Segunda-feira raiou como um dia de glória. Luci colocou uma bota de látex de salto alto e abusou no batom vermelho. Vestiu uma jaqueta de couro e um vestidinho casual na cor, borrifou um perfume picante e com uma majestosa sombra preta em torno dos olhos, saiu para trabalhar. Bem simplesinha. Só que não.
Luci estava preparada para o que estava por vir. Passou o domingo inteiro ouvindo sermões da tia Marta, mas ela estava feliz. Sorria por dentro e por fora. A aura negra que envolvia aquela casa havia se dissipado, levando para longe o peso que tanto tentava afastar as duas. A aura agora estava nela e só nela, não mais ameaçando um querido membro da família.
— Luci, onde é que você estava com a cabeça? — Pergunta a tia, possessa. — O que você fez... Não foi certo!
— Tia... Ah, tia... Certo e errado são meras convenções sociais da humanidade. As únicas coisas que são "certas" neste mundo é a morte para quem se está vivo, as leis da física e da natureza e é claro, o fato de que não temos culpa de sentir o que sentimos... São essas três coisas que não podem ser mudadas. De resto, é tudo um conjunto de normas e regras que alguma cabeça humana inventou... Cabeça essa pensante ou não.
— Luci, você ficou pelada em público! — Ralhou a tia. — E eles gravaram um vídeo! E se isso vazar?
— Correção, tia: Eu não fiquei pelada, eu estava de lingerie, e o vídeo já vazou. Você sabia que eu recebi exatas 486 solicitações de amizades em uma única rede social?
— Por que você faz isso? Por que faz o que faz? Por fama? Por atenção? O que você quer de mim? Eu não entendo, minha filha. Deixe-me tentar te ajudar.
Tia Marta estava visivelmente preocupada com Luci, mas depois do "sonho" que tivera, tudo se esclarecera melhor na mente da menina.
— Não se preocupe comigo, tia. Eu te amo e está tudo bem comigo. Eu não tenho medo dos comentários, sejam eles maldosos ou não. Pelo contrário... Eu gosto de números.
Luci encostou a porta e deixou a residência, ainda com a conversa que tivera com a tia fresquinha na mente. Era um novo começo e ela sabia que sofreria alguns danos colaterais devido sua audácia e coragem, mas ela não se importava. Estava apenas começando.
Chegando à loteria, ciente de que suas atitudes durante a semana certamente haviam respingado ali também, Luci sentou-se em seu lugar, vestida como se estivesse indo para a balada, como se nada tivesse acontecido.
— Por que não atendeu às minhas ligações? — Ralha Mateo, notavelmente nervoso. — Eu estava preocupado com você! Você me deixou no vácuo o final de semana inteiro!
— Mateo... O meu celular não parou de apitar, era uma notificação atrás da outra, eu tive de silenciá-lo. Desculpe.
— Mas você... Está bem?
— É claro que não. — Diz Luci, sorrindo. — Mas eu finjo estar. Eu nunca recebi tantos convites de meninos e tantas críticas de meninas... E dentre eles, o Leo... Mas quer saber? Que se danem esses idiotas! Olha só no que esse mundo se tornou... Um homem pode andar, caminhar e fazer corrida na rua sem camisa durante o verão todo, mas uma mulher não pode amamentar o filho em público em um aperto... E adivinhe só... Eu nem fiquei pelada de verdade, foi só um sutiã e uma calcinha! O que tem demais nisso? Todo mundo veste roupas debaixo... Ou pelo menos, todo mundo deveria vestir. Isso não é de conhecimento geral?
— É verdade. Eu sou homem, mas superentendo isso que você diz. O mundo está repleto de idiotas narcisísticos presos em suas bolhas de ideias e tudo o que foge daquilo que lhes convém, por mais comum a todos que seja, lhes parece abominável diante de seus olhos.
