1. Erva Daninha
Corre, malandro,
Corre e esconde tudo na mesinha!
Vai desocupando,
Que lá vem a verdinha!
Verde que nem erva daninha,
Erva ervinha,
Erva danadinha.
Verde que nem a grama da vizinha,
Grama verdinha,
Hah, Safadinha.
Dois globos de vidro vidrados
Verde que nem esmeralda,
De um verde tão ligado,
Que até lhe faz falta.
Que lhe reduzam os triglicerídeos,
Oh, ele está induzindo,
Que lhe façam mais hominídeo
E menos babuíno.
Naturalmente,
Natural, mente,
Não atura a mente
Natureba transcendente.
Árvore, arvorezinha,
Verde que nem a plantinha,
Vende,
Vende que nem erva daninha,
Vende que dá uma graninha.
Não era culpa dele se quatro e vinte
Era o único horário livre,
Só que esperava que notassem requinte
Ocultassem os maus dribles
E tornassem-se perfeitos juízes,
Antes que chovesse em crise.
Se o mar de algas
Não fosse tão caro,
Eruptiriam almas
De máquinas e carros.
Pessoas desocupadas
Comendo salada
Quando poderiam estar empregadas
Na fé mal amada.
Vagabundo, dizem que ele é vagabundo,
Que queima por dentro,
Mas vagabundo é m absurdo!
Agora, ele realmente queima por dentro.
Verde que nem erva daninha,
Erva ervinha,
Erva da nadinha.
Verde que nem a grama da vizinha,
Grama verdinha,
Hah, Safadinha.
Raiva, oh raiva!
O que mais não passaria despercebido?
As roupas enfiadas às pressas em caixas
Quem abrir o armário será subtraído.
Matemática colossal,
E sua mente, ritual matinal.
Os céus praguejam!
O diabo tomou conta daquela dimensão!
Para os que fraquejam,
Havia muito mais que outra opção.
Mas ele não precisava de livro
Para realizar exorcismo.
Ele disse: “eu mesmo me livro
Desse impressionismo”.
O céu não estava mais azul,
O ouro não estava mais dourado,
Em sua mente, chupando caju,
O clima mais mentolado.
Dava para ver que derretiam iglu,
E também dava para ler do outro lado.
E no centro,
Depois de toda a clorofila,
Uma galáxia, buraco negro, epicentro,
Os robôs deveriam era fazer fila.
Verde que nem erva daninha,
Erva ervinha,
Erva da nadinha.
Verde que nem a grama da vizinha,
Grama verdinha,
Hah, Safadinha.
Ele tinha aquilo para ele,
Só ele e ninguém mais,
O troféu quebrado, aquele,
Já nem tinha valor mais.
Era dele, era dele!
Medo era dos pais.
Roger, esqueci a carteira em casa!
Deus o livre, cruz credo!
Será que tava com asa?
Checou, perfume, tudo certo!
Tudo passa,
Menos aquele tesão,
Ai que desgraça,
Nunca sentiu tanta tensão.
Naturalmente,
Natural, mente,
Não atura a mente
Natureba transcendente.
Árvore, arvorezinha,
Verde que nem a plantinha,
Vende,
Vende que nem erva daninha,
Vende que dá uma graninha.
Mas ele não vende, não.
Ele não é nenhum maníaco,
Já está atrelado ao coração.
Removê-los é sinônimo de ataque cardíaco
2. Arrebitadinho
Arrebita, arrebitadinho,
Tomara que não prove do vinho,
Nem dos tragos da noite passada,
Nem das homenagens a outra namorada.
Se os ventos da Califórnia
Não impedem que se forme as
Correntes marítimas,
Que as brisa não a faça de vítima.
Abre as janelas para arejar,
A tradição do cocar,
Chegar a passar mal,
Tem que levar para o hospital.
Mas quem disse que o chão
Precisa estar varrido, então?
Ele não sabe,
Mas na hora o desespero invade.
Queria que as paradas de ônibus
E os corações apaixonados fossem antônimos,
Mas observando assim de pertinho,
Até que é bem bonitinho.
Veludo, couro finíssimo,
Será que o Santíssimo
Ouviu suas preces?
