A Brabuleta



A BRABULETA

por Quadros de Sá

E todas essas paredes cinzas,
E nuvens sangrentas que lampejam,
Todas essas pessoas ranzinzas,
Que dão bom dia, mas não desejam.


Ela escorrega tentando voar contra o vidro,
Mas há tanta porta e janela aberta,
Que nada do que está nos livros
Parece-lhe ser a escolha certa.


Brabuleta nasce sabendo que vai voar,
E agora que ela deixou a crisálida,
Não vai ser impedida de sonhar,
Porque sabe que toda dor é válida.


Eles acham que podem maltratá-la,
Mas ela certamente tem foco bem preciso,
Muitos remédios, curativos e talas
Para sempre voltar e restaurar o sorriso.


Eles acham que vão fazê-la se encaixar,
Mas ela nunca esteve encaixada,
E com certeza nunca irá se adequar,
A Brabuleta nunca foi quadrada.


Ninguém parece ser capaz de compreender,
Mas ela vai dar a volta por cima,
Todos acham que ela ainda tem voz de bebê,
Mas a Brabuleta sabe escapar do mau clima.


Fiquem com seus papéis e alvarás,
Tentando chamar de topo, o lodo,
Primeiro a Brabuleta se libertará,
Depois libertará a todos.


Voa, voa, Brabuleta,
Voa e faz do teu dia, um dia melhor,
Voa, voa e volta sempre espoleta,
Seguir o coração, você já sabe de cor.

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