque se constrói

A mitologia

Sobre o que se deve

Ou não,

Sobre o que é de Eva

E o que é de Adão,

E define então

O que a sociedade

Ama ou Repudia.

 

Rompa a bolsa,

Sem medo de perder,

O choro da vitória

Às vezes é o da derrota,

Se fosse fácil nascer

E para este mundo vir,

O bebê não berraria,

E a mãe não teria

De uma mãe ser.

 

Todos os dias

Ao aterrissar em casa

Você vai se questionar

Por que não há melhorias,

Nada dura,

Relações rasas,

Onde é que perdura

O erro a te declinar?

 

É a falta de

Coragem,

É a falta de

Coragem,

A falta de

Amor próprio.

 

Todos os dias,

Você será jogado

No meio da arena

Com leões e harpias,

A um passo de ser devorado,

A saída é pura,

Simples e plena.

 

Entregar-se não é a resposta,

Ceder à cura imposta

É pior do que perder uma aposta,

É gritar alto para toda a costa,

Que você mesmo é um b*sta.

 

Ah, mas se o peso pesar,

Lembre-se que ainda há

Um mundo inteiro a melhorar

E o que te definirá

Não será sua cara de paisagem,

Mas o trabalho que com coragem

Se propuser a enfrentar.

 

Rapaz, desistir para quê?

Quem caminha com teus pés

Não é ninguém senão você!

 

As lágrimas

Não serão mais problema,

Pois todo destemido

Tem o seu esquema.

 

Lutar, lutar

Com coragem,

Criar sua própria

Abordagem

Enquanto muitos

Se escoram na viagem,

Vença por ti,

E construa tua imagem.

 

O menino fez a sua parte,

O poeta deixou de fazer

Arte pela arte.

A vingadora se controlou,

A cobra se revelou,

Alice acordou

E o gato gatuno se lascou,

O “descartável” não se descartou,

Maicon, a vida valorizou,

Penha junto ao povo voltou,

Carla telefonou,

O bêbado se apesarou,

A esposa, ex se tornou,

O feio se levantou,

A égua melhor se mostrou,

Shanti reencarnou,

Arcturiano amor mostrou,

O centro se planejou,

O pecador se desculpou,

A liminar o povo desdenhou

E a chuva desencadeou

O que o anti-herói achou

Que fosse a verdade.

 

E o Ricardo,

Da rima pré-sumário

Resgatou

O amor vão que depositou

Em vaidade.

 

Não temas, jovem,

Não temas!

 

Você quer ser lembrado

Por ser destemido

Ou continuar calado

E passar a vida reprimido?

 

Você quer ser lembrado

Por ser destemido

Ou viver anulado,

Sentimento comprimido?

 

Não temas, jovem,

Não temas!

 

Chegou a sua

Hora.

 

Não temas, jovem,

Não temas!

 

Está em suas mãos

Agora.



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