A ansiedade é um mal que enlouquece.
E na ponta,
Uma lembrancinha tonta
Dos tempos de rebeldia,
Quando perfurações ainda fazia.
Nervoso, ele tava nervoso,
Não é como se fosse virar esposo,
Mas o dedo tremia num frenesi
De quem tinha algo escondido aqui e ali.
Ah, meu Deus!
Pelo sangue da Medusa em Perseus!
O papel higiênico!
Esconde! É mais letal que arsênico!
De face amassada,
Se sentindo meio usado,
O colchão abafa o caso,
Porque por sorte, não era raso.
Mas se as andorinhas
Começassem a agir feito galinha...
É aí que a casa cai,
Ora, ora para seu Pai.
Vai tudo dar certo,
Nenhum pio, é mais esperto,
O velho eu dele sendo linchado,
Agora saíra do status de mal amado.
Até deu vergonha, ele era seboso,
Cravo e espinha, doloroso,
Mas agora por entre as mãos,
Tinha seda pura em poucos vãos.
Como era bom alisar,
Como era bom acariciar,
Era a melhor coisa do mundo,
Tomara que não fosse um sono profundo.
3. Vitalício
Conexão Vital,
Ele tá ligadão.
Instinto animal,
A luz do seu coração.
Ele age como o tal,
E até que tem razão,
Ele faz cara de mau,
E logo aflora emoção.
Conexão Vital,
Ele tá pedindo,
Nunca viu nada tão suculento,
Até o céu tá rindo
Numa contração paradoxal,
Morre nas ondas atento,
Onde reside a moral?
No fundo está explodindo,
Sufoca escavação a dentro,
Joga fora o Gardenal!
Hora da composição Trivial.
Conexão Vital,
Ele tá ligadão.
Que escultura monumental!
Dos traços de Eva e Adão,
Sente esta energia global,
Raios e eletricidade em vão,
Porque quanto menos o faz formal,
Mais ele perde a noção
De tempo e espaço.
Queria era ser feito de aço,
Para ficar horas e horas a fio
Ligado neste covil,
Mas se isso estava acontecendo,
Ele era um cara legal,
Se por dentro estava morrendo,
Agora era algo banal.
Queria era viver!
Queria era entender
Como podia ser real,
Mais do que isso, fenomenal,
O tal de efeito lexical,
Na chuva pálida, palpável,
Estava linkado pela fome e pela sede,
Mais tranquilo e confortável
Que deitar-se em rede.
Conexão Vital,
Do verbo, solta o palavrão,
Terrificado pelo patrão,
Espírito animal,
Eletrizado e com razão.
4. Sacanagem Pura
Saca, saca, sacanagem
Entre um grito e um sibilo,
Música de grilo,
Um elogio de verdade,
Uma saca, saca, sacanagem.
O gelo tá pingando,
O fogo tá abraçando
E a noite chegando.
O uivo dos lobos
Colina acima
Levantam os pelos dos braços.
Do pio da coruja e do corvo
Não se reprima,
Hora de redesenhar cada traço.
Entre um grito e um sibilo,
Música de grilo,
Um elogio de verdade,
Uma saca, saca, sacanagem.
O manto cai
E liberta da gaiola
A fera irriquieta.
A dor esvai,
Foda-se quem chamar de boiola,
Borboleta boquiaberta.
O raio atrai,
Canção de palmas, estalos e viola,
Cegueira esperta.
Entre um grito e um sibilo,
Música de grilo,
Um elogio de verdade,
Uma saca, saca, sacanagem.
Bate peito no peito,
Corpo a corpo,
Ele exige respeito!
Mas só um pouco.
Álcool em gel,
Ele se derrete todo,
Adocicado como mel,
Gingado maroto.
Vai mostrar pro mundo
Que veio pra ficar,
Vai na história bem a fundo,
Porque os boletos sempre vão chegar.
Pimenta malagueta,
Ele tem uma rima dinâmica
Com "-eta",
Mas prefere ficar na panorâmica.
Entre um grito e um sibilo,
Música de grilo,
Um elogio de verdade,
Uma saca, saca, sacanagem.