— Exatamente. Você percebe como as coisas não possuem sentido, Mat? As pessoas vivem uma vida fazendo coisas sem sentido. Por que o homem pode ficar desnudo em público e a mulher não? Vai ver é porque a gente não vê mulheres estuprando por aí... Vai ver as mulheres (que não as fabricadas como as gêmeas-plásticas) fazem as coisas pensando na razão por trás delas, enquanto os homens... Bem, só agem como animais, por puro instinto. Sem ofensas.
— Como eu poderia me ofender quando há uma mulher forte, independente e totalmente certa falando a verdade? — Diz Mateo, aproximando-se de Luci, como se fosse beijá-la.
Nisso, uma colega de ambos chega e diz o seguinte:
— Luci, o chefe quer ver você!
Depois de meia-hora na sala do chefão, Luci sai de lá com um riso de satisfação estampando o rosto.
— E aí? O que ele queria? — Pergunta Mateo.
— Mat, Mat, Mat... Se hoje é o meu último dia nesse inferno... Então por que eu precisaria me preocupar com a fila? A vontade que eu tenho é de ir mandar se fuder! Eu não sou escrava, Eu vou atender ao seu lado até o fim do dia só porque eu me importo com você, de verdade! Não posso te deixar na mão!
— O que? Peraí! Repete! Você foi demitida? — Mateo fica pasmo, incrédulo.
— Aparentemente, eles não querem que a imagem de uma "feminazista" seja vinculada à da empresa, pois aparentemente, segundo ele... Isso não geraria "lucro".
— Ah... Luci... — Mateo não sabe o que dizer. Ele se sentia culpado por não ter ficado do lado da amiga na festa e agora triste por ela estar se despedindo.
— É isso o que o mundo se tornou, não é? Uma grande competição, onde quem tem mais, manda e quem tem menos, obedece. Onde o valor das pessoas é estipulado pelo patrimônio e não pelo caráter, pelas roupas (ou a falta de) e não pelo ser humano que há por trás da casca. Um mundo de aparências e de vergonhas... De tragédias e de luxúrias. As coisas naturais são criticadas, as coisas artificiais, endeusadas. Os olhos estão voltados para as telas, as mentes estão voltadas para a ficção. E enquanto seus corações imploram para que fujam, eles permanecem quietos e parados, obedecendo submissos porque são escravos do verde. E quando eu digo verde, eu me refiro tanto ao dinheiro quanto à maconha. O mundo acabou, Mateo. De verdade... Esse lugar só traz sofrimento. A vida não é boa: ela tem coisas boas. Mas há muito mais coisas ruins do que boas e nós só percebemos isso porque damos atenção demais ao que nos fere e ficamos nesse lenga-lenga porque obrigamos um ao outro a participar disso diariamente. Chama-se Inferno por alguma razão...
— Credo, Luci! Você realmente não está bem!
— Aí é que você se engana, Mateo. Eu estou ótima. — Ela sorri, mas Mateo não consegue identificar se é sarcasmo ou felicidade genuína. — Eu fui liberta e agora que estou fora da jaula, ninguém poderá me impedir de ser feliz.
— E o que você pretende fazer a partir de agora?
— Bom, eu vou focar na construção do Mente-Abertismo. Depois desse fim de semana e da enxurrada de críticas que eu recebi (da minha família, das pessoas na internet, da Sara, dos pais da Sara, das amigas da Sara...), eu percebi que todo mundo está tendo uma visão muito fechada das coisas. E é como eu havia realizado antes... Eles querem impor uma linha reta como caminho único e confiável, mas não é bem assim. Não existe certo nem errado, existe o que convém e o que não convém e dependendo das situação, a razão muda. Naquele dia, naquela fez, conveio eu ter feito aquele manifesto. Hoje, aqui e agora, na empresa, não. Mas tudo bem, eu tenho muito trabalho pela frente e ele não é exaustivo e operacional como esse daqui... Eu vou me aproveitar de números, mas não de dinheiro, de visualizações.
— Ai, eu não acredito! Você vai fazer coaching online?