Entre um silvo e um agudo,
Jamais faz-se mudo,
É pra levar para a viagem,
A saca, saca, sacanagem.
5. Amaçarocado
Cheiroso por natureza,
Nunca se viu tanta beleza,
Move-se com destreza
Deixando no encosto
Um resto de mulher.
Mas o que é mesmo que você quer?
O que é mesmo que você quer?
Quando qualquer menino
Encontra-se no declínio,
Pula, joga, escorre pela testa,
Só faz, só faz o que não presta,
Nos holofotes sua e pula fino.
Mas dava pra ver a diferença,
Ela poderia atravessar a renascença,
Mas pensa,
Pensa numa coisa bem cuidada!
Poderia atravessar um rio bêbada chapada
E mesmo na secura, hidratada.
O mais simples toque
Ou qualquer aproximação,
Um clique ou enfoque,
Nada disso ele tinha permissão.
Aquilo era perfeição,
O menino na manjedoura,
Divino demais para criatura pecadora,
Era missão cuidar,
Era missão apreciar,
Missão era o alemão
Não sujar a poura.
A que horas andavam?
Filhos de caipora,
Era mato que exploravam,
Entra, senta e depois cai fora.
Quem sabe o que a igrejinha
Iria pensar?
Um lacinho, uma fitinha,
Talvez uma florzinha,
Para enfeitar,
E nada disso parecia adiantar,
Emaranhado
Em um maço amaçarocado,
Dor nenhuma parecia incomodar.
Livre! Ele estava livre!
Liberto, liberto!
Chega de manifesto!
Livre! A chuva corre livre!
E como raízes por perto,
Pouco a pouco absorvido,
Ih, perdidinho, perdido!
Mas o que é mesmo que você quer?
O que é mesmo que você quer?
No encosto, resto de mulher.
No encosto, resto de mulher.
E quanto mais os tentáculos
Pareciam chupar a essência
Mais valia a pena, a existência,
Menos ele se achava fraco.
Rezas só para um oráculo,
Quiçá Afrodite explicasse a essência
Do perfume endiabrado
Do laço encadeado,
Das correntes e cadeados
Que agora pareciam brotar,
Meu Deus! Prestes a chorar!
Ele se deixou capturar,
E era a melhor sensação do mundo.
Poderia adentrar e cavar bem fundo,
E que se exploda todo mundo.
O que é mesmo que você quer?
O que é mesmo que você quer?
No encosto,
No rosto,
Por todo lado,
Colado, atrelado,
Resto de mulher,
Resto de mulher.
6. (Imagine) Festa de Morcego
Imagine um único fósforo,
Tendo que adentrar um córrego,
No gelo, da noite mais gelada,
Com medo, medo de alma penada.
Imagine uma penumbra,
Risada maligna que retumba,
E a névoa perfeita,
Cemitério, sombras à espreita,
Macabro o suficiente
Para te fazer tremente,
Cera de vela,
Portão medieval,
Será uma cela,
Será a morte, afinal?
Ele andou pé por pé,
Segurando a cruz com fé,
Sem nenhuma estaca de madeira,
Só mais um zé mané,
Prestes a enfrentar a derradeira
final, pois é...
Castelo frio,
Até um fio
Que caísse na pedra
Retumbava eco uma era.
E entrou coco na mão.
E entrou coco na mão.
Imagine uma ceia
Uma pura de uma ceia,
Adrenalina na veia,
Ele quer comer,
Ele senta e vai comer,
Forra o bucho,
Dane-se o bruxo,
Ele vai estarrecer.
Paaah! Abre-se a corta
No segundo andaaah!
E das escadas escorrendo,
Um velho morcego:
“Meu filho, você está comendo,
E eu lá em cima, bebendo,
Nada percebendo.”
E ele apertou,
Apertou.
“É agora que eu vou!”
Que nada,
O velhão deu risada
Embriagada
Passou uma garrafa,
Ele pensou que era cachaça,
Mas era um vinho
Muito vermelho para ser novinho.
“Tomai e bebei,
Em memória do fim,
Porque aqui é lei
Trocar carícias assim!”