— Jesus foi um grande líder, talvez o maior de todos. Eu nunca chegarei aos pés dele, mas eu vou me mobilizar para espalhar essa mensagem, a mesma que ele tentou espalhar há dois mil anos atrás... A de que o amor, a natureza e a vida são as únicas razões. As únicas maneiras do qual nós, meros mortais, podemos sentir a grandeza de Deus. Eu não sou crente e também não sou pseudo-cientista. Não quero ser designada como coach ou influenciadora digital... Eu tenho um papel no mundo. E eu estou com raiva, mas a minha vingança não vai ser pessoal. Quando eu estiver brilhando entre as estrelas e todo mundo vir que a ideia que eu estive tentando passar esse tempo todo estava certa e fazia sentido, então terei me vingado, pois todos olharão para mim, se lembrarão do que fizeram e pensarão: Poxa vida, eu falhei. Eu tive uma visão errada sobre essa garota.
A ruiva passou tão rápido para dentro de casa, direto para o quarto, que pareceu apenas um vulto indistinto aos olhos de Lucas e Tia Marta, cujos cumprimentos evocados ficaram sem nenhuma resposta que não o bater da porta, que retinindo nas dobradiças, sofreu o impacto da dor. Mas a pobre abertura estava anos luz de distância de sentir o sofrimento que aquela que a maltratara estava passando por, naquele momento.
Sozinha em sua cama, Luci começou a tremer, tapando a boca e tentando evitar ser ouvida. Não queriam que a vissem chorando. Ninguém gosta de ter alguém chorando por perto. Ela não queria demonstrar fraqueza, por mais que estivesse esmigalhada por dentro, mais despedaçada do que os menores farelos que se possa imaginar.
Sentia mental e, inclusive, fisicamente uma dor no peito enquanto as lágrimas quentes e angustiantes banhavam seu rosto, borrando a maquiagem divina que preparara antes de sair de casa. A garganta estava embolada e as vistas ardiam, assim como ardia aquele sentimento ruim no local que identificava pelo lado de fora como sendo o coração. Ardia. A ardência... O ardor... Eram como fogo queimando garganta acima, só que ela não podia abrir a boca. Tinha que mantê-la fechadinha para não espalhar o incêndio e isso era pior ainda. Não poder evacuar só fazia com que as chamas ficassem retidas dentro dela e por isso, sentia-se cada vez pior.
Luci sentia um peso, o mesmo peso que tentava afastá-la de sua tia. O peso da existência. Ela parecia ter engordado centenas de quilos. E engordar não é o melhor termo neste momento. Ela se sentia uma baleia. Obesa. Cheia de estrias e cicatrizes que nunca iriam sarar. Luci se sentia a boba da corte que passava de mão em mão. Ninguém a queria por perto, o máximo que faziam era suportá-la. Luci estava presente no ambiente e era isso... Só isso. Ela não fazia diferença na vida de ninguém, não importava para ninguém. Ao menos era o que aquela vozinha no interior teimava em lhe dizer. E tornava e tornava e tornava a atormentá-la.
"Você é um peso. Um peso do lado de fora e um peso do lado de dentro. Um estorvo. Você tem um peso no mundo e só você pode carregá-lo. Ninguém mais parece gostar de você. O seu peso esmaga as outras pessoas. Ninguém jamais vai te ajudar a carregar esse fardo. Ele é a sua cruz. Carregue sozinha. Você sempre esteve sozinha a vida toda e é assim que vai ser até o último dia. Ninguém se importa. Todos que podiam te suportar já te encaram como uma brigona e te tratam com indiferença. Olha lá a Luci. Ok. Que legal. Foda-se."
O que eles não percebem é que Luci só é assim, brigona, porque tem alguma coisa muito errada acontecendo dentro dela.
Ela grita, ela implora, ela fica de joelhos, mas a indiferença dos outros não os permitem enxergar o que ela tanto sofre para dizer. Ela está dando avisos, ela está dando sinais. Mas ninguém jamais os capta, porque para eles, isso é só um distúrbio de personalidade. Algum transtorno de uma adolescentezinha espinhenta e mau-humorada.
Não é isso. O mau-humor vem da dor e do vazio, do frio que penetra seu coração e sua alma.
Luci está gritando desesperada, mas nenhuma porta se abre. Ela sabe que as madeiras não ouvem, mas quiçá quem estiver do lado de dentro pode escutar.
Luci não se sente bem na casa da tia, não se sente bem dentro do próprio lar. Onde quer que ela vá, ela deixa um rastro de destruição. Um incômodo. Ela era um incômodo junto aos cômodos da casa. Ela se sentia tão útil quando uma mobília velha e desgastada trancando o caminho. Se sentia tão viva quanto.
Por que ela corria tanto atrás da atenção dos outros, mesmo daqueles que não mereciam sequer um pingo de sua amizade (verdadeira e substancial)? Porque ela precisava sentir que alguém, por um instante que fosse, não a visse como mais um móvel... Como um vaso de flores cujas plantas em seu interior já morreram há anos e ninguém veio para trocar.
Luci mendigava atenção, mendigava cada segundo de um carinho, de uma conversa, um toque, um abraço. Ela não se sentia amada, se sentia uma alienígena, uma intrusa. Invasora. Onde quer que ela estivesse, sentia os olhares pesando sobre ela e o próprio peso comprimindo o tempo e o espaço ao seu redor. Ela não era ninguém. Se fosse encontrada morta, seria dada como indigente. Ela não queria isso. Queria ser importante para alguém, ao menos uma vez na vida.
Queria ser lembrada. Queria ter um legado.
Mas mais do que isso, queria que, enquanto ainda estivesse viva, fosse celebrada como mais uma integrante do grupo e não só como uma "tanto faz como tanto fez".
Por isso que Luci era uma abobada, uma piadista descontrolada. Ela queria arrancar sorrisos, queria que os outros esbanjassem expressões que dessem a ela um único fiozinho de esperança de que nem tudo estava perdido, de que ela tinha alguma importância. Que ela tinha algum valor sentimental. Mas ela não conseguia perceber isso nas pessoas. Para os outros... Ela só era mais uma reclamona, revoltada com a vida. Uma briguenta, uma idiota, uma palhaça. Uma... Sem noção. Louca. Fora da realidade.
Sim, todas essas coisas loucas e fora do comum estavam acontecendo e entrando em erupção do lado de fora porque por dentro havia um pequeno foco de incêndio, uma fumaça tóxica e um vazio do qual Luci jamais conseguira apagar. Tudo isso, toda essa máscara que ela utilizava para conseguir a atenção e a amizade dos próximos era um artifício para alimentar o buraco que a consumia diariamente de dentro para fora. Mal ela sabia que este buraco nunca seria preenchido com uma busca externa. Mal ela sabia que esta fenda jamais seria selada com algo que outro ser humano, também em conflito consigo mesmo, poderia oferecer...
Nisso, Luci desperta do devaneio psíquico voltando à realidade em um estalo: alguém estava batendo à porta.
— Luci, sou eu. — Disse a tia Marta. — Está tudo bem?
Luci ficou com vergonha de responder, fazendo o maior silêncio o possível para que tia Marta não percebesse que ela estava chorando, mas o fungar do nariz estragou tudo.
— Luci, abra por favor. Vamos conversar! Eu estou aqui por você!
E então, ao ouvir aquilo, a menina desatou um choro alto, berrando mais do que criança. Mas ela não cedeu à tia. Enterrou a cara no travesseiro e abafou o grito de angústia, bem como a respiração.
— Eu vou trazer uma coisa que você gosta! — Disse a tia e Luci pode ouvir claramente ela se afastando pelo corredor, o toc toc dos sapatos no assoalho retinindo em seus ouvidos que, muito embora naquele momento, já estivessem surdos devido ao próprio pranto ecoando em sua mente.