E foi com sede ao pote,
A taça era de pequeno porte,
Mas bebeu,
Toma!
No vermelho se perdeu,
Amanhã hematoma,
E o resto fica nas mãos de Deus!
Poxa, que velhinho sacana!
Poxa, que conde bacana!
Ele nunca tinha participado
De uma festa de morcego,
Mas imagine! Se toda vez for assim tão animado,
Ele já vai chegar tomando sangue cedo!
7. Campo de Força
Dias e dias carregando corpos inertes,
Corpos de terceiros, é claro,
E ao que lhe compete,
Levar a cruz alheia é caro.
Um apertão e desaparece tudo
Rola os olhos e solta um gemido,
Transportada para outro mundo,
Seu Campo de força havia falido.
Pra que barreiras se há flertes?
Um pouquinho mais acima, o faro,
E aí estremece toda, e repete,
Estimula com os dedos, ato de amparo.
Um apertão e borra, fica profundo,
Mas na escuridão, há sentido,
Deixam-se os fluidos,
Deitam-se os pedidos.
Aperta,
Aperta e massageia,
Desconcerta,
Desconstrói, permeia.
O rio lava as pedras
Escalavrada das águas anteriores,
As mãos tiram as macegas
E na dor, retira todas as outras dores.
Um apertão e desaparece tudo
Rola os olhos e solta um gemido,
Transportada para outro mundo,
Seu Campo de força havia falido.
Pra que barreiras se há flertes?
Um pouquinho mais acima, o faro,
E aí estremece toda, e repete,
Estimula com os dedos, ato de amparo.
Passa as mãos,
Excita,
De ronronar a gemidão,
Sobe a pipa.
8. Veludo
Reconfortante veludo,
Os apertos descem pela estrada de ossos,
Mas não é o vale da morte, absurdo!
É uma via de posso’s e não posso’s.
E vai descendo sem sair do lugar,
E vai tocando e vai ouvindo estalar,
A mão que toca, afunda e se some,
E é tão bom, que só aflora a fome.
Faz um bonequinho com os dedos
Caminhando em linha,
Esfrega e esfrega, até esquecer dos medos,
Está começando a passar do ponto, a perder a linha.
9. A Terra é Redonda
A Terra é Redonda
Mas não é do formato que se pensa,
Duas faces,
Dois globos
Cheios de vida,
Corre água,
Cheios de vida,
E ali encaixa mais uma conexão,
Linguagens, Literais,
Prazer,
Corre água,
Cheios de vida.
A Terra é Redonda
E pela esfericidade de sua superfície,
Perfeitinha,
Igual de um lado ao outro,
O único planeta habitado,
O único planeta com vida.
E, ao passo de ser sugada
Por um buraco negro,
Abre-se em águas
Sugada por algo ainda maior.
A Terra é redonda
Mas não é do formato que se pensa,
Duas faces,
Dois globos
Cheios de vida,
O único planeta habitado,
O único planeta com vida.
Sugado
Sugado por algo ainda maior.
10. Ele foi para a Cadeia
Ele foi para a cadeia,
Uma cela de superlotação,
Mas a coisa não tá feia,
Mesmo esmagado, um sorrisão,
Estendidos como na Santa Ceia,
Isso aumenta a conexão.
Ele está atrapado,
E faz bem para a pele,
Ele não quer fugir, atacado,
Vai sair em todas as manchetes,
Ele quer rolar de lado,
E carregar junto — pochete.
Ele foi para a cadeia,
Privado de sua liberdade,
Respira, Res-pi-ra,
Vai acabar, mais cedo ou mais tarde,
Mas ele não quer que acabe,
Está muito cedo para o escape,
Deus o livre, antes tarde.
Ele foi para a cadeia,
E só de pensar nesse momento,
As pernas viram líquido,
E no mais ínfimo movimento,
Foi pegajoso, foi íntimo.
E a prisão é boa pra caramba,
Ele quer ser seu escravo,
Andar acorrentado,
Estocolmo, Síndrome de.
E a prisão mexe, pula, samba,
Ele quer ser seu escravo,
Implorar por ser liberado
Sem nem um pouquinho querer.
Prazer.
Só por prazer.
Agarra nas mãos
E finge que é algema.
Agarra as mãos,
As conduz e muda a cena.
Troca a posição,
Troca o poema.
11. Elástico
Antes era ele,
Agora é ela.
Ai dele
Não toca nem rela.
O caminho é só um,
Mesmo que se viaje sem mapa,
Não encontrarás urubu algum,
Vai ser como pisar na chapa.
Quente,
Quente,
Quente,
Ardente,
Mui Caliente.
O caminho é só um,
E segue uma ordem cronológica,
Pega a câmera, dá um zoom,
Tem uma certa lógica.
Tudo vai ficar mais perto agora,
Tudo vai chegar na sua hora.
O caminho é um só
E vai ser como pisar na chapa,
Quente,
Quente,
Ardente,
Mui Caliente,
Mui Guapa.
Fivela, zíper, elástico,
O que se esconde por detrás do plástico?
Fivela, zíper, elástico.
Sempre vale a pena ser entusiástico!
Antes era ele,
Agora é ela.
Ai dele
Que toca e que rela.
Mas não precisa disso,
Queimando todos os livros de autoajuda,
Consumir com todo o reboliço,
Quem precisa que acuda,
Se há quem preste o serviço?
Boa sorte em plantar a próxima muda.
Fivela, zíper, a marquinha,
Acampamento, escoteiro, barraquinha,
Os gritos! — Que se dane o que a vizinha,
Vai pensar,
Ele tá na sua, e você na minha,
Não pare. Acabou de começar.
12. Promessas de Para Sempre
Era para a vida toda,
Era para toda a vida.
Apesar dos pesares,
A lâmpada da ideia brilhou sobre a cabeça,
No meio de uma troca de olhares,
Lembrou-se de Vanessa.
Não era o momento apropriado,
Fotografias distantes no sótão — Encaixotado!,
Mas era aquela protuberância
Que trazia relevância,
Que elegância!
Dava um nervoso que gelava a espinha,
Dava uma certa ânsia,
Mas era dádiva de fada madrinha.
Era para a vida toda,
Era para toda a vida.
Joias não são só enfeite,
São símbolos.
Joias não precisam ser presente,
Por serem íntimos.
Lembrou-se de Vanessa, a ex,
Lembrou-se de seu cãozinho pequinês,
E também dos planos,
Arruinados não ao longo de anos,
Em um dia.
Uma escorregadinha...
Não era o momento apropriado,
Fotografias distantes no sótão — Encaixotado!,
Mas era aquela protuberância
Que trazia de volta o sentimento,
Lembrava-se da infância
E das promessas com consentimento,
Por que não tentar outra vez?
Era jovem, o cãozinho pequinês,
E mesmo assim, o que o menino fez?
Curvou-se e assim desfez
Os laços já esfiapados quase arrebentando,
E repetiu o mesmo comando.
Era para a vida toda,
Era para toda a vida.
Quer que seja para sempre?
O sempre não existe,
Mas se por um momento se fizer insistente,
Pode ser que, imortal, se conquiste.
Era para a vida toda,
Era para toda a vida.
Quer que seja para sempre?
Não se pode começar sem terminar,
Tudo é em ciclos... De bebês a entes,
Depois de morto, há de se enterrar.
Mas até lá,
Até lá
É para a vida toda,
Para toda a vida.
13. O Desenho do Renascer
Reconfortante veludo,
Os apertos descem pela estrada de ossos,
Mas não é o vale da morte, absurdo!
É uma via de posso’s e não posso’s.
E vai reprisando, até o caro leitor lembrar,
Que tudo o que aqui foi dito, há de se conectar.
E não é que lá havia um desenho
De um pássaro em chamas,
Uma Fênix!, franziu o cenho,
Já havia deitado em outras camas.
Mas era uma visão tão linda,
Grafite de fora a fora,
Boquiaberto, a boca na esquina,
E a língua para fora.
Beija, como quem engole a morte
E deixa só a vitalidade,
Foi escandaloso, foi forte,
Efervescente para a idade,
Perdeu a Virgindade.
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