A tia voltou rapidamente pelo mesmo caminho e disse:
— Vou deixar aqui na porta. Quando você quiser, venha buscar. Eu estarei no meu quarto. Se precisar... E eu sei que vai, Lucas e eu vamos estar lá.
Tia Marta se afastou novamente e Luci conseguiu perceber isso só pelo som que vinha do lado de fora. Ela ficou então, curiosa. Esquecendo-se por um momento da problemática que afetava sua cabeça, ela engloiu o choro por um momento (o que parecia-se com vidro cortando sua garganta, pois literalmente doía na região de sua faringe), inclinou-se para a frente e levantou-se da cama, indo pé por pé para perto da porta. Ela ficou escutando a porta, do lado de dentro, para ver se sua tia não estava ali, tentando enganá-la. Mas, depois de alguns boooons segundos, ela se convenceu de que a tia Marta havia ido embora e que ela estava completamente sozinha.
Abriu uma frestinha da porta e pôs o olho para fora. Havia uma enorme caixa de papelão sobre o chão, em frente ao quarto. Ela reconheceu a tal caixa na hora, e seu coração se encheu de dó, forçando-a a chorar novamente. Como ela havia sido injusta com a tia Marta! Marta sabia exatamente o que fazia Luci feliz e o que ela gostava de fazer para se sentir melhor, quando estava triste.
Pegou a caixa com as duas mãos e mesmo cheia de sujeira (estava guardada no quartinho das tralhas havia mais de ano), colocou-a sobre a cama, abrindo-a e se deparando com dezenas de álbuns de fotografia de sua família. Luci procurou o que ela queria.
Abriu um e, ao deparar-se com fotos suas de bebê, em estúdio, disse para si mesma: "Não é esse".
E continuou procurando.
Passou por seus aniversários, por alguns momentos do jardim de infância e das séries iniciais, por sua formatura do ensino fundamental, por alguns momentos felizes de churrascos e outras festas em que todo mundo estava contente e posava sorridente para as fotos...
Até que achou o álbum que tanto a alegrava em momentos difíceis: O com as fotografias do casamento de seu pai e sua mãe.
A primeira foto do álbum já servia como uma capa: Aerton & Caline, dizia em uma letra toda trabalhada, feita pela produtora do evento.
Ela abriu as páginas e folheou rapidamente até achar a fotografia perfeita: uma em que Aerton e Caline, seus pais, estavam sorrindo em um momento totalmente descontraído, pegos de surpresa pelo flash do fotógrafo.
Aerton era um homem mais velho, de cabelos grisalhos. Tinha olhos claros e pele extremamente pálida, uma barriguinha saliente e uma altura considerável. Dois metros e dez, está bom para você?
Caline, por outro lado, era uma versão magra de Luci. Ela tinha cabelos longos e lisos, muito, mas muito ruivos. Mais laranjas do que os de Luci. Ela era baixinha, cheia de sardas por todo o rosto, braços e costas. Dela, era quem Luci sentia mais falta. Nada contra o pai, mas ela sentia que havia perdido uma conexão de outro mundo quando sua mãe partiu.
Luci pegou a foto dos dois, cheirou e a levou junto ao peito, abraçando o pedaço de papel como se, naquele pequeno lembrete físico de uma existência passada, ela ainda pudesse senti-los ali com ela.
Dado um tempo depois de ter pego a caixa, Luci foi de pés descalços até o quarto de tia Marta. A televisão estava ligada. E lá estava ela, na cama, e em duas cadeiras de praia, daquelas de abrir e fechar, estavam Lucas e também, para sua surpresa, Mateo.
Eles a olharam com ternura e foi como se a abraçassem. Luci não resistiu e voltou a inundar a si própria com a emoção que brotava espontaneamente de dentro. Ela correu e apertou todos de uma só vez em um abraço coletivo e pela primeira vez, naquele dia, ela se sentiu amada.